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Incursões

Instância de Retemperação.

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24
Mai12

estes dias que passam 275

d'oliveira

 

 

Interrogações paisanas

Tenho andado com a mão no nariz para evitar o fétido odor do chamado caso “Relvas”.

 

Vejamos: o senhor Relvas recebeu ou não os mails do espião Carvalho? Ao que li, começou por dizer que não e depois lá sussurrou que tinha recebido. Recebido mas não lido. Ou lido, mas desatentamente. Ou lido por uma qualquer criatura do seu staff que também não ligou nenhuma aos insistentes recados do espião que, entretanto, ongoingandava.

 

Q que começo por não perceber é a saltitante memoria do senhor Relvas. Ora afirma A ora dispara B. Em que ficamos? Na estratégia salta pocinhas? No jogo dos quatro cantinhos? No ora dizes tu, ora digo eu?

 

O senhor Relvas é, e isto não é uma metáfora, uma tonitroância! Ele troveja, ele relampeja, ele fala grosso, ele aparece em todo o lado, como se tivesse um dom de ubiquidade que dantes só se atribuía a Deus e à santinha da Ladeira. Ele é o topa a tudo do Governo, o dono do xarope milagreiro que cura tudo desde impingens a dor de dentes ou a delíquios do coração amoroso. O senhor Relvas tem o verbo fácil embora pesadote, sorri imenso, diz coisas (como aquela famosa prima do Solnado que gostava de dizer “pois!...”) e faz pairar sobre os ouvintes a ideia, porventura errada, que ou fazem o que ele paternal e ternamente aconselha, ou alguém irá chorar.

 

O senhor Relvas, hoje, negou tudo o que antes afirmara. Iria responder por escrito e afinal foi mesmo por seu pé (ainda que arrastadamente) à ERC. Para isso perdeu um tempo precioso. E, já agora, bem que poderia ter ido logo à Assembleia da República, explicar politicamente este conjunto de aventurosos disparates. Evitava aquela penosa sensação dada pelos cavalheiros da maioria que com argumentos de franciscana pobreza (desculpem-me os fradinhos se os ofendo...) vetaram a ida de Relvas à Assembleia. 

 

O senhor Relvas, o peso dele neste governo, lembra-me irresistivelmente o senhor Coelho, aquele cavalheiro que jurava que quem se metesse com o PS levava. Em ambos a mesma truculência, a mesma convicção de omnisciência, o mesmo desembaraço, a mesma (será impressão minha?) ideia de que somos todos nós, uns meros paisanos, uma chatice superável, ou um bando de rapazolas a que se não deve dar troco. Convenho que, apesar de tudo, Coelho é melhor: já não está na política activa o que é uma vantagem para nós. A menos que volte, enquanto Relvas, parte, por sua vez para os negócios. Não seria nada que surpreendesse.

 

Mas voltemos a este embroglio, a este sainete de fraco gosto. Parece que o senhor Relvas entende que, depois disto tudo, ainda tem possibilidades de continuar no Governo. Mesmo que não tenha ameaçado a jornalista do Público, coisa que, á falta de uma gravação, nunca se provará convenientemente. Para mim o problema é o simples facto de, na sequencia, de uma série de ditos e desditos, o ministro tenha achado que deveria telefonar para o jornal. Só isso, esse simples acto, já pode e deve ser tomado por uma tentativa de pressionar os superiores da jornalista. Ou, pior, uma imprudência. Uma falta de profissionalismo. Ele, Relvas, não é um quiddam qualquer mas o homem que, neste governo, tem de lidar com os media. Mais uma razão para andar nesse meio como quem pisa ovos.

 

Digamos que pisou forte!

 

A pergunta que se pode fazer, é se, depois desta confusão, se acha ainda com condições politicas para desempenhar o cargo. E, já agora, se o senhor Passos Coelho, seu putativo superior, acha que ele ainda pode ser útil ao governo. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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