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Incursões

Instância de Retemperação.

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11
Abr11

PSD – Um partido disfuncional

José Carlos Pereira

1. A notícia avançada ontem de que o ex-candidato presidencial Fernando Nobre encabeçará a lista do PSD pelo círculo de Lisboa, tendo como objectivo concorrer à presidência da Assembleia da República em caso de vitória do partido, deixou meio país atónito.

O inexperiente candidato fez uma campanha presidencial centrada num discurso contra os principais partidos políticos em Portugal, mostrando-se desejoso de animar uma nova forma de participação na acção política. Com essas ideias conseguiu reunir o voto de muitos descontentes com a actual situação política, provenientes de várias áreas ideológicas. Afinal, dois meses depois aí está Nobre a corporizar uma candidatura por um dos partidos do regime, que não teve tempo de se “purificar” em tão pouco tempo, isto depois de se ter salientado pelas fortes críticas a Cavaco, o “mais que tudo” de muitos sociais-democratas.

Além do mais, Nobre deixou notar nesse período a falta de competências mínimas para o exercício de funções que exijam conhecimentos profundos do funcionamento da máquina do Estado. Nobre é um médico com uma notável experiência em acções sociais e humanitárias, mas totalmente desprovido de competências formais para o exercício da função de Presidente da República ou de Presidente da Assembleia da República, onde o domínio dos formalismos, dos actos e da praxe parlamentar é imprescindível. Ou muito me engano ou, no caso de tal vir a suceder, teremos a mesa do parlamento envolvida em sucessivas gaffes. Mas Nobre diz que, nessa função, vai contribuir para ultrapassar a crise em que nos encontramos…

2. A sessão de encerramento do congresso do PS evidenciou um dado adicional que releva deste estado disfuncional em que vive o PSD. A delegação do PSD presente no congresso socialista incluía o vice-presidente Marco António Costa e o secretário-geral Miguel Relvas. Quem liderava a comitiva e quem falou aos jornalistas? O omnipresente Relvas, ao contrário do que seria de supor, dando razões àqueles que falam de uma aparente liderança bicéfala Passos Coelho/Miguel Relvas.

Metia dó ver o vice-presidente Marco António Costa nas costas de Relvas, a ouvir ao longe o que este tinha para dizer ao país. Invertem-se os papéis, invertem-se os poderes…

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