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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

13
Ago13

estes dias que passam 298

d'oliveira

 

Quantas horas tem o dia?

 

Anda por aí um movimento que pretende negar aos deputados em exercício de funções o direito de se candidatarem a órgãos autárquicos.

Desconheço as exactas razões desses contestários mesmo se perceba (e tenha, na prática, verificado o descaso com que vários eleitos tratam o posto autárquico conquistado nas urnas) alguns dos motivos que levam estes auto proclamados combatentes da ética política a ameaçar recorrer aos tribunais.

(parêntesis: começo a pensar que, segundo alguns cidadãos, que não estão acima de toda e qualquer suspeita, mais valia entregar o país às magistraturas. O Supremo Tribunal ficaria com a presidência da república e um par de ministérios, o Tribunal de Contas com a Economia e as Finanças, o Supremo Administrativo com o ministério do Interior e ao Constitucional reservar-se-ia o Parlamento. As áreas das CCR ficariam sob a alçada das Relações, os Tribunais de círculo tomavam conta dos distritos e os julgados de paz fariam vantajosamente as vezes das freguesias.

Os ilotas, isto é, nós todos, os cidadãos inermes continuaríamos como até agora a pagar e o Conselho Superior da Magistratura substituiria com as suas reuniões as eleições. Até ficava mais barato.)

Mas não é desta sanha “justicialista” (eu disse justicialista e quem não souber que vá ao dicionário ou à Wikipédia) que pretendo discorrer neste amável e inconstante mês de Agosto.

De facto, lendo com imerecida atenção, o sempre inconstante “Público” dei com um comentário do senhor José Junqueiro, eterno e inamovível deputado de PS que também concorre a um qualquer lugar em Viseu.

Dizia, pois, o azougado JJ que os que contestam a sua patriótica decisão de se sacrificar em Viseu deveriam antes disso trabalhar tanto quanto ele, JJ, o diligente. Que dedica a essa nobre tarefa 18 (dezoito) horas diárias.

Ignoro se essas dezoito horas de labor ocorrem apenas aos dias úteis ou se englobam também o fim de semana como quero crer que acontece ou não fosse JJ um exemplo gigantesco de pai da pátria. 

Se JJ, pessoa a quem não posso acoimar de mentiroso, diz que trabalha dezoito horas, quantas lhe restam para o resto?

Ora vejamos: JJ comerá as suas três refeições diárias – uma hora e um quarto;(excluo o lanche, ou merenda para os mais puristas), tomará o seu banho diário- um quarto de hora; lavará os dentinhos depois de comer outro quarto de hora; , defecará pelo menos uma vez por dia –mais um quarto de hora caso não seja desses que levam uma leitura para a retrete coisa que duplica o tempo de evacuação; fará meia dúzia de xixis, lavará as mãozinhas depois: tudo junto quarenta minutos; escanhoará a face viril diariamente – um quarto de hora, assoar-se-á q.b., vestir-se-á e calçar-se-á também diariamente Por tudo, vinte minutos se não for cuidadoso a escolher as gravatas, as meias e os sapatos.

Depois temos que não dormindo na Assembleia sempre demorará entre um quarto de hora a meia hora mínimos no ir e vir se andar de táxi. Com carro próprio contar o triplo dando o desconto para tirar e pôr o carro na garagem, estacionar no parque privativo da Assembleia. Há-de tomar alguns cafés durante o dia o que, a cinco minutos cada café, pode dar algo como um quarto de hora.

Lerá um jornal por dia e mais um par de revistas semanais durante o fim de semana. Nisso, se ler depressa, e perceber logo à primeira consumirá a sua boa meia hora que deverá ser acrescentada a outra meia diária no caso de ler um livro por mês (e em português porquanto se for em língua estrangeira presume-se que JJ terá que demorar mais tempo, pois é bem sabido que os deputados falam e entendem patrioticamente mal o linguajar dos bárbaros.

Tudo somado temos que, não havendo outros impedimentos, telefonar, ver televisão, conversar, olhar para o ar ou para as pernas da vizinha, ir ao médico, engraxar os sapatos, comprar pasta de dentes ou um quilo de batatas, limpar os óculos, falar com a família, ceder a um capricho mesmo que não seja erótico, etc..., temos que estão gastas mais quatro horas e três quartos ou mesmo cinco e um quarto.

Sobram, portanto, para este parlamentar incomparável, entre quarenta e cinco minutos e uma hora e um quarto para dormir.

Convenhamos que parece pouco, mesmo tendo em conta o facto de JJ ser, como se sabe, um génio e um super-homem sem kriptonite. É que o sono tem leis e a falta dele consequências.

Ou, como diria Goya, a razão política necessita de sono mesmo se, como é sabido, o sono da razão produza monstros. Dentre eles, o da mentira descarada e do auto-elogio a outrance e o da incapacidade de autocrítica.

Estamos na silly season mas mesmo assim JJ escusava de dizer tnta parvoíce em tão poucas palavras. A menos que aplique às suas 18 horas a prova dos noves. Ou seja 18 noves fora NADA!  

 

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