Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

28
Abr10

As Agências de rating induzem ao erro

JSC

Face à situação actual não adiantará muito andar a bater nas agências de rating. O problema está em terem permitido que estas agências actuem sem regulação, a ponto de tornarem os Governos e as instituições reféns das suas notações. Se formos ver a avaliação que essas mesmas agências deram aos bancos e imobiliárias que estiveram na origem à crise financeira mundial, verifica-se que os grandes causadores da crise foram as agências de rating, porque validaram e garantiram como bons investimentos e aplicações financeiras em activos de rentabilidade nula ou mesmo já em acentuada descapitalização. Quais firam as consequências para as agências de rating? Nenhumas, continuam a actuar e a influenciar os mercados como se fossem virgens impolutas, como se não tivessem interesses directos e indirectos nas notações que atribuem e nos resultados que os especuladores retiram.

 

Ouvem-se todos os analistas dizer que não ocorreram alterações substanciais que justifiquem a diminuição do rating atribuído a Portugal. Sabe-se que a dívida pública é inferior à média da dívida pública dos países do euro. Ainda assim o mercado, sob influência das agências de rating, penaliza o erário público e as empresas.

 

A única reacção é mesmo seguir os ditames das poderosas agências? A União europeia não deveria mover um processo contra todas as agências de rating que ludibriaram os investidores e criaram as condições para a crise financeira que afectou a economia europeia e o euro?

 

É certo que se ouve, aqui e ali, alguns governantes a questionarem o papel e a pseudo neutralidade das agências. Fazem-no num tom suave, como se tivessem medo da reacção. Os governantes dos diferentes países deveriam tomar posição, bem com as altas instâncias comunitárias, a começar pelo BCE, que deveria deixar de reconhecer as notações destas agências de rating, substituindo-as por uma Agência de Rating Europeia.

 

Se estas mesmas agências de rating induziram em erro milhões de investidores no passado recente, quem garante que não continuam a agir do mesmo modo, garantindo bons resultados a quem manipula os mercados com base nos relatórios que as agências produzem.

 

Vozes isoladas como a da Vice-presidente do governo espanhol questionando as notações e informações das agências de rating são importantes, mas de escasso efeito, a não ser que se juntem governantes de muitos outros países e formem um consenso a marcar a posição da EU face às todo poderosas agências de rating.

1 comentário

Comentar post