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Incursões

Instância de Retemperação.

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25
Abr12

As comemorações de Abril no local certo

JSC

 

Há alguns anos que não ia até à baixa no 25 de Abril. Deixei de ir porque aquilo tinha-se transformado numa feira, com farturas, pipocas e outras coisas afins, por onde as pessoas se passeavam sem ligar nenhuma aos animadores das comemorações, apenas ouvidos por meia dúzia de apaniguados.

 

O ambiente politico instalado, o facto de estarmos a ser governados por um grupo de pessoas sem qualquer sentido do que é o país, porque ou estão a cuidar dos seus próprios interesses ou estão a mando da troika que indiretamente nos governa, por tudo isto e porque todos os dias nos dão notícias ruins, sem aparecer uma única que aponte alguma esperança ou expectativa de dias melhores, por tudo isso, decidi ir até à baixa, sentir o pulsar do 25 de Abril, ver se o ambiente mudou e se a revolta e angustia que paira no ar transportou para o centro da cidade as pessoas, os cravos, as canções, as palavras de Abril.

 

Ao aproximar-me da Avenida dos Aliados dei conda das dezenas e dezenas de polícias nas esquinas, equipados com cassetetes bem compridos e muitos outros polícias dentro das carrinhas estacionadas nas proximidades, em locais estratégicos. Cá está a tolerância zero que o governo anunciou para o 25 de Abril, comentei.

 

Nos passeios laterais vendiam-se cravos a um euro. Muitos cravos. Às tantas do fundo da Praça apareceu uma manifestação significativa e bem ruidosa. Eram os do Projecto Es.col.a. Um dos cartazes anunciava um projecto de escola autogestionante. Uma manifestação à parte, que subiu a avenida, parou junto à Câmara, voltou a descer a Avenida e seguiu para cumprir o seu objectivo.

 

Quando estes manifestantes desciam a Avenida surgiram duas manifestações pelas ruas laterais da Câmara. De onde vêm estes? Vêm da PIDE, é a manifestação da Associação 25 de Abri, responsável pela comemoração, informaram-me. Milhares e milhares de pessoas encheram a Avenida dos aliados. Reacenderam a chama, os cânticos, as palavras de Abril. Limparam a alma.

 

Valeu a ‘pena ter estado lá. Por ter encontrado amigos e conhecidos que não via há muitos anos. Por, tal como eu, muitos deles também não irem lá há muitos anos. Valeu a pena. Afinal de contas “tudo o que Abril encerra” continua vivo. Foi bom senti-lo na Rua, exactamente onde Abril aconteceu.