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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

23
Nov07

Abriu a época de caça!

José Carlos Pereira
Li no jornal por estes dias que Luís Filipe Menezes angariou novos militantes para o PSD. Tudo normal nestas coisas, excepto quando, pelo meio, surgem algumas aves raras. Que nos espantam, ou nem por isso.
Um dos novos militantes é Fernando de Sousa. Quem é, perguntarão alguns? Sousa foi meu professor de História Económica e Social Contemporânea, embora pouco efectivo, valha a verdade. Não era tido em muito boa conta nem pelos colegas, nem pelos alunos. Explorou o segmento das "histórias" de empresas e instituições, com base nas valiosas contribuições de alunos e assistentes e presidiu ao Ateneu Comercial do Porto. Deixou a Faculdade de Letras da U.Porto sem deixar saudades e "passou-se" para a Universidade Lusíada, em busca de melhores "condições". Prolixo, dirige actualmente mestrados e doutoramentos. Seja em relações internacionais ou em ciência política. O que vier, vai.
Sousa chegou agora ao PSD depois de "deputar" durante alguns anos em S. Bento na bancada parlamentar do PS. Contudo, o seu maior destaque foi enquanto director do "Acção Socialista", quando publicou uma caricatura de Narciso Miranda com orelhas de burro. Acantonado na ala soarista (de João Soares), esse episódio traçou-lhe o destino dentro do PS. Mas Sousa também nunca perdoou ao PS não lhe ter proporcionado a tão ansiada candidatura à Câmara de Gaia.
Por essas e por outras, Sousa aparece (poucos) anos depois colado a Menezes como presidente do Parque Biológico de Gaia - mais uma área do saber! - e agora adere ao PSD. De quem devemos desconfiar: de Menezes ou de pessoas como Fernando de Sousa?
22
Nov07

missanga a pataco 34

d'oliveira

Esta vai assim, directa, para o éter sem redacção prévia sem plano (como se eu fosse muito dessas coisas) como quem segue uma música ao longe. Morreu o Béjart. Quase diria morreu a dança mas isso ele nunca o permitiria.
eu não sei se o século XX teve muitos revolucionários. Duvido bastante, para falar com sinceridade. Mas se os teve, um deles, e não o menos importante foi este meteoro que agora se vai juntar à grande família das estrelas errantes. Morreu, diz o "le monde". morreu, vírgula! Enquanto se dançarem as suas coreografias não há morte que o leve, que o esconda, que o torne esqecido. E há os filmes, os vídeos e, sobre tudo isso, a nossa memória. E o nosso embevecido encantamento. Aquele homem punha um paralítico a dançar...
Deixo para os críticos, o relato frio e minucioso do que ele fez e não fez. Eu, e porventura muitos como eu, contentávamo-nos em assistir espantados aos espectáculos que ele montava.
Permitam-me que, dentre todos, recorde um, em Lisboa, onde no fim entre intermináveis aplausos, Maurice Béjart chegou-se à boca de cena e condenou o fascismo português. A plateia levantou-se ainda mais e se me lembro saiu-se do teatro numa arruaça tremenda. Béjart foi obviamente expulso nessa mesma noite. Mas o escandalo e a repercussão internacional do seu gesto fizeram o regime dançar freneticamente uma dança de S. Vito. Sem aplausos da plateia internacional e dos jornais de todo o mundo que relataram a acção do grande coreógrafo que de todo o modo ainda estava em início de carreira.
Nem que fosse só por isso, querido Béjart, muito obrigado.
22
Nov07

Desabafo em Bragança…

O meu olhar


Estou em Bragança mais uma vez. Estou num hotel, num quarto grande, com uma das paredes toda envidraçada e com o castelo como vista de fundo. Um belo quarto. Tem apenas um senão: foi certamente ocupado anteriormente por alguém que fuma e muito. Cheira como se estivesse alguém a fumar aqui neste momento, mas eu estou só e já não fumo há 10 anos. Não sou intransigente relativamente aos fumadores nem fundamentalista dos espaços puros. Apesar de ser ex fumadora não fiquei com a missão de moralizar hábitos alheios. Todavia, sinto-me cada vez mais exigente quanto ao respeito que devemos ter uns pelos outros também relativamente ao tabaco. Um quarto de hotel é algo que ocupamos temporariamente e não seria mau que fosse tratado como um bem público.
21
Nov07

Au Bonheur des Dames 99

d'oliveira

Uma lâmpada para troca
ou aqui vai troco

Alguém, uma mulher de certeza, mandou ao João Vasconcelos Costa, um texto com piada que não resisto a transcrever aí em baixo ou em cima, como sair (cfr. voz alheia 2)
Tenho, caríssima e anónima amiga do João, uma história exactamente ao contrario. Aliás, neste capítulo de arranjos caseiros, lamento dizer-lhe que V é a excepção (como n’ “A excepção e a regra” do velho sátiro Bertolt).
Em tempos que já lá vão quando a feliz surpresa de ter conhecido a CG era uma novidade novinha em folha, ela confidenciou-me que adorava obras. Sabia tudo sobre como pintar uma parede, pôr argamassa numa fila de tijolos, tirar o “nível”, enfim, tudo de tudo. Discutia com os trolhas melhor do que com os juízes. Arrumar um canalizador era canja e quanto a pintores de broxa gorda, então nem se fala. Os honrados mesteirais já lhe chamavam engenheira, ou, pelo menos, arquitecta... E tinha ferramentas. Ferramentas a sério e não como aquela colecção de inutilidades que eu e o Manuel Sousa Pereira descobrimos em casa do Manuel Simas. Aquilo parecia um lote de brinquedos estragados, comprados num saldo. Um desastre. Ou talvez não: o ferramental habitual dos ilustres magistrados portugueses, sub-espécie juízes no STJ.
Tendo em conta esta queda da CG para a construção civil e actividades similares, num Natal, enchi um belo saco Louis Vuitton (dos melhores que se arranjavam na China) com ferramenta variada onde nem faltava um berbequim eléctrico.
A CG adorou o saco (que tinha rodas e tudo como os franceses) e que, aliás, enganou toda a gente que me olhava como se pela primeira vez vissem o Pai Natal verdadeiro e gastador. Quando o abriu e deu com a parafernália ferramentista ia desmaiando de emoção.
Os anos passaram-se: o saco continua impecável prova que o artesanato chinês não está para brincadeiras.
As ferramentas continuam novas. Por boa qualidade? Qual quê! Porque nunca foram usadas. Cá em casa, sou eu, o canhoto, o imprestável, o inimigo das tarefas humildes e proletárias quem dá à perna quando toca a reparar seja o que for. Ah quanto eu detesto isso... quanto me custa. Quanto me irrita!
De longe em longe a CG compra uma dessas coisas tipo IKEA que tem de se armar. Quando não tem coragem para me encomendar a tarefa, ei-la que se põe a caminho. Querem acreditar que com ela se repete o milagre das rosas? Sobram-lhe sempre uns parafusos alguma anilha, uma porca, e até, numa vez mais miraculosa, uma tábua... Mistérios insondáveis da incapacidade da IKEA ou mistérios gozosos com que se rebola mcr o incompetente?
As leitoras que decidam.

Vai esta para o JVC antes mesmo de ser postada no “incursões” ainda hoje, sexta-feira (14 do mês As, festa de S P. Bonnard pintor das Phynanças, do ano 133, do calendário patafísico. Amanhã celebração da Navegação do Dr Faustroll)
21
Nov07

voz alheia 4

d'oliveira
Mulher (na verdadeira acepção da palavra):

Só ela! Sózinha!! Porque ninguém, dentro desta casa sabe como
trocar uma
lâmpada! São um bando de IMPRESTÁVEIS!!! Eles nem percebem que a
lâmpada se
queimou! Eles podem ficar em casa no escuro durante três dias
antes de
notar que a porcaria da lâmpada se queimou! E quando eles notarem,
vão
passar mais cinco dias esperando que EU troque a lâmpada, porque
eles acham
que eu sou a ESCRAVA deles!!! E quando eles se derem conta de que
eu não
vou trocar a lâmpada, eles ainda vão ficar mais dois dias no
escuro porque
não sabem que as lâmpadas novas ficam dentro da porcaria da
despensa! E se,
por algum milagre, eles encontrarem as lâmpadas novas, vão
arrastar a
poltrona da sala até o lugar onde está a lâmpada queimada e vão
arranhar o
chão todo, porque são INCAPAZES de saber onde a escada está
guardada! É
inútil esperar que eles troquem a lâmpada, então sou eu mesmo quem
vai
trocá-la! E como eu sou uma mulher independente, vou lá e
troco!... E SAI
DA MINHA FRENTE!!!
20
Nov07

JUSTIÇA

JSC
Cada vez mais as sentenças judiciais passaram a ser tema dos colunistas, Veja-se o JN de hoje, aqui e aqui. Mas se formos ler outros meios de comunicação também lá aparecerão outras opiniões sobre a aplicação da justiça.

Poderá isto significar outra coisa que não seja a popularização da justiça?
20
Nov07

...

Sílvia



há no bailado dos teus gestos
a luz louca do gênio
a luz derramadamente mansa
da voz colada ao vocábulo
do vocábulo agarrado às idéias
das idéias postas a girar
numa roda que não pára

há nos teus gestos a minha falta
a ausência da minha voz
a te acalmar as dúvidas
nessa tempestade furiosa
em que te metes
a fugir
de mim

mas eu
sempre estou


silvia chueire
19
Nov07

o gato que pesca 1

d'oliveira

Olá a todos. Chamo-me Puff von Heinzelmann de Andrade e sou, como o nome não indica, um gato. Melhor dizendo um gatinho. Os meus hospedeiros foram buscar-me e às minhas irmãs à SPA. Eu fiquei com a CG e o mcr que me serve de dactilógrafo enquanto a Violeta e a Orquídea foram viver com a Ana, em Matosinhos num apartamento que tem mais vidro do que paredes.
Claro que vocês estarão surpreendidos com o meu nome. Em boa verdade o nome só me serve para cirandar no meio dos humanos. O meu nome de gato é, já se sabe, absolutamente impronunciável por vocês. Não é grave, nós os gatos sabemos desde sempre, que uma das vossas fraquezas é essa absoluta falta de entendimento destas coisas simples que qualquer gato sabe desde que nasceu. O meu hospedeiro propôs-me pois este nome de acordo com a mulher. Parece que Puff é um nome fácil. Assim não se esquecem quando tiverem de me pedir para vir almoçar. Por mim tudo bem se o almoço for coisa que se veja. Os hospedeiros costumam ter ideias absolutamente delirantes sobre o que um gato gosta de comer. Mas já lá iremos.
Antes disso vou explicar-vos porque falo em “hospedeiro”. Os humanos entre outros mitos igualmente pueris alimentam este: que são donos do mundo em que vivem (boa piada) e que podem ser donos de um gato. Como se um gato fosse um cão! Um gato, caros leitores, aceita um hospedeiro e é tudo. Alguém que se encarrega de o alimentar, de lhe dar uma casa, de lhe mudar a areia da retrete. Em troca disso deixamos que nos acariciem e nos forneçam material para aparar as unhas (reposteiros, sofás, maples enfim o trivial). Alguns humanos mais expeditos já perceberam isso mas, pelos vistos, não se importam: um gato dá-lhes status. O meu hospedeiro diz que um gato o faz esquecer por momentos os cavalheiros do governo. Eu deveria irritar-me mas percebo-o. Ele votou por ess a gente e agora tem vergonha.
Foi ele que teve a ideia de me convidar a escrever umas notas de quando em quando. Parece que neste blog há vários hospedeiros de outros gatos, o casal JSC-o meu olhar a dona Kamikaze, perdão Frau Kami, a administradora et j’en passe. Portanto preparem-se: volta e meia aqui virei dizer algumas coisas que nem sempre terão a ver com gatos (sequer os do senhor Fialho de Almeida) mas sobretudo com os humanos. Se em tempos houve um persa convidado a escrever umas cartas sobre os franceses do século XVIII não vejo porque é que, três séculos mais tarde, não deverá um gato, por natureza laico e pouco dado a puerilidades teológicas e salvíficas, dizer da sua justiça sobre um mundo bem menos interessante do que o da “ilustração”.
Aí ao lado poderão ver a minha fotografia. Apesar de perceber a emoção que ela pode despertar nas gatas convém dizer que só tenho dois meses e que, para já, não penso no sexo oposto. Há que dar tempo ao tempo.

Puff v.H.
19
Nov07

Algo Não Bate Certo - 2

JSC
Dizem os especialistas que os spreads praticados pela banca vão continuar a subir, o que irá trazer maiores dificuldades às famílias, aumentando o número das deixarão de pagar a respectiva prestação bancária (da casa, do carro, das férias, do computador,…). Entretanto, o Relatório do Banco de Portugal confirma que as famílias portuguesas são as mais endividadas da EU, de tal modo que o rendimento disponível é inferior em 24% ao montante global do endividamento.

Apesar desta situação a banca continua com grandes campanhas para atrair novos clientes, para elevar o volume de endividamento, numa estratégia de dispersão do risco, não contrariada por qualquer entidade pública.

Às cada vez maiores taxas de juro os portugueses têm ainda de suportar uma cada vez maior carga fiscal, com particular destaque para os impostos que incidem sobre o património e a chamada fiscalidade local.

Os empresários portugueses parecem não acreditar muito na previsão Governamental e do Banco de Portugal de 1,8% para o crescimento da economia, sendo que este valor é já afectado pela quebra que se está a verificar nas exportações.

É neste cenário de crise continuada que, segundo o Diário Económico, os grandes investidores portugueses colocam o seu dinheiro nos hedge funds e private equity, investimentos de alto risco, sendo a sua apetência por estes fundos superior à que revelam investidores dos EUA. Inglaterra ou Hong Kong.
18
Nov07

Freguesias Reclamam + Dinheiro

JSC
As Juntas de Freguesia reclamam mais dinheiro. Pelo menos é o que se depreende festa notícia. Nunca vi grande utilidade na existência de Freguesias, em particular nas Juntas dos grandes centros urbanos. Que serviços são prestados por uma Freguesia que não possam ser assegurados pelo Município? E isto sem se perder a tal relação de proximidade.

São quatro mil e tal freguesias, outros tantos presidentes, secretários e tesoureiros. O mesmo número de sedes e de despesas correntes. Depois ainda há a assembleia de freguesia. Para fazer o quê? Se formos ler o plano de actividades das Freguesias – aquelas que o têm – verificamos que o mesmo reproduz o volume de iniciativas que a Câmara se propõe fazer na freguesia, o resto são despesas de pessoal, senhas de presença e outras despesas de funcionamento.