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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

14
Dez17

diário político 219

d'oliveira

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This land is (also) my land

d’Oliveira fecit 14.12.17

 

Sou um feliz e atento espectador do “The late night show” que passa na SIC radical todas as noites cerca das nove horas. E sou-o não só pelo animador, Stephen Colbert, um actor e apresentador ímpar mas também porque essa é uma das melhores trincheiras anti Trump tanto mais que nunca caiu na esparrela de dizer ámen a tudo o que a senadora Clinton dizia.

Desde há semanas que Colbert, que não perde uma única ocasião para alfinetar o actual Presidente, atacava o ex-juiz Roy Moore candidato ao Senado e denunciado predador sexual (a criatura terá mesmo afirmado que nunca saíra com uma rapariga sem pedir autorização à mãe dela!) porta-voz dos ultramontanos evangélicos e de tudo o que me repugna na América.

Trump, como de costume, entendeu apoiar Moore afirmando que este faria coisas maravilhosas no Senado e votaria com ele (Trump) sempre.

O Alabama é um Estado do Sul, pertenceu aos Confederados e notabilizou-se pela perseguição intensa à minoria negra. Vota sempre (ou quase) à direita e tudo parecia correr bem a Moore, mesmo se a criatura tivesse cada vez mais críticos (mesmo no campo republicano). Todavia, desta feita, os resultados da eleição constituíram uma agradável surpresa:moore foi derrotado por um quase desconhecido candidato democrata. Estará a América a mudar ou isto é apenas um resultado da actual campanha de denúncia dos predadores sexuais. Como se sabe (e saber-se-á ainda mais e nem sempre melhor) agora os Estados Unidos são percorridos por um furacão de denúncias de assédio sexual. Tudo começou em Holywwod no meio do cinema, passou rapidamente ao campo das modelos e atingiu fortemente a política. Já não se contam os políticos que tiveram de se afastar de campanhas, quando não foi do Congresso, do Senado ou de governos e instituições estaduais. Trump, ele próprio tem sido alvo de acusações do mesmo tipo, estribadas é certo em gravações dele mesmo a declarar o que faz(ia) com algumas mulheres que encontra(va). Longe estamos dos tempos de Clinton que, aliás, para afastar as críticas bombardeava o Iraque.

Pessoalmente, preferiria que, a ser alvo de um impeachment, o fosse por manobras e conluios com a Rússia. Apesar de tudo a coisa é mais grave e mais importante por muito que isso custe ao feminismo mais exaltado.

Claro que uma andorinha não faz a primavera e um lugar a menos no Senado ainda não chega. Trump, por muito surpreendente que isso pareça, mantém intactas as suas bases populares nomeadamente entre os brancos pobres, as mulheres e mesmo as minorias étnicas. Mesmo com uma taxa de popularidade baixa e em queda, a geografia eleitoral americana poderia, se houvesse eleições hoje, dar-lhe a maioria dos mandatos mesmo se o total de votos pudesse ser ainda pior do que foi na eleição passada.

De todo o modo, há pequenas alegrias e os comentadores pacientes tiveram ontem um pequeno presente no sapatinho. Uma derrota é sempre uma derrota e saber que Trump se estrampalhou é uma notícia jubilosa. Generosamente, passo-a aos leitores menos atentos.

* estrampalhar: estragar (calão de Buarcos, terra de palavras fortes e sugestivas) 

 

13
Dez17

Au bonheur des dames 437

mcr

Raro? Nem tanto, assim

 

mcr 12/13 Dez 2017

 

Subitamente, uma reportagem televisiva (TVI) alvoroçou os portugueses.

Alvoroçou e perturbou por razões várias que a seguir se exporão.

Parece que a associação “Raríssimas”, uma IPSS (Instituição Privada de Solidariedade Social) funcionava de forma altamente surpreendente. Não negando o interesse (e eventualmente a obra realizada) parece que tinha uma presidente que era generosamente abonada pelos seus serviços: um ordenado de 3.000 euros, ajudas de custo que iam quase até aos 2.000 sem falar de um fundo abonado para aposentação no valor de 800 euros mensais.

No meio disto tudo ainda constavam umas despesas extravagantes (gambas, vestidos, spa, etc...)

Comecemos, porém, pelo ordenado da senhora em causa. Nas IPSS o máximo admissível ronda os 1650 euros ou seja praticamente metade do que a dirigente percebia. Isto não contando os outros pagamentos que, nas minhas contas andam entre 2000 e 2800 euros mensais.

Também, parece certo que a generosa presidente da Raríssimas empregava na instituição familiares directos (pelo menos um marido e um filho) desconhecendo-se quais as competências destes.

Como vai sendo costume no “torrãozinho de açúcar” a instituição convidava políticos de todos os bordos para os órgãos sociais (até o actual ministro Vieira da Silva foi, durante dois ou três anos vice-presidente da Assembleia Geral. A título gratuito, assegura ele coisa de que não duvidamos. Sem saber como a casa era gerida, o que se aceita com alguma dificuldade. A mulher do ministro foi a Agrenska (Suécia) como participante num congresso ou colóquio em 1916 sendo o pagamento da viajem adiantado pela Raríssimas que depois terá sido ressarcida pela organização do evento. Desconhece-se se a senhora dr.ª Sónia Fertuzinhos teria especiais conhecimentos para intervir sendo certo que não é uma especialista em saúde. Aliás, convém lembrar à sr.ª deputada que esta viajem decorreu na altura em que o marido era ministro da tutela e só isso a deveria ter feito pensar duas vezes. Mas, mesmo com singular esforço, acredita-se na ingenuidade da conhecida política. Políticos ingénuos não faltam por aí, mesmo se, na generalidade o grau de ingenuidade não vá tão longe)

A mulher do antigo Presidente da República terá sido madrinha da Associação. De todo o modo, a sr.ª Cavaco Silva deve ter apadrinhado dezenas ou centenas de organizações semelhantes. As primeiras damas adoram esse eminente serviço patriótico e social e não falham uma oportunidade para demonstrarem o seu acrisoladoo amor pelos desprotegidos. O combate feminista para aqui: em sendo primeiras damas estas abnegadas criaturas dedicam-se à caridade ou às artes e letras, ainda que em circuito limitado e desinteressante.

Há um senhor Secretário de Estado que colaborou antes de se governamentalizar com a instituição. Recebia uns pingues 3.000 euros mensais pelo trabalho de consultor. Ignora-se em que o robusto talento deste melhorou a Raríssimas mas não se duvida que deverá ter deixado um rasto forte.

...........

(razões de vária ordem, interromperam aqui o folhetim que se retoma 24 horas depois)

O aludido Secretário de Estado já não é. Que desperdício! O Sr. Ministro tropeça nas cada vez mais patéticas explicações sobre a sua inacção. Sabe-se agora que as denúncias foram periodicamente enviadas ao Ministério desde Agosto. Devem ter-se perdido no correio ou nalguma gaveta traiçoeira do Ministério: aquilo é tão grande...

Também se compreende (se é que compreender é o verbo adequado) cada vez menos a excursão da amantíssima esposa do Ministro à Suécia.

Fossem estes tempos os de Passos Coelho e já o estrondo protestário teria ululado por todo o país e regiões autónomas. Isto porque já não há colónias senão até de Timor chegariam patrióticos e indignados protestos.

A coisa está tão negra mesmo se tudo se passe sob a imposta surdina da “geringonça” que o próprio PS quer o Ministro no Parlamento!...

Vê-se que os tempos são diferentes e as indignações mais do que moderadas.

De todo o modo, convém relembrar aos mais distraídos duas ou três verdades. A primeira é que sem IPSS o país estaria muito, medonhamente, pior. A segunda é que uma IPSS é algo que fica bem no botão da lapela de um político. A terceira é que em milhares de IPSS milagre seria se, volta e meia, não houvesse escândalo.

Eu próprio acabei a minha carreira na Segurança Social com uma intervenção numa Misericórdia entregue a um Provedor manhoso que a sangrara até ao tutano. Disso haverá um pequeno eco nos primeiros tempos deste blog e, sobretudo nos jornais locais e nacionais da altura. Hoje em dia, confesso que me diverti, mas não deixo de reconhecer que durante três meses enfrentei toda a espécie de dificuldades, faltaram-me apoios e foi preciso algum, bastante, sangue frio para que a minha pequena equipa (uma técnica social, um jurista e uma economista) ganhasse aquela guerra.

(Na semana posterior à nossa vitória, a Câmara Municipal, uma empresa local e um benemérito também local entregaram-me quase três mil contos para recomeçar quase do zero a tarefa para que a Misericórdia fora fundada.

 

Este folhetim vai dedicado à memória do dr. Sílvio Matos, amigo desde Coimbra, meu subordinado durante anos e devotado colaborador nesta campanha que ele abraçou com entusiasmo, abnegação e muita competência.

Não refiro a restante equipa para lhe evitar problemas idênticos aos que, depois, tive com alguns dirigentes da Segurança Social. Há gente que não suporta o sucesso dos outros.  

 

12
Dez17

Sem rei nem roque

José Carlos Pereira

As redes sociais criam agora ondas de clamor perante reportagens que desvendam gestão danosa e falta de ética, para dizer o mínimo, em certas IPSS e outras entidades sem fins lucrativos. A realidade da Raríssimas ou de algumas Associações Humanitárias de Bombeiros é multiplicada por muitos outros casos, por todo o país. 

Instituições que gerem muito dinheiro, com acesso a fundos públicos, são pasto fácil para a prática de abusos por quem ocupa a gestão dessas entidades, às quais falta quase sempre o devido escrutínio dos associados, dos próprios órgãos sociais e, em muitos casos, das entidades públicas financiadoras. A super-estrutura dirigente assegura o controlo da instituição como bem quer. E quanto maior for a instituição, maior é a impunidade e a falta de escrutínio. Não faltam exemplos.

07
Dez17

Diário político 218

d'oliveira

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Centeno no eurogrupo

d'Oliveira fecit 7-XII-17

Parece que devemos celebrar com farto aplauso a eleição de Centeno. Pelo menos é isso que transpira abundantemente de comentários e noticiários de vária ordem e de procedência nem sempre diversa.

Qualquer leitor(a) que soubesse ler teria visto, preto no branco, em quase todos os jornais as razões que inexoravelmente apontavam para esse alto feito da lusitaneidade invencível.

Em primeiro lugar (e praticamente isso bastaria) dois governos que se podem rotular de conservadores (França e Alemanha) apadrinhavam a candidatura. Simpatia pela comédia de esquerda actualmente em exibição em Lisboa? Francamente!...

Depois, esta comezinha verdade: na balança da UE, todos os restantes lugares importantes estavam na mão dos conservadores, coisa que, como é sabido, contraria a famosa tese dos equilíbrios políticos europeus. Este lugar, aliás informal, cabia por direito à família socialista como, aliás, todos os seus representantes se fartaram de apontar. E de exigir!

Finalmente, o único candidato socialista credível e apontado como favorito (o Ministro das Finanças italiano) não podia postular pela razão simples de a Itália já ter mais que preenchido a sua quota. Acresce que Mario Draghi, o poderoso Governador do Banco europeu é italiano.

Portanto, desculparão mas o milagre Centeno não o é. Tanto mais que um doutorado por Harvard não atemoriza sequer uma criancinha que começa a aprender a tabuada. Ainda por cima, o “esquerdismo” de Centeno é manifestamente exagerado. Dois anos de governação, outros tantos de impostos indirectos e cativações provavam exuberantemente que não havia que temer que Centeno criasse bigode e pera e desatasse a bolchevizar o país e a Europa. Mais, Centeno, por estar num governo dito de geringonça, é precioso. Corta cerce boa parte do argumentário de uma certa Esquerda (e por isso mesmo já vê como BE e PC analisam com profunda desconfiança, e maior reticência, a sua eleição).

Ou será que alguém pensa, sequer divaga, sobre a conversão de dezanove países europeus e desconfiados às maravilhas (e, sobretudo, às maravalhas) da Esquerda triunfante?

Dir-se-á que, a ser assim, não se percebe a necessidade de uma segunda volta na eleição. Note-se que, mesmo sendo segredo o número de votos alcançado por Centeno nesta 2ª volta, havia na primeira o pormenor picante de haver outro candidato da família socialista. Houve necessidade de o derrotar e de lhe explicar que ou desistia a favor do candidato oficial ou oferecia de bandeja à “Direita” o último posto interessante e necessário para a família socialista.

Nada disto pretende tirar a Centeno o que é de Centeno. Convém apenas desembandeirar em arco a festa nacional e a ronaldice dominante. E, já agora, inquirir se não andaria nesta faena a mãozinha longínqua mas influente do senhor Schaubel o tal que abençoou Centeno muito antes deste sonhar com o Eurogrupo. A bênção do cavalheiro em cadeira de rodas convenceu a senhora Merkel e esta não precisou de muito para convencer Macron.

E, agora, o futuro. Que papel está reservado a Centeno na reforma, seja ela qual for, da União? Sem querer apoucar o ministro português, penso que Centeno, de per si, não irá deixar um grande traço na política europeia. Mesmo inteligente, mesmo competente, mesmo doutorado por Harvard, Centeno não sai da zona cinzenta. E, mais ainda, não tem autonomia para evitar as duas locomotivas europeias (França e Alemanha) ou, sequer a Itália e a Espanha (os dois mais importantes países ditos do Sul). Entre estes quatro (com alguma contribuição do Benelux) decidir-se-ão os próximos anos e os próximos passos.

O Senhor Presidente da República que, de quando em quando parece ter visões (ou sofrer de alucinações...) entendeu celebrar esta eleição com um suelto pelo menos (e só) original: Diz S.ª Ex.ª que “os portugueses são os nórdicos do século XXI”. Isto, se não for uma bravata, é uma tolice. Nada nos assemelha a esse mítico Norte cujas fronteiras se desconhecem (Escandinávia? Escandinávia mais bálticos? Estes mais Alemanha e Finlândia? Tudo isso e a Holanda?)

Aliás, que S.ª Ex.ª me desculpe, porque raio havíamos de ser nórdicos? O Sul, o nosso Sul, esta região de mar por todos os lados, de sol a pique, de luz intensa, de vinho, azeite e cristianismo temperado por por uma arteira tendência para desculpar o pecado é bem mais interessante que os frios e nevoentos dias nórdicos, o rigorismo luterano, a solidão imensa.

Serão ricos, são cultos, trabalham que se desunham, levam a sério as suas obrigações de cidadania e...sempre que podem escapam-se para o Sul quente, aberto, azul e generoso.

Tive disso perfeita consciência enquanto vivi na Baviera, muito perto de Munique, a cidade que os alemães preferem. Dali para a Itália é um passo que ninguém de bom senso deixa de dar. Na pequeníssima cidade onde vivi um par de meses, os restaurantes italianos, mesmo os caros, nunca estavam vazios. E aqueles teutões sólidos e bebedores de “Weissbier” entravam pelo vinho brejeiro e barato que, como o vento fohen, sobe as montanhas, derrama-se sobre faldas alemãs e enlouquece os bávaros.

O Sul, nós, não tem de ser nórdico mas apenas de expulsar os seus antigos fantasmas, aperfeiçoar as suas instituições, combater a ignorância mãe da miséria e da desigualdade. Há que voltar à Grécia clássica, à Roma construtora de estradas e do Direito, A Sócrates, Platão e Homero. A Marco Aurélio e a Cícero. Temos uma imensa herança quase intacta que conviria explorar e modernizar.

 

Até o Sr. Presidente da República ganharia em conhecer a Eneida e aquele luminoso verso “tu Marcellus eris” (En.VI, 883). Para evitar adornar-se de penas de peru julgando que são de pavão.

 

04
Dez17

Mário Centeno na liderança do Eurogrupo

José Carlos Pereira

eleição de Mário Centeno para a liderança do Eurogrupo é positiva para Portugal e naturalmente para o ministro português, que vê assim o seu trabalho reconhecido fora de portas. É positiva para Portugal, desde logo, porque garante que as contas públicas nacionais ficam "impedidas" de divergir das regras europeias, pois Mário Centeno terá de ser um exemplo no cumprimento das metas acordadas entre os seus pares.
Tal cumprimento, por outro lado, contém um potencial de risco na relação com os partidos à esquerda do PS que têm suportado a solução governativa. Não restará a Mário Centeno (e a António Costa) outro rumo que não seja seguir, no fio da navalha, entre o apego a Bruxelas e a satisfação possível das ambições dos parceiros parlamentares do PS. Até quando, ver-se-á.

04
Dez17

estes dias que passam 363

d'oliveira

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Também tu, mcr?

 mcr 2 e 4 de Dezembro

Também, leitoras e leitores amigos mesmo se escassos. A minha vontade, confesso-o já, era passar ao lado, assobiar uma modinha e fingir que estava distraído. Mas isso, convenhamos, é impossível. Há mortes que fazem um tal arruído (escrevi arruído, à moda de Fernão Lopes) que não há escapatória possível.

No meu caso, por várias razões sendo que a principal é o facto de ser leitor do “Público”. Leitor desde o primeiro dia com a mesma devoção que me liga a “Le Monde” e a “L’Express”, publicações que compro e leio desde os inícios dos anos 60. Os tempos eram outros, é verdade, mas foi com esses órgãos de imprensa que me formei. Em plena guerra da Argélia, é bom recordar. Numa altura em que era difícil discordar do governo da França e apontar o dedo contra a persistência de mitos como o da pátria indivisível. Hoje qualquer deles mostra cicatrizes e diferenças. Como o Público, claro. Todavia, o caminho do jornalismo livre e independente é mesmo assim. Mudam os tempos, mudam as causas mas não o espírito “frondeur” que, provavelmente amortecido, ainda mantemos mesmo com o passar dos anos, a experiência, as ilusões desfeitas, a “áspera verdade” (Danton) e o inevitável balanço que qualquer um de nós tem (deve) de fazer sob pena de ignorando-o se transformar no papagaio de Long John Silver.

Deixemos, porém, a “Ilha do Tesouro” e passemos à morte do moderno fazedor de tesouros que hoje irá a enterrar: Belmiro de Azevedo, o homem da Sonae, da Optimus, do Público. Morre carregado de um coro de elogios vindos das mais diversas personalidades muitas das quais ele, com algum humor, outro tanto de sarcasmo e muita malícia, foi alfinetando. Bastaria o exemplo de Marcelo Rebelo de Sousa de quem BA disse o que Mafoma não se atreveu a dizer sobre o toucinho. O mais interessante da farpa “belmiriana” é ela acertar em muitos dos pontos fracos de MRS que do comentário do empresário sai muito mal ferido, as mais das vezes com inteira justiça.

Eu nunca falei com a personagem que, de resto, não me fascinava especialmente. Não que não lhe admirasse a habilidade e o gosto pelo risco ou o facto de, ao contrário da grande maioria dos seus colegas, ter criado na Sonae e nos restantes universos empresariais que criou uma verdadeira “cultura de empresa” que, desde cedo, foi claramente visível. Desafiou os poderes do Estado e nem o PREC o conseguiu dobrar. Foi, nessa altura, defendido pelos seus empregados e colaboradores que, como ontem alguém referia, chegaram a fazer uma “greve ao contrário” contra os apetites perigosos de um “Estado” inimigo da iniciativa privada e ignorante do que uma empresa moderna era. As batalhas que perdeu, e o caso da PT é exemplar, perdeu-as na secretaria por batota governamental. A história é o que é mas apetece pensar no que a PT seria gerida por Belmiro. Pior não estaria e é mesmo altamente provável que estivesse muito, mas muito melhor.

Já escrevi que nunca o conheci (nem fiz por isso, aliás). Limitei-me a avistá-lo muitas manhãs de sábado ou domingo a caminhar pelo Molhe metido num vulgar (aliás feio) fato de treino. O homem que passava não parecia rico nem pretendia parece-lo. De certo modo, até essa simplicidade sabe a virtude.

De todo o modo, devo-lhe o “Público”, um jornal que leio desde o primeiro dia e que é uma excepção no panorama jornalístico nacional. Zango-me com o jornal duas ou três vezes por mês mas sei que isso só melhora a relação leitor-jornal. É são discordar. É são irritar-me com certas opiniões ou editoriais. Mas esse é o preço que gostosamente pago diariamente para ter uma informação decente, equilibrada.

Belmiro de Azevedo nunca terá ganho dinheiro com o “Público”. Consta mesmo, que até o perdeu. Aliás, tenho uma prova viva disso. Fui, há largos anos, convidado para colaborar regularmente com uma coluna semanal (ou quinzenal já não recordo). O convite foi aliás repetido durante uns tempos mas tempos de austeridade posteriores deixaram-no sem efeito. Graças a isso, juntei um quarteirão de crónicas que mais tarde com mais alguns acrescentos publiquei em livro. Sem o convite do Público nunca as teria escrito e, provavelmente, nunca teria tido a oportunidade de corresponder ao convite para vir a integrar a equipa deste blog onde escrevo de forma regular há mais de dez anos. Foi bom, foi mau? Só os meus leitores e leitoras poderão responder. A mim dá-me gozo e Belmiro de Azevedo com o seu gesto de criar um jornal (ou de o pagar incondicionalmente) deu-me a coragem para estar aqui a crocitar constantemente contra o estado a que isto chegou.

Para terminar: fala-se muito na coragem de Belmiro em criticar sem receio o poder político. Convenhamos: o homem tinha poder suficiente para o fazer sem temer retaliação. Em vez de coragem, prefiro pensar que ele era profundamente independente dos pequenos potentados que por aí pululam. Mas a independência também tem os seus custos e a PT ou o BPA são disso inequívocos sinais. E isso não é pouco, bem pelo contrário.

R.I.P.

PS: morreu Zé Pedro, guitarrista do Xutos e Pontapés. Não era a minha música, pouco o ouvi mas que ele marcou, e muito, a música ligeira portuguesa, não há dúvidas. E pelo que vi na TV de entrevistas dele, havia ali, um lado luminoso e digno de estar na música e na vida. Só isso já faz uma personalidade.

R.I.P.

 

* razões de pura preguiça atrazaram este post escrito no quente dos acontecimentos. Estive para não o publicar mas o que lá digo diz-se em qualquer momento. Sai hoje sem modificar uma única letra. Preguiça e teimosia e, provavelmente, muita pretensão, são as minhas coordenadas e um pouco o meu compromisso.

29
Nov17

Belmiro de Azevedo (1938-2017)

José Carlos Pereira

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Morreu um dos mais destacados empresários portugueses. Belmiro de Azevedo criou o maior grupo privado português e marcou uma época. Fez escola e promoveu as competências que fizeram com que vários dos seus quadros tenham seguido carreiras autónomas de sucesso. O seu percurso não foi feito apenas de vitórias, mas soube sempre retirar ensinamentos dos reveses por que passou, nomeadamente nas suas investidas na banca.

Belmiro de Azevedo levou consigo o nome da terra que o viu nascer e à qual regressava com satisfação. Marco de Canaveses perde um dos seus cidadãos ilustres, alguém com um temperamento abrasivo e difícil, que procurava em todas as circunstâncias fazer prevalecer os seus pontos de vista, não se importando que tal pudesse ser levado à conta de arrogância e impertinência. Era assim perante os principais governantes do país ou mesmo perante os seus conterrâneos e respectivos autarcas, como sucedeu com a intervenção infeliz que fez no congresso que evocou, em 2012, os 160 anos da fundação do concelho de Marco de Canaveses (como aqui então assinalei).

24
Nov17

O leitor (im)penitente 206

d'oliveira

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Livros, alfarrabistas & outras fantasias 8

(nem tudo o que luz é ouro; nem todos os alfarrabistas são baratos)

 

mcr 24.11.17

 

Há mais de um ano, um alfarrabista portuense telefonou-me com um curioso pedido: tinha adquirido uma obra e, nada sabendo sobre ela, pedia-me uma opinião. De facto, ando, há já tantos anos, a comprar (e a ler, e a estudar) literatura sobre a expansão portuguesa que a pergunta fazia sentido. Aliás, esse mesmo livreiro já me tinha vendido diversos livros sobre o tema.

No caso em apreço, ele queria informar-se sobre uma obra em dez volumes mas apenas cinco partes intitulada “Primeiro congresso de história da expansão portuguesa no mundo” .

Lá o informei que, efectivamente, no seguimento dos trabalhos desse primeiro (e suponho que único) congresso, se tinham reunido em volumes todos os trabalhos apresentados mesmo se também circulasse um copioso número de separatas sobre diferentes teses apresentadas.

Que a obra, melhor dizendo a edição, estava datada de 1938 e que conhecia e possuía oito dos dez volumes, comprados aqui e ali, a preços relativamente moderados (entre 15 e 25 euros), provavelmente por se tratar de volumes isolados.

Disse-lhe também que estava interessado nos dois volumes que me faltavam.

Dias depois, caiu a resposta: o livreiro só vendia a obra na totalidade e fixava um preço: 500 euros.

Achei excessivo o preço tanto mais que, além da minha informação ele não conseguira nenhuma referência quanto a preços. Perante a sua recusa em negociar, desisti e ao longo dos meses que se seguiram fui alertando outros alfarrabistas. Há pouco tempo, o senhor Gonçalves da “Nova Eclética” (Lisboa) avisou-me que tinha algo para mim, pedindo-me que o visitasse. O pedido era desnecessário pois aquela livraria faz parte obrigatória do meu percurso mensal dos alfarrabistas lisboetas.

Ontem, fui visitá-lo e descobri que o livreiro me guardara (sem compromisso!) o obra em causa, magnificamente encadernada e num surpreendente bom estado. Como sabia que eu tinha vários volumes, propunha-me a troca por um preço global que andava na média dos praticados. (Aliás, da “Nova Eclética” eu levara um ou dois volumes soltos). Mesmo contando com o que entretanto gastara, a peça ficou-me mais barata do que a que me era proposta no Porto. Com a enorme vantagem da encadernação. É que encadernar dez volumes em “meia francesa”, cantos e lombada em pele, fica no mercado pelo triplo do que paguei.

Esta pequena aventura ilustra, também, uma outra verdade: em Lisboa, porventura por ser um mercado maior, quer em clientes quer em vendedores, os preços são notoriamente mais baixos do que no Porto (com a excepção da “Livraria Académica” que tem um enorme “fundo”). E, nesta última cidade, há mesmo dois ou três casos de preços quase escandalosos. Como exemplo, basta este: publicou-se entre o final dos anos 30 e 1986 um “boletim da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais” (ao todo 131 números mais cinco edições não numeradas). Comprei a quase totalidade dos meus exemplares em Lisboa ao preço médio de 10 euros. Os que faltavam vieram, com excepção de um, do Algarve e com portes de correio ficaram entre 15 e 20 euros. O único exemplar comprado no Porto custou-me €35 !!!

 

 

23
Nov17

Au bonheur des dames 437

d'oliveira

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Santana, regressa que estás perdoado...

mcr em 22.11.17

 

Quando o inestimável dr. Santana era Secretário de Estado da Cultura teve, entre muitas, uma ideia brilhante: deslocalizar a sede da Delegação Regional do Norte da Secretaria de Estado da Cultura. Do Porto onde estava instalada num belo palacete e onde está inserida a Casa das Artes, exilou-a para um cave em Vila Real, cidade como se sabe muito central para quem viva em Chaves. E, a partir daí, foi o que se viu. Da DRN nem novas nem mandados. Dos funcionários, cerca de 20, alguns mudaram-se para outros organismos e os restantes foram para casa onde todos os meses e ao longo de muitos e muitos anos chegava o ordenado.

Pela parte que me toca (relembro que era, na altura, Delegado Regional) demiti-me e fui procurar ser útil na Segurança Social, onde já estivera. E aí permaneci até à reforma. Tentei, baldadamente, convencer os governos socialistas (a partir de Guterres) da necessidade e da utilidade de “reverter” a tola medida de Santana. Nada! Foi preciso aparecer o governo Passos Coelho para o Delegado (agora Director) Regional aparecer definitivamente no Porto. Desconheço se na cave de Vila Real ainda vegeta algum serviço descentrado ou se, de uma vez por todas, se acabou com aquela fantasia imbecil.

Elos vistos, o dr. Costa entendeu agora refazer o percurso errático de Santana e transferir sem dizer “água vai” o INFARMED para o Porto.

Nem funcionários (quase quatrocentos!) nem a direcção sabiam da empreitada. A Câmara do Porto, ao que consta, ficou surpreendida pela benesse governamental. Num primeiro momento, Rui Moreira, um homem reconhecidamente inteligente, engasgou-se e falou de “ressabiamentos”. Não sei se se referia a trezentos funcionários e centenas de familiares que, de súbito, viam a sua vida ameaçada. Sei que apenas vinte funcionários aceitavam ir para o Porto. Os outros trezentos e tal devem ser os “ressabiados”...

Desconheço as “razões” do bodo que Costa quer oferecer ao Porto e, sobretudo, julgo que não poderá transferir ninguém contra vontade visto que a distância mais que decuplica aquela que se considera aceitável para forçar uma mudança de local de trabalho.

Assim sendo, temos que o Governo parece querer aumentar em mais de três centenas o número de funcionários públicos ou num regime semelhante e de efeitos semelhantes. De facto, não vindo os trabalhadores actuais do Infarmed para o Porto, haverá que recrutar outros in loco. E prepará-los, ensiná-los e garantir que serão, no mínimo tão eficazes quanto os que ficaram em Lisboa.

Claro que os “ressabiados” poderão ser alvo de chantagens várias, coisa que também não é de todo desconhecida na função pública. Sugestão aqui, ameaça acolá e a barca vai andando aos bordos sempre perto do naufrágio.

Uma das coisa que mais me espanta (ou nem isso, que eu já conheço as linhas com que um cidadão precavido se cose) é a falta de declarações sindicais ou de partidos ditos “amigos dos trabalhadores”. Nada! (pelo menos até hoje quinta feira).

E, já agora, tentemos perceber o que é que se passa na cabeça dos governantes. Quererão, bondosamente, compensar o Porto pela “perda” da Agência Europeia do Medicamento? Mas será que alguma vez alguma dessas fosforescentes criaturas governamentais sequer sonhou em ganhar a AEM? Desconheceriam (tudo é possível sobretudo para as risíveis mediocridades que trataram do dossier e informavam –intoxicavam – os media nacionais) que só por milagre da Rainha Santa, dos pastorinhos e do beato Nuno (todos juntos mais a “santinha da Ladeira” e a Senhora de Fátima) é que seria possível escolher o Porto?

Num país desvairado pelos fogos, pelo turismo que foge a sete pés do Mediterrâneo perigoso (e de Barcelona que registou este mês menos quarenta (40%) por cento de entradas de turistas e pela obra “intangível” (cfr. Cunha Leal) da geringonça, tudo é possível mas isto (a vinda da AEM) roçava as raias do delírio. O Porto pode ser muito giro para dois dias de trânsito turístico mas só por dois dias. É verdade que tem o dobro dos dias de sol de Amsterdão, metade do custo de vida de Milão e infinitamente menos racismo do que Bratislava. E que há mar menos poluído do que o Báltico ou o mar do Norte, um clima mais ameno do que noutras cidades concorrentes. Todavia, em termos europeus, é, definitivamente, uma cidade periférica. Tanto ou mais que uma romena ou finlandesa Que justamente também não abicharam nada.

Aliás, os funcionários da AEM já tinham manifestado a sua má vontade em vir para Portugal. Tanto ou mais quanto em relação a Bratislava.

O Porto ficou num “honroso” sétimo lugar, ao que sei. Eu, nestas coisas, sou muito pão, pão, queijo, queijo. Só um lugar interessa: o primeiro. O resto é lirismo nacionalista para entreter ingénuos.

Aliás, suponho, que no Porto ninguém acreditava neste milagre das rosas moderno. Por junto, as pessoas, usavam o mesmo raciocínio de quem aposta no euro-milhões: sem nos habilitarmos é que não vem prémio algum. E no dia seguinte, no quiosque do costume, compra-se o jornal e volta-se a preencher o papelinho. Não ficamos mais pobres mas, contra milhões de probabilidades, podemos ficar mais ricos. E durante dois dias gozamos que nem cabindas a pensar no que faríamos aquela dinheirama toda.

Voltando, porém, à vaca fria, quem por estes momentos andará por aí preocupado, angustiado, aflito ou indignado é o lote de funcionários do Infarmed que, como prenda no sapatinho, se vê estúpida e desnecessariamente (e ilegalmente) ameaçado pelo Governo.

O dr. Santana Lopes deve estar a babar-se: afinal as suas tolas mudanças de sede de organismos da ex-SEC estão justificadas. Convirá preveni-lo que uma burrice não apaga outra burrice. Apenas aumenta a primeira. Ouviu, dr. Costa?

 

*A Ilustração não pretende chamar seja o que for aos senhores Santana e Costa. Quanto mais não seja porque, os burros não são, como se poderia pensar, estúpidos. Bem pelo contrário são animais bem mais interessantes do que muitos humanos que por cá peroram e se mexem. 

13
Nov17

Estes dias que passam 346

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O “jornalismo” de referência de vez em quando descarrila

 

Sou um empedernido leitor de jornais. Sempre fui, parece-me. Mantenho com elas uma relação de fidelidade quase canina. Com “Le Monde” a relação tem 55 anos. O mesmo com “L’Express” mesmo se, ao longo destes anos, a revista tenha mudado muito, demasiadamente. Durante muitos anos fui um fiel leitor do “Diário de Lisboa”, um vespertino de que me saparei algum tempo depois do 25 A.

Quando o “Público” apareceu (vai para quase trinta anos) despedi-me sem saudades do JN e nunca mais comprei outro jornal diário (português). Volta e meia, irrito-me mas, genericamente (como no caso do “Le Monde”, “El País”, “La Republica”), não desisto.

Todavia, há dias em que me zango. E hoje é um deles. Desde há muito que no “Público” há uma secção chamada “espaço público” que normalmente acompanha o editorial. A coisa funciona assim. Alguém, os redactores, suponho, dão setas verdes ou vermelhas a pequenas notícias. Algo semelhante aos “altos e baixos” do Expresso. Hoje, segunda feira, havia duas notíciasa verde uma nem sim nem sopas e uma a vermelho. É sobre esta que quero escrever: o sr Rajoy foi à Catalunha apoiar o PP local e num comício pediu o voto da maioria silenciosa para “recuperar a região do caos do separatismo”.

O redactor notador achou isto péssimo, mesmo se não saibamos se é a frase em si (dentro de comas), a recuperação (perfeitamente alcançável dado o que sabemos) ou a referencia ao caos do separatismo.

Vejamos

A frase é perfeitamente plausível num político conservador ou até num político qualquer desde que não seja a favor do separatismo.

Que Rajoy apele a essa maioria (que raramente vota e que, segundo consta, é contra a independência) é absolutamente normal e se seta vermelha houvesse seria devido a não pedir esse voto.

Que a Catalunha enfrenta grandes dificuldades futuras ninguém duvida. Fugiram, até sábado passado, 2700 empresas. Pelo menos metade (aliás um pouco mais) dos votantes nas últimas legislativas é anti independentista e já se tem manifestado com uma força semelhante às manifestações independentistas. Que uma “república catalã” ficaria absolutamente isolada na Europa (ou na Europa da UE) é, até à data, uma clara certeza. Que os cidadãos catalães ficariam fora do euro, de Schengen, idem. Que o principal mercado catalão (a Espanha) pode fugir, boicotar, diminuir é outra verdade de La Palisse. Que isso criará dificuldades enormes e protestos identicamente fortes é uma evidência. Que o primeiro ministro de Espanha não queira uma situação deste género nem merece discussão.

Portanto, pergunta-se à criatura que assina RS onde é que ela vê razão para uma seta vermelha.

Claro que RS pode não gostar de Rajoy. Pode detestar o PP e os conservadores onde quer que seja. Pode ter um profundo amor pela “causa catalã”, pelo senhor Puigdemont, pela senhora Forcadell, pela CUP. Pode detestar medonhamente a Espanha, a União Europeia, o euro e sei lá o que mais.

Todavia, para isso, só tem de pegar na caneta e escrever um artigo de opinião. Se a tem. Se é capaz de falar do assunto com um mínimo de conhecimento e, já agora, de qualidade. Não pode, ou não deve, fingir que a sua seta tem razão de ser numa notícia de dez escassas linhas. A menos que ache que Rajoy é um fascista encapotado que, de faca nos dentes, está a invadir a Catalunha para sufocar pela força das armas o que alguma lei (qual) direitos ofendidos e legítimos.

Já por aqui falei dos padeirinhos de Aljubarrota espécie indígena que traz nos meigos coraçõezinhos a lembrança imperecível dos batalhadores da época joanina, dos restauradores de 40 e a cólera pelo roubo de Olivença. Não suporta “castelhanos”? Pois que não vá ao “El corte Inglês”, que não compre na “Maximo Dutti”, na “Zara” que não tenha conta no Santander Totta ou no Millenium (hoje de “La Caixa”, empresa que logo no primeiro dia abandonou a Catalunha). Que indague cuidadosamente se as laranjas ou as cenouras ou as cebolas que compra no supermercado vêm ou não do odiado país. E cuidado com o peixe que vem de Espanha às toneladas. E com os camarões congelados, os carabineiros sem falar do bacalhau (há três ou quatro grandes marcas espanholas a impingir-nos o bacalhau deles. O mesmo se passa com o atum. O melho seria mesmo fazer uma campanha contra os milhões de turistas espanhóis que invadem o país nas datas festivas (brevemente cairão por cá durante o feriado da proclamação da Constituição). Coño, RS, a por ellos!

E "visca Catalunya liura"...