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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

08
Abr10

O Senhor Tesoureiro PP

JSC

Viagens de núpcias e bodas, relógios, jóias, carros, fatos, sapatos de luxo e, claro, dinheiro. Tudo isto serviu para envolver numa das maiores redes de corrupção alguma vez montadas em Espanha mais de sete dezenas de pessoas, desde empresários a eleitos locais do Partido Popular

 

O relatório da agência de tributação, anexado às 50 mil folhas da instrução chefiada pelo juiz Antonio Pereira, mostra que a rede de corrupção de Correa cobrou, entre 1999 e 2007, 27 milhões de euros em comissões ilegais a empresas de construção civil e de outros ramos. O El Mundo de ontem explica que uma parte desse dinheiro era repartida entre os vários eleitos do PP, outra parte ficava para o grupo que dirigia a rede do caso Gürtel. O dinheiro vivo era transportado em caixas de cartão e as notas contadas com máquinas próprias.”

 

O Presidente do PP, o Senhor Ranjoy, nada diz sobre os casos de corrupção que tem em casa. Mais um caso exemplar para podermos dizer: não é só por cá. Rouba-se por todo o lado e, assim, ficarmos mais aliviados, mesmo sabendo que quem rouba é uma minoria em prejuízo de todos os demais. Contudo, a moral dos dias que correm já não passa pela condenação dos corruptos, passa mais por lhe reconhecer a esperteza de terem enriquecido, de terem transmitido aos seus herdeiros e familiares níveis de satisfação económica e de bem estar de qualidade superior, sendo que estes de nada poderão ser acusados, uma vez que não foram eles os autores da roubalheira.

07
Abr10

A TAP pacificada?

JSC

Já em tempos se falou por aqui da TAP e dos seus pilotos. O que nos desconcerta agora é o anúncio das condições que conduziram à pacificação da TAP, no que respeita à acção dos pilotos.

 

Os proventos conseguidos pelos 800 pilotos são de grande monta. Aumentos salariais de 1,8% mais 4 milhões de euros a título de prémios de produtividade.

 

O Presidente da TAP, que está de saída e, segundo consta, com ambos os pés na TAAG, anuncia este acordo como um bom acordo, porque, diz, todos saíram a ganhar. Se é assim porque foi necessário chegar ao aviso de greve para ele ceder? E será que se pacificou mesmo a TAP? E se agora os outros milhares de trabalhadores da TAP exigirem igual aumento salarial e idêntico prémio de produtividade?

O Presidente da TAP diz que o governo vai ter que aprovar as condições acordadas com os pilotos. Como é que isto se coaduna com a anunciada política de congelamento de salários?

 

A TAP apresentou um prejuízo de 3,5 milhões de euros em 2009. Qual o montante do prémio de gestão atribuído ao seu Presidente? É que parece que o mesmo não estará indexado aos resultados mas sim ao volume de facturação. Ora, a ser assim, com as aquisições da Grounforce e da Globalia, o volume de facturação deve ter registado significativo crescimento, o que se terá repercutido no prémio, apesar do impacto negativo que essas aquisições tiveram nos resultados.

 

O Presidente da TAP revelou-se, desde sempre, um bom negociador, o que até nem é muito complexo quando se tem um accionista disponível para cobrir todos os prejuízos e ainda pagar prémios. Aguardemos para ver o impacto do acordo com os pilotos nos outros sectores laborais da Companhia.

03
Abr10

Au bonheur des Dames 226

d'oliveira

Estará tudo em férias?

Aqui pelo blog, pelo menos, é o que parece. O mundo e a pátria inditosa não suscitam entusiasmo, sequer reacções. Há cinco contados dias que a tripulação se dá por ausente. Quaresma? Andarão por aí numa roda viva de procissões, cilícios, confissões, missas a esmo, penitências várias?

Ou, como suspeito, escafederam-se todos, mesmo todos, para algum remoto lugar, à procura do sol que tarda em mostrar-se, da primavera que faz que vem mas não vem, de um pouco de sal e de sul, como dizia o Ramos Rosa?

É verdade que o JCP murmurou qualquer coisa sobre ter de aviar um colóquio que metia a República e o Marco de Canavezes, acontecimento que há-de ter sido simpático, não pela dessorada República que dá para pouco, tão pouca foi a sua vitalidade naqueles dezasseis anos de continuas quedas de governo, com dois de guerra, vários de ditaduras mais ou menos moles que a ditadura, Ditadura, com letra grande e tudo, veio depois trazida, de resto, por republicanos que fizeram ao desgraçado regime o que várias intentonas monárquicas não tinham conseguido, ou seja, liquidaram-no por longos quarenta e oito anos, toma que é para aprenderes, aquilo é que foi uma longa quaresma da democracia, porra!

Aliás, suspeito que  a sessão do nosso amável confrade há-de ter sido seguida de uma bela ceia, que aquela malta do Marco  no que toca a paparocas não se deixa passar por ninguém. O concelho será jovem (159 anos) mas nisso de comedorias merecia ter mil.

Mas deixemos o nosso JCP na sua proveitosa digestão e vejamos.

A Pátria? Pois a pátria anda por aí, como o dr. Santana Lopes. Agora andam á volta com uns submarinos que é escândalo que volta e meia reaparece, como o cometa de Haley, e que dizem deu um fartote de massa a alguém. Alguém já veio dizer que não. Nada. Nicles. Nem um tostão. O dr. Portas que era o ministro do momento diz, e não deixará de ter alguma (pouca!) razão, que aquilo vinha de trás, de um ministério socialista e que ele se limitou a seguir as praxes em uso. Ai a tropa quer submarinar? Pois que submarine e por aí fora. E veio outro governo e um silêncio de cinco anos. Agora com as comissões todas a funcionar freneticamente num rodopio que estonteia o mais precavido, voltam os submarinos pela mão justiceira do Der Spiegel. Fui por ele mas nada. Ninguém sabia da revista. Como também ninguém sabia de um número do Liberation que falava de um outro escândalo português. Ora aqui está a prova provada de que somos cultos. Cultos e multilingues! Esgotamos a imprensa estrangeira num ápice. A ser assim, eu proporia aos pobres jornais portugueses (e em especial ao “I” que anda à rasca) um truque: publiquem-se em língua estrangeira seja inglês ou serbo-croata, tanto faz! Vai ser uma corrida de todo o tamanho.

E lá fora? Pois lá fora também não se vê grande agitação. O Presidente Sarkozi ainda não deu conta que perdeu as eleições regionais; a Rússia jura vingança pelos atentados, em Itália Berlusconi está em vias de beatificação, assim o Papa queira fazer-lhe esse favor.

O Papa, coitado, é que anda mal. Só falta dizer-se que o cavalheiro é pedófilo.  Eu que nunca me perdi por Papas, fossem eles os verdadeiros ou mais modestamente de linhaça ou de sarrabulho, confesso que não percebo o que é que esta malta quer. Houve uns largos centos, acaso alguns milhares de religiosos católicos que abusaram de crianças. Nuns sítios demitem-se, noutro, as dioceses declaram falência para não pagar indemnizações gigantescas, sucedem-se as condenações do Vaticano mas a verdade é nada pára o furor justiceiro de algumas criaturas. Conviria lembrar que a pedofilia cresce e desenvolve-se por todo o lado, entre laicos e religiosos (de todas as religiões, saliente-se) e que muitas vezes se deve(u) ao descaso das famílias, às famílias elas próprias (ou o incesto com menores é coisa desconhecida por aí?), e agora anda infrene pela internet, como noticiam os jornais. O que me surpreende é menos o facto de tão estranha prática ocorrer mas de, repentinamente, ela ocupar todo o espaço noticioso. Como se também os crimes obedecessem a modas e a tempos. A Igreja é um corpo gigantesco e por isso mesmo relativamente incontrolável. Pensar que não há padres abusadores, fornicadores, homossexuais, ladroes, assassinos etc... é estar fora do mundo.

Olhem, só para exemplo: Há pouco menos de seis séculos realizou-se um grandioso e prolongado concílio em Constança (1414-18) onde se terão debatido temas importantes (condenação dos hussitas, celibato dos padres, efeitos do grande Cisma do Ocidente...). Para permitir aos clérigos presentes a necessária tranquilidade de espírito vieram de toda a parte setecentas prostitutas que, com o seu profícuo trabalho, conseguiram que o corpo conciliar aguentasse aqueles quatro anos de canseiras e queimasse com a devida pompa o herético Jan Huss e, na passada, elegesse o Papa Martinho V.

Se percorrermos a história da Igreja veremos que nela cabe tudo, o que, de certo modo, a torna mais humana e compreensível aos olhos do crente simples. Eu, que sou ateu, temo mais uma  igreja de homens providenciais do que esta mesquinhamente humana, demasiado humana. Sempre me arreceei dos extra-puros, dos heróis, dos super-homens. E apenas exijo à Igreja o mesmo que exijo às restantes instituições. Nem mais nem menos.

E para finalizar este meu devaneio quaresmal sempre relembro que este permanente focar de atenções na Igreja romana se acompanha de um singular descuido quanto não só às confissões protestantes mas também a outras religiões deste vasto mundo, todas elas impregnadas do mesmo espírito exclusivista (ou nós ou os infiéis, os goys, os pecadores...) e vivendo todas elas também na base de proibições, de regras, de condenações. E, mal por mal, prefiro, apesar de tudo, viver na Europa dita católica do que na Arábia wahabita, no Irão chiita, nas zonas de comunidades judaicas rigoristas, em certas cidades americanas onde pairam seitas evangélicas extremistas, para não falar em mais outras miudezas do mesmo teor.

Ite, missa est.

Cuidado com as amêndoas!

 

na gravura: Huss na fogueira.

 

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