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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

03
Abr08

Os tempos

Sílvia
Hoje não haverá poema. Hoje falarei sobre esta loucura que parece se intalar mais e mais no mundo. Este mundo que sempre foi de guerras, violência, mortes. Mas que agora muito maior, muito mais interativo, portanto mais próximo do que há séculos, e não se afasta delas, ao contrário.

A África abandonada a seu destino, sendo sangrada nas suas riquezas e no seu povo, Oriente Médio ensandecido, Bush, a política de direita (à antiga) de certos países europeus ( da Comunidade?), Chavez, as FARC, Cuba passando por transformações e o Brasil, claro. O Brasil crescendo, "potência mundial", e cada vez mais corrompido.

Tudo nesta noite tem me parecido ainda mais sem sentido, ainda mais louco. Porque nesta noite se as coisas vêm acontecendo desde que me entendo por gente? Nada de especial, penso nisto todas as noites. Mas o que me provocou a escrever este post foi um mail que recebi, destes enviados a muitas pessoas, que dizia o seguinte (supostamente a autoria, como podem ver abaixo, é do Elio Gaspari, jornalista da Folha):

"Bons tempos da ÉTICA!....

Castelo Branco e Lula :

Ao ver Lula defendendo seu filho, que recebeu R$ 5 milhões de reais da
TELEMAR para tocar sua empresa, Elio Gaspari publicou essa história buscada no fundo do baú:

" Em 1966, o presidente Castelo Branco leu nos jornais, que seu irmão,
funcionário com cargo na Receita Federal, ganhara um carro Aero-Willys,
como agradecimento dos colegas funcionários, pela ajuda que dera na lei,que
organizava a carreira.
O presidente então telefonou, mandando que ele devolvesse o carro.
O irmão argumentou, que se devolvesse o carro, ficava desmoralizado em seu cargo.....
O presidente Castelo Branco, interrompeu- o dizendo:
"Meu irmão, afastado do cargo você já está! Estou somente decidindo agora, se você vai preso ou não".

E o Lula, ainda "sonha", que não existe ninguém nesse país com mais moral e ética do que ele..."


Este e-mail foi, nesta noite que passou, a gota d'água que nenhuma lista de abaixo assinados da internet pode acalmar ou iludir fazendo com que ao assiná-la eu pense estar fazendo alguma diferença nas coisas ( misturei temas? talvez, talvez) . Explico porquê:

O presidente Castelo Branco, Marechal Castelo Branco, a mais alta patente militar à época, foi o primeiro presidente imposto ao país pela ditadura militar que durante tantos anos nos governou!
Não sei bem que desvio de pensamento ou personalidade esquece este fato (ou sei, o que é pior) para citar como exemplo de ética, vejam vocês: Ética, com letra maiúscula! Uma atitude menor de um homem de participou da interrupção da democracia de um país e ajudou a instalar uma ditadura que durou anos, torturou e matou tanta gente, expulsou tantos do Brasil, fechou o Congresso, etc, etc.
Não sei se o pequeno fato ocorreu e nem me interessa, está errado o Lula e o Marechal então, nem pensar. A inversão ou perversão ou loucura que parece estar tomando conta das intelligentsias, a radicalidade, a cegueira, são impressionantes! E em todas as direções, esquerda direita, centro, etc.

Decidi escrever o post ao modo dos posts primordiais dos blogs, um desabafo que eu sei alivia apenas por uns segundos. A busca de soluções e protesto,tem que ser de outra ordem, a minha é no cotidiano, sempre que possível.

Assim, para que vocês entendam a razão da minha perplexidade e sensação de injúria (perdoem-me o tamanho do post), dou sobre o Brasil três notícias que sei devem ter lido, mas vejam:

O Tribunal de Justiça do Pará arquivou hoje (02/04) o pedido de abertura do procedimento administrativo disciplinar contra a juíza Clarice Maria de Andrade, suspeita de não tomar medidas para retirar da cadeia a menina de 15 anos que ficou detida com homens por 26 dias em Abaetetuba (PA), entre outubro e novembro do ano passado.
Quinze desembargadores decidiram que não houve motivos para a magistrada ser responsabilizada no caso já que a custódia do preso é do Estado.
Presa sob acusação de furto no dia 21 de outubro, a adolescente foi mantida em uma cela com 20 homens até o dia 14 de novembro e obrigada a manter relações sexuais com detentos em troca de comida. A menina e sua família estão fora do Pará sob a guarda do programa de proteção do governo federal.


Sete desembargadores votaram a favor da abertura do procedimento contra a juíza. Houve uma abstenção. A desembargadora presidente, Albanira Bemerguy, foi favorável ao PAD (procedimento administrativo disciplinar), sem afastamento de Clarice Maria de Andrade.

A juíza é suspeita de não encaminhar o pedido de transferência da menina à corregedoria das comarcas do TJ antes de o caso ser divulgado. Andrade nega. "A magistrada recebeu a comunicação da prisão em flagrante e a manteve, ficando ciente naquela ocasião que uma mulher estava presa na Delegacia de Abaetetuba", afirmou Albanira Bemerguy, presidente do TJ. A juíza admitiu à uma CPI sobre o caso, saber da prisão da moça, mas disse que " não sabia que ela era adolescente".

Não é impressionante que a tal juíza não se envergonhe do que disse, não perceba?

Outra:

Lula no Folha de São Paulo ontem vetando a fiscalização, pelo Tribunal de Contas da União, dos sindicatos ( que vivem do imposto sindical é cobrado em contra cheque dos trabalhadores por lei federal) que há poucos dias tiveram divulgado um vídeo na mídia mostrando sindicalistas cobrando percentuais em dinheiro de empresas e ameaçando-as com greves caso não os pagassem por baixo da mesa ( 30% se não me engano):

"Um aviso: ontem eu vetei um artigo no projeto de lei que em um primeiro momento foi aprovado na Câmara, e colocava a fiscalização apenas para o sindicato dos trabalhadores. Aí, foi para o Senado e colocaram uma fiscalização do Tribunal de Contas em cima das federações, confederações e o sindicato", disse Lula hoje durante reunião do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), no Palácio do Planalto.
Para justificar o veto, Lula relembrou seu passado sindicalista. "Aí, na hora em que vieram me trazer para assinar, eu me lembrei que passei 30 anos da minha vida lutando por liberdade e autonomia sindical, e eu não podia compactuar com o fato de tirar do Ministério do Trabalho e colocar no Tribunal de Contas da União, para ficar fiscalizando o sindicato."
Segundo o presidente, essa fiscalização deve ser feita pela própria entidade. "Deus queira que tanto a categoria de empresários, quando a categoria dos trabalhadores fiscalizem os seus sindicatos."


"Deus queira" !? É demais!
Mas afinal os sindicatos não serão fiscalizados, porque não são obrigados a expor suas contas ao público, para denúncias, ou a órgãos de fiscalização.

Mais uma:

Suspeitas de fraudes em 55 dos 60 municípios sorteados para serem fiscalizados ( ainda da Folha de São Paulo) :

"A CGU (Controladoria-Geral da União) encontrou suspeita de fraudes em licitações em 55 dos 60 municípios analisados na 24ª edição do programa de fiscalização por sorteio. Segundo a CGU, o município que mais teve irregularidades foi Oeiras do Pará (PA), onde os fiscais constataram indícios de irregularidades em todas as 31 licitações analisadas.

Entre os 55 municípios que apresentaram indícios de irregularidades, como conluio e direcionamento nas licitações, está Campim Grosso (BA), onde os fiscais detectaram indícios de fraudes em três licitações realizadas em 2005 para a execução de obras com recursos do Ministério do Desenvolvimento Social, no valor de R$ 300 mil.
"

Vocês podem imaginar o que deve estar acontecendo nos restantes 5500 municípios do país?

Last but not least (sim sei que os vou cansar, mas tenham paciência comigo) e ainda da Folha de São Paulo em 02/04:

A CPI dos Cartões Corporativos pode antecipar o fim das investigações sobre irregularidades nos gastos do governo federal caso a base aliada (do governo) rejeite nesta quinta-feira os 34 requerimentos de convocação ainda não aprovados pela comissão. A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS-oposição ao governo), disse hoje ao relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), que os seus trabalhos não poderão continuar sem a aprovação dos requerimentos.
"Se todos os requerimentos forem rejeitados, não temos mais quem ouvir. Aí suspendemos as atividades do plenário da comissão e damos um prazo para que o relator elabore o seu texto final. Se não tivermos quem ouvir, o que vamos ficar fazendo sentados na CPI?", questionou Serrano.
O relator, por sua vez, deixou claro que a disposição do governo é evitar a convocação de autoridades suspeitas de irregularidades no uso dos cartões. Oficialmente, Sérgio nega que a orientação do Palácio do Planalto seja derrubar os requerimentos.
A Folha Online apurou, no entanto, que o governo não está disposto a autorizar as convocações nem mesmo quebrar o sigilo de gastos do Executivo com os cartões corporativos.
Na prática, se os requerimentos forem rejeitados, a CPI pode ser "enterrada" amanhã --caso nenhum parlamentar apresente novos pedidos à comissão. A expectativa é que governo e oposição protagonizem um intenso debate a respeito dos trabalhos da CPI.
Entre os requerimentos que estão na pauta da comissão, está o que convoca a secretaria-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, acusada de dar a ordem para elaborar um dossiê com gastos sigilosos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB)."



Os cartões corporativos foram criados para dar maior clareza aos gastos extraordinários que os membros do governo, ministérios, etc. precisariam fazer sem precisar fazer licitações. Claro, sabe-se que sempre há coisas necessárias que não podem esperar é preciso uma pequena verba para estas exceções. Quem já trabalhou o serviço público sabe bem disto. Mas o que está acontecendo é uma desfaçatez.
O Governo formou uma base que rejeita todas as propostas de investigação das despesas feitas com os tais cartões. O escândalo vem da descoberta de despesas absurdas feitas por uma Ministra que já se demitiu (havia até despesas em boutiques, em lojas dos duty free shops de aeroportos !).

Não é mais possível suportar isso tudo sem dizer nada !
Não sei onde dizer algo depois que o Rio está em plena epidemia e os sindicatos na situação que estão, trabalhando como "pelegos" ( "pelego" é um termo antigo na política que hoje ouvi depois de muitos e muitos anos e vem dos pelegos, pele de ovelhas com lã, que os estados do Sul usam entre a sela o a cavalo para tornar mais confortável para cavaleiro e animal) não atuam mais de fato.

E há, como sabem, uma epidemia de dengue, na cidade. Dengue. Mais surreal, mais brasileiro, não podia ser. Pensei ainda agora em oferecer-me como voluntária no Centro de Saúde aonde trabalho, para trabalhar nos fins de semana. E possivelmente farei isto.
Mas francamente, é de doer não ter como protestar sobre estas coisas todas. Estes espaços desapareceram e os que existem não têm credibilidade. E eu precisava dizer isto aos meus amigos portugueses e quem mais ler este blog.

Estão atingidos portanto, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
E tenham claro que nunca fui PT, mas nunca fui anti-Lula, reconheci-lhe sempre os méritos e sei que ele não é o demônio causador de tudo, nem o deus-pai doador de tudo.

Está mesmo difícil. E para ofuscar os olhos de todos , o país progride porque a política econômica vem dando resultados. Enfim...Os números estão funcionando. Os números.

Tenham todos um bom dia.


Obs: os negritos e cores são meus . E desculpem-me as gralhas.
02
Abr08

Estes dias que passam 103

d'oliveira

Nem remorsos nem desculpas

Foi assim com estas palavras que alguns dos iluminados membros da Arche de Zoe saíram da cadeia. Relembremos: a Arche de Zoe pretende ser uma ONG criada depois do tsunami da Indonésia e vocacionada para salvar crianças.
Com essa desculpa enviou uma missão para os confins do Darfur, prometendo a umas dezenas de famílias francesas um orfãozinho preto e fugido das atrocidades em voga na região.
Quando já tinham recolhido cerca de duzentas crianças descobriu-se que nem estas eram do Darfur nem eram órfãs.
A caridosa seita tinha convencido os pais das crianças, camponeses chadianos, que elas iriam para uma escola ali perto.
O escândalo foi tal que o governo chadiano se viu obrigado a prender este grupo de benévolos e presumíveis traficantes de crianças (as famílias de acolhimento em França pagariam umas “despesas”, quando já as não tinham pago, como parece deduzir-se do facto de penderem acções em França contra os membros da Arche movidas por famílias que se propunham acolher crianças).
Foram julgado por um tribunal chadiano contra o qual na altura os observadores internacionais não disseram nada. Foram condenados a penas relativamente pesadas que todavia não cumpriram.
O governo francês conseguiu que os chadianos aceitassem a transferência dos presos para solo francês. Depois conseguiu mais: um indulto do governo chadiano o que permitiu libertar estes “heróis do nosso tempo” que foram apoteoticamente recebidos por familiares a amigos que desse modo tentavam lavar a afronta cometida por um tribunal e um governo de pretos contra cidadãos brancos da bondosa ex-metrópole.
Pelos vistos, os guardiães da arca encoirada não aprenderam nada durante estes breves meses de prisão. Corre-se o risco de os ver reincidir noutro país igualmente pobre e igualmente cheio de crianças pequenas em idade de serem adoptadas. É tão giro ter um pretinho em casa. Se não servir para filho pode sempre ser um moleque...
Há alturas em que uma pessoa tem vontade de vomitar e de começar aos tiros.

na gravura as crianças salvas da arca.
02
Abr08

Eu portista me confesso

José Carlos Pereira
A minha costela de adepto e sócio do FC Porto tem andado meio envergonhada face às suspeitas, primeiro, e às acusações, depois, que recaem sobre o meu clube e o seu presidente, Jorge Nuno Pinto da Costa.
Quem alguma vez acompanhou o futebol por dentro, ou conhece alguém que por lá circule, seja nas competições profissionais ou nas divisões mais modestas, conhece bem o ambiente de promiscuidade existente entre dirigentes e árbitros, onde estes últimos estão longe de ser apenas vítimas, quando muitas vezes são eles próprios os fautores da “miscambilha”. Encostar-se aos dirigentes certos era meio caminho andado para subir na carreira, ganhar prestígio e poder, aparecer nos grandes momentos, ganhar mais dinheiro.
Posto isto, dir-se-á que quem perde acha sempre que quem ganha, ganha apenas porque se manobra melhor nesse mundo promíscuo, no malfadado “sistema”. O meu FC Porto, que teve invariavelmente as melhores equipas e os melhores treinadores ao longo dos últimos vinte anos, viveu sempre com esse ónus de ser o manobrador por excelência. Não sei se é ou se foi, mas sei que Pinto da Costa e seus pares se dão bem com esses ares, onde o maior brilho cintila pela calada da noite. Foi competente? Sem dúvida. Rompeu com os equilíbrios que vinham do estado novo? Pois claro que sim. Isso foi uma afronta aos poderes (clubes, federações, jornais, televisões, etc.) de Lisboa? Certamente. Custa muito que um clube do Porto ganhe mais do que todos os outros juntos e vença troféus que os outros nunca alcançaram? Imagina-se…
Pinto da Costa é atingido e arrasta o clube por causa dos amores, que parece ser o seu elo mais fraco. A falta de escrutínio, no clube e no seu círculo de amigos, permitiu que entronizasse como primeira-dama alguém sem um pingo de classe, de carácter. Pinto da Costa paga por isso e faz-nos pagar a todos nós, portistas.
Nos tribunais comuns, Pinto da Costa vai ser julgado pelo crime de corrupção desportiva. Nos órgãos disciplinares da Liga de Clubes, impende sobre si e sobre o clube a acusação da prática de duas tentativas de corrupção. Tudo isto no ano em que o FC Porto foi a melhor equipa da Europa e do Mundo, ao vencer a Liga dos Campeões e a Taça Intercontinental.
Não discuto as considerações de natureza jurídica, nem as motivações das equipas de investigação. Não comento os cruzamentos de provas e as diferentes velocidades da justiça comum e da justiça desportiva. Não quero antecipar a possibilidade de virmos a ter decisões diferentes em ambos os casos e o que tal representaria para o descrédito da justiça.
Pinto da Costa saberá o que fazer em termos individuais. Quanto ao meu clube, quero que os seus dirigentes tenham o discernimento de defender o nome e a honra do FC Porto e dos seus associados e adeptos, recorrendo até às últimas instâncias das acusações que enfrenta. É nisso que quero acreditar, sem recurso a tacticismos oportunistas que poderiam recomendar que mais vale aceitar o castigo dos seis pontos agora, que não fazem falta, do que ser penalizado nas próximas épocas. A honra não se troca por campeonatos.
01
Abr08

Farmácia de Serviço 42

d'oliveira

Mau sinal?

Já por aí se falou da súbita concentração do sector editorial. Editoras conhecidas, estabelecidas no mercado há longo tempo, começaram, subitamente, a ser alvo da cobiça de grupos empresariais que nunca tinham mostrado qualquer sinal de se interessarem por uma actividade tão marginal.
Repentinamente dois grupos do exterior e um interno (Bertelsmann, círculo de Leitores) começaram a oferecer somas relativamente altas por pequenas casas editoras (em Portugal todas as editoras literárias são pequenas...). Prometiam dinheiro, manteriam os editores anteriores, despediriam um mínimo de pessoas, enfim, metiam o Rossio na Betesga.
Pessoalmente, o boticário desconfiou. Vender livros não é vender comida ou remédios. Os livros são objectos não essenciais para 99% dos portugas e só quem anda nisto há muito é que sabe das dificuldades de editar e vender.
A recente saída de Manuel Alberto Valente da Asa (grupo Leya) vem dar razão às desconfianças. Conheço o MAV desde os seus anos de estudante ainda em Coimbra. Segui-lhe o percurso logo que começou a dedicar-se á edição. Vi-o na D. Quixote e depois na Asa. Apreciei-lhe o trabalho, o faro, a dedicação, a cultura e sei, ou saberia, dizer-vos quantos sapos ele engoliu para poder publicar os autores que realmente valem. Traduzi alguns poucos livros para ele, temo-nos encontrado por aí e a conversa cai sempre no mesmo. A livralhada que se edita por amor, a que se edita para ganhar cacau para com isso editar os que se venderão mal e por aí fora. O Manel sai da ASA (grupo Leya) alegadamente de motu próprio. Há uns meses, no enterro do Eduardo Prado Coelho eu dissera-lhe que não acreditava que ele se aguentasse. O Manel como de costume discordou. E como de costume, enganou-se. Só queria ter as mesmas certezas quando jogo no euro-milhões.

Deixemos as tropelias das editoras nouvelle formule de lado e pesquisemos: Vamos dar uma voltinha pelos brindes dos jornais.
Anda por aí em venda um “Atlas de Portugal” de saídas semanais. Vai no 9º volume em 20 projectados. Para mim está bem, é fácil de ler, interessante e bastante completo.
Uma outra edição ligada a jornais é “Os anos de Salazar”. Vai no 5º volume e pelo andar da carruagem também deve vir a ter cerca de vinte. Iconografia excelente, artigos eficazes, fiável, colaboradores que se têm distinguido no campo da história contemporânea.
Finalmente, no capítulo do cinema, uma colecção que não sendo a minha é também a minha quanto mais não seja porque a estou a comprar: “grandes realizadores/cahiers du cinema”. Também semanal, o filme traz um livro. Não estão lá todos os grandes mas isso seria quase impossível. Escolheria um que outro filme diferente mas, quem sou eu?, a colecção é boa e vale a pena.
Sem ter nada a ver com jornais, anda por aí à venda uma colecção de “westerns”. Para maluquinhos como este vosso criado, é um petisco. Ainda agora saiu mais um Ford dos velhinhos, dos pouco conhecidos, mas uma fita das arábias. “Western” puro e duro, com a malta a morrer competentemente calçada. Ao pé do que por aí se vê, aquilo é cinema. E isso me basta.
Não há bela sem senão. A cavalo dado também se deve olhar o dente. Anda por aí uma colecção de biografias gratuitas de “personalidades” do século XX português. Percebe-se mal o critério da escolha mas isso é de somenos. Os textos são fracos, a iconografia paupérrima e nem o facto de serem de borla justifica tudo. Nota final: medíocre.
Os amadores da música clássica já devem saber que a Brilliant Classics (sempre ela!) juntou mais uma integral às de Beeethoven, Bach, Mozart, Chopin et alia: Brahms. Como de costume excelente e a bom preço. 60 discos, €58,57, na Amazon. Deve estar a chegar com o luso e habitual atraso à FNAC.
Esta edição da Farmácia leva o número 50, número redondo, e devia intitular-se Pharmacia. Por várias razões. Primeiro porque o remendado “acordo ortográfico” é, pior do que um erro, uma estupidez. Pensar que com uma ortografia diferente e facilitada vamos entrar no “mercado das grandes línguas mundiais” é uma imbecilidade catatónica e diz tudo sobre uma certa maneira de ser português: muita parra e pouca uva. Segundo porque, à semelhança de todos os anteriores acordos celebrados, vamos cedendo na ortografia mas o outro acordante vai mudando (como mudará outra vez, não tenham dúvidas) as regras do jogo até mais outro desacordo e mais outro (e pior) acordo. Terceiro porque com o novo acordo nem um só livro a mais irá ser exportado para o Brasil. Não é a grafia que os incomoda é o resto, semântica incluída. Em vez de nos gabarmos dos duzentos e tal milhões de luso falantes dos quais apenas dez são nossos deveríamos olhar para o lado e perguntar-nos porque raio de razão holandeses, suecos húngaros ou noruegueses são mais cultos, mais instruídos, mais leitores, mais escreventes e, já agora..., mais ricos do que nós.
Pessoalmente, declaro-me em estado de rebelião civil contra o acordo que obviamente não seguirei. É um gesto inútil, claro, mas menos inútil do que escrever fato por facto, ou algo do mesmo teor.

PS que não tem nada a ver com isto: quatro mortes, 4: o r(inh)o Santos, figueirense, homem de coração e de espírito, humor que se queria ácido mas acabava terno, o Zé Rita, companheiro de futebol na praia, caloiro no mesmo ano que eu e um imoderado gosto pela vida, João Taveira da Gama, do velho CITAC um social-democrata que era mesmo social democrata, viveu como quis mas a da gadanha não perdoa, Jules Dassin, um realizador de cinema talentoso e corajoso. Mc Carthy não o venceu e os “rapazes do Pireu” na voz de Melina Mercuri ainda soam aos nossos ouvidos.

Na gravura: imagem de "Never On Sunday", "os rapazes do Pireu" por cá, um filme de com DassinMelina Mercuri, grande, grandíssima actriz e mulher de coragem e de princípios.
01
Abr08

Missanga a pataco 48

d'oliveira

filhos e netos de um Maio distante



As imagens da TV 5 são claras: estudantes liceais desfilam em Paris reivindicando.
Menos aulas? Mais telemóveis? Uma escola “dialogante”?
Nada disso. Mais professores para, dizem, se poder trabalhar melhor, mais e com mais eficácia.

Ou: Não atirem pedras a este Maio mas apenas à sua tradução canhestra e imoral em Portugal.
Se calhar os do eduquês e do Ministério não dominam o francês. Quanto ao português estamos conversados...
01
Abr08

Mais um Estudo Sobre a Pobreza

JSC
Dados revelados recentemente colocam a cidade do Porto como a mais pobre da Península Ibérica e uma das mais pobres da União Europeia.

O distrito do Porto já ultrapassou os valores de âmbito nacional e concentra 45% dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção.

Segundo o estudo mais de 100 instituições combatem a pobreza no distrito.

Será que a pobreza é proporcional ao número de instituições que se ocupam dos pobres e ao volume do RSI ou será o RSI e as instituições que potenciam e alavancam a pobreza?

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