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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

20
Jun12

De superministro… a próximo de zero

JSC

No dia em que foram apresentados números aterradores sobre o desemprego, a confirmar o que as associações empresariais, designadamente da construção civil e da restauração, previram há vários meses, o Ministro da Economia fez para aí umas declarações onde se mostra muito feliz com a captação de 17 milhões de euros de investimento de uma multinacional alemã.

 

Pode parecer anedota mas é mesmo assim. O Ministro excitou-se com um investimento de 17 milhões de euros. E até viu nisso uma consequência das reformas estruturais (quais?) que diz ter implementado. Não foi um Presidente de Câmara a anunciar um investimento de 17 milhões na sua autarquia. É o ministro de Portugal a anunciar esse investimento (insignificante) no país. O mesmo Ministro que mantém congelados centenas de milhões dos fundos estruturais. Para ilustrar a dimensão da coisa, se os 17 milhões fossem, por exemplo, para um equipamento hoteleiro, estaríamos a falar de um hotel de 5 estrelas com algumas dezenas de quartos. É ridículo de mais para ser verdadeiro. Mas é.

 

O ministro deve-se ter esfalfado para encontrar uma “notícia” que lhe permitisse fugir a ter de comentar os números do desemprego que hoje são apresentados e a queda progressiva do poder de compra dos portugueses, que o Eurostat também acaba de divulgar. Só isso pode explicar que tenha valorizado o tal investimento alemão, desvalorizando o peso do mesmo.

 

O Ministro necessitava de avançar com um número, onde aparecesse a palavra “milhões” e a palavra “investimento”, para que jornalistas e afins julgassem que estava a falar de alguma coisa em grande. Mas não estava. O país não é uma autarquia.

 

O que o ministro deveria ter explicado hoje e a comunicação social deveria ter exigido que explicasse, era as políticas que tem desenvolvido e que conduziram ao encerramento de tantas e tantas empresas, como ainda hoje foi anunciado pelo grupo BATA, que vai encerrar mais de duas dezenas de lojas, colocando no desemprego mais de centena e meia de trabalhadores.

 

O que o ministro deveria explicar era o porquê de se ter chegado a uma situação, que no dizer do responsáveis do Grupo BATA, se tornou insustentável continuar em Portugal, porque, dizem, «o clima económico no país, tornou-se extremamente difícil, deteriorando a confiança dos consumidores bem como o seu poder de compra».

 

O país não precisa de um ministro que se regozija (e faz notícia) com um investimento de 17 milhões, mas que não tem resposta para contrariar o crescimento do desemprego, facto que o surpreende, por não ter sido previsto no modelo matemático que utiliza na projecção das variáveis macroeconómicas.