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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

29
Dez10

Perdi-lhes o respeito!

José Carlos Pereira

Estes últimos dias foram pródigos em tomadas de posição excêntricas de sectores que deviam ser um garante de estabilidade e um factor de confiança para o cidadão comum.

Primeiro foram os juízes, através da sua associação sindical, que admitiram o recurso à greve e decidiram apresentar queixa contra o Governo ao Conselho da Europa e manifestar-se publicamente aquando da abertura do ano judicial. Como se isso não bastasse, o líder sindical veio ontem perorar contra o PS (!), dizer que a equipa ministerial que tutela a justiça é um "erro de casting" e, a propósito da redução de vencimentos e regalias, atacar com um populismo despudorado os "mexias" e os "zeinais". A corrente mais ortodoxa da CGTP não teria um discurso muito diferente!

Depois, vieram os senhores procuradores da República, pela voz do seu sindicato, anunciar que vão recorrer aos tribunais para impedir o corte dos salários, medida que não visa apenas o Governo mas também a Assembleia da República, já que foi esta que aprovou o orçamento de 2011 que incluía aquele pressuposto.

Finalmente, a associação sindical dos polícias exigiu ontem, pela enésima vez, a demissão do ministro da Administração Interna, tomando como pretexto o processo de aquisição dos famigerados veículos blindados.

Juízes, procuradores e polícias decidem assim caucionar as suas estruturas sindicais para se envolverem na disputa político-partidária e porem em causa deliberações do Governo e do Parlamento, achando-se no direito de opinar sobre quem deve ou não deve integrar o Governo e também sobre as políticas prosseguidas por aqueles que receberam o mandato democrático pelo voto.

Com que legitimidade actuam estes agentes do Estado e titulares de órgãos de soberania? Se querem ir a jogo e entrar na política a sério, António Martins e João Palma deviam seguir o exemplo italiano do juiz António Di Pietro, que criou o partido Itália dos Valores e concorreu a deputado para defender as suas ideias. Essa é a atitude correcta para os magistrados que se querem envolver na política. Caso contrário, perdem o respeito dos portugueses. O meu já se foi há algum tempo...

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