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Incursões

Instância de Retemperação.

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06
Dez13

diário Político 190

mcr

Howl dogs! A wolf has died tonight... 

 

 

 

De muito longe, dos anos de rosas e de vinho, escreve-me uma velha amiga, a M.A., esta frase magnífica, eventualmente semelhante a uma (igualmente magnífica) do “Livro da Selva” se é as minhas memorias não estão absolutamente embotadas ou meramente perturbadas que receber uma linha que seja da Maria A. me enternece demasiadamente e me obscurece a vista com uma lágrima rebelde.

 

A morte de Mandela comove, mesmo se irremediavelmente esperada. De facto, o velho leão, morrera já de certo modo, quando as suas idas ao hospital passaram de frequentes a constantes. Madiba lutava contra o destino dos velhos, era uma sombra de si próprio e, custa ter de o dizer, atrapalhava os herdeiros (familiares e políticos). Estava a mais naquele cenário de incertezas que todos pressentimos, numa terra que chegou a mais uma encruzilhada da História e vê as duas primeiras gerações de combatentes a desaparecer.

 

Seguindo, se bem que grosseira e apressadamente, alguns autores africanos, convirá lembrar que, a partir de hoje, Mandela entra nessa fortíssima categoria de “antepassado” que entre os povos “bantu” (uso a contragosto a palavra que nada mais quer dizer que “os homens”,  plural do termo “muntu” – ser dotado de pensamento) essencial ao ser filosófico africano. Os homens fazem parte de uma linhagem e do reconhecimento disso depende a boa andadura do mundo. Honrar os antepassados é mais do que uma homenagem, é um direito e um dever para conservar as dispares forças do mundo em harmonia. Mandela que conseguiu o milagre de unir uma nação em vida vai ter de trabalhar ainda mais para a manter.

 

Asimbonanga

 

Asimbonang’ u Mandela thina

 

Laph’ekhona

 

Laph’eheleli khona

 

 

 

(nota: o texto zulu que fecha a crónica pertence à canção Asimbonanga do “Zulu Branco” Johnny Clegg, um dos mais eficazes e talentosos lutadores contra o regime do apartheid. Clegg, depois da libertação de Mandela, partilhou o palco com este ao som da canção como se vê na gravura. Achei que este era um bom final.)  

 

d'Oliveira fecit 6.XII.13