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Incursões

Instância de Retemperação.

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25
Out11

Estamos Salvos, Revelou-se o Predestinado

JSC

Perante uma plateia de doutores em economia e especialistas na arte de bem gerir, Pedro Passos Coelho revelou que o “destino de Portugal não está decidido”  e que “o nosso caminho está por escrever”. Perante esta fatalidade, é óbvio que Pedro Passos Coelho acredita que só ele é capaz de decidir do destino de Portugal e de escrever (traçar) o caminho a percorrer. Mas Passos Coelho já começou a escrever o nosso caminho e a decidir o nosso destino: “Só vamos sair desta situação empobrecendo”, anunciou também hoje.

 

Pomposos ajudantes de campo abrem imensas clareiras para, desde já, facilitar a árdua tarefa a que Passos Coelho se propos, desde que decidiu chumbar o famigerado PEC IV (de que já ninguém tem memória). À frente do pelotão de ajudantes vem António Saraiva, da CIP, que considerou que "as empresas para manter o volume de emprego vão ter que fazer ajustamentos salariais, sejam eles no subsidios, sejam eles nos proprios salários". Mas com receio de que não o entendessem, explicitou melhor: é "preferível avançar com redução de salários a cortar empregos”.

 

Por sua vez, Henrique Neto, também hoje,  previu que "algumas empresas portuguesas sigam o mesmo caminho do Estado e não paguem o subsídio de Férias e de Natal aos seus trabalhadores". E até apontou o método para convencer os trabalhadores: "Os trabalhadores podem ser convencidos a fazer esse sacrifício se a alternativa for o despedimento”. O que Henrique Neto quer dizer é que se o patrão Estado saca o dinheiro aos seus trabalhadores, então, também os patrões do sector privado têm o mesmo direito a sacar o dinheiro aos respectivos trabalhadores.

 

O que é que falta para compor o ramalhete e formatar o destino de Portugal? Falta tratar da vidinha do serctor financeiro. Mas também neste domínio Pedro Passos Coelho já escreveu o caminho:  O primeiro-ministro anunciou hoje que o Conselho de Ministros vai aprovar as regras para o recurso por parte da banca à linha de recapitalização de 12 mil milhões de euros do programa assistência financeira. E para acalmar os senhores da banca e sem trair os homens da troika, Pedro Passos Coelho anunciou que o Estado, que vai dotar a banca com 12 mil milhões de euros, abdica de exercer os seus direitos porque o mesmo “Estado será um agente passivo” na Gestão da banca.

 

Em conclusão, como se vê, Pedro Passos Coelho, quando hoje falou na conferência do DE, omitiu alguns dados. Na verdade, o destino de Portugal está decidido e o caminho até está escrito nas estrelas.  A grande verdade que anunciou é que a solução que tem para nos oferecer é, em termos relativos e em termos absolutos, ficarmos mais pobres.