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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

30
Jul13

estes dias que passam 294

d'oliveira

Leio no conspícuo “Público” que o PS entende a moção de confiança proposta pelo Governo como “mera retórica política”.

 

Tem o PS inteira razão. De facto, antes de irem a banhos, os senhores deputados da maioria ungirão este Governo recauchutado com uma declaração que “tout va bien madame la marquise”.

 

São a maioria, não haverá indisciplina de voto, espantoso seria que renegassem a matriz que até aquele areópago os trouxe.

 

Por outras palavras: a moção não aquece nem arrefece.

 

Vejamos, porém, a passada moção de desconfiança apresentada pelo extravagante partido “Os Verdes”. Foi, ao contrário desta próxima futura que será votada até ao fim da semana, uma qualquer outra coisa que não uma manifestação de mera retórica política?

 

Acaso se esperava que algum deputado da maioria, subitamente desafecto e rendido ao argumentário da Esquerda, votasse a moção anti-Governo?

 

E o PS que, com tanto entusiasmo como falta de convicção, se juntou ao grupo protestante, não entendeu aquela berrata como “mera retórica política”?

 

Ou será que a retórica é sempre de Direita e a seriedade é sempre de Esquerda?

 

O PS anda numa rota imprevisível, à bolina entre as ameaças rosnadas por  Soares, balbuciadas por Costa, murmuradas pelos socráticos, e a pávida posição de Seguro que, tropeçando aqui, caindo ali, levantando-se sempre mas cada vez mais lentamente, lá vai segurando o leme incerto da nau socialista.

 

Seguro está a termo, resta saber se chega vivo ao fim do ano ou se soçobra nas eleições autárquicas. É que, se eventualmente, o Tribunal Constitucional declarar nulas as candidaturas de cavalheiros com mais de três mandatos cumpridos, o PS poderia estar perto de uma folgada vitória. Entre a dúzia de candidatos do PC afastados e a dezena de candidatos do PPD impedidos, há margem para mesmo sem convencer, o PS vencer.

 

Se, entretanto, nem assim se obtiverem os resultados que uma má prestação governamental claramente indicia, então Seguro que se segure, pois irá de vela. As tribos cada vez mais numerosas e divergentes do PS estão à espreita em cada esquina e ninguém vê em Seguro mais do que um líder de passagem, a figure in the landscape, uma contrafacção de Coelho (tirado da cartola...), algo vindo do mesmo pobre universo da política politiqueira, enfim, como diz Soares, um timorato indeciso.

 

E convenhamos: com argumentos como o que dá pretexto a este folhetim não merece melhor sorte.