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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

23
Out17

Au bonheur des dames 432

mcr

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Ay flores do verde pino

(mcr 23.Out. 2017)

 

Saberão as leitoras (e os leitores, espero) que andam por aí (ou pelo menos em países mais civilizados e mais amigos da floresta) um par de livros que asseguram que a floresta, enquanto tal, age como um ser vivo ou seja as plantas (no caso as árvores) tem estratégias de desenvolvimento, de crescimento e de defesa comuns. Há, pelos vistos, uma actuação solidária perante as ameaças sejam elas um fungo, malévolo ou até a acção de animais. Fiquei fascinado com esta tese e encomendei já o livro mais recente sobre o tema que mereceu, de resto, artigos nas mais sérias revistas científicas do mundo.

A ser verdade, e tudo o indica, à floresta portuguesa calhou o mais temível ataque possível. O fogo. Não que as florestas (e em particular a floresta mediterrânica) não ardam. Ardem e há mesmo nesse fogo “normal” aspectos positivos. Existem mesmo árvores que necessitam do fogo para libertar as sementes.

Todavia, em Portugal, sempre em Portugal, a floresta é vítima de fogo a mais, de Governo a menos, de descuido, de descaso, de ignorância.

Desta feita, foi com o seu dramático cortejo de vítimas humanas e de milhares de animais domésticos ( gado, aves de capoeira, cães e gatos...) mais uma forte porção do pinhal interior que desapareceu. E, com ele desapareceram, casas, campos lavrados, apetrechos agrícolas, cabos eléctricos, condutas de água, fábricas e toda a sorte de veículos de trabalho, de transporte ou de recreio.

No meio dessa medonha devastação, perdeu-se oitenta por cento do Pinhal do Rei. Do pinhal dito de Leiria que em boa verdade chega até à minha terra (Figueira) e continua para lá do Cabo Mondego até Mira.

O pinhal do Rei tinha setecentos anos! Setecentos anos! Quase a idade deste desgraçado país, longe de Deus e perto, demasiado perto, de homens sem fé nem lei, de um Governo (aliás, de vários governos sucessivos) para quem o país é um longa praia de Setúbal até Viana, da rebentação até trinta, quarenta, vá lá cinquenta quilómetros para dentro. Um país onde cabem Braga, Guimarães, Aveiro, Coimbra, Leiria, eventualmente Santarém e, mais longe uma faixa costeira do Algarve onde o verde da vegetação se deve apenas aos campos de golf criados para os estrangeiros que eventualmente apreciam mais o nosso país do que os instalados no Terreiro do Paço. No próprio e nos que sobram em mais meia dúzia de cidades que do campo só sabem que é very tipical e que é de lá que vem o vinho, o presunto, as alheiras e o queijo da Serra. E as azeitonas, se para o ano houver que cheguem depois de milhares de oliveiras (que dura(va)m centenas de anos) terem ficado carbonizadas.

O pinhal de Leiria, as “matas nacionais”, o pinhal do Rei (e era assim que todos quantos nos importamos com a nossa herança, a nossa história, a nossa diferença, a nossa cultura) o chamavam, ardeu. Corre o risco de desaparecer. Era um monumento nacional vivo, “resiliente” como algum imbecil governamental diz, era tão nosso quanto a Batalha, os Jerónimos ou o castelo de Montemor. Respirava, era um imenso pulmão, uma defesa contra as areias, dava pinhas e acolhia centenas de animais. E dava, deu sempre, madeira para construção civil, soalhos, móveis, barcos sei lá que mais.

Este pinhal tinha menos guardas do que o museu dos coches (cuja nova sede custou milhões que faltarem dramaticamente nas terras abandonadas da “selva” interior). E dois solitários técnicos.

Não é por acaso que boa parte da mancha ardida elege um pequeníssimo número de deputados. O interior forneceu criadas, operários, emigrantes para a cidade, para os Brasis, para a Europa e para o mundo. Nada de importante, só gente que, com as pobres e honradas mãos, ainda tentava dar vida a um extenso território, a mais de 70% do território nacional. Só gente que combateu as chamas com ramos de árvore, com baldes de água, com mangueiras antigas e pouco eficazes. E, todavia, sabe-se de muitos casos de homens e mulheres que salvaram outros, muitos, homens e mulheres. E animais. Há a história de um morto a tentar salvar os cães. A outro, sucedeu-lhe o mesmo quando tentava libertar um par e vacas que nem dele eram. Mas pelos vistos, ou segundo aquela execrável criatura que passava por governante, não eram “resilientes”. Ou segundo uma outra, ainda mais cavilosa, só sabiam pedir ajuda, aviões e bombeiros. Note-se que toda esta gente paga impostos. Os mais idosos andaram numa guerra em terras desconhecidas para defender interesses duma burguesia nacional, o ventre que pariu boa parte das cliques dirigentes.

Vejo-os na televisão com o Presidente da República. Há lágrimas, como não? As lágrimas são próprias do homem. Ou de alguns, quase todos, mas não de um Primeiro Ministro a quem não se pedia choro mas tão só algum consolo, alguma piedade, uma palavra, uma simples palavra. que surgiu tarde, depois do discurso, do grande discurso, e eu não fui, não sou e não me parece que alguma vez seja, um fã de Marcelo Rebelo de Sousa. Critiquei-o aqui, várias vezes, antes e depois de ser Presidente, mas, neste momento tremendo, confesso a minha admiração pelo seu discurso e mais ainda, muito mais, pela sua incansável peregrinação pelas terras devastadas. Aqueles portugueses tiveram, provavelmente, pela primeira vez, uma imagem decente do Estado. Desta feita, ninguém lhes vem cobrar impostos, taxas, dar ordens, transmitir proibições, olhá-los como bichos. É caso para dizer: ainda bem que nenhum governante lá apareceu. Ao ver-lhes as caras de pau, a verborreia tecnocrática, política (baixa política), a confissão de impotência sobe-me uma raiva que só é compensada pela imensa dignidade das vítimas que nem na desgraça foram poupadas à absoluta imbecilidade das declarações que todos conhecemos.

E o pinhal do Rei... um pinhal que estava à responsabilidade do Estado! Onde, nos tempos do antigamente, havia mais de duzentos guardas florestais e trabalhadores diversos, sobravam dez e dois técnicos. Será o Estado “resiliente”?

Os investimentos que faziam falta há anos, ou mais prosaicamente há quatro meses, aparecem agora de supetão!

E o pinhal? Duvido que em minha vida, no que me resta viver, o volte a ver, vivo e sano (como o amigo no poema que dá título a este folhetim) A vê-lo como o via, quando todos os meses, à passagem pela A17 e A8 na minha ida mensal a Lisboa para visitar a minha Mãe. Apesar de tudo, a esperança (e eu sou um optimista) é teimosa. Há uns anos vi arder o parque da Serra da Boa Viajem, na Figueira. Um parque onde brinquei, namorei, vivi. Está de novo em pé, vivo, verde, pujante. E era também uma floresta do Rei (no caso, porque quem incansavelmente o criou, quase do nada, se chamava Rei).

Só por isso, sonho com voltar a ver o pinhal de Leiria, restituído à sua verde grandeza e ao nome que, durante séculos, os povos lhe davam. Tanto mais que aquilo de “matas nacionais” afinal nada significava. O Estado, neste caso, portou-se como o pior dos proprietários.

.......

Era por aqui que eu terminaria o meu texto. Porém, ao ouvir o dr Miguel Sousa Tavares e umas criaturinhas do BE, numa fúria apocalíptica e anti-eucaliptica, deu-me para perguntar a estas robustas mentes citadinas: o que é que um camponês do interior, dono de pequenas parcelas de floresta, pelas quais paga imposto, há-de ter para poder assegurar um pequeno, pequeníssimo rendimento? Pinheiros que demoram a crescer o dobro do tempo? Carvalhos ou castanheiros que demoram seis a oito vezes mais? De que vive nessas décadas de intervalo? A senhora Martins quererá propor a funcionalização dos habitantes do interior? Dar-lhes umas fardas verde-azeitona e pô-los todos na carreira administrativa da restante funçanata pública, que de resto logo em começo de carreira ganha o dobro de um agricultor do interior?

Será que o dr Tavares que, dizem-me, é proprietário de um monte alentejano, já por lá plantou alguma árvore que eventualmente nunca verá adulta? Ao menos um par de oliveiras, meia dúzia de sobreiros ou, vá lá uma azinheira das que acabam por não saber a idade?

Quanto à senhora Martins não peço tanto. Não me atrevo a perguntar-lhe nada sobre botânica. Apenas me temo que sobre isso não vá mais longe do que vai na política.

 

* as duas ilustrações são um antes e um depois do pinhal do Rei As imagens tem tamanhos diferentes porque eu sou um desastrado que não sabe fazer melhor. Mas acho que se percebe bem o que me vai na alma e,sobretudo, o que vai por lá. 

23
Out17

Au bonheur des dames 431

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Ay flores do verde pino

(mcr 23.Out. 2017)

 

Saberão as leitoras (e os leitores, espero) que andam por aí (ou pelo menos em países mais civilizados e mais amigos da floresta) um par de livros que asseguram que a floresta, enquanto tal, age como um ser vivo ou seja as plantas (no caso as árvores) tem estratégias de desenvolvimento, de crescimento e de defesa comuns. Há, pelos vistos, uma actuação solidária perante as ameaças sejam elas um fungo, malévolo ou até a acção de animais. Fiquei fascinado com esta tese e encomendei já o livro mais recente sobre o tema que mereceu, de resto, artigos nas mais sérias revistas científicas do mundo.

A ser verdade, e tudo o indica, à floresta portuguesa calhou o mais temível ataque possível. O fogo. Não que as florestas (e em particular a floresta mediterrânica) não ardam. Ardem e há mesmo nesse fogo “normal” aspectos positivos. Existem mesmo árvores que necessitam do fogo para libertar as sementes.

Todavia, em Portugal, sempre em Portugal, a floresta é vítima de fogo a mais, de Governo a menos, de descuido, de descaso, de ignorância.

Desta feita, foi com o seu dramático cortejo de vítimas humanas e de milhares de animais domésticos ( gado, aves de capoeira, cães e gatos...) mais uma forte porção do pinhal interior que desapareceu. E, com ele desapareceram, casas, campos lavrados, apetrechos agrícolas, cabos eléctricos, condutas de água, fábricas e toda a sorte de veículos de trabalho, de transporte ou de recreio.

No meio dessa medonha devastação, perdeu-se oitenta por cento do Pinhal do Rei. Do pinhal dito de Leiria que em boa verdade chega até à minha terra (Figueira) e continua para lá do Cabo Mondego até Mira.

O pinhal do Rei tinha setecentos anos! Setecentos anos! Quase a idade deste desgraçado país, longe de Deus e perto, demasiado perto, de homens sem fé nem lei, de um Governo (aliás, de vários governos sucessivos) para quem o país é um longa praia de Setúbal até Viana, da rebentação até trinta, quarenta, vá lá cinquenta quilómetros para dentro. Um país onde cabem Braga, Guimarães, Aveiro, Coimbra, Leiria, eventualmente Santarém e, mais longe uma faixa costeira do Algarve onde o verde da vegetação se deve apenas aos campos de golf criados para os estrangeiros que eventualmente apreciam mais o nosso país do que os instalados no Terreiro do Paço. No próprio e nos que sobram em mais meia dúzia de cidades que do campo só sabem que é very tipical e que é de lá que vem o vinho, o presunto, as alheiras e o queijo da Serra. E as azeitonas, se para o ano houver que cheguem depois de milhares de oliveiras (que dura(va)m centenas de anos) terem ficado carbonizadas.

O pinhal de Leiria, as “matas nacionais”, o pinhal do Rei (e era assim que todos quantos nos importamos com a nossa herança, a nossa história, a nossa diferença, a nossa cultura) o chamavam, ardeu. Corre o risco de desaparecer. Era um monumento nacional vivo, “resiliente” como algum imbecil governamental diz, era tão nosso quanto a Batalha, os Jerónimos ou o castelo de Montemor. Respirava, era um imenso pulmão, uma defesa contra as areias, dava pinhas e acolhia centenas de animais. E dava, deu sempre, madeira para construção civil, soalhos, móveis, barcos sei lá que mais.

Este pinhal tinha menos guardas do que o museu dos coches (cuja nova sede custou milhões que faltarem dramaticamente nas terras abandonadas da “selva” interior). E dois solitários técnicos.

Não é por acaso que boa parte da mancha ardida elege um pequeníssimo número de deputados. O interior forneceu criadas, operários, emigrantes para a cidade, para os Brasis, para a Europa e para o mundo. Nada de importante, só gente que, com as pobres e honradas mãos, ainda tentava dar vida a um extenso território, a mais de 70% do território nacional. Só gente que combateu as chamas com ramos de árvore, com baldes de água, com mangueiras antigas e pouco eficazes. E, todavia, sabe-se de muitos casos de homens e mulheres que salvaram outros, muitos, homens e mulheres. E animais. Há a história de um morto a tentar salvar os cães. A outro, sucedeu-lhe o mesmo quando tentava libertar um par e vacas que nem dele eram. Mas pelos vistos, ou segundo aquela execrável criatura que passava por governante, não eram “resilientes”. Ou segundo uma outra, ainda mais cavilosa, só sabiam pedir ajuda, aviões e bombeiros. Note-se que toda esta gente paga impostos. Os mais idosos andaram numa guerra em terras desconhecidas para defender interesses duma burguesia nacional, o ventre que pariu boa parte das cliques dirigentes.

Vejo-os na televisão com o Presidente da República. Há lágrimas, como não? As lágrimas são próprias do homem. Ou de alguns, quase todos, mas não de um Primeiro Ministro a quem não se pedia choro mas tão só algum consolo, alguma piedade, uma palavra, uma simples palavra. que surgiu tarde, depois do discurso, do grande discurso, e eu não fui, não sou e não me parece que alguma vez seja, um fã de Marcelo Rebelo de Sousa. Critiquei-o aqui, várias vezes, antes e depois de ser Presidente, mas, neste momento tremendo, confesso a minha admiração pelo seu discurso e mais ainda, muito mais, pela sua incansável peregrinação pelas terras devastadas. Aqueles portugueses tiveram, provavelmente, pela primeira vez, uma imagem decente do Estado. Desta feita, ninguém lhes vem cobrar impostos, taxas, dar ordens, transmitir proibições, olhá-los como bichos. É caso para dizer: ainda bem que nenhum governante lá apareceu. Ao ver-lhes as caras de pau, a verborreia tecnocrática, política (baixa política), a confissão de impotência sobe-me uma raiva que só é compensada pela imensa dignidade das vítimas que nem na desgraça foram poupadas à absoluta imbecilidade das declarações que todos conhecemos.

E o pinhal do Rei... um pinhal que estava à responsabilidade do Estado! Onde, nos tempos do antigamente, havia mais de duzentos guardas florestais e trabalhadores diversos, sobravam dez e dois técnicos. Será o Estado “resiliente”?

Os investimentos que faziam falta há anos, ou mais prosaicamente há quatro meses, aparecem agora de supetão!

E o pinhal? Duvido que em minha vida, no que me resta viver, o volte a ver, vivo e sano (como o amigo no poema que dá título a este folhetim) A vê-lo como o via, quando todos os meses, à passagem pela A17 e A8 na minha ida mensal a Lisboa para visitar a minha Mãe. Apesar de tudo, a esperança (e eu sou um optimista) é teimosa. Há uns anos vi arder o parque da Serra da Boa Viajem, na Figueira. Um parque onde brinquei, namorei, vivi. Está de novo em pé, vivo, verde, pujante. E era também uma floresta do Rei (no caso, porque quem incansavelmente o criou, quase do nada, se chamava Rei).

Só por isso, sonho com voltar a ver o pinhal de Leiria, restituído à sua verde grandeza e ao nome que, durante séculos, os povos lhe davam. Tanto mais que aquilo de “matas nacionais” afinal nada significava. O Estado, neste caso, portou-se como o pior dos proprietários.

.......

Era por aqui que eu terminaria o meu texto. Porém, ao ouvir o dr Miguel Sousa Tavares e umas criaturinhas do BE, numa fúria apocalíptica e anti-eucaliptica, deu-me para perguntar a estas robustas mentes citadinas: o que é que um camponês do interior, dono de pequenas parcelas de floresta, pelas quais paga imposto, há-de ter para poder assegurar um pequeno, pequeníssimo rendimento? Pinheiros que demoram a crescer o dobro do tempo? Carvalhos ou castanheiros que demoram seis a oito vezes mais? De que vive nessas décadas de intervalo? A senhora Martins quererá propor a funcionalização dos habitantes do interior? Dar-lhes umas fardas verde-azeitona e pô-los todos na carreira administrativa da restante funçanata pública, que de resto logo em começo de carreira ganha o dobro de um agricultor do interior?

Será que o dr Tavares que, dizem-me, é proprietário de um monte alentejano, já por lá plantou alguma árvore que eventualmente nunca verá adulta? Ao menos um par de oliveiras, meia dúzia de sobreiros ou, vá lá uma azinheira das que acabam por não saber a idade?

Quanto à senhora Martins não peço tanto. Não me atrevo a perguntar-lhe nada sobre botânica. Apenas me temo que sobre isso não vá mais longe do que vai na política.

 

* as duas ilustrações são um antes e um depois do pinhal do Rei As imagens tem tamanhos diferentes porque eu sou um desastrado que não sabe fazer melhor. Mas acho que se percebe bem o que me vai na alma e,sobretudo, o que vai por lá. 

18
Out17

diário político 224

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A moção e os seus adversários

(d'Oliveira fecit 18.10.17)

 

Na directa sequência dos incêndios do fim de semana, o CDS entendeu propor uma moção de censura ao Governo.

Como disse o Sr. Primeiro Ministro, trata-se de algo normal e constitucional. Não podia dizer outra coisa. como é evidente. Todavia, o Sr. Carlos César, que exerce –parece – de presidente do PS veio a terreiro com a sua notória inabilidade oratória e política (e, pelos vistos, um escasso conhecimento da Constituição e das normais práticas políticas) afirmar que esta moção é, meço as minhas palavras, um “despropósito” e não passa de uma mesquinha tentativa de fazer baixa política.

No mesmo surpreendente sentido, o senhor comentador Rui Tavares (última página do “Público” hoje, 18 de Outubro) fala de “inqualificável sentido da moção” por lhe parecer a ele Tavares, e provavelmente a uns poucos mais, que a moção só tem o fito de derrubar a Ministra. Tavares, se fosse menos ingénuo, mais cauteloso, mais sabedor dos meandros da política, poderia ter aguardado um dia. Verificaria, assim, que a Ministra “já era”. que o Presidente da República anunciara a mesma coisa, ou seja a demissão dela (voluntária ou forçada. Claro que foi forçada, forçadíssima, à ultima da hora quando já só tinha a cabecinha pensadora fora de água).

Tavares não percebeu (ou percebeu mas esconde a mão) que a moção do CDS só por mero acaso, oportuno acaso, visava a Ministra. Sei que isso, provavelmente, é muita areia para a camionete de Tavares, fundador de um ajuntamento chamado “Livre” sem expressão eleitoral sequer nas cidades e muito menos no país.

Tavares, dissidente notório do BE (mesmo se apenas fosse deputado europeu independente nas listas deste) tem andado por aí a pregar a unidade das esquerdas. Obviamente, não foi por ele que essa (entre nós insólita) unidade se afirmou. De facto, quem quiser lembrar-se sabe que a coisa começou quando, depois de Costa ter lacrimejado pela sua derrota, Jerónimo, num passe de mestre acenou-lhe com o poder apoiando-o quando dois dias antes o atacava com tudo o que podia.

Costa aceitou, Passos Coelho amuou, o BE alinhou e eis que estamos em plena “geringonça” como Portas, rapidamente retirado para outras mais proveitosas batalhas, baptizou.

Não vou agora fazer o processo desta unidade para a qual Tavares não foi convidado (e porque é que o seria?) mesmo se ele tente, a todo o custo, apanhar o comboio.

Tavares ainda não percebeu (ou se percebeu finge que não) que o CDS apenas quer mostrar à evidência que o PS está refém da votação do PC e do BE. Se, porventura, se abstivessem ou a votassem, o PS caía. Redondo! Catrapus!

Há dias, isto não prejudicaria o PS. As sondagens, pouco fiáveis, como. por experiência sabemos, davam-lhe uma claríssima vitória senão a maioria absoluta. E por mais que Costa jurasse que nem assim abandonaria as suas duas (entretanto inúteis) muletas, é evidente que ficaria com total liberdade para governar como habitualmente o PS governa e que sempre suscitou ásperas críticas do PC (e do BE, mesmo se com estas possa o PS muito bem).

Todavia, tudo mudou nestes tempos de luto e de cólera. À uma Costa não percebeu que o país espera um sentido, choroso, pedido de desculpas. E que não tendo sido feito, as coisas, bem exploradas, mudam muitas vontades. Depois, a derrota do PC, as dez Câmaras “roubadas” indignam e mobilizam (ainda mais) o PC e os sectores a quem a política vagamente conciliatória de Jerónimo irrita ou enfurece.

O país descobriu que nada ou pouco se fez contra as catástrofes. que a insensibilidade de uma Ministra, de um Secretário de Estado não tiveram, por parte de Costa, qualquer censura. que este, numa crucial conferencia de imprensa, chutou para canto todas as perguntas incómodas e não se preocupou em parecer triste ou responsável. Ele que anda nestes governos desde sempre, que já esteve na Administração Interna (sob a agora negregada batuta de José Sócrates) está, neste momento, numa posição incómoda sobretudo porque Marcello Rebelo de sousa lhe retirou o guarda chuva de cima.

Nada disto prenuncia uma vitória do centro-direita tanto mais que o PPD entrou em convulsão. Mas, como dizem os nossos vizinhos mesmo sem se acreditar em bruxas “que las hay, las hay!” Ou seja uma moção de censura incomoda e muito. Mesmo perdedora, como tudo indica. Ficará evidente, para muitos, senão para todos os que abandonaram o voto PPD pelo PS (ou até, e isso não foi tão bizarro como alguém pensou) pelo BE.

Poderão estar agravados com os anos duros. Poderão estar agradados com este orçamento bodo à esquerda mas cujos efeitos poderão ser contestados se subirem o preço do petróleo ou dos juros da dívida, se mudar a política do Banco Europeu, se a situação espanhola se reflectir nas nossas exportações para lá, se o novo ministro das finanças alemão vier, como tudo indica, do partido liberal (já aqui afirmei que iríamos ter saudades de Schauble), etc., etc.

Todavia, e os resultados das autárquicas, valendo o que valem, mostram que nem o PC nem o BE (um mais severamente derrotado que o outro, também perdedor) ganharam com a geringonça. Se o PS der sinais de erosão depois da tragédia do fim de semana e da leitura diferida dos relatórios sobre os fogos, para já não falar do ultimato do Presidente da República, então o CDS, mesmo perdendo a moção marca pontos e não poucos junto da opinião pública. E o PPD pelo menos não perde nada.

Esta é a razão do mau humor de César. O homem não será um luminar mas também já aprendeu qualquer coisa. Tavares pode não ser um estrela política (não o é de todo em todo) mas como rapazinho aplicado também não lhe escapou este efeito da moção “inqualificável”.

A política, como tudo o resto debaixo da roda do sol, tem sempre dois tempos. No caso em apreço, não é esta, para o PS, a boa altura de estar a desvendar qual deles prevalece.

Conceição Cristas tem tudo a favor dela. Arriscou, ganhou e o partido do táxi já se sente o partido dos comboios especiais. E age como tal. E, em política, por vezes, o que parece é. Goste-se ou não.

Isto ainda vai ser divertido.

18
Out17

Estes dias que passam 343

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Já devia ter ido há muito, desde sempre!

(mcr 18.Out.2017) 

A Sr.ª Ministra Da Administração Interna pediu finalmente a demissão. Na carta que os meios de comunicação reproduzem afirma que esta demissão fora pedida logo a seguir a Pedrogão. E que só não fora publicitada porquanto o Sr. Primeiro Ministro lhe pediu para permanecer.

Todavia, agora, depois do que aconteceu, depois dos acabrunhantes relatórios sobre os fogos onde pereceram mais de sessenta pessoas (que o Estado não protegeu e que, até à data não obtiveram deste qualquer pedido de desculpas...) , eis que a sr.ª Ministra renova terminantemente o seu pedido não deixando margem a qualquer outra solução.

Por acaso, só por um inefável acaso, morreram mais quarenta portugueses, dos mais pobres, dos mais desprotegidos, dos com menos possibilidades de se defenderem quer pela idade, quer pelo isolamento, quer pela violência da catástrofe. Por acaso, começaram a surgir por todo o lado críticas violentas à Sr.ª Ministra, manifestações, artigos condenatórios na Imprensa e um discurso do Sr. Presidente da República onde a Sr.ª Ministra é claramente um dos alvos.

Não por acaso, mas por canhestra insensibilidade, a mesma Sr.ª Ministra veio para as televisões dizer que para ela “o mais fácil seria pedir a demissão (coisa que nesse momento se recusava a fazer) e que nem férias tinha gozado. No meio destas deploráveis palavras, entendia ainda a Sr:ª Ministra que no repartir de culpas (não dela, claro) havia algumas a apontar às comunidades vítimas, eventualmente aos mortos e feridos, a necessidade de se tornarem mais resilientes às catástrofes. Que esta absurda demonstração de falta de sensatez e de absoluta falta de piedade, de desgosto, não foi obra do acaso prova-o o facto de um seu Secretário de Estado ter abundado no mesmo sentido clamando que tem de ser os povos perdidos nas serranias quem se deve defender sem esperar aviões ou bombeiros.

Isto, esta sintonia miserável e insultuosa entre dois altos responsáveis governamentais não pode ser mera coincidência. Há aqui uma sintonia planificada de declarações que, cumpre dizê-lo, foram passadas em silêncio (concordante?) pelo Sr. Primeiro Ministro.

Foi preciso que o Sr. Presidente da República viesse a terreiro, foi preciso uma ameaça de “moção de censura”, seguida de uma manifestação e precedida de um coro de críticas e de anúncios de mais manifestações, para que, subitamente, a Sr.ª Ministra se tentasse retratar com a carta de demissão e com a “narrativa” de uma outra e anterior atitude idêntica.

Mais uma vez, não se descortina uma palavra de conforto às vítimas (mal de que também enferma o Sr. Primeiro Ministro que, eventualmente, pensará que isso incumbe aos milhares de cidadãos que se solidarizaram enviando contributos pessoais, e ao Presidente da República que (honra Lhe seja) tem constantemente acorrido aos locais das desgraças com uma palavra, as invitáveis selfies e os beijinhos. Mesmo criticando, muitas vezes, a “pro-actividade” (raio de palavra!) presidencial, sou obrigado – e não me custa nada! – a reconhecer que foi o Doutor Rebelo de Sousa quem encarnou os deveres próprios e os do Governo. O que lhe dá o direito (e nunca as mãos lhe doam) de fazer o discurso que fez.

Eu não conheço a Sr.ª Dr.ª Urbano de Sousa. Nem tenho qualquer vontade pois o que dela adivinho é apenas uma absoluta falta de comiseração por quem sofre, por quem está em baixo, pelos cidadãos deste pobre país, por todos quantos a criticámos desde Pedrogão. E a este pecado primário e definitivo junta-se o da falta de ética republicana, queira isto dizer o que quiser. Esta senhora não deve, não pode fazer política. Não se pode depender dela para nada.

Vai fazer as merecidas férias a que tem direito. Que durem anos, décadas! E que leve com ela aquele Secretário de Estado tão repelentemente “pro-activo”. Num país que no dizer do “Jornal de Leiria” perdeu, com o incêndio do pinhal de Leiria, setecentos anos de história, podemos sem qualquer problema perder de vista duas criaturas incompetentes e arrogantes.

17
Out17

Diário político 223

mcr

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quantos mortos mais serão precisos?

(d'Oliveira fecit  17.10.2017)

 

A sr.ª Ministra da Administração Interna não teve férias. Ao contrário de cem mortos deste Verão que as vão ter e eternas. E quentinhas. A sr.ª Ministra faz jus ao nome: é constante na sua imparável teimosia, no autismo que parece habitá-la, na absoluta miopia política, ética (para já não falar da profissional) e pessoal.

Pior, bem pior, é a sua vertiginosa corrida par o abismo da tolice. Bastou ouvi-la um par de segundos ao afirmar que as comunidades tem de se tornar mais resilientes às catástrofes.

As comunidades de que ela fala são constituídas maioritariamente por idosos, camponeses abandonados, pobres, provavelmente pouco ou nada instruídos. Gente, digamo-lo, adoptando eventualmente o mesmo olhar gélido da sr.ª Ministra: gente descartável.

Vê-la ao lado de Costa, ausente, sem um esgar, sem um frémito, sem corar (ninguém lhe pede para chorar, obviamente) é um exercício penoso e faz-nos sentir vergonha por ela, por nós, por Portugal. E uma imensa revolta tintada por outra imensa piedade pelos que tudo perderam neste fim de semana alucinante que, pudicamente, ela afirmou ser de centenas de “ignições”. Ignições, disse a criatura. Faltou-lhe língua, coragem, português de lei para dizer incêndios, fogos mortais.

Olha-se para esta mulher e damos com um fácies liso, impenetrável, insensível e com um vago lamento pela falta de férias. Que vá já de férias. Para a Venezuela, para a Somália, para a Líbia, para a Coreia do Norte, para o raio que a parta. que desapareça e por muitos e bons.

Este fantasma que percorre de longe o país calcinado e os corredores do Governo poderia, por mera precaução perfeitamente justificável por um Verão violento (haja quem se lembre desse filme magnífico de Zurlini), quentíssimo, sequíssimo ter adiado os prazos do fim da fase “Charlie”. As datas que a definem são meramente indicativas e, ontem mesmo, todos os especialistas o disseram e repetiram. A fase “Charlie” só chega ao fim por decisão política. Política, repete-se. Ou seja por decisão governamental, apoiada em proposta da sr.ª Ministra responsável.

Este Orçamento que nos cairá em cima, aproveita uma folga de mais de mil milhões de euros. Com isso vão chover subsídios, progressões nas carreiras, diminuição de IRS, aumentos normais e extraordinários de pensões, sei lá que mais. E vai mesmo haver um pequeno desconto nos encargos com os cidadãos que morreram. Por uma ínfima parcela desses milhões ter-se-iam mantido cá aviões e helicópteros enquanto durasse este insuportável calor e enquanto permanecesse a seca tremenda, “extrema” que afecta todo o pais e que é trágica para as Beiras, Trás-os-Montes, e o interior do Ribatejo, da Estremadura e da Beira Litoral. E de boa parte do Minho, donde o fogo galgou para a Galiza. Sexta feira, se não erro, vi um pungente documentário sobre o distrito de Bragança onde as terras se esboroam de secas, as oliveiras estiolam, os gados perecem de fome e sede e os homens, os poucos que ainda restam, os “resilientes” na expressão canalha da sr.ª Ministra já não sabem o que fazer.

Domingo, nos distritos de Viseu, Guarda Castelo Branco e Coimbra, outros gados, centenas senão milhares de animais morriam queimados. E queimadas ficavam casas, fábricas, pequenas lojas, hortas e plantações variadas.

E a sr.º Ministra sem o aconchego de umas férias, sem um mergulho no mar das Caraíbas, no mar Vermelho, no mar do Japão mas permitindo que um mar de fogo lavasse (levasse) de vez mais trinta e tal inúteis cidadãos portugueses culpados de não serem urbanos e de serem constantes na terra amaldiçoada que os viu nascer, crescer (e morrer).

Quantos mortos mais serão necessários para enterrar a sr.ª Ministra?

E já agora, quantos serão também necessários para mandar o sr. Jorge Gomes, digno Secretário de Estado da sr.ª Ministra, “ser proactivo” quando um fogo justiceiro se cevar em sua casa, enquanto ele estoico não chama bombeiros nem aviões carregados de água. A insensibilidade ministerial tem um eco fiel na inexistente inteligência da frase do seu fiel Secretário de Estado. Estão bem um para o outro.

Há uns tempos, na Assembleia da República, alguém citou uma frase vinda dos tempos tremendos da “Propaganda Republicana”: Disse-a Afonso Costa: “por muito menos crimes do que os de D Carlos ...rolou, pelo cadafalso a cabeça de Luís XVI” e repetiu-a já não sei quem.

Por muito menos (imperícia, descaso, falta de zelo, incompetência) o sr. Jorge Coelho, Ministro de um Governo igualmente socialista se demitiu devido à queda da ponte de Entre-os-Rios. O homem não tinha de nenhum modo responsabilidade no sucedido e nem sequer a ponte parecia correr um risco especial. Mas demitiu-se. Por vergonha, por honra pessoal, por ética republicana, por decência.

Este sinistro par que assombra o Ministério parece inamovível. Nada os empurra, os demove, os comove.

Só um oportuno incêndio nos gabinetes a que se agarram como lapas. Ou, como noutros tempos, o tiro de algum Buiça armado em justiceiro ou em vingador daqueles povos abandonados. Não apelo ao homicídio, fique bem claro, mas não seria o filho do meu pai que iria em socorro deles se os visse cercados pelo fogo ou acidentados na estrada: os indiferentes morrem cercados de indiferença. “Bon débarras!, como dizem os franceses.

Os ministros e restantes governamentais mesmo em estado cadaveroso são daninhos

16
Out17

Au bonheur des dames 430

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Algumas perguntas inocentes

 

As leitoras e os leitores recordarão, espero-o bem, que nunca me pronunciei pela culpabilidade do sr. José sócrates. Apenas, e de raspão, referi que até ao fim do julgamento, qualquer acusado se presume inocente.

Claro que isto, esta pública posição, não me retira o direito de pensar dele o que muito bem entenda. Jurista de formação e democrata desde sempre ou, pelo menos há cerca de 60 anos (presumindo que, depois dos 15/16, já saberia o que queria (coisa que não era difícil nos ásperos tempos em que vivi a adolescência e os primeiros anos de adulto) e, sobretudo o que não queria.

Também recordarão que pouco, quase nada, me durou a ilusão de que o sr. José Sócrates era um estadista. Pareceu sê-lo quando o comparávamos com o dr. Santana Lopes (que agora, reciclado e com menos cabelo, regressa às lides amparado pela amnésia colectiva nacional – de que Sócrates também largamente beneficia.

Aqui mesmo, poucos meses, um ano talvez, após a sua tomada de posse, já eu começava a duvidar da razoabilidade da sua governação. Essa crescente dúvida transformou-se em inexorável certeza durante o segundo e medonho mandato da criatura. A arrogância, a incultura, o autoritarismo e, sobretudo, o autismo político ultrapassaram tudo o que se poderia esperar.

Todavia, mesmo depois de ter sido varrido do poder, mantive o mesmo propósito: não julgar senão politicamente um homem que já não estava (bem pelo contrário!) acima de qualquer suspeita. Os “casos” já eram mais que muitos desde o “Freeport” até aos exames ao domingo, à licenciatura, ao seu teor de vida. Depois foi Paris. Aí este cavalheiro pretendia tirar um qualquer curso e estudar imenso não se sabe bem o quê. Dessa passagem ficámos a conhecer – de fora – a casa onde vivia. No XVI bairro, se faz favor. Na zona mais cara de Paris, para quem não saiba. E os restaurantes onde iria. Restaurantes, digo, nada de bistrots, nada de baratezas. E por aí fora. Maravilhavam-se os portugueses com aquele trem de vida que, por baixo, bem por baixo, rondaria os 10.000 euros mês. É que se sabia, graças a declarações do próprio que ele “apenas” auferia uma pensão que não chegava a sequer um terço do que obrigatoriamente gastava só em alojamento e alimentação.

Depois soube-se, para ainda maior surpresa (os milagres nunca aparecem sós), que havia um amigo que lhe emprestara um forte soma, ao mesmo tempo, que lhe cedia gratuitamente o belíssimo apartamento onde vivia.

E que esse amigo havia de repetir o magnânimo gesto vezes sem conta, chegando mesmo a comprar imóveis à mãe dele. Mesmo assim, os maldosos incrédulos não acreditavam. Amigos destes, que entregam (como depois foi confirmado pelo próprio) somas muito importantes sempre em dinheiro, sem um papel (o sr. José Sócrates não sabe, como confirmou publicamente, quanto dinheiro ainda deve. As contas certas serão com o generoso Silva.

Depois de regressar e ser preso, o sr. José Sócrates vendeu um caríssimo apartamento onde vivia em Lisboa e com esse dinheiro terá pago parte da dívida ao tal Silva. E alugou outro apartamento, desta feita no Parque das Nações, cuja renda não será (ou será pouco) inferior à sua pensão.

Como é que sobrevive ´um mistério. Será que como as tribos de Israel, o Senhor Deus dos Exércitos, lhe manda diariamente o maná dos céus. E passes para os transportes? E um anjo para guarda de corpo? Terá sido a Senhora dos Aflitos quem comprou os milhares de exemplares do livrinho que se lhe atribui e que ele, a bomba y a platillo, diz duas larachas vagamente sarapintadas de filosofia política?

Eu, oficialmente, não sei nada da corrupção das três dezenas de crimes de que o acusam, das dezenas de milhões que lhe terão caído no bolso distraído, das traficâncias com duas dezenas de criaturas que constam do mesmo processo. Nada. O Tribunal há-de decidir mesmo se, como prevejo, com algum desapontado realismo, eu já não assista ao desenlace. Tal processo durará presumivelmente uma boa dezena de anos e mesmo gozando eu de razoável saúde a coisa atira-me para lá dos oitenta e cinco anos.

Portanto, mesmo sem julgar a criatura, tenho sobre ele esta tremenda primeira opinião: donde lhe vêm os meios, o cacau, o pilim, a massaroca, para viver como vive?

Não sei onde é que há fogo, mas o fumo, ai o fumo, é intenso. Espesso, contínuo, intoxicante.  

Quando um jornalista (TV1) lhe perguntou qualquer coisa relacionada com isto, o sr. José Sócrates explodiu. enfim, enfureceu-se, zangou-se, amuou. Que não admitia aquele género de jornalismo! que aquilo parecia encomendado pelo “correio da manhã” (coisa que não pude comprovar porque, como aliás faço com o mesureiro “diário de notícias”, não frequento o dito jornal.

Lembremos que aquilo era uma entrevista, não uma missa de casamento, um te deum à glória do ex-primeiro ministro. Ele não era obrigado a ir.

Se queria aplausos, guardava-se para o lançamento do seu segundo best-seller que ocorreu no Porto, numa sala cheia de amigos do peito (reconheci entre divertido e espantado, alguns daqueles que daqui a dias, meses, anos irão antecipar-se ao terceiro canto do galo) e de uma berrata que uivava qualquer coisa como Sócrates amigo o povo está contigo.

Daqui, desta esplanada onde escrevo, há um quarteirão de criaturas que, pelo que ouço, ou não são povo ou não estão com ele. Noutros lugares (sempre detestáveis e maldosos) por onde tenho passado repete-se este mesmo feio cenário: Povo ausente, público maledicente. Decididamente há dois Portugais...  

12
Out17

Santana Lopes e Rui Rio

José Carlos Pereira

Pedro Santana Lopes anunciou na terça-feira a sua candidatura à liderança do PSD e Rui Rio promoveu ontem a sua apresentação pública ao mesmo cargo. Os militantes do PSD vão ter cerca de dois meses para escolher o líder, as suas propostas e equipas.

Uma escolha que também se fará entre a genuinidade, a empatia e a humildade de Santana Lopes e o calculismo, a frieza e o perfil autoritário de Rui Rio. Ver-se-á quem vale mais votos no seio do PSD. O que é certo é que o país necessita de uma oposição forte e actuante.

12
Out17

A acusação, finalmente

José Carlos Pereira

Ontem foi um dia triste para a democracia portuguesa com a acusação formal ao antigo primeiro-ministro José Sócrates. Uma acusação que não podia deixar de ser esperada por todos os que foram acompanhando as notícias ao longo dos últimos quase três anos.

A acusação do Ministério Público tardou em demasia, mas agora que aí está permite aos acusados encetarem a respectiva defesa. Quem votou em José Sócrates, como eu, tem ainda mais razões para lamentar todo este processo. E para esperar, como ontem ouvi a um destacado parlamentar, que no final a verdade tenha uma demonstração plena.

11
Out17

Au bonheur des dames 429

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uma farsa ou

um passo em frente, dois atrás

 

(lembrando e abraçando Montse, Margarita, Ferran, Eugeni e Xavier, amigos inolvidáveis)

 

Nunca dei nada pelo senhor Carles Puigdemont. Se fosse vendedor de automóveis nem uma trotineta lhe compraria. fosse por que preço fosse!

O homenzinho tem o ar, a postura e o discurso de alguém profundamente perturbado. E só um perturbado (a menos que seja um imbecil) é que proclama a independência e logo, de seguida, a suspende.  Suspende o quê? A proclamação? A independência? No primeiro caso escusava de vir ao Parlamente. No segundo, inventou uma nova ideia de independência, uma coisa que hoje há e que amanhã não ou vice versa e assim sucessivamente.

Saberá este pobre diabo o que é que significa independência? Saberão os que o ouviram e bateram palminhas? Anda toda esta gente a jogar ao chinquilho, à macaca ou aos quatro cantinhos?

Mas há mais e mais surpreendente. Tomando, uma vez sem exemplo, a sério a declaração e sabendo-se o que toda a gente sabe, que valor se pode dar à ideia de tentar um diálogo através da suspensão (se é que tal coisa tem significado, valor jurídico, efeitos políticos)?

O pateta (e estou a medir as minhas palavras por consideração pelos meus velhos amigos catalães) pensa que convence alguém? Sobretudo, que convence o Governo espanhol, sequer os membros menos estouvados do Parlament, os cidadãos catalães (incluindo os independentistas) ?

Não se dá conta da tontaria, melhor, da estupidez, da improbabilidade da sua proposta?

Então, depois de duas leis contrárias à Constituição, votadas por uma unha negra (o bloco constitucional tem praticamente os mesmos deputados mesmo se, como se sabe tenha tido mais votos -52 contra 48%) vem agora com este artifício de pé quebrado, esta tentativa de fuga à responsabilidade, tentar encurralar um Governo que já tinha obtido várias vitórias (apoio da Europa, apoio de uma fortíssima – e provavelmente maioritária- opinião pública catalã, apoio de bancos e empresas que rapidamente se transferiram para locais menos perigosos do que a Catalunha (o mesmo sucedendo a clientes que, aos milhares, abrem contas fora do território. em menos de uma semana, a Catalunha pode já contabilizar uma forte descida nos impostos a cobrar, uma perda clara de riqueza que tornará a vida mais difícil para os catalães e para quem os governar seja uma restaurada Generalitat da autonomia, seja um governo republicano.

A única explicação (que ultrapasse o diagnóstico de idiotia profunda e incurável) estará, como já se vai dizendo, na procura de confrontos violentos, de mártires para a causa, de mortos, até. Todavia, a propalada violência policial traduziu-se em quatro feridos ligeiros e nem todos oriundos da causa independentista.

Estamos perante uma farsa que só não é absolutamente ridícula porque poderá ter algumas consequências trágicas. A população “constitucional” que andava calada e cozida às paredes no temor de represálias (e as ameaças tinham sido constantes nos últimos tempos) resolveu sair para a rua. Encheu-a tanto quanto os partidários de Puigdemont, percebeu, ela também, a sua força e é duvidoso que doravante se cale.

Os independentistas desejavam o confronto com “Madrid”, agora parece que terão de enfrentar outra Barcelona, outra Catalunha, para não falar no resto de Espanha. Os independentistas (radicais, anarquistas. direita xenófoba, bem pensantes e outros inocentes úteis) apostavam na estratégia da tensão (coisa que de resto não é nova na Europa e que já deu maus resultados noutros países e noutras alturas), não perceberam que, mesmo em Euzkadi, onde a ETA e os seus satélites tinham colonizado a sociedade (colonizado no sentido mais duro e abrangente do termo) tinham reduzido ao silêncio os seus adversários que se viram obrigados a fugir para não morrerem com a famosa bala na nuca (e foram muitos como se lembrarão os mais interessados), tal estratégia tinha falhado redondamente, Demorou trinta e muitos anos, quase mil mortos, outros tantos presos, milhares de emigrados (por todos Fernando Savater) até chegar ao ponto actual. Não é por acaso que os independentistas bascos não se mexeram ou mexeram-se tão pouco que vem a dar no mesmo.

A Europa, com tudo o que tem de imperfeito, é o melhor que se fez depois da guerra. A Europa de cá, a que se foi pacientemente construindo desde a Comunidade do Carvão e do Aço até hoje. É essa Europa um dos alvos da CUP e de várias organizações satélites que, todavia pretendem os seus benefícios sem as suas condições. Sabem, demasiadamente o sabem, que fora disso, é a pobreza que espreita. Seriam as indústrias que desertariam, o desemprego que cresceria exponencialmente, falto de investimento. Até o turismo (e mesmo aí Barcelona não dá grandes sinais de perceber o fenómeno) sofreria e não pouco. Quem é que vai passear-se para zonas de incerteza?

 

Outros amigos meus, desta feita galegos, caracterizavam Rajoy: é como muitos galegos um tipo que mesmo dentro de um elevador não diz se está a subir ou a descer.

Porém, neste conflito, mesmo que se possa apontar-lhe erros (e não foram poucos, sobretudo os derivados de uma total intransigência que, entretanto, também era de antemão conhecida e esperada) como é que Puigdemont o vem desafiar (independência e república) e acto contínuo exigir um diálogo? Com prazo e tudo (poucas semanas)!

Eu estaria para aqui a rir-me que nem um cabinda não fosse gostar da Catalunha, dos seus poetas, dos seus artistas (mas não de Gaudi!...), ter lá amigos, uma antiga namorada, das praias (ai as praias...) da comida e, vejam lá, da língua que compreendo bem (até já traduzi dois livros do catalão) que falo patrioticamente muito mal mas que tem sons belíssimos e me fazem pensar no que deveria ser o provençal, idioma de trovadores (e de heréticos...).

Mas isto, esta palhaçada, esta vergonha parece-me demais. Quando, por cá, um político se demitiu irrevogavelmente, saindo por uma porta para entrar pela janela, eu, que nada tenho a ver com ele, com o partido dele, com o governo dele, senti vergonha. Por Portugal. Bem sei que temos cá de tudo mas mesmo assim não me conformo com as aberrações. Neste momento, peninsular, ibérico, europeu, que sou volto a estar envergonhado. A Europa, alguma Europa nortista e altaneira lá estará a dizer baixinho e escarninhamente: Estão a ver como aquela gente é? São do Sul, está tudo dito. Bebem vinho, consomem azeite, gostam de peixe, são maioritariamente católicos, igualmente pecadores (ai o jeito que a Confissão dá...), gozam a vida e à falta de disciplina são, pelo menos inventivos”.

Envergonho-me pela vergonha dos meus amigos acima citados. E dói-me esta triste maneira de dar razão a um famoso prócere da Direita espanhola, assassinado pela polícia da República nas vésperas da Guerra Civil, Calvo Sotelo que afirmava: España antes roja que rota.

E não me conformo.

* na gravura: uma composição de Jordi Cuixart 

10
Out17

Estes dias que passam 342

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As/Os padeirinhas/os de S Bento

 

Na curiosa “Assembleia da República” portuguesa passa-se um pouco de tudo. Desta feita, apareceu um voto de condenação da actuação policial no dia do “referendo” (ilegal, seja de que que ponto de vista for) na Catalunha.

Parece que a polícia não foi meiga (e não o foi, é evidente) contra os manifestantes que insistiam em votar. que insistiam, relembre-se, numa actuação ilegal considere-se o “Estatut”, a Constituição de Espanha, a lei geral ou, sequer, o parecer do Tribunal Constitucional.

Convirá recordar que neste género de situações a polícia é sempre violenta. Nem que se trate de simples empurrões aos cidadãos. Por um lado há sempre uma desproporção de forças: de um lado um grupo de polícias, doutro uma multidão. Se é verdade que uns estarão armados (seja de pistolas ou de bastões) não menos verdade é que do outro lado há sempre um número muito maior de pessoas que, e também isso se viu (ou só não foi visto pelas criaturas bloquistas) começando por normais protestos, rapidamente se excitam e começam também elas a mostrar não só violência verbal (e essa a polícia ainda aguenta) mas cara disposiçãoo de romper os cordões policiais à força o que obviamente não se faz com meiguice.

Quem sai para a rua para se manifestar, sabe para o que vai. Ou, pelo menos, no meu tempo (e que tempo: anos cinquenta finais, todos os sessenta e os setenta que se lhe sucederam e não apenas os antes do 25A) sabíamos. Tenho dessa época uma memorável experiência nacional e internacional. De facto, não só não perdi uma única oportunidade de sair e apanhar chanfalhada nos juvenis lombos, mas em terras alheias comi pela medida grande. em França nos anos 68 e seguintes, em Itália durante uma “estate violenta”(1972), em Espanha na época do fim do franquismo et j’en passe. Manifestei-me pelas causas mais diversas (e nem sempre as mais justas: cheguei a ir para rua pela Cinemateca Francesa, contra a construção da “tour de Montparnasse”, entre outras miudezas surpreendentes.)

De todo o modo, eu sabia o que arriscava. E, já agora, percebia o que os meus adversários defendiam e o modo como pensavam defender-se.

Há, além do mais, uma segunda observação a fazer. E ela é a seguinte. Nenhum poder, fáctivo ou legítimo quer afirmar-se pela violência. todos os poderes visam consolidar-se com o sufrágio dos cidadãos. Ou, pelo menos, com a indiferença destes. O dr Salazar usava a terna expressão “safanões dados a tempo”. “Safanões”, vejam bem!

Isto justifica a “violência” venha ela de onde vier? De modo algum. A violência é sempre injustificada. Os fins nunca justificam os meios. E estejam nesses fins a sociedade ideal ou o poder de meia dúzia. Aliás, nisto de sociedades ideais há sempre o poder de um escasso número de iluminados que se sentem os arautos e os salvadores da imensa maioria.

Mas voltemos ao nosso parlamento. Umas padeirinhas e respectivos émulos masculinos (não os esqueçamos) tomaram dores pelos lombos de catalães independentistas como antes já tinham tomado pelos do venezuelanos maduristas. Curiosamente, nem uns nem os outros cheiram, de perto ou de longe, a esquerda, pelo menos a esquerda clássica. Aquilo a que assistimos é populismo histérico, nacionalismo feroz e xenofobia. Desde a Esquerra (e já aqui o notamos) até à CUP aí os temos impantes. E depreciativos para com o resto da comunidade espanhola. Como se a palavra Espanha fosse um insulto. Recordemos que Espanha é o nome, desde os primórdios da construção do império romano, que a península teve. A actual Catalunha estava na chamada “Tarraconense” (de Tarragona) enquanto por aqui a norte estávamos na Galécia e os de Castela na Lusitânia...

(“Arriba, arriba gajeiro, arriba ao mastro real, vê se avistas terras de Espanha, areias de Portugal”) Espanha impôs-se interna e externamente mesmo antes de ser um país unido e unificado com a notável excepção portuguesa, fruto muito do acaso tanto quanto da História e do jogo de interesses europeus (justamente uma das mais tremendas derrotas catalãs tem a ver connosco que com eles e com outros –os que de facto eram influentes- interviemos na guerra da sucessão de Espanha, tendo um exército português ocupado Madrid por um breve período de tempo).

Portugal construiu-se primeiro contra Leão (Afonso Henriques tentou baldadamente apoderar-se de vários territórios galegos, o que nunca conseguiu) depois, e sempre, contra Castela. A monarquia dual filipina foi um mero intervalo, tanto mais que, do ponto de vista legal e político o reino de Portugal continuava a existir. Todavia, esta situação não perdurou muito por culpa de grandes validos espanhóis, da incapacidade de Filipe IV (III de Portugal), dos desastres da guerra entre Espanha e Inglaterra e Holanda. Portugal viu ocupados o Brasil e Angola (ou seja Luanda e cercanias), perdido o Ceilão e outras possessões asiáticas e arruinado boa parte do comércio. Entretida com as guerras e com a manutenção da Catalunha, a Espanha já não teve exércitos suficientes para vencer D João IV. De todo o modo, a guerra da Restauração durou praticamente 30 anos e teve o resultado que teve graças a oportunas alianças com a Inglaterra.

No entanto, a sombra espanhola persistiu sobre Portugal e mais ainda sobre o nosso imaginário pelo que o chamado complexo de Aljubarrota persistiu. Ainda hoje, são evidentes e repetidos, certos traços de anti-espanholismo entre elites portuguesas. O iberismo foi sempre excepcional e a duvidosa aliança entre Salazar e Franco (que aliás chegou a ter um plano para invadir Portugal depois de por este ter sido – e de que maneira! – ajudado durante a “Cruzada” anti República).

Daí um entranhado entusiasmo por bascos (que durante muito tempo por cá andaram sem grandes cautelas), por galegos (A UPG chegou a ter bases em Portugal) ou pelos distantes catalães cuja língua, história e cultura são olimpicamente desconhecidas dos nossos padeirinhos e padeirinhas.

Daí que no Parlamento tivesse aparecido um voto tonto e pueril contra a violência da polícia. Eu até admitiria que tivesse havido alguma discussão, que se tivessem pesado argumentos, que os inocentes deputados tivessem podido esclarecer-se sobre o problema catalão. Mas nada disso sucedeu. como, de resto, se previa.

O voto é tolo, provavelmente uma imbecilidade, não contribui para ajudar uns ou outros ou melhor, ajuda os inflamados que nestes últimos dias terão visto (mesmo se a miopia política seja de regra) que na Catalunha há tantos ou mais anti-independentistas que nacionalistas.

Assistimos a uma fuga para a frente de Puigdemont e companheiros. Sabem que se declararem a independência correm o risco de serem presos o que só lhes convém. Faça Rajov, de resto galego, o que fizer está sempre em dificuldades. Políticas, obviamente, porque na frente económica as coisas correm-lhe de feição. As grandes empresas, os bancos, a indústria estão em debandada da Catalunha. só isso constitui um rombo nas finanças regionais. As pessoas começam a transferir contas para bancos que estejam protegidos pelo BCE. A enorme minoria emigrante na Catalunha inquieta-se. A Europa avisa. Toda a propaganda independentista baseou-se num argumento falso: a permanência na União Europeia. Nem a Espanha, nem a União podem consenti-lo sob pena de despedaçarem a já frágil estrutura de nações nomeadamente no caso da Bélgica, da Itália onde há tentações identitárias de certas regiões, sempre as mais ricas, claro e, identicamente, as mais conservadoras o que também não espanta especialmente.

Claro que o BE, o PC e alguns irridentes do PS não só não se entusiasmam com a ideia europeia como até sonham com uma espécie de fim apocalíptico da História em nome de um cada vez mis longínquo proletariado que a riqueza gerada pela Europa afastou do sonho revolucionário.

Até ao momento, e basta ver como se comportam os países anteriormente “socialistas”, o resultado é claramente de sinal contrário. Os “órfãos do comunismo e da finada e pouco chorada URSS, aproximam-se velozmente da Direita autoritária e xenófoba. como se a frase “morra Sansão e quantos aqui estão” fosse preferível a esta morna mas real prosperidade (que também, e já se viu, estraga os cálculos e vida da Esquerda dita (com algum exagero e inverdade) extrema.