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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

03
Set08

A Crise Desigual

JSC
O Diário Económico de ontem informava: “Remunerações dos gestores sobem”. Lendo a notícia ficava-se a saber que as remunerações auferidas pelos membros dos órgãos sociais das empresas cotadas no PSI 20, com excepção da PT, subiram significativamente no primeiro semestre deste ano. Os aumentos mais expressivos ocorreram para os gestores da Brisa (+12,4%), sendo a menor subida na Teixeira Duarte (+3,9%).

Em ano de crise acentuada, não deixei de ficar surpreendido com esta noticia, tanto mais que a mesma poderia indiciar que, afinal de contas, a crise não era tão profunda ou que os empresários/administradores não só souberam resistir, como conseguiram gerar mais valor, daí o acréscimo nas suas remunerações.

A alimentar esta tese estava também a notícia, no mesmo D.E., segundo a qual as “Empresas foram às compras durante a crise investimentos de quase 900 milhões em acções próprias”.

No mesmo D.E, de hoje, lê-se em manchete de primeira página, “Economistas contra subidas de salários”. “Não há margem para isso por causa da competitividade e da inflação”. Nas páginas interiores alguns especialistas traçam um cenário negro que desaconselha o aumento dos salários, porque, dizem, outros custos de factores produtivos não deixarão de subir e os ganhos de produtividade não acompanham o ritmo de crescimento desses custos. Em reforço destas opiniões aparece a posição expressa pelo Banco Central Europeu, titulada nestes termos: “BCE mantém juros e luta contra subida de salários”.

A conclusão a retirar é que o D.E. fez bem em dar aquelas notícias em dias diferentes. Assim não teve de questionar os especialistas acerca do aumento das remunerações e outros benefícios das administrações.
02
Set08

Sempre a perder

O meu olhar
A justiça fica sempre a perder com as decisões que tomou até à data relativamente a Paulo Pedroso, nomeadamente nesta última sobre a indemnização por ter sido considerada ilegal a sua detenção. Isto quer num cenário em que ele seja inocente, quer noutro em que seja culpado no caso Casa Pia.

No primeiro cenário, o da presumível inocência de Paulo Pedroso, torna-se quase monstruoso que alguém seja preso preventivamente sem haver motivos completamente fundamentados para o fazer. Sabendo a carga negativa poderosa que tem, merecidamente, este tipo de delitos, alguém que é preso injustamente, sendo inocente e sem provas cabais, é inaudito e não confere uma imagem de justiça ao sistema judicial e arruína a vida das pessoas envolvidas.

No segundo cenário, em que Paulo Pedroso seja presumidamente culpado, a situação para a imagem da justiça não é melhor, senão vejamos: a sua detenção foi considerada ilegal, ou seja, teve na origem um erro grosseiro do Juiz. Melhor dizendo, isto não significa que, em princípio, não existissem razões para o fazer, só que a fundamentação teve por base “erros grosseiros” que, verificando melhor, são erros que parecem facilmente evitáveis. Neste quadro os agentes da Justiça não precaveram o que seria básico precaver e o resultado foi um tiro no pé.

Por outro lado, relativamente às restantes decisões proferidas sobre as várias variantes deste processo verifica-se que atiram em direcções diversas: o MP acusou Paulo Pedroso de 23 crimes de abuso sexual. Em 2004 a juíza de instrução criminal decidiu não levar Paulo Pedroso a julgamento. Esta decisão foi posteriormente confirmada pelo Tribunal da Relação, após recurso do MP.

Em Julho do corrente ano o DIAP decide pelo arquivamento da queixa de Paulo Pedroso contra seis vítimas do processo Casa Pia. Segundo se leu na imprensa na altura “Em causa estão as declarações de seis antigos alunos da Casa Pia que asseguravam o envolvimento de Paulo Pedroso em actos de pedofilia e garantiam ter visto o antigo deputado socialista numa casa em Elvas supostamente para práticas sexuais com menores.”
02
Set08

A febre de segurança ou a impossibilidade educativa

mochoatento
Assistimos na sociedade contemporânea a fenómenos reveladores da total esquizofrenia social que vamos vivendo.

Num momento em que ninguém sabe como educar os filhos, uns dizem-nos que as crianças e jovens precisam de regras e valores; outros vão gritando que cada um cresce sozinho.

Quanto se pretende que cada criança e jovem vá adquirindo autonomia e participação na medida do seu próprio desenvolvimento; outros vão gritando democracia para todos.

Enfim, neste nosso tempo a sociedade deixou de partilhar, vivendo em função dó último título dos tabloides e da +ultima ideia de "iluminados oficiais".

Neste Verão, a autoridade de saúde proibiu que, num acampamento , os jovens pudessem cozinhar as proprias refeições. Estava em risco a segurança alimentar.

Não me vou admirar que, qualquer dia, seja proibido cozinhar a própria comida, mesmo que seja em nossa casa. Vai ser obrigatório tirar sandes no Multibanco alimentar. Tudo a bem da segurança, da ignorância, da dependência, da incapacidade de assumir as obrigações, da impossibilidade de ser adulto!
01
Set08

Segurança “Problemática”

JSC

As questões em redor da Segurança vão continuar a animar o debate político. As rusgas aos “bairros problemáticos” irão prosseguir, para maior tranquilidade de todos. Irão ser instaladas câmaras por tudo que é sítio “problemático”, que vigiarão os cidadãos “problemáticos” e os outros. Contudo, de fora ficarão, ainda, os sítios de que fala M.A. Pina, a ler aqui.

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