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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

18
Dez09

farmácia de Serviço 51

d'oliveira

 Prendas no sapatinho

Ai leitorinhas, a época é de crise, o frio instalou-se mesmo se, aqui na esplanada protegida, eu consiga escrever estas breves linhas iluminado por um sol tímido e indiferente. Sopra lá fora uma levíssima brisa que levanta as folhas secas e põe os cães malucos de tanto correr atrás delas. Um gato cinzento, que agora é o rei do jardim, consegue dormir num canteiro mais elevado. Só tem um ano, um pouco mais, talvez. Mas ganhou estatuto, fornecedores de comida e já mostrou á canzoada mais miúda quem é quem neste canto do meu pequeno mundo.

Mas deixemos estas minúcias e passemos ao que nos traz. O Natal e as eternas prendas a que não escapamos. Juntei aqui meia dúzia de sugestões só para lembrar que isto não é só bacalhau com todos, rabanadas (muitas), jingle bells, jingle bells e choraminguices variadas.

E aí vai disto, ó Evaristo:

Livralhada para gostos variados:

Dispersos”, José Cardoso Pires, D Quixote, textos de diferentes proveniências pela primeira vez reunidos em livro. Com a vantagem de podermos confrontar diferentes épocas do JCP. 

 African Masks” (the Barbier Mueller colection), Prestel : um álbum belíssimo sobre uma das grandes colecções, com textos excelentes e explicações eficazes. Não se fica a saber tudo mas quase.

Le musée imaginaire de Marcel Proust”, Eric Karpeles, Thames & Hudson (também há edição inglesa, claro) Proust fartou-se de ver boa pintura e falou dela longamente. Relembremos o comentário sobre o “petit pan de mur jaune” com que ele celebra, via Bergotte, o grande Vermeer. Todos os quadros com o respectivo texto ao lado.

“El hombre vigilado”, Vesko Branev, Galáxia Gutemberg/circulo de lectores (ed espanhola), ou de como o simples facto de ter vivido em Berlin ocidental, antes do muro dá direito a 15 anos de inferno na Bulgária.

Mi siglo”, Aleksander Wat, el Acantilado (ed espanhola): a biografia de um dos grandes intelectuais centro-europeus. Da militância comunista à desilusão mas nunca à renúncia. 

Dictionaire Albert Camus”, Bouquins, Laffont ed. Um fabuloso dicionário sobre a vida e a obra de Camus, numa edição cuidada e a excelente preço para o tamanho.

Surrealismo, eros y politica 1938-1968”, Alice Mahon, Alianza (ed espanhola) BBB (bom, bonito e barato!!!) a aventura surrealista nas suas 2ª e 3ª fases.

La noche” é o número 247 e o último em data da belíssima revista “Litoral”. Um prazer. (18€)

Luis Pacheco, catálogo da notável exposição patente na Biblioteca Nacional. Org. apaixonada e criteriosa de Luís Gomes, BNP e Publicações D Quixote. Em vias de ficar esgotado. Uma introdução completíssima ao Pacheco escritor e ao Pacheco editor. 

Música:

La vie parisienne”, Offenbach, (DVD) Ópera de Lyon, 2007. (dir: Pelly) vi há dias esta interpretação no Mezzo e fiquei deslumbrado.

Il Barbiere di Seviglia” (DVD) dir de Dário Fo. O barbeiro é sempre bom e a encenação de Fo é divertidíssima e inteligente.

Estava este post pronto para ir ao forno quando li as propostas de Vasco Pulido Valente (no Público de hoje). Apenas conheço um dos livros e verifico que VPV continua de olho mais que certeiro. “Só em Berlin” de Hans Fallada é um grande livro de que conheço a edição francesa (Poche) “Seul dans Berlin”. Admirável! 

 

Todos os livros indicados (exceptuando o de Cardoso Pires, claramente mais barato) têm preços entre os 25 e os 35 euros. Os leitores repararão que comecei por falar em prendas, coisas para adoçar a boca, pelo que achei que uma vez sem exemplo se pode abrir os cordões á bolsa. Aliás, a leitora mais gulosa pode mesmo fazer uma lista para colmatar a falta de imaginação que nesta época costuma atacar os familiares dadivosos.

Esforcei-me por propor obras menos conhecidas ou em vias de rápida desaparição do mercado. Não fora isso e teria proposto a novíssima “história de Portugal” (esfera dos livros) dirigida por Rui Ramos de que toda a critica fala entusiasmada. 

18
Dez09

Livra!

José Carlos Pereira

O "Jornal de Notícias" de ontem dá conta de declarações proferidas por Medina Carreira, o eterno ex-ministro das Finanças, numa conferência em Penafiel. Para além das suas já habituais verdades absolutas sobre o abismo para o qual Portugal foi empurrado pelos políticos incompetentes que temos, Medina Carreira foi interpelado sobre um eventual regresso à política activa.

Resposta de Medina Carreira? "Só aceitava candidatar-me a Belém. Mas era apenas para despejar o saco". Imagina-se...

17
Dez09

Estes dias que passam 193

d'oliveira

Insistindo...

Os amigos dos amigos de quem nós sabemos exaltaram-se muito com as “fugas de informação” do processo “Face Oculta”. E, uma vez mais, tentaram ver nisso, nas fugas, uma tentativa de destabilização do Governo, uma continuação desleal das eleição por outra via. Um ministro, num momento de perda de consciência e desapego á semântica ousou mesmo falar em “espionagem politica”.

Nos sítios do costume mais uma vez se apontaram os autores de tão nefando crime: os encarregados do processo: juízes, procuradores e, obviamente, um dirigente politico da oposição.

Veio agora a saber-se a origem da fuga de informação:  um dos réus entendeu, provavelmente para se castigar antecipadamente, fornecer às televisões toda a informação confidencial que lhe era prestada. Um dos réus, notem bem.

Neste momento, a leitora desconfiada perguntará se isso o não prejudica. À primeira vista, sim! Com mais cuidado, talvez não. Expliquemo-nos: a primeira coisa que há a fazer para deitar abaixo um processo, para o “descredibilizar”, é justamente esta. Publicitá-lo, divulgar o que está em “segredo de justiça” para mais tarde arguir de todas as nulidades possíveis, da perseguição infame dos agentes da autoridade e dos magistrados, irmanados todos no ódio aos inocentes arguidos e ás instituições onde se movem e ao partido que os acolheu, protegeu, nomeou.

E o público deita as mãos inocentes á cabeça e brama contra o estado a que tudo isto chegou. E o arguido, eventualmente culpado, começa a ser aureolado pela coroa de espinhos da perseguição, o que é meio caminho andado para a inocentação dele em praça pública, primeiro, e nos tribunais, depois.

2 O pedido de demissão do senhor procurador Lopes da Mota já está a ser classificado como um gesto de grande nobreza. Arre! E, ainda há pouco, num curto zapping, ouvi/vi uma criatura referir-se à sua escassa punição não como algo de natural mas antes como uma cedência do órgão que o puniu ao prévio julgamento em “praça pública”. Convenhamos que isto ultrapassa as raias da ousadia, do descaramento e da mistificação.  Decididamente, esta gente nunca foi ao estrangeiro, não lê a imprensa internacional, não vê a televisão de outros países e tem uma cultura politica inferior à do morgado de Fafe em princípios de carreira.

Ou melhor, esta gente, tão opinante, tem da opinião pública a pior das imagens. Aliás, não gosta dela, não a quer, prefere mesmo que ela não exista ou, existindo, que não se manifeste. Esta gente gostaria de viver no anos quarenta/cinquenta do século passado, com tudo o que isso implica, moral ideológica e politicamente, de servilismo, de autoritarismo, de fascismo (não tenhamos medo da palavra).

 

3 e, já que falamos de opinion makers, que dizer da ojeriza que o senhor dr. Miguel de Sousa Tavares, com banca montada em jornais e televisões, manifesta pelos blogs. MST  voit rouge quando fala da internet. Os blogs são, para ele, um vómito, uma fossa, um pântano de irresponsabilidade e eventualmente um poço de obscenidade. Tudo isto por que alguém, alguma vez e anonimamente, entendeu inventar umas atoardas sobre ele. Num blog. Anónimo. 

MST, que sabe tudo, não sabe que neste universo bloguístico há de tudo. Bom, mau, péssimo e assim-assim. Que há blogs anónimos mas que há – e são a esmagadora maioria actualmente – blogs, como este, com os nomes e as identificações dos seus contributors. Aqui estamos identificados e até já se deu o caso de, em textos mais importantes, o autor de um post se identificar em pé de página. Eu, para não ir mais longe, já o fiz meia dúzia de vezes, mesmo tendo a pretensão de saber que o meu nome é conhecido da maioria dos meus escassos  leitores. E tanto assim é, que são muitos os comentários em que o leitor me trata pelo nome próprio, como já poderão ter reparado.

MST, que não percebe nada disto, nem provavelmente quer ter esse trabalho, parece esquecer que também os jornais, também a televisão, são alvo de ataques tão mesquinhos e tão extravagantes quanto o que ele faz aos blogs. Eu arreceio-me mesmo que por trás da sua condenação sem apelo nem agravo (mesmo se ilustrada com umas canalhadas alegadamente perpetradas contra ele) haja um implícito convite a medidas censórias. MST não estará só nessa cruzada. O governo de Cuba, o da China e mais uns quantos já passaram da ameaça aos factos. Já controlam o ciber-espaço deles. Já perseguem os bloggers que lá tentam dizer o que lhes vai na alma e o que vêm todos os dias.

Esquece-se porém de uma coisa: quando os blogs caírem, como parece desejar, haverá alguém que se lembrará que ainda existem por aí jornais, rádio e televisão. E que também esses meios podem ser silenciados. De um modo ou doutro, como ainda há bem pouco pudemos ver.  

Quando a pesada mão que ele pede para os blogs cair na sua mãozinha escrevente não convém lembrar-se do que escreveu.   

16
Dez09

Diário Político 133

mcr

Desfiando a historieta.....

Como se previa o senhor procurador Lopes da Mota foi punido pelo CSM com 30 dias de suspensão. E digo previa porquanto o simples facto de, contra todas as pressões (e não eram, nem foram, poucas, cala-te boca!, e eram conhecidas em diferentes meios...) ter chegado até aqui mostra bem quão consistentes pareciam os factos que lhe eram apontados.

Está por fazer a história de outras alegadas (ou tentadas) pressões sobre os dois magistrados do caso Freeport. Corre com insistência que vários poderes fácticos ou não se conjuravam neste sentido mas, na verdade, terá sido esta a primeira clara tentativa de forçar a mão dos procuradores.

Como não podia deixar de ser, o senhor procurador Lopes da mota pediu a demissão do cargo que ocupava no Eurojust. Era-lhe impossível continuar. Aliás, teria sido mais sensato, pedir a suspensão do cargo logo que fora indiciado mas isso que não é, nem nunca poderia ter sido tomado por confissão de culpa, não está ainda nos hábitos das nossas gentes. É pena. Sai pela janela, defenestrado, quem poderia ter saído pela porta em tapete vermelho.

E agora?

A pergunta tem sentido se recordarmos que o senhor procurador Lopes da Mota não era parte na questão principal, isto é no caso Freeport. Mantém-se pois a questão: Por que é que interveio? Por conta própria?

 Terá, num dia de delírio, resolvido atalhar numa questão que, dia pós dia, se afunda num pântano de boatos, notícias falsas, meias falsas, verdadeiras eventualmente, de disse que disse que arrasta o nome de personalidades pela lama, crendo com isso vestir a  farda de Zorro?

Ou alguém lhe sussurrou ao ouvido casto uma palavrinha instando-o a fazer uma pressãozinha sobre os rapazes da procuradoria que lá iam fazendo o seu paciente exercício de pesquisa?

Eu tenho sempre por princípio esta pergunta: a quem aproveita? O que ganharia o senhor procurador Lopes da Mota com esta intervenção? A meu ver, nada. O STJ estava ao seu alcance. O Eurojust estava já no papo. Porquê arriscar o bom nome, uma carreira bem sucedida, o respeito dos seus pares e um eventual cargo politico interessante se a isso se decidisse?

Afastada a hipótese de interesse pessoal e directo passemos ao “favor” a fazer a alguém. A quem? Ao ex-ministro da Justiça com quem, sabe-se e foi confirmado, tinha conversas e de quem era presumivelmente amigo? E qual era o interesse deste?

A minha lista de perguntas ociosas é infindável. Mas não quereria pregar uma valente dor de cabeça aos meus leitores. Aliás eles mesmos, nesta altura, talvez estejam, por sua vez, a fazer outras perguntas.

Resumindo: a história do mau passo do senhor procurador Lopes da Mota não acaba aqui, nem termina hoje. A procissão ainda vai no adro...  

d'Oliveira fecit (com uma ajuda de JVC)

16
Dez09

Que legislação laboral é esta?

JSC

 

Ouvi a notícia e nem queria acreditar. Os patrões (palavra em desuso) dos hipermercados querem aumentar o horário de trabalho, passando o tempo de trabalho das actuais 40 horas semanais para 60 horas.

Ou seja, se o pessoal trabalhar 6 dias por semana terá que fazer 10 horas/dia. Se trabalhar 5 dias terá de trabalhar 12 horas/dia, a troco de uma remuneração média de umas escassas centenas de euros.

Obviamente, as organizações sindicais reagiram e marcaram greve. Em resposta, a organização dos empreendedores apelidou a posição sindical de extremista, reclamando, ainda, o direito a uma contratação mais flexível e anunciou a disponibilidade para dar um aumento de 1% no próximo ano.

O que me chocou, verdadeiramente, foi ouvir o representante da associação patronal escudar-se no novo regime de trabalho que o Código Laboral estabelece. Segundo disse, tudo estava certo e não estavam a fazer mais do que aplicar a este ramo de actividade o novo regime legal.

Será mesmo assim? O novo regime laboral permite uma carga de 60 horas de trabalho semanal? A troco de quê? Segundo o homem da associação, desde logo para manter a estabilidade das empresas e os postos de trabalho.

E quanto aos lucros?

Agora é que seria interessante ouvir os teóricos da ética empresarial e da responsabilidade social das empresas.

 

15
Dez09

Au bonheur des Dames 213

d'oliveira

De como um fait divers da politica italiana dá origem a um discurso inconveniente sobre a prostituição e sobre o bofetão aos políticos irrespeitosos.

Ai leitorinhas, eu deveria estar aqui a fazer uma prédica sobre a violência politica e a condenar o acto do tresloucado que agrediu o cavagliere Berlusconi com um objecto, presumivelmente uma escultura representando a catedral.

Um cavalheiro civilizado estaria agora a perorar gravemente sobre o respeito devido aos representantes do povo democraticamente eleitos por este último. E eu, velho anarca reconvertido no politicamente correcto, deveria seguir esta regra. Todavia, como diria o meu leitor JM, não. Rio-me pelos cantos, rio mesmo alto quando estou sozinho, e não consigo ler os editorais dos jornais sem um esgar pelo menos cómico.

Que querem? O senhor Berlusconi, “il cavagliere” como lhe chamam não sei bem a que título, mereceu-as. Oh se as mereceu! A criatura anda há anos a fugir aos tribunais, há mesmo quem jure que está na politica só para isso, para escapar aos julgamentos em que seria eventualmente considerado culpado e condenado e não por andar metido com meninas de duvidosa reputação mas por questões prosaicamente relacionadas com o modo como obteve e gere a sua imensa e obscena fortuna.

Nisto, estou com os italianos, quero lá saber se o “cavagliere” é um engatatão das arábias, se toma mais viagra do que sais de frutos, se as raparigas vão para a cama por somas dignas de uma rainha. Vão e pronto. É com elas. E com ele. Fornicar já não é crime há um par de anos. Mesmo que se pague para o efeito. Ao fim e ao cabo, a prostituição existe desse o início dos tempos e não serei eu, que não recorro a ela, por falta de meios, de vontade e por manias puramente pessoais, que vou armar-me em moralista. Para mim é mais obscena a fome do que a venda do corpo. É mais obscena a tirania. Os salários de miséria e a hipocrisia que preside a tantas uniões abençoadas civil ou religiosamente: obscenos, infames É mais obscena a realidade descrita, copiosamente descrita, em dezenas de revistas cor de rosa, pagas a peso de ouro, pelas criaturas que as lêem, do que a puta e o seu chulo. Lamento muito, mas é assim mesmo. A senhorinha X vende ao jornal os orgasmos falsos ou verdadeiros, as carícias intimas de que é, foi ou será, alvo por parte de um criaturo da mesma classe e isso paga-se. A puta de rua,  pelo contrario,  é uma atrevida, uma destruidora de lares, ou uma vítima. É verdade que as há vítimas e muitas. É verdade que há um comércio de carne branca dos países pobres para os ricos com chulos e mafiosos pelo meio. Mas isso pode (e deve) combater-se sem pôr em causa o direito de cada um ou cada uma se prostituir. O direito ao corpo não pára à beira do aborto como parece ser o caso. Por vezes as boas causas escondem os maus fundamentos.

Portanto não é o Berluscas putanheiro que está em causa. É o outro. O que se serve de um discurso ultra-reaccionário para segregar o ódio aos emigrantes, para dividir uma Itália entre ricos e pobres, para fugir aos tribunais e à justiça dos homens.

Esse apanhou com um artefacto no trombil. Ficou sem dois dentes e com o nariz partido. Nada mal, tendo em conta que estava cercado de guarda-costas e de apoiantes. Se me ri até às lágrimas com o sapato atirado ao Bush, lamentando porém o facto de não o ter atingido, por que é que havia de ficar triste com o feliz colisão entre a cara, aliás feiota, de Berlusconi e o tal artefacto manejado por um maluquinho?  

E digo mesmo que valeria a pena ver o exemplo multiplicar-se que andam por aí uns figurações a pedir que lhes refaçam a fachada. Um bofetão não é um tiro nem sequer terrorismo. Apenas uma lembrança de que os paisanos que por cá andamos começamos a estar fartos de ver estas excelências rirem-se de nós, gozarem connosco e mentirem continuamente. Um safanão dado a tempo, como recomendava o “botas” (que também o deveria ter recebido, valha-me Deus!, é apenas isso. Não val a pena fazer disso um caso. Mesmo com dois dentes partidos.... Isso cura-se com um implante. De dentes de oiro, se for o caso. 

14
Dez09

A Democracia agradece

JSC

«A notícia de que, ao fim de quatro anos, Governo e oposição parecem dispostos a discutir uma lei que impeça a recandidatura - e suspenda de funções - de autarcas acusados de corrupção deve merecer o aplauso global. Com a devida vénia ao autor moral da ideia, Marques Mendes, que, à altura líder do PSD, quis fazê-lo já em 2005. A sua saída da liderança teve essa consequência, ou argumento, como se quiser chamar-lhe: ninguém mais se lembrou - ou quis - levar a ideia a bom porto.

A partir de agora, terá de fazer-se a natural discussão da proposta. Uns - como o próprio Marques Mendes - dirão que é pouco que essa suspensão chegue apenas no dia da primeira condenação; outros vão dizer que tudo depende do tipo de crimes que estejam em causa. Chegará até a altura em que vai debater-se exactamente que normas se aplicam, afinal, a deputados, ministros ou presidentes de governos regionais - para tirar a limpo que todos ficam com o mesmo estatuto. Tudo isso será normal e importante até.

Mas o que é central é que, de uma vez, se retire aos autarcas o peso das suspeitas que carregam desde há muito. E também que fique claro que as leis não se podem fazer para um ou outro caso concreto, mas para impedir que existam novas e dispensáveis polémicas no futuro. A democracia agradece».

Editorial DN

 

11
Dez09

Prémio Pessoa para Bispo do Porto

José Carlos Pereira

O Prémio Pessoa, instituído há vinte e dois anos pelo "Expresso" e agora apoiado pela Caixa Geral de Depósitos, distinguiu hoje pela primeira vez uma personalidade da Igreja. D. Manuel Clemente, Bispo do Porto, foi o agraciado.

Homem de cultura que recolhe opiniões favoráveis de todos os sectores, D. Manuel Clemente prestigia a Igreja e a cidade que o acolheu, sobretudo quando marca diferenças tão assinaláveis perante o seu antecessor.

11
Dez09

Os 101 anos de Manoel de Oliveira

José Carlos Pereira

O cineasta Manoel de Oliveira completa hoje a magnífica idade de 101 anos. Pelo meio de várias distinções internacionais recebidas nos últimos tempos, o realizador portuense encontrou tempo para fazer uma curta-metragem sobre os Painéis de S. Vicente de Fora, de Nuno Gonçalves, e ainda viu estrear-se no Festival de Berlim o seu último filme "Singularidades de uma rapariga loura".

Entretanto, Oliveira está já a preparar a sua próxima obra: "O estranho caso de Angélica". É fantástico!