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Incursões

Instância de Retemperação.

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Instância de Retemperação.

03
Ago05

CAMINHO ERRADO

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Caminho Errado é o título do último livro de Elisabeth Badinter editado em Portugal, pela ASA.Uma interessante e necessária visão crítica sobre o modo como tem vindo a ser tratada a relação entre homens e mulheres por certas correntes feministas, sobre o que tem sido a construção dos questionários respeitantes à violência doméstica e os equívocos de alguns dos seus resultados, sobre a ideologia da vitimização da mulher, rejeitando “as categorias binárias [que] são perigosas porque suprimem a complexidade do real em benefício de esquemas simplistas e constrangedores”.Como aperitivo deixo aqui dois extractos do livro, que, precisamente porque exprimem constatações que parecem ser evidentes, importa que sejam lembrados.

“Ao anunciar a futura lei europeia sobre o assédio, a Comissária Anna Diamantopoulou lembrou que “40% a 50% das mulheres na Europa foi alvo de abordagens sexuais não desejadas” e que “80% foi vítima delas em certos Estados”. Sem falar no “beijo roubado”, caro a Trénet e Truffaut, o que se inclui nas “abordagens sexuais não desejadas”? Um gesto inconveniente? Uma palavra inoportuna? Um olhar demasiado insistente? Mas, como muito bem observa Katie Roiphe, o problema com estas novas regras é que as abordagens sexuais não desejadas fazem parte da natureza e mesmo da cultura: “Para se ter uma atenção sexual desejada, é preciso dar e receber muitas não desejadas. Na verdade, se ninguém pudesse correr o risco de oferecer uma atenção sexual não solicitada, seríamos todos seres solitários”.

“Estamos cada vez mais rodeados por uma dupla obsessão sexual. Por um lado, as palavras de ordem repisadas sobre a obrigação do prazer, abusivamente designada “realização”; por outro, o apelo para a dignidade feminina, ultrajada por crimes sexuais não desejados, cujo campo não pára de se alargar. Por um lado, desde os anos setenta que se procura desmoralizar a sexualidade e levar sempre mais longe os limites da transgressão; por outro, reinventa-se a noção de sacrilégio sexual. Objecto de consumo ou objecto sagrado, actividade lúdica ou critério de dignidade, prazer ou violência, o sexo tornou-se objecto de dois discursos que se opõem quase palavra a palavra e um desafio crucial do novo feminismo moral”.
03
Ago05

It's Macau, stupid!"

ex Kamikaze
Na GLQL

"parafraseando...
... o Paulo Gorjão, e um slogan que ficou famoso, «it's macau, stupid», talvez comece a ser tempo de recordar o caso de um outro aeroporto... o de Macau, as malas, o fax, e as melancias. Gente que não tem emenda."
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No DN

CGD recusou-se a financiar grandes projectos públicos

Financiamento da Ota e do TGV poderá estar na origem da saída de Vítor Martins (da CGD)

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No Bloguítica

"1. O Aeroporto Internacional de Macau comemora, este ano, o seu décimo ano aniversário. Um dos seus principais accionistas é a «Sociedade de Turismo e Diversões de Macau» (STDM), que detém 33% do capital. A STDM, refira-se, foi fundada e é dirigida ainda hoje por Stanley Ho.
2. Stanley Ho é proprietário da Estoril-Sol. O novo Presidente da Caixa Geral de Depósitos, Carlos Santos Ferreira, refira-se, foi director do Aeroporto Internacional de Macau. Até segunda-feira passada, Santos Ferreira era vice-presidente da Estoril-Sol de Stanley Ho.
3. Entre outras coisas, Stanley Ho é igualmente presidente da Sociedade Gestora da Alta de Lisboa (SGAL). A SGAL consiste num mega-projecto imobiliário que se desenvolve sobre uma superfície aproximada de 300 hectares, junto ao Aeroporto da Portela"
03
Ago05

Alegre não merecia

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Estou longe, politicamente, de Manuel Alegre. Mas respeito Manuel Alegre como combatente político e como poeta. Alegre disponibilizou-se para o combate nas eleições presidenciais, mesmo sabendo que o caminho era difícil e mesmo sabendo que era a arma de recurso do PS para enfrentar Cavaco Silva. Deu a cara à luta, mesmo sabendo que era uma causa perdida.
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O PS alimentou a ideia. Sem os salvadores Guterres e Vitorino, que remédio...
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Por isso, não gostei. Não gostei de saber que enquanto Alegre ia sendo consumido em lume brando, Soares e Sócrates e Coelho e não sei mais quem iam congeminando o avanço do ex-PR. E não gostei de saber que Alegre só soube do assunto por um líder de outro partido.
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Não se faz isto a um homem generoso. Não se faz isto a um poeta. Não se faz isto a um combatente de lutas difíceis. E muito menos se faz isso a um amigo.
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Em 1985, num debate extraordinário no Teatro das Letras, em Coimbra, eu disse a Mário Soares que não tinha gostado nada da forma como Salgado Zenha o tinha tratado num recente debate televisivo. Esse foi um dos motivos que me levaram a votar Soares, contra a corrente e com muitos riscos.
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Hoje, Alegre é um dos motivos - não o único - pelos quais não poderia votar em Mário Soares.
02
Ago05

As minhas fabulosas férias em 2006

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Há dias, perguntaram-me quais as melhores férias da minha vida. E eu respondi: vão ser as que vou ter no próximo ano. É o que respondo todos os anos por esta altura, quando vejo os dias passar e não sei ainda o que vou fazer nas férias. Ou melhor: se vou ter férias.
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Todos os anos por esta altura, eu decido que para o ano é que vai ser. Que este ano, pronto, voltaram a acontecer imprevistos, que as providências cautelares que correm em férias e que eu tinha jurado que nunca mais, voltam a estar aí, mas que, para o ano, sim, nada disto vai acontecer, nem ninguém da familia vai estar doente, nem...
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Ando nisto há anos. E há anos que peno ao longo dos meses com esta falta de férias. Meses em que quase baixo os braços de esgotado, porque não tive férias.
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Pois é. Mas para o ano é que vem é que vai ser...
02
Ago05

O meu Comércio...

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A Tânia Laranjo, em comentário ao último postal de Rui do Carmo, fala sobre o encerramento de "O Comércio do Porto" e da "A Capital". Sobre "A Capital" sei pouco. Sobre o Comércio sei muito, faço parte da história daquele jornal, como amavelmente reconheceu o Jorge Fiel em crónica no Público de sábado. Por isso, não pude evitar as lágrimas quando me garantiram que a suspensão era irreversível.
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Como disse no depoimento que o jornal me pediu para o último número, aprendi mais no jornal do que na faculdade. Foi lá que cresci, que aprendi com os meus erros de jovem repórter. Foi lá que aprendi a prezar muitas pessoas e a desprezar absolutamente algumas outras que fui conhecendo na procura das notícias.
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Na sexta-feira passada, ainda me senti tentado a ir ao jornal ajudar a fazer o último número. Só para sentir o cheiro da redacção e para manifestar a minha solidariedade com os que ficaram sem emprego e com os que ficaram sem jornal, como o meu pai, leitor há mais de cinquenta anos e que também chorou. Acabei por não ir. Afinal, se fosse, talvez a situação ainda me deixasse mais triste.
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Nos depoimentos de sexta-feira, onde todos eram importantes excepto eu, não pude deixar de ser crítico e um tanto azedo. Havia gente de mais a falar do Comércio que os pais liam, que os avós liam e tão poucos que falavam do jornal que ainda lêem. Pois é: foi esse o grande drama do Comércio. Apesar de preencher um espaço importante na informação regional, as pessoas já não estavam habituadas a ler o Comércio. Por isso é que, apesar de todos os esforços do Rogério Gomes e da sua redacção, o jornal não descolava nas vendas. Nisso estou à vontade: eu comprava o jornal todos os dias e fazia mais: tantas vezes, discretamente, passei o jornal para cima nos quisoques para que ficasse mais visível.
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Se os que lamentam o fim do Comércio se tivesem lembrado de o comprar todos os dias, ele não teria sido suspenso.

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