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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

21
Ago13

Estes dias que passam 295

d'oliveira

 A velha polícia do antigo regime não faria melhor

 

 À Administração do Serviço da EMEL

 

Hoje, pelas 15 H 17 minutos fui surpreendido por uma multa de estacionamento passada pelo verificador 1351, Kami na Debe. Todavia,

enquanto o solícito e não identificado indivíduo me passava a multa, estava eu a tentar obter moedas para pagar o estacionamento.

De facto, não tendo o quantitativo mínimo (45 centimos) em moedas fui obrigado a dirigir-me a um café trinta  metros abaixo do local onde estacionara para obter os trocos em falta.

Demorei, se tanto, três minutos: foi o tempo de pedir um café, que não tomei, pagar com uma nota de dez euros, obter o troco e subir a rua (mais ou menos cem metros para a máquina em serviço.

Na passagem dei com o ernvelope amarelo da multa pespegado no carro e tentei descortinar alguém com ar de polícia ou de qualquer modo identificado como se exigiria como “verificador”

Nada!

Foi o porteiro do prédio em frente ao qual estacionara que me esclareceu dizendo (sic) "foi um preto que anda por aí à caça e que subiu a rua".

Corri no encalço do referido “verificador” ainda com as moedas na mão, encontrei-o e perguntei-lhe como é que em dois, três, quatro minutos (até concedo cinco) dera com o meu carro em falta.

O referido empregado da EMEL informou-me com alguma correcção que eu poderia recorrer, obtendo o talão na máquina e fazendo uma exposição à EMEL.

E concordou que de facto eu não estaria estacionado há muito tempo, visto não passarem mais de dois ou três minutos sobre a hora da multa.

Mas já não podia fazer nada!

Exos Senhores

Nem vou discutir a legitimidade e o à vontade com que os vossos agentes secretos, sem farda nem identificação, se põem de embuscada aos cidadãos condutores.

Pergunto tão só se a EMEL entende que todo e qualquer condutor deve andar sempre com o bolso atafulhado de trocos (e faço notar que o mínimo a pagar pelo estacionamento naquela zona é 45 centimos ((ou seja 2 moedas de vinte e uma de cinco, no mínimo)) ou se a este incauto e potencialmente cumpridor cidadão é concedido o tempo para ir arranjar trocos.

Mais: nas circunstâncias do caso que estou relatando, a coisa piora. De facto, mesmo que eu tivesse o dinheiro exacto ou pelo menos uma moeda de 50 cêntimos sempre teria de aparcar, fechar a viatura, subir a rua para ir à máquina, proceder ao pagamento e descer de novo para pôr o talão em local visível.

Se isto tivesse ocorrido, teria sido multado à mesma, porquanto mesmo que me cruzasse com o secreto agente da EMEL nada nele me mostraria que era o autuante (autuante, digo, e repito, pois ele não verificou um parqueamento ilegal, mas procedeu de imediato à aposição do sinistro papelinho onde em linguagem arrebicada se notifica o “criminoso” a pagar pouco mais de seis euros.

Suponhamos que eu não sabia, como não sabia, que o autuante era um cavalheiro africano de cor negra. Como é que mesmo de talão na mão o poderia abordar? E que poderia ele fazer nesse caso?

Exmos Senhores

Vou, sob protesto pagar a multa injusta, ilegítima e provavelmente ilegal. Fica mais barato do que imprimir esta mensagem, juntar-lhe o recibo nº 003139, da máquina 012/47, emitido pe|as 15 h 26 do mesmo dia da multa (ou seja nove minutos depois da multa e doze, treze depois do estacionamento). Os custos do envelope, do selo, do registo com aviso de recepção, da minha reclamação decerto excederiam a soma em questão. Já me bastou ter de usar uma moeda de 50 centimos para pagar 45 (e não receber demasia!!!!)

Exmos Senhores da EMEL

Sei que o país, a CML, porventura os vossos não identificados agentes, Vas Exas mesmo, estão numa delicada situação financeira. E que em casa onde não há pão, tudo é possível. Mas obter dinheiro desta maneira é que me parece um incomensurável abuso, para não usar termo mais adequado e mais forte.

Em tempos não muito longínquos, os cidadãos portugueses eram atormentados por uns indíviduos que andavam à caça de quem usava isqueiro. E mais ainda, por outros, que à mínima conversa subversiva, prendiam os seus autores.

Ao usar gente não identificada, a EMEL repete, convictamente, as mesmas práticas, quiçá com o mesmo ânimo, seguramente com efeitos semelhantes aos olhos de quem de boa fé tenta baldadamente cumprir a lei, como foi o meu caso.

Finalmente, o verificador, ou Vas Exas por ele, avisa no infame papelucho que havia na viatura um título de leitura ilegível. É falso, Havia exactamente cinco títulos de parqueamento anteriores espalhados pela consola do lado esquerdo, sinal mais que evidente que o condutor pagava normalmente o estacionamento.

Tudo isto, a actuação do agente (que receberá porventura um miserável ordenado bom para “pretos e estrangeiros”, ou ganhará à peça, pondo-o desse modo a fazer de embuscado à caça da multa, o que dirá muito dos seus mandantes) a medíocre redacção da multa e o desprezo que é visível pelos cidadãos, diz muito da EMEL e de quem por ela dá a cara.

Como é repelente a ideia de exigir quantia certa (e rápida como foi o caso em apreço) para meter na máquina. Para tal só vejo um motivo: confiscar (e a palavra certa é bem mais dura) os trocos que se devem a quem paga. Nos parques de estacionamento privados as máquinas dão trocos. Nas da EMEL, empresa que deveria velar pela parte de bem público que lhe cumpriria defender, é o que se vê.

Passem Vas Exas muito bem e contentes com o triste papel que estas actuações da EMEl revelam

O cidadão autuado e inconformado

Marcelo Correia Ribeiro

 

A este texto darei toda a publicidade possível, incluindo a sua publicação via internet

 

*Para quem não saiba a EMEL é a Empresa Publica Municipal de Mobilidade e Estacionamento de Lisboa e os factos descritos são absolutamente rigorosos com uma ligeira falha; como tinha apenas moedas de 50 cêntimos o "verificador" aconselhou-me a tentar trocar a moeda numa loja em frente. Não consegui mas na ida e na vinda poderá ter passado um minuto ou seja  ainda mais curto foi o espaço de tempo que cito.