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Incursões

Instância de Retemperação.

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29
Ago04

Recusar o espírito aparelhista

Incursões
É o tema da crónica do nosso mestre João Baptista Magalhães no JN de hoje:

Mais de metade da riqueza que os portugueses produzem vai para os impostos. Por isso, seria de esperar que este esforço fosse compensado por políticas de serviço público. Mas não é isso que acontece. O Estado não só está fragmentado por interesses particulares (como bem demonstra o conceito de deslocação, importado da lógica das empresas para as secretarias de Estado), como também vai privando de bens públicos essenciais as classes sociais mais desfavorecidas. A justiça, pilar fundamental de um Estado de Direito, é, hoje, um bem caro e banalizado por uma profunda crise de credibilidade. O ensino tornou-se numa máquina desmoralizadora dos professores, de desapontamento dos pais e de insucesso dos alunos. A saúde, sujeita à lógica fria da contabilidade empresarial, perdeu humanismo e tornou-se num negócio como outro qualquer. Faltam ao país líderes que saibam galvanizar as energias cívicas necessárias a um desígnio nacional. Os sistemas partidários, detentores do monopólio da representação política, fecharam-se em lógicas de grupos de interesse. Por alguma razão, as mulheres socialistas parecem estar mais preocupadas com a cota da sua representação num futuro governo do que com as políticas da boa governação. E para ganhar os seus votos já há quem lhes dê ouvidos, esquecendo que, por analogia, também se pode promover os deficientes ou outros grupos sociais, (mais marginalizados que as mulheres) a semelhante categoria de identidade e reivindicar para tais grupos o mesmo critério de representatividade por cotas. Mas este não parece ser o caminho que leve a uma boa governação. Sempre que se procura satisfazer interesses de grupos, como é próprio do espírito aparelhista, quem sai prejudicado é o interesse comum. O PS, se quer ser a alternativa, tem de combater a degradação da vida política. A candidatura de Manuel Alegre manifesta esta preocupação. É impossível harmonizar o melhor que há nos partidos com o melhor que há na sociedade através de lógicas aparelhistas. Só a afirmação do carácter ideológico de um partido pode gerar confiança nos eleitores e isso é incompatível com as prebendas do poder exigidas pelos activistas dos aparelhos partidários.


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