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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

24
Abr10

O leitor (im)penitente 56

d'oliveira

eu vou mas volto

 

 

A frase com que abro este breve recado não é minha. roubei-a ao "epitáfio" que Lourenço Mutarelli, escritor brasileiro, já escolheu, "just in case".

e cito o Mutarelli porquanto foi um dos felizardos quw conseguiu chegar ao "Literatura em viagem" acabadinho de se realizar pela quinta vez em Matosinhos.

O vulcão, personagem eminentemente literário desde Verne resolveu mostrar que debaixo dele (diga o que disser Malcolm Lowry) nem sempre tudo são rosas ou enormes pantagruélicas bebedeiras.

Desta feita impediu a chegada de vários escritores convidados (e, entre eles dois, que muito gostaria de rever Ignacio Martinez de Pison e Javier Reverte). Todavia, o Francisco Guedes recorreu aos amigos e vários de nós entrámos em mais de uma mesa (à minha conta foram três, a que ia moderar e mais duas que me caíram em cima á última hora, numa viagem sem para-quedas nem sequer um guarda chuva para me agarrar.)

Eu gostaria de repetir que encontros como este ou como as "correntes d'escritas" na Póvoa são, neste país bisonho, uma lufada de ar fresco, um prodígio mesmo porquanto reúnem à mesma mesa convivial escritores, editores, leitores e jornalistas e permitem ultrapassar fronteiras de todo o tipo. Sou, como dizia Guilherme Pinto, o presidente da câmara de Matosinhos, um passageiro "frequente" e sou-o justamente porque ao fim de cinco jornadas continua tudo a processar-se com a mesma alegria e descontracção com o mesmo entusiasmo e o mesmo empenhamento organizativo. Assim vale a pena.

Não vou dizer como tudo correu porque seria repetir alguns jornais. Também não vou desculpar-me por não ter "postado" o programa, como em anos anteriores mas só soube dele pelos jornais, ou melhor por um amigo que o leu no JL (que aliás compro e leio mas que provavelmente me escapou). Do Francisco Guedes  nem novas nem mandados. quando o repreendi amavelmente pelo esquecimento, atirou as culpas para o vulcão e teve o descoco de me perguntar porque não aparecera no jantar de sexta feira (o encontro só começava oficialmente sábado!).

Entretanto, a administradora deste blog, almirante "o meu olhar" telefonou-me segunda feira passada, a perguntar por onde é que andava eu, se ainda era vivo, se estava zangado com o mundo e com ela (e com as minhas raras e evanescentes leitoras) e aí tive a oportunidade de eclarecer que andava numa roda viva de conversas e noitadas, de moderação de mesas no LEV e de participação nas mesmas improvisando imtervrnções sob temas tão obnóxios como "a alegria do homem está em viajar ou o sonho de África.

Como se isso não bastasse, num momento de inconcebível fraqueza, caí na asneira de mandar pintar três divisões cá de casa, entre elas o meu escritório (aliás um dos escritórios em que me pavoneio, o quarto e um quarto de hóspedes. Em todos há livros e não são poucos, garanto-vos. E quadros nas paredes. e mil e uma coisas que era preciso tapar, retirar, arrastar, estragar, insultar etc...

E depois das pinturas é preciso repor tudo no sítio. Ou mais ou menos... E há que discutir com a CG que endoida de alegria com obras. E que quer mudar tudo. E pretende arruinar-me com propostas indecentes...

Em suma, uma tragédia grega, ou pelo menos uma tragicomédia que me traz desfeito. Felizmente, quarta feira vou para Lisboa. E só regresso domingo! Com sorte já terão pintado o quarto principal... Vai ser uma barrigada de alfarrabistas e uma apresentação de "Movimento de Esquerda Socialista: uma improvável aventura" do Paulo Bárcia e do António Silva (18.00 H, 29 de Abril no Centro de Estudos sociais, Picoas Plaza, rª do Viriato, 13, Lisboa).

Eu fiz parte desse carnaval político que apesar de tudo teve a decência de se desfazer com um lauto jantar e de apresentar no Tribunal Constitucional o documento comprovativo da sua morte. Foi, como de costume com o MES, o único grupo a fazê-lo. Ou dito de outra maneira: provou que estava vivo e respirava bem em democracia. quantos mais se gabarão do mesmo? Note-se que nessa altura eu já tinha saído há muito da organização em desacordo com a transformação daquilo numa espécie de organização "marxista-leninista". Saí e não voltei (senão episodica e tolamente) a meter-me noutra do mesmo género. Para isso já dei que chegasse...

Cara "o meu olhar":Agora que já fiz prova de vida, permita-me que recolha a metafórica caneta e vá descansar. De preferência a ler "Com os Holandeses" de J. Rentes de Carvalho (Quetzal) e "Las salvajes muchachas del partido " de Lázaro Covadlo um argentino exilado que partilha comigo uma paixão ilimitada pela Madame Bovary e por Ana Karenina. ele e Joaquim Magalhães de Castro, um viajante das arábias que percorre o o Oriente de um lado para o outro, vezes sem conta, foram duas das boas surpresas desta safra LEV 2010

* de Coivadlo estão publicados em Portugal: "Criaturas da Noite" e Buracos Negros" ambos na editora livros de areia (www.livrosdeareia.com)

23
Abr10

João Pina campeão da Europa

O meu olhar

O judoca português João Pina conquistou esta tarde a medalha de ouro nos Europeus de Judo na categoria de -73 kg.


O ouro de Pina sucede à medalha de bronze conquistada por Telma Monteiro nos Europeus de Viena, na quinta-feira, em -57 kg.

 

Estes atletas merecem o nosso reconhecimento por todo o trabalho que desenvolveram para chegar a este nível e por terem atingido os seus objectivos.

 

Um dos meus filhos é judoca e conseguiu ir este ano para a selecção, o que representou o culminar de um sonho. Por isso faço alguma ideia do esforço, do investimento que é necessário para chegar onde o João Pina e a Telma Monteiro conseguiram chegar. Estes resultados são muito importantes para a modalidade. No nosso país, e não só, o futebol abafa todas as outras modalidades. Há que destacar estes atletas no seu esforço e nas suas vitórias, no mínimo

23
Abr10

Tanto barulho para nada

JSC

Os juízes da Relação deixaram Domingos Névoa, da Bragaparques, a sorrir. Afinal de contas oferecer 200 mil euros em troca de um “jeitinho” não é crime, desde que a pessoa escolhida para agilizar o trabalho não seja a que detém a competência legal para satisfazer o pedido.


Pronto, Névoa ficou satisfeito com a Justiça e Ricardo Sá Fernandes expressou a desilusão absoluta com a justiça. É a roda da justiça.

22
Abr10

A propósito do preço dos combustíveis

JSC

Está de volta a polémica acerca do preço dos combustíveis. O mercado não funciona. A correlação directa entre o preço dos combustíveis e o preço da matéria prima apenas se observa na subida do preço aos consumidores. O Ministro da Economia diz que não compreende, traduzindo o sentir do cidadão comum. Mas ao Ministro da Economia deve exigir-se que compreenda. E que actue.

 

A Autoridade Reguladora diz que está tudo bem e que é natural que os preços subam mais depressa do que desçam. Explica com o stock das matérias primas e as flutuações do dólar e do euro. Conversa de enganar papalvos, mas que funciona porque é tudo dito com ar sério e os jornalistas passam a mensagem serenamente.

 

Por sua vez as oposições, mais do lado PSD e PP, também criticam a subida dos preços dos combustíveis e procuram assacar responsabilidade ao Governo e à autoridade reguladora.

 

Mas o que é que o governo pode fazer neste domínio? As oposições sabem que nada pode fazer. Melhor, a oposição que constitui a alternância governativa sabe que hoje este ou o governo que vier não tem poder para intervir no preço dos combustíveis nem no preço ou nas políticas que as ex-empresas públicas pretendam desenvolver.

 

As oposições exigem que o governo use instrumentos de natureza política que o Governo perdeu. E que perdeu com a participação activa dessa mesma oposição mesmo ao tempo em que era governo. Hoje o governo não tem poder na GALP, na PT, na EDP nem nas demais ex-Empresas Públicas onde o Estado ainda mantém posições minoritárias.

 

Já lá vai o tempo em que bastava uma chamada do Presidente de uma dessas empresas ao Gabinete do Ministro para mudar o rumo e a política dessas empresas. Um dos custos da privatização é a perda desse poder. O Governo perdeu toda a autoridade sobre essas empresas, mesmo o poder de influência ou de respeito. Veja-se a recente derrota, em toda a linha, das posições do governo em todas as Assembleias Gerais, no que respeita às remunerações e prémios atribuídos aos Administradores.

 

A este respeito Granadeiro traduziu bem as relações de força, quando disse que o Estado é apenas mais um accionista, por acaso minoritário, e que a proposta foi aprovada por esmagadora maioria, donde se sentir muito confortável.

 

É um logro pensar que o Estado ainda pode influenciar alguma coisa neste domínio. Talvez se tenha chegado até aqui sem se ter notado bem o caminho. Foi este o caminho que os governantes actuais e os que antecederam escolheram.   O que se anuncia é que o caminho prossiga e bata mais fundo.

21
Abr10

Salutar exemplo

JSC

Na Argentina prossegue o julgamento e as condenações dos políticos-tiranos que nos setenta-oitenta sequestraram, assassinaram opositores e raptaram bebés. Um comentador dizia que é um bom exemplo, a mostrar que os atentados contra os direitos humanos não prescrevem nem se amnistiam. Dizia, ainda, que seria bom que outros países da América Latina seguissem o exemplo da Argentina, referindo o caso da ditadura brasileira.

 

Não posso estar mais de acordo e, já agora, também seria bom que Espanha seguisse o mesmo exemplo, dando liberdade a Garzón em vez de o tentar incriminar.

21
Abr10

Inês

JSC

 

Com 97 votos a favor, todos do PS, e 97 votos contra, dos deputados do PSD e do Bloco de Esquerda, a votação do despacho de Jaime Gama, que autoriza o pagamento das viagens a Paris da deputada socialista Inês de Medeiros empatou. Mas a medida acabaria por ser aprovada com o voto de qualidade do socialista José Lello,, presidente do Conselho de Administração da Assembleia da República.

 

Mais uma decisão a puxar para baixo o Parlamento e os políticos. Desconheço em absoluto o que é que a senhora deputada tem acrescentado ao debate Parlamentar. Aliás, só sei da sua existência enquanto deputada pela polémica acerca da massa que pretende receber. Até pode ser legal terem que lhe pagar o que pede, mas parece-me reprovável a exigência da senhora.

 

No caso, o mais sensato seria o despacho de Jaime Gama estabelecer que a Senhora deputada ficava isenta de comparecer na AR, mantendo o direito ao vencimento de deputada. Deste modo, poupava o erário público e a dita podia dedicar-se com mais enlevo ao business cultural parisiense.

20
Abr10

O estado do trabalho temporário

JSC

As notícias sobre o recurso a trabalho temporário por parte de organismo do Estado e todo o ruído que geram, manhãs de conversa nas rádios, denotam  o cinismo e a hipocrisia que norteiam a gestão da coisa pública.

 

Andam há anos a aplicar a regra do emagrecimento do Estado e do número de funcionários públicos. É a famosa regra de por cada dois que saem entra um. Recentemente um proverbial candidato da primeiro ministro até ousou anunciar a regra de entra um por cada cinco, que segundo me apercebi não causou nenhuma reacção.

 

Como se sabe, a maioria das pessoas concorda com a redução do número de funcionários públicos. O problema é quando têm de ocorrer aos hospitais e não há quem os atenda. Ou quando as escolas têm salas fechadas porque não há pessoal ou quando não há vigilantes para acompanhar os seus filhos nos recreios e espaços comuns das escolas ou quando não há polícias, bombeiros e varredores a limpar a porta de cada um. É nestas alturas que todos se esquecem da regra e exigem que o Estado actue.

 

Então, o que é que o Estado faz? Para não furar a regra que enunciou, recorre às empresas de trabalho temporário, contrata pessoal a quem essas empresas pagam salários mínimos, mas que cobram ao Estado mais do que este pagaria se tais trabalhadores fossem contratados segundo as regras da função pública.

Como se sabe, a despesa que o Estado tem com tais contratos não é tratada como despesas de pessoal, o que permite, do ponto de vista político, manter o discurso, que se reduziu o número de funcionários, mesmo que a despesa pública tenha aumentado pela via da aquisição de serviços às empresas de trabalho temporário.

 

Depois, quando estas coisas são anunciadas na praça pública, aparece sempre algum governante a dizer que o assunto está a ser acompanhado e que vai ser produzida legislação para regulamentar tais contratos de aquisição de serviços. Foi assim com os recibos verdes. É assim com as empresas de contrato temporário. Ver aqui.

 

O que as notícias mostram é que o Estado, de facto, não emagrece, apenas muda a natureza económica da despesa pública: O que antes se tratava como despesa de pessoal passa a tratar-se como aquisição de serviços. Os perdedores, os grandes perdedores, são os trabalhadores, que se fossem contratados directamente pelo Estado ganhariam segundo a tabela da função pública, sendo contratados pelas empresas de trabalho temporário sujeitam-se a receber o salário mínimo ou pouco mais. O diferencial não fica no Estado mas vai para as empresas, que consideram o negócio apetecível e em expansão. Pudera ou não fossem estas empresas o expoente do liberalismo.

19
Abr10

A banca que temos...

José Carlos Pereira

Na semana passada, tive de me deslocar a um município do distrito do Porto para outorgar uma escritura de compra de um terreno. O outro outorgante era o procurador de um banco da praça, que eu não conhecia. Pois bem, enquanto aguardávamos pelos procedimentos notariais tive de aturar uma catilinária contra Cavaco, Sócrates, o Governo, os políticos e o mais que houvesse. Todos incompetentes, "bananas", corruptos, uma vadiagem, enfim.

Ali estava um estranho, alguém que nunca vira, na posse de uma procuração de um distinto banco, pronto para fazer um negócio com a empresa que eu representava e a lavrar um autêntico manifesto contra as mais altas individualidades do Estado. Fiz que não era nada comigo, desviei-me, fui ler uns editais e ver o tempo cá fora, mas não pude deixar de me interrogar sobre o quilate das pessoas a quem os bancos outorgam uma representação formal, com tudo o que isso representa.

Se o presidente desse banco ouvisse o que eu ouvi...

19
Abr10

O magno problema da Justiça

JSC

Muito se tem falado da Justiça. A Justiça que não anda. A Justiça para os ricos e poderosos versus a Justiça para os pobres. A Justiça dos mega processos. A justiça feita na comunicação social. A justiça que o Bastonário da OA afirma não ser justa. A Justiça que muitos elegem como o principal problema do país. A Justiça defendida pelas corporações da Justiça.

 

Sabe-se agora que o grande e actual problema da Justiça é a aplicação informática e a interpretação de um Regulamento. Alguém quis simplificar a coisa, mas esqueceu-se que trabalhar com leis é algo muito complexo, intrincado, e o que se esperava simples acabou mais complicado, a ponto de tornar a situação numa desgraça completa, conforme vozes, conhecedoras do que falam, afirmam aqui.

 

Na justiça os processos não findam, dizem, são uma história interminável, feita de vários capítulos, marcações e desmarcações, que as personagens têm de custear, sendo que a parte mais poderosa pode contratar melhores actores e o fim da história é mais previsível.

 

Administrar a justiça é como governar, é mesmo muito complexo, tão complexo que nem se percebe bem como é que os agentes da Justiça e o Governo não confluem numa solução para a Justiça.