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Incursões

Instância de Retemperação.

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24
Dez17

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d'oliveira

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 Andavamos pela internet  à procura de uma imagem de natal e saiu-nos esta que, pelo menos, é diferente, do usual. Aproveitámo-la por várias razões sendo a principal esta: mcr passou uns natais nos trópicos, longe da neve, do frio, do bacalhau, do peru e do bolo rei. 

Nestes dias de frio que se sucederam quase sem interrupção aos de calor e de floresta calcinada, de pessoas e bens perdidos, de animais sacrificados, de desleixo e desnorte de quem devia cuidar dos mais pobres, dos mais fracos, dos mais desprotegidos, de soberba e de indiferença de várias criaturas a que o simples cargo político que ocupavam deveria dar mais responsabilidade e obrigar a uma linguagem (para já não falar nas acções) mais cuidadosa, antes isto que um pai natal, um trenó, uns balões numa árvore.

Pudessemos nós e teríamos desenhado um presépio com um menino friorento, uma Senhora amargurada e sem um pai perdido nos fogos, com duas ovelhas "bordaleiras" com pele queimada, um cão com as patas enfaixadas e um burrinho faminto. E, por cercadura, arvores negras e nuas, terras calcinadas, ruínas fumegantes.

Mais longe, porém, uma caravana sem reis magos mas com gente, felizmente muita e boa gente, carregada com os primeiro auxílios, roupa, pão, máquinas, tijolos, cimento, o que fosse.

Que também isso foi este país, esta terra, "mãe pobre de gente pobre" como d'Oliveira citou no seu primeiro texto aqui publicado. 

O Natal, mais do que uma festa de família, é também uma festa de ausentes. Pais, avós, outros familiares, irmãos, raramente um filho, não terão o seu lugar à mesa da alegria. Mas serão recordados, pelo menos por alguns. Esperamos e queremos que, para lá da saudade, da nostalgia, da tristeza, da solidão, os lembrem com alegria. Os nossos mortos ligam-nos ao passado distante e lembram-nos que este é o momento de aproveitar  a noite. Antes que, de nós, também, já só haja uma tímida mas grata recordação.

Antes  que os meninos que, maravilhados, abrirão as suas prendas, sejam, também eles adultos a  olhar embevecidos para outros que no futuro virão.

E que todos, os de hoje, os de ontem e os de amanhã, à falta de ir pelos caminhos frios e escuros à missa do galo, possam nas casa quentes e iluminadas fazer votos por um mundo melhor, por um país melhor e por um povo mais solidário.

E para todos os que nos acompanham, aturam e lêem aqui ficam votos de Festas Felizes e de um Ano Novo melhor em tudo

d'Oliveira

mcr

* (mesmo não sendo  adeptos do Sr. Presidente da República não queremos deixar de saudar a iniciativa de ir passar o Natal com gente de Pedrogão. Honra Lhe seja. )