10
Fev 10

O Candidato

Por JSC, às 15:44 | link do post | comentar

Depois de tantos dias a dar o litro nos órgãos da comunicação social e a falar de Estrasburgo para o mundo e para o país, Paulo Rangel anuncia a sua candidatura à liderança do PSD. Assim, Passos Coelho já tem adversário com quem desenvolver as guerras internas no PSD.

 

Como não devem aparecer mais candidaturas, os membros do PSD vão ter que optar entre um político (de carreira) liberar (agora um pouco contido) e um académico recém chegado ao grupo, que até já obteve resultados eleitorais interessantes, mas de quem pouco se sabe acerca do projecto político que tem para o país, talvez porque tem andado muito atarefado com a defesa da liberdade de expressão e o combate contra a asfixia democrática.

 

Para o resultado final não importa muito o que Paulo Rangel irá dizer logo pelas 20 horas. Paulo Rangel, de quem a maioria dos militantes do PSD pouco saberão, por constituir novidade, bem poderá surpreender Passos Coelho e ser o próximo líder do PSD. Depois, ganho o PSD seguir-se-á o País dentro de dois anos. Até parece fácil.

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09
Fev 10

Ontem e hoje

Por O meu olhar, às 22:59 | link do post | comentar

Fui visitar a exposição “ Resistência. Da alternativa republicana à luta contra a ditadura (1891-1974)”, no Centro Português de Fotografia, ex-cadeia da Relação do Porto. Esta exposição enquadra-se nas comemorações do Centenário da República.
É uma exposição imperdível, quer pela sua grande qualidade, quer pelo rigor, quer ainda pela capacidade de nos trazer, numa visita aliciante, um turbilhão de memórias, de informação, de reflexões sobre a história recente deste país.
E como se compreende o que se passa hoje visitando este passado, sobretudo o que se passou na primeira República!... E digo-vos, em jeito de desabafo, mesmo eu que me considero uma optimista por natureza, começo a ficar preocupada com o rumo que tudo isto leva. Quando vejo o muito que há a fazer para levar as empresas para a frente, melhorar o ensino, melhorar a justiça, eis que se assiste a um verdadeiro carnaval politiqueiro, sem fim á vista. E tenho pena, porque o que vejo são prioridades trocadas, pessoas que vão a reboque de interesses partidários de poder e tudo o mais fica para o fim da lista, sempre depois do disse que disse.
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Estes dias que passam 200

Por mcr, às 22:32 | link do post | comentar | ver comentários (1)

O Entrudo papa tudo (provérbio)

O Senhor Procurador Geral entende que “não há indícios de crime” nas escutas que lhe foram levadas ao conhecimento. E disse mais umas coisas sobre o que “qualquer aluno do primeiro ano de Direito” deve saber sobre este tema.

Eu que ultrapassei essa dificultosa fase do 1º ano ( e do 2º, do 3º do 4º e do 5º e que até frequentei o 6º ano, o tal a que só se chegava no caso de haver uma média global lisonjeira) fico já não direi preocupado, mas seguramente, estarrecido.

Ao que se sabe, o senhor Procurador Geral  (foi ele que o disse) ele não achou que havia indícios razoáveis para abrir um inquérito.

Ora, abrir um inquérito, significa justamente que, face a um certo número de factos indiciados por  conversas apanhadas fortuitamente, convirá acabar quaisquer dúvidas por via do mesmo inquérito. E provar a razoabilidade ou não dos tais indícios. Um inquérito não significa, perdoar-me-á o senhor Procurador Geral, qualquer culpabilidade por parte de quem quer que seja. O inquérito serve para, de uma vez por todas, acabar com este clima obsessivo de desconfiança que, refira-se, vem de longe e foi, volte a dizer-se, atiçado pelas declarações infelizes do senhor Primeiro Ministro quer à imprensa, quer num congresso do seu próprio partido em que ele entendeu atacar estações de televisão, jornalistas e directores de programas.

Conviria indagar esta pequena questão: é verdadeira ou é falsa a massa de conversas gravadas nas escutas e publicadas?

Se é falsa, espanta-me que as acções de difamação (sempre tão apregoadas) ainda não tenham sido sequer anunciadas.

Se é verdadeira, por quê recear o tal famoso inquérito que aliás poderia, de uma vez por todas, acabar com este tipo de acusações?

Formei-me, como cidadão e como jurista, numa época e numa sociedade em que a expressão liberdade de informação soava a escárnio. Todavia, como aliás ocorre com os senhores Procurador Geral e Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, aprendi (aprendemos) o Direito suficiente para entender que a rapidez e a nonchalance com que se arrumaram as escutas acidentais parecem imprudentes.

Ou seja, estamos a pisar, se é que já não se atravessou o Rubicão, um risco muito sério. E ele é este: a questão jurídica começa a politizar-se alarmantemente. E a questão politica começa a parecer cada vez mais uma mascarada jurídica. Bem sei que se está em plena época carnavalesca mas o Carnaval acaba daqui a poucos dias numa quarta feira de cinzas. Oxalá essa fogueira de inúteis artefactos não afecte a nossa vida, a nossa honra e a nossa consciência.     


Sarah Palin

Por Castro, às 11:39 | link do post | comentar | ver comentários (2)

 Sarah Palin é a candidata favorita da ala mais conservadora do Partido Republicano para "líder do mundo livre". O Partido Republicano encontrou nela duas coisas importantes, carisma e ideias? Não! Uma líder nata? Não!

 Encontrou nela uma receita já conhecida na era Bush, a ideia de que se deve apresentar um candidato que pareça perante as massas como uma pessoa comum, uma pessoa do povo como se diz por cá, ou uma pessoa da "América real", como se diz por lá. Isto diz muito da imagem que o partido republicano tem do povo norte-americano. Traz apenas uma nova "embalagem" em relação a Bush.

Quando me ponho a falar de política norte-americana, muitos dizem que não interessa para nada, devíamos era concentrar-nos no panorama interno. Não concordo! Penso que esta recente crise veio provar isso. Se não fossem as politicas desregulatórias e de confrontos dos oito anos Bush, não estaríamos na situação em que estamos agora. 

 

Deixo aqui o mais recente lapso da principal candidata do Partido Republicano...

 

 


08
Fev 10

O círculo vicioso da política

Por JSC, às 18:59 | link do post | comentar | ver comentários (4)

O euro deputado Paulo Rangel vai usar a tribuna do Parlamento europeu para mobilizar as hostes comunitárias contra a falta de liberdade de expressão, que diz existir em Portugal.

Paulo Rangel invoca a seu favor, como paladino da luta pelas liberdades democráticas, o ter denunciado, há cerca de três anos, “o clima de claustrofobia democrático”, clima que se terá agravado com os recentes atropelos à liberdade de expressão.

 

Claro que não possuo os “pergaminhos” que o euro deputado invoca ter para poder falar destas coisas. Ao que ouço dizer, em tempos idos parece que essa coisa da “liberdade de expressão” era algo de muito complicado e com consequências penosas para quem ousasse infringir o risco. Hoje a “liberdade de expressão”, que preocupa Paulo Rangel, deve ser algo bem mais profundo, subterrâneo, porque pelo que se lê e ouve não parece que esse seja um problema a merecer ir à tribuna do Parlamento europeu.

 

Claro que não tenho certezas neste domínio, até porque o próprio Bloco de Esquerda também quer que o assunto seja objecto de inquérito parlamentar, por estas bandas, o que será muito interessante e dará alguma visibilidade televisiva ao BE.

 

Contudo, se neste país alguém pode dizer, alto e bom som, sem ser chateado por quem quer que seja, que o primeiro ministro é completamente inqualificado ou que não tem condições de continuar em funções por razões de carácter, então, parece que Paulo Rangel poderá ter muitas razões de queixa do regime e dos governantes, mas não me parece que seja a falta de “liberdade de expressão” que deva ser o seu tema para o parlamento europeu.

 

Enfim, outros assuntos haverá, bem mais prementes, na lusa pátria a merecer a atenção dos parlamentares europeus. Por este andar, bem podemos dizer que a política está como a economia: não sai do sítio nem busca novos horizontes.

 

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A ANMP na alta política

Por JSC, às 13:03 | link do post | comentar | ver comentários (7)

A Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) avançou com o pedido de demissão do comissário Joaquín Almunia, a pretexto das infelizes declarações que arrastaram para baixo as expectativas que recaíam sobre Portugal e fizeram subir as taxas de juro da dívida pública.

 

 

O mais certo é que o pedido da ANMP não surta qualquer efeito nem produza moça especial na actuação futura do Sr. Almunia, mas não deixa de ser uma boa atitude, a merecer destaque.

 


Tuna Fish

Por Castro, às 12:06 | link do post | comentar

07
Fev 10

Os euros do Euro/2004

Por JSC, às 22:57 | link do post | comentar | ver comentários (1)

No dia em que se fez o sorteio para o apuramento das equipas para o EURO/2012, por cá ainda se discutem os números gastos com o EURO de 2004. E as notícias não são nada favoráveis para os contribuintes.

Apesar deste histórico e do EURO 2004 continuar a ser tão dispendioso no presente, com custos que, ano após ano, continuarão a onerar as contas públicas, os actuais governantes mais os senhores do futebol já avançaram para a aventura de trazer para cá o mundial. É mesmo de loucos.

 

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06
Fev 10

Diário Político 138

Por d’Oliveira, às 22:29 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Mil e quinhentos quilos

Já por aqui escrevi que os pistoleiros da ETA se passeiam por Portugal como o velho Al em Chicago nos bons anos. Também já escrevi que só um ceguinho é que não vê que a ETA se sente à vontade no “pais dos brandos costumes”; que aluga automóveis sem problemas; que tem, entre os patetas do costume, um sólido grupo de apoiantes que poderão caso seja necessário fornecer apoios financeiros, jurídicos, refúgios, transporte se é que não outros pequenos serviços de maior melindre.

A polícia, ou quem por ela fala, o senhor Ministro e  mais umas piedosas almas, fartaram-se de dizer que não, não senhor, eram casos esporádicos, meras passagens pelo país, mais nada.

Há pouco tempo, um casalinho com pesados antecedentes, entrou em Portugal carregado de explosivos, dinheiro, armas e documentos. Qualquer pessoa habituada a ler sobre a ETA (ou sobre grupos idênticos) sabe que isso indiciava com fortíssimas probabilidades terem apoios cá, estarem a constituir um (ou mais ) arsenal fora do apertado controlo das policias espanhola e francesa. Mais uma vez, as autoridades portuguesas, fecharam os olhos à realidade e reafirmaram que aquele passeio por Portugal não tinha consequências.

Agora, a realidade, a temível realidade, fintou os optimistas: mil e quinhentos quilos de explosivos. Isto na casa. Como também se encontraram pás com evidentes sinais de uso, pode supor-se que, à semelhança dos  encontrados em Espanha e França, terão sido feitos esconderijos enterrados (zulos). Onde? Certamente que fora da casa. Os noticiários são omissos quanto a esse assunto.

Portugal (e Lisboa e sua zona) parece ser a nova região “politico-militar” da ETA. Ou pelo menos são escassas as dúvidas em relação a isso. A nossa inexperiência quanto ao terrorismo teria, mais tarde ou mais cedo, que ser aproveitada. A contínua presença de turistas espanhóis é uma perfeita camuflagem para os “desperados” da ETA. A rede de estradas portuguesa permite deslocações rápidas entre territórios espanhóis. Estamos perto de uma das zonas de intervenção da ETA, a Andaluzia. E igualmente perto de Madrid.

Aguarda-se com curiosidade o que o senhor Ministro nos irá dizer. Quando disser. Se disser.

  


Au bonheur des Dames 219

Por mcr, às 22:14 | link do post | comentar

 

O homem que caminha vai para onde?

Uma escultura de Giacometti, “o homem que caminha" foi vendida em leilão pela bonita soma de 103 milhões de dólares. A um anónimo, como  vem sendo costume. Isto de aparecer à luz crua do dia para desembolsar mais de oitenta milhões de euros não está para os dias de hoje. A avidez do público, o voyeurismo que se cola ás celebridades e aos milionários nem sempre convém a estes últimos. É que alguém poderia achar escandaloso o preço da peça (previa-se no máximo vinte milhões de euros...) e sobretudo, o Estado, seja ele qual for, de que o comprador é cidadão, poderia começar a averiguar o estado (sem letra grande) das finanças do novo e feliz proprietário da peça.

Por outro lado, cidadãos há que, por razões nem sempre as mais límpidas, gostam de identificar os ricos. Ainda não há muito tempo a policia de uma importante cidade americana resolveu um par de roubos quando descobriu que os roubados tinham todos licitado em leilões e por preços que enterneceram os malfeitores. O curioso é que entre as vítimas dos roubos havia dois gangsters de certo gabarito e um fugitivo á justiça fiscal. O resto eram ricos comuns e imprudentes.

Convenhamos que os tempos que correm recebem estas notícias com esse misto de pasmo e de inveja que a ostentação de uma grande fortuna causa. Agora, os ricos, que temperam o orgulho com a prudência, tornam-se esquivos e imitam a contragosto os ricos antigos que achavam indecente  (ou contraproducente) a exibição da fortuna. Os outros arriscam-se.

Numa visita ao Museu Metropolitano de Nova Iorque dei comigo a anotar mentalmente a lista dos mecenas daquele gigantesco estabelecimento. Alguns causaram-me uma profunda impressão. Havia bom gosto, coerência e inteligência nas colecções doadas. Outros, e o caso mais exemplar era uma senhora que deixara uma fortuna ao Museu para que houvesse sempre flores frescas nas zonas mais nobres,  tinham legados extremamente curiosos. E depois, depois, havia uma série de “anónimos” doadores. Anónimos, pelo menos para os paisanos como eu, que, mais tarde, alguém me murmurou que o segredo daquele anonimato era meio segredo. Os anónimos escapavam à “plebe” mas nos “sítios que contam” os seus nomes eram conhecidos e a sua acção mecenática apreciada.

Todavia, entre o anónimo de hoje, o dos oitenta milhões de euros/cem milhões de dólares, e esses anónimos “virtuosos” vai alguma, bastante, distância. Num caso, a obra estará escondida dos olhos do público (no caso do público estar interessado em ver “o homem que caminha” pelo seu intrínseco valor artístico e não pelo preço ora alcançado) e no outro pode ver-se nos museus americanos um gigantesco espólio de arte que poderia servir de exemplo à Europa e às suas raquíticas leis sobre mecenato.

A última questão é saber se a obra do suíço Giacometti merece esta tão súbita  alta de preço. A resposta não é fácil. Por um lado Giacometti é, desde há muito, um artista consagrado, reconhecido e “felizmente" morto. Ou seja: o número de obras dele não aumentará, a menos que algum genial falsário se ponha para aí a fazer giacomettis, o que parece demasiadamente hipotético. A raridade crescente de obras disponíveis no mercado torna mais apetecível o autor independentemente do seu “intrínseco” valor, da sua "cotação". Mas, mesmo assim: como é que se passa de uma previsão na ordem dos 20/25 milhões de euros para um valor triplo ou mesmo quádruplo?  Será que num tempo de crise económica as obras de arte se assumem como valores refúgio?

Estará em curso alguma obscura operação especulativa cujos contornos não se percebem e que, a exemplo de uma situação semelhante há alguns anos, se esteja a tentar preços artificiais para Giacometti ?

Entre nós, aconteceu algo de parecido nos anos 80/90. Porventura, alguma leitora lembrar-se-á do súbito boom de galerias ocorrido nesses anos, da surpreendente quantidade de “vernissages”, da frenética busca de novos valores, no subida constante dos preços dos quadros que em poucos meses, de venda em venda atingiam o dobro, ás vezes o triplo do preço original. Artistas jovens vendiam-se com preços de consagrados, os consagrados indígenas atingiam preços parisienses. Certa vez, vindo de Paris, descobri que o meu parceiro de lugar no avião era um “marchand” que se fora abastecer de telas de um conhecido pintor radicado em França, e lá reconhecido. Todavia, as suas obras estavam a cotar-se cá com uma impressionante rapidez e o meu companheiro de viagem já as tinha “colocado”. Os fregueses tinham até adiantado sinais vultuosos, “Sem ver as peças?”, espantei-me. “Viram os preços”, respondeu-me.

Essa súbita e geral subida dos preços afastou do mercado centenas de pequenos coleccionadores, normalmente gente culta e interessada, que não poderia comprar no novo e artificial mercado. Porém, Portugal é uma pequena praça que não aguenta (e não aguentou...) esse género de espiral de preços da arte. As galerias sumiram-se, os grandes compradores cansaram-se e foram especular noutras mercadorias e os artistas apressadamente promovidos sofreram fortes perdas  e viram diminuída, fortemente diminuída a sua “cotação”. O mal estava entretanto feito e nunca mais (ou pelo menos até agora) reapareceu parte da pequena multidão de amadores. Muitos dos “talentos” descobertos nesses tempos de vacas engordadas artificialmente, desapareceram. Pura e simplesmente não eram assim tão interessantes... Ou não tiveram tempo de o vir a ser...

De Giacometti, o magnífico à pequena tribo de ex-alunos das Belas Artes portuguesa vai um passo de gigante. Tudo os separa, até a época. Subsiste apenas um pequeno traço comum: não são imunes à cobiça e à especulação.

   


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