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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

01
Ago04

A poesia e Kerry

Incursões
Segundo o Público de ontem, sábado - dia em que o carteiro ficou mais velho - John F. Kerry fez o discurso "da sua vida", na Convenção Democrata. Quem redigiu boa parte do texto foi Terry Edmonds, que já tinha sido autor de algumas das mais notáveis intervenções públicas de Clinton. No artigo, é apresentado como sendo um mestre em escolher as palavras certas. É ele o autor da ideia de introduzir no discurso de J. Kerry a frase central da sua campanha - "Deixem a América ser outra vez a América" - , frase esta que retirou de um poema de Langston Huggues. Terry Edmonds explica: "Sempre que posso, tento incluir poesia num discurso. Se é apropriada, penso que o eleva, que é capaz de de tocar uma audiência de uma maneira que a prosa não consegue".

Resta-me dizer três coisas: 1ª - viva a poesia; 2ª - gostava de ser poeta; 3a - é pena que os nossos políticos não leiam poesia.

01
Ago04

Junto ao mar

Incursões

Eu quero morrer junto ao mar,
num finar devagarinho,
com ou sem dor, pouco importa,
desde que olhe para o mar.
Quando eu souber, dir-te-ei,
que o fim está para chegar
- leva-me, devagar, pela mão,
lívida, magra e sem força,
num passeio até ao mar.
Eu quero morrer junto ao mar,
hoje, amanhã, não interessa
- desde que seja junto ao mar
e tenha a tua alma por perto.

(Anónimo, séc. XXI)
01
Ago04

A defesa do poeta

Incursões

Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto

Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim

Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes

Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei

Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em criança que salvo
do incêndio da vossa lição

Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis

Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além

Senhores três quatro cinco e Sete
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?

Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa

Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever
ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.


Natália Correia
01
Ago04

Duvidamos...

ex Kamikaze
"O novo ministro da Justiça anunciou como uma das suas três prioridades a reforma da formação dos magistrados, o que não pode deixar de se saudar com satisfação, desde que haja vontade de fazer alterações relevantes nessa matéria.(...)
Seria, assim, bom que a reforma começasse com um amplo debate sobre os magistrados que pretendemos para o nosso país. Qual o seu perfil? Qual a sua legitimação? E, consequentemente, qual a formação prática e teórica que devem ter? Era assim que devia ser encarada uma verdadeira prioridade governativa. Será assim que se vai proceder? Duvidamos..."

Francisco Teixeira da Mota, in Público
01
Ago04

UM AVISO

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Por volta das duas horas da tarde de hoje deflagrou no terminal de petroleiros do porto de Leixões, Matosinhos, um violento incêndio, seguido de estrondos nos oleodutos. Segundo palavras do Governo, vai ser instaurado um rigoroso inquérito.
Sabendo-se que a segurança dos oleodutos exige competências específicas de quem se preocupa com a mesma, espera-se que o inquérito atinja a forma como a administração da Petrogal cuidou deste assunto. Trata-se de questões do interesse público.
Diz-se que, por razões meramente economicistas, a Administração da Petrogal (donde saiu para ministro o seu Presidente), substituiu a empresa que há muitos anos trabalhava na segurança desses oleodutos, despediu funcionários com experiência de muitos anos nesta tarefa e tinha neste cargo trabalhadores em situação precária.
Com uma tal filosofia de gestão, compreende-se a facilidade com que os novos gestores fazem sucesso. Mas, as nuvens negras que poluem Matosinhos e a Foz obrigam-nos a um sobressalto cívico contra uma economia que apenas privilegia o lucro. O que poderemos pensar do novo Ministro da Indústria relativamente à responsabilidde ambiental das empresas?!... Será que, para nos deixar mais tranquilos, se vai demitir?!...

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