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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

26
Jan09

Duas notas a propósito do situacionismo e um desabafo

O meu olhar

A forma como JPP aborda no Abrupto aquilo a que chama situacionismo ao nível da comunicação social merecia tornar-se num caso de estudo. Não haverá por aí algum investigador que pegue nos seus escritos para fazer um doutoramento? Há matéria para isso. Nomeadamente se a tese for que o ser humano, em determinados contextos, perde por completo a capacidade de ver, ouvir, ler e analisar de forma minimamente objectiva. Melhor dizendo, perde discernimento. O difícil aqui não seria identificar os contextos.Bom, mas tendo por base essa ideia do situacionismo, eis que me surgem duas questões:

1ª - Se este senhor tivesse dito o contrário não teria a honra de abrir todos os noticiários?

2ª - Será uma peça séria de ilustração da crise a que apresenta, a par dos despedimentos, falências e crise financeira, uma senhora a dizer que só há uma pessoa a rir neste país face à crise referindo-se a Sócrates? É que, para aumentar a seriedade da peça deram uma imagem de fundo do primeiro-ministro a rir. Passou há bocado no Prós e Contras.


O que eu lamento, é que neste Circo de Feras os chacinados sejamos todos nós, já que a crise é séria e merecia mais e melhor energia para a ultrapassarmos. Neste momento podemos precisar de tudo, menos de um Governo fragilizado.

26
Jan09

O Porto ainda mexe

José Carlos Pereira
Em tempo de crise, económica, social e motivacional, tem-se dito e redito que o Porto está submerso e enredado nas suas próprias debilidades. Abundam os exemplos nesse sentido, seja a nível político ou empresarial. Apesar disso, o Porto tem nas suas raízes mais fundas as forças que permitem acreditar que é possível recuperar deste estádio. O desporto dá-nos um excelente exemplo.
A cidade que que vibra com o seu FC Porto, à excepção, claro está, do senhor presidente da Câmara, tem assistido com mágua ao definhar do Boavista. Em contraponto, viveu ontem um momento de fervor digno de registo, que orgulha os que gostam do Porto e das suas gentes. Um jogo do campeonato da 2ª divisão distrital, o último escalão de competição oficial, entre o Ramaldense e o renascido Salgueiros juntou cinco mil (!) portuenses no Estádio do Bessa, mais do que grande parte dos jogos da primeira liga profissional. Venceu o Salgueiros, mas verdadeiramente quem venceu foi a cidade, que mostrou estar viva e acreditar nas suas mais genuínas instituições. Haja quem perceba isto.
25
Jan09

Au Bonheur des Dames 168

d'oliveira

Sera la logique une pomme de terre?*


O cidadão Mário Lino será engenheiro, será ministro mas decerto não é alguém que usa a lógica. Usará a boa fé?
Interrogado sobre o caso “Freeport” afirmou que não tem dúvidas que o processo agora em foco tem motivações políticas.
Perguntado quem estaria por trás dessas motivações, o cidadão Mário Lino disse que não sabia.
Trata-se, pois, de uma questão de fé.
(Quem fez o mundo? - Deus. - Como? – Não sei. Porquê? –Também não.)
Quanto ao problema de identificar a vítima, o cidadão Mário Lino, volta a não ter dúvidas: trata-se de, assegura, atingir o Primeiro Ministro.
Se assim é, e será assim na óptica do intrépido descobridor do deserto do sul (onde o Freeport será um oásis...), temos que novamente o fulgor da fé ilumina o espírito poderoso de Mário Lino. Há uma cabala para atingir o Primeiro Ministro orquestrada por não se sabe quem mas com claras motivações políticas. Percebe-se?
Eu, se estivesse na pele do cidadão Mário Lino, tentaria primeiro identificar a vil origem deste mal moderno que é a cicuta noticiosa que tenta envenenar o cidadão José Sócrates. Ficaria bem a um engenheiro, pessoa decerto habituada à fria crueza da realidade, tentar encontrar argumentos que excedam a fé pura e simples. Não que esta não arraste montanhas mas no caso apenas se gostaria que trouxesse no aluvião de notícias a verdade.
Bem sei que estes novos ventos inquisitoriais sopram de Inglaterra donde, durante anos, e quase duzentos volumes!!!, nem uma brisa se sentiu. Temos pois, não uma fé mas uma suspeita de que é lá que está a central de boato e escândalo que tenta enxovalhar o bom nome das autoridades portuguesas. Se for assim, quem é que lucra com o ataque? Sª Majestade, a Rainha Isabel? O fantasma de Lady D? O Manchester United?
Ou, para tentar alcançar as perplexidades do cidadão Lino, será que estamos perante uma versão post-moderna da velha aliança luso-britânica de que fomos sempre vítimas propiciatórias? Não lhes bastou o Tratado de Meetween ou o esbulho de bens portugueses durante a guerra peninsular? Estamos perante uma segunda volta do mapa cor de rosa?
Se eu fosse uma pessoa mais impiedosa teria escrito outro texto: por exemplo, algo onde se dissesse ao enfatuado cidadão Mário Lino que a palavra pode ser de prata (e a dele, está visto que não é) mas o silêncio é de oiro. E aqui, neste tema, a prudência torna-o de diamante. Nem José Sócrates precisa de amigos desastrados, nem os portugueses devem ser confrontados com estes argumentos de uma penosa e tíbia lógica.
O cidadão Lino tem o condão do toque de Midas ao contrario: onde mexe, estraga.

* o título em francês (enfim em franciú) é obviamente “un hommage a Mariô Linô”
** entendeu-se usar o nobre termo de cidadão porque se espera que os cavalheiros citados sejam julgados pela opinião pública como tal e não com a muleta político-partidária. O que, no caso, de Mário Lino, não parece evidente.

24
Jan09

Estes dias que passam 139

d'oliveira

Dois pontos sobre as notícias

Um jornal levanta uma forte suspeição sobre o Primeiro Ministro.
Um parente deste mete os pés pelas mãos nas declarações que faz.
Gravações ambíguas, vídeos que cá não são prova, mexericos, desmentidos e o costume vão fazendo crescer especulações. E paixões.
Nada, até agora, permite pôr em causa a honra e dignidade do Primeiro Ministro.
De todos os modos presume-se a inocência de qualquer pessoa acusada.

O Primeiro Ministro tem todo o direito de se defender e de se sentir insultado. Não deve, nem pode, é disparar contra tudo e todos, mormente contra os magistrados que estão encarregados de dirigir as investigações. Ora, as suas primeiras declarações e acusação que este processo só vem ao de cima em época eleitoral não são elegantes e podem conter um ataque a quem investiga.
O Primeiro Ministro já tentou emendar a mão mas, como de costume, o mal está feito: o ataque aos magistrados que instruem o processo já está desmentido mas deixa sempre uma cicatriz.
De resto, o Primeiro Ministro sabe perfeitamente que este caso renasceu há meses e foi provocado pelas investigações que correm em Inglaterra. E não passa pela cabeça de ninguém, sequer pela do senhor Primeiro Ministro, que se trata de uma conspiração inglesa contra os poderes instalados em Portugal.
Por outro lado, convém não falar muito no que transpira dos processos e no segredo de justiça porque disso, desses ardis nefastos, estamos todos bem lembrados de como se tentou (e se conseguiu) destruir Ferro Rodrigues. E mais não digo...
Convém apenas saber: foram ou não pagas luvas a alguém?
Porque é que um tio do senhor Primeiro Ministro se gaba de ter dado azo a uma reunião quando, por outra banda se afirma que essa reunião (“a única”, sic) foi pedida pela Câmara Municipal de Alcochete? Quem mente? Quem fala verdade?
Relembro, o caso de um Ministro de um dos primeiros governos democráticos que, por um filho estar implicado num escândalo, entendeu não ter condições políticas para permanecer no Governo. Outro tempos, dir-se-á. Talvez, mas o seu exemplo nem por isso deve ser esquecido ou criticado.
Resta-nos , a todos, fazer votos, exigir que esta investigação chegue rapidamente a bom porto. Ninguém, nós cidadãos, os acusados (justa ou injustamente) pode viver demasiado tempo, neste clima deletério. Todavia, a justiça, a boa justiça, e a investigação séria e cabal têm os seus tempos. Mas só esses.
Por várias vezes, defendi neste espaço, a presunção de inocência que aprendi nos bancos da faculdade. E nem sempre fui meigo com os instrutores de processos nacionais ou estrangeiros. Uma, ou outra vez, algum comentário pôs em causa essa minha posição com o argumento que assim eu desvalorizava o trabalho de investigação. Até agora, tenho tido a sorte de verificar que esses apelos à prudência e à mais estricta legalidade, se mostraram razoáveis e foram confortados pela queda das acusações contra os presumíveis réus, julgados –mal! – na praça pública.
Apesar de achar que este Primeiro Ministro é arrogante e conservador, ou por isso mesmo, tenho que, mais uma vez, defender o seu direito ao bom nome e à honra. E verifico, com alguma satisfação, que por banda da oposição há opinião idêntica. Isto é, apesar de tudo, um bom sinal para a democracia e para a causa da liberdade.
Ninguém está acima da lei. Nem abaixo.

24
Jan09

Aliança CDS/CGTP

José Carlos Pereira
A Assembleia da República chumbou ontem o projecto-lei do CDS-PP que conduzia à suspensão do processo de avaliação dos professores. Uniram-se em torno da proposta daquele partido, apenas por mero oportunismo político, o PSD e toda a esquerda, incluindo cinco deputados do PS. Não foi contudo suficiente para aprovar a proposta do CDS, uma vez que a maioria de deputados socialistas prevaleceu.
O que unia os deputados não era a vontade de encontrar uma saída para o diferendo que afasta Governo e professores. O que pretendiam era infligir uma derrota ao Governo. Tout court. E ver Mário Nogueira, o excelso sindicalista da Fenprof, militante do PCP, nas tribunas da Assembleia a torcer pela vitória do projecto do CDS, além de caricato, ficou para a história das (in)coerências da luta política e sindical em Portugal.
23
Jan09

O que vale o trabalho?

JSC
A crise actual veio dar à evidência a volatilidade do emprego. Todos os dias se anunciam a extinção de centenas ou milhares de postos de trabalho. Os trabalhadores, que produziam riqueza a troco de um ordenado, são mandados para o desemprego porque o que produzem já não dá o lucro esperado. Durante anos e anos inventaram-se fórmulas que conduziram à precariedade do emprego. O emprego seguro e estável foi substituído pelos contratos a termo, até que se chegou ao conceito ultra-moderno da flexisegurança.

Os mentores deste caminho bem nos diziam que era a evolução necessária para defender e aumentar o mercado de trabalho. Todos aceitaram entrar no jogo e mesmo que algumas organizações sindicais levantassem a voz, não lhes era dado grande crédito. “Estão a fazer política”, diziam os políticos.

Casos como o da Qimonda e outros, onde está aplicado muito dinheiro público, permite-nos questionar: O que vale o trabalho? Como é que o trabalho se transformou numa coisa perversa, que deixa as pessoas abandonadas à sua sorte, mesmo que em redor se sinta algum movimento incómodo ou mesmo alguma solidariedade militante, de quem não pode dar muito mais que isso.

Nestas ocasiões, a preocupação dos políticos é mostrarem-se muito inquietados. Quando no governo, dizem que estão a criar muitos empregos ou a tomar medidas que irão gerar mais emprego. Os da oposição dizem que essas medidas não bastam e que assim não se vai lá. Quando a oposição toma o lugar do governo, inverte-se o discurso, mas na essência mantém-se o pouco valor dado ao trabalho.

De facto, o trabalho só tem valor se gera lucro: Contudo, não pode ser um lucro qualquer, tem de ser o lucro esperado, aquele que o empregador (outro termo moldado aos dias de hoje) entende como adequado. Então, se o lucro não está a ser o adequado, o empregador, quando tem a dimensão da Quimonda, pode dirigir-se aos políticos e chantagear: se não injectarem mais alguns financiamentos (podem ser sob a forma de subsídios, formação, juros bonificados, isenções fiscais, etc) fechamos as portas e vai tudo (ou quase) para o desemprego. Mais uma vez, o que está em causa não é o valor do trabalho ou assegurar o emprego. O que está em causa é o montante de lucro em jogo.

O modelo de desenvolvimento económico e social trouxe-nos até aqui. O Século em que acabamos de entrar, com a crise que o acompanha, mostra que o modelo ruiu. Talvez tudo não passe do prenúncio de uma nova era, que até poderá ser ainda mais ficcional se convencerem a maioria que não é preciso trabalhar para ser feliz.
22
Jan09

Estes dias que passam 138

d'oliveira

Ao cheiro de eleições
destapam-se as ambições...

As leitoras amabilíssimas perdoarão que use uma versâo de “ao cheiro da canela despovoa-se o reino...” e, sobretudo, que vá falar não especialmente bem de uma mulher. Não que entenda que a política está reservada aos homens, bem pelo contrário, mas apenas porque nem sempre as mulheres que fazem política se libertam de vícios bastante masculinos.
Ora então, comecemos: há no norte profundo, se ainda se pode falar disso, uma terra chamada Valongo. Nessa terra, seguramente abençoada, as próximas autárquicas fizeram disparar as sirenes. Pelo menos, as sirenes do P.S.! Eis que numa terra governada pelo PPD, aparecem, pelos vistos, duas candidaturas socialistas. A história recente não deveria entusiasmar os socialistas a esse tour de force tanto mais que, dizem-me, o poder dos social-democratas (é assim que chamam aos do PPD!!!) está firmemente estabelecido.
Ora acontece que uma senhora, jornalista de profissão, de seu nome Maria José Azevedo, foi no passado próximo a cabeça de lista do P.S. Derrotada, terá cumprido estes anos amargos como vereadora. Esperava, pois, que lhe fosse renovada a confiança dos socialistas para novamente encabeçar a lista concorrente à Câmara.
Todavia, um cavalheiro, de seu nome Afonso Lobão, ex-deputado e membro conhecido do aparelho socialista portuense, terá sentido no seu coração que transborda de amor por Valongo, a chamada da terra natal. E, assim sendo, entendeu candidatar-se a candidato. Depois de uma confusa guerra de posições, consta que Afonso (nome de reis e de um gato gordo e façanhudo que era hospedado pela vizinha Carmo, também gorda e façanhuda ou pelo menos, se bem recordo, bigoduda) conseguiu a maioria das preferências da comissão concelhia local. Maria José (nome de fortes ressonâncias bíblicas e também de uma rainha estranjeira) preterida pelo povo valonguense na passada eleição é agora preterida em nome de uma qualquer eficácia eleitoral. Lá se vão quatro anos de pastora na casa do Labão ppd...
Sic transit gloria mundi.
Maria José, porém, não se conforma. Rapa da caneta e ei-la que manda uma cartinha ao senhor Renato Sampaio, desastrado patrão do aparelho socialista portuense. A carta vem no Público de hoje, quinta feira, pelo que me dispenso de a transcrever.
Eu sempre achei extraordinário que se ponha nas bocas do mundo uma carta que se mandou e de que se espera resposta. Mesmo no ínvio mundo da política caseira e autárquica, a coisa parece deselegante. Então a gente escreve uma cartinha à puridade e, mesmo, antes de receber resposta já a está a pôr no estendal? Que é que o destinatário há-de pensar? E fazer?
Na carta referida, Maria José, dava a Sampaio, o titubeante, um prazo para a informar da política do P.S. quanto a Valongo (supõe-se) e responsabilizava-o pela quase certa derrota eleitoral do partido no caso de, escolhendo Afonso, a obrigar a protagonizar uma lista independente e alternativa que iria dividir as forças (bastante fracas) do socialismo local.
Convenhamos que Maria José parece ser “mujer de armas tomar”. Quer ser candidata, pergunta como é que vão as coisas, intima o líder distrital a responder-lhe até 19 de Janeiro, e avisa-o que se não a escolherem vai na mesma a votos como independente. Se, como se calcula, desta barafunda pouco propícia sair uma pesada derrota socialista os culpados serão Afonso o “enfant cheri du parti” e Sampaio o mau decisor. Ela, Maria José, fazendo jus ao nome, apresenta-se virgem de culpas. Um douto Padre da Igreja, defensor da tese da virgindade da mãe de Jesus, escrevia que Maria era virgem antes do parto, depois do parto e durante o parto. Mistérios que os concílios posteriores a estes conturbados primeiros séculos do cristianismo aumentaram. E além de aumentar, pelos vistos, reproduzem-se. Pois que Maria José poderia, como disciplinada militante do P.S., não se candidatar. Right or wrong is my party! Mas não! Maria José candidata-se. Presume-se que, sabendo que não ganha pela falta de apoios locais e distritais, se candidata para perder e fazer perder o adversário interno. Claro que quem se deve estar a rir a bandeiras despregadas é o candidato do PPD. Aquilo, Valongo, já não deveria ser difícil, mas com as tropas adversas em ordem dispersa deve parecer um passeio.
Confesso que pouco se me dá o destino da Câmara de Valongo. Ou melhor, estou-me, mesmo, nas tintas. Contudo, já outro galo canta quando me lembro que isto a que já começamos a assistir é o espectáculo da verdadeira política à portuguesa. E do desnorte que reina entre os “militantes” políticos. À primeira zanga estala o verniz. Ao primeiro arrufo, chove a paulada. Ao primeiro não, arreia-se a giga. E não estamos a falar de um Joãozinho das Perdizes (ai abençoado Júlio Dinis, morto tão novo...) que varria feiras a varapau e politicava da mesma maneira. Estamos a falar de uma senhora jornalista que fundou uma escola “superior” de jornalismo onde, sempre segundo o Público deu aulas. De quê? Às tantas, de deontologia...



22
Jan09

UMA, DUAS, TRÊS AUDITORIAS

JSC
1 - Miguel Cadilhe dizia que pediu uma auditoria às contas do BPN e que o Banco de Portugal só o teria feito depois. O Banco de Portugal garantia que pediu a auditoria antes de Miguel Cadilhe o ter feito.Agora a comunicação social revela documentos a mostrar que Miguel Cadilhe tinha razão.
Como é que os responsáveis pelo Banco de Portugal ficam na fotografia? Consequências?


2 - Miguel Cadilhe encomendou uma auditoria às contas do BPN à Deloitte. O Banco de Portugal pediu uma auditoria às contas do BPN à Deloitte. A ser assim, a Deloitte terá aceite realizar a mesma auditoria, mais coisa menos coisa, para duas entidades diferentes. Então, as conclusões dos auditores devem ser idênticas na auditoria pedida pelo BPN e na pedida pelo BP. O valor da factura também.
Como é que a Deloitte sai na fotografia? Consequências?


3 - Sugestão para um Grupo Parlamentar: Pedir um inquérito ou uma auditoria aos pedidos de auditoria efectuados pelo BPN e pelo BP. Para maior celeridade, podem adjudicar o trabalho à Deloitte.
21
Jan09

A CRISE QUE AÍ VEM

JSC
Bastou uma semana para a Standard & Poor´s ter alterado o seu posicionamento acerca do risco da dívida do Estado. Há uma semana anunciou que a dívida estava sob vigilância negativa. Hoje reduziu o rating atribuído a Portugal, o que significa atribuir maior risco e, consequentemente, maior custo de financiamento do Estado e das Empresas.

Apesar de ser aceite por todos que as medidas de combate à crise contribuirão para agravar significativamente o défice público, não deixa de ser estranho que, no prazo de uma semana, a Standard & Poor’s tivesse descoberto que essas medidas eram gravosas e que as reformas estruturais foram insuficientes, a ponto de ter de alterar, para baixo, a classificação atribuída a Portugal,

Na altura houve quem desqualificasse a Standard & Poor’s porque estas entidades são co-responsáveis pela falha na supervisão no sistema financeiro. Apesar disso mantêm-se e os seus pareceres podem produzir efeitos bem gravosos para os países.

Apesar da credibilidade afectada destas entidades, parece que não se pode imputar apenas à crise mundial a queda do rating. De facto, foram tomadas medidas de apoio ao sistema financeiro, designadamente ao BPP, que vão contribuir para o aumento da dívida. Acresce que se mantêm opções de grandes obras públicas que não deixarão de contribuir para o avolumar do défice. São estas opções que devem ser reavaliadas e reformuladas.

Também me parece estranho que a Standard & Poor’s não valorize a consolidação orçamental conseguida pelo Governo em anos anteriores. Ou seja, se o governo não tem reduzido o défice público nos últimos anos, então, que rating atribuiria a Standard & Poor’s a Portugal? Provavelmente anulava o rating, significando risco máximo ou o alerta: não emprestem dinheiro àquela gente porque não têm condições de pagar.

O que é que a celeridade na mudança de atitude da Standard & Poor’s nos mostra? Primeiro, que a crise ainda não bateu no fundo. O pior ainda vem aí e o mais embaraçoso é que ninguém conhece ou conseguir antever a dimensão da crise; Segundo, o espaço de actuação que o Governo tem hoje deve-se, em absoluto, ao trabalho de consolidação orçamental levado a cabo nos anos anteriores, com os sacrifícios que foram exigidos aos portugueses contribuintes; Terceiros, os tempos mais próximos não serão os mais apropriados para grandes reivindicações e exigências ao erário público; Quarto, é tempo dos portugueses começarem a fazer pela vida porque o subsídio e a casa paga pelo Estado (central ou local) pode falhar de um dia para o outro.