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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

22
Jul10

Ippon for life

JSC

A notícia passou em rodapé na rtp. Dizia tão-somente que morreu o judoca internacional Tiago Alves, de 18 anos. Sem mais. Nada sobre a causa da morte. Será que foi num treino? Num torneio? Esperei até ao termo do telejornal, mas nada. Ainda falaram das lesões de alguns jogadores de segundo plano, de hipotéticas transferências de outros. Quanto ao judoca, nada. A notícia ficara-se pelo rodapé.

 

Por curiosidade e porque um atleta de judo morrer aos 18 anos não é propriamente algo que não nos afecte fui procurar mais informação, até que descobri uma notícia de cinco linhas, mas que dizia algo mais e que indicava um endereço onde se poderia conhecer melhor o judoca Tiago Alves e as causas da sua morte.

 

Pelo que li, percebi  o esforço, a dedicação que Tiago Alves terá dedicado ao desporto que praticava. De certeza que prescindiu de muitas e muitas coisas de que outros jovens na sua idade não abdicam. Os sonhos que tinha, pelos quais lutou e que foram com ele.

 

No mínimo, era justo, pelo menos razoável, que a notícia da sua morte não fosse uma nota de rodapé, que o seu exemplo fosse apontado a outros jovens, que o seu esforço fosse reconhecido e enaltecido, seguindo o grito de esperança que o Tiago deixou:  Ippon for life

20
Jul10

Revisão da Constituição: A grande jogada

JSC

Há momentos um senhor estava a debitar na RTPN acerca do projecto de revisão constitucional do ainda designado PSD. No meio de alguns lugares comuns, que nada acrescentam, lá foi dizendo que afinal há muito que alterar na Constituição, porque a proposta implica mexer em mais de um terço dos artigos.

 

Dito isto passou a desancar nos que criticam a proposta da douta comissão e passou ao ataque dizendo que o PSD fez o que tinha que fazer. Os outros partidos é que nada fizeram, não têm propostas, não sabem o que querem, etc., etc.

 

O Jornalista de serviço ou alguns dos presentes bem poderiam ter dito ao referido senhor que os outros partidos até podem nada ter a propor em matéria de alteração da Constituição, por acharem que na actual Constituição e na actual conjuntura nada de substancial há a alterar no texto constitucional.

 

É bem provável que o próprio PSD saiba disso e que apenas esteja a utilizar o texto constitucional como arma de arremesso para fazer avançar medidas, no próximo Orçamento de Estado, que reforçarão interesses de determinados grupos económicos - fala-se no grupo d’Argel e no grupo da saúde - que de outra forma não teriam qualquer hipótese de vencer.

 

 O texto do Público, que, em parte, transcrevemos a seguir, parece expor a jogada ardilosa que está a ser desenvolvida pelo grupo, que tem Passos Coelho como figura de cartaz. «…É um programa que se encosta o mais possível à direita, como ponto de partida para uma negociação em que o PSD parte na dianteira e que se prepara para fazer correr em simultâneo com a espinhosa discussão do próximo Orçamento do Estado.

 

Obrigado a preparar os planos para a redução do défice para os 4,6 por cento, os socialistas perdem capacidade de iniciativa constitucional e os sociais-democratas ganham poder de negociação. E o risco é vir a assistir-se a moedas de troca entre a revisão constitucional e o orçamento, como quem diz: "Toma lá uma saúde tendencialmente gratuita e eu dou-te um despedimento por razões atendíveis".

 

Mas é no sistema político que o PSD mais surpreende. Depois de dizer que não faria mais do que uns "ajustamentos", apresenta-se com um reforço em simultâneo dos poderes do Parlamento e do Presidente em relação ao Governo. Em vez de dissolver o Parlamento, dissolve-se o Governo que emanou do Parlamento. Em vez de se chamar os cidadãos a votos, promovem-se os "arranjinhos" parlamentares e presidenciais. Ao mesmo tempo que se prolongam os mandatos do Presidente e do Parlamento.».

20
Jul10

Farmácia de serviço 52

d'oliveira

Morreu o Basil Davidson. A notícia tem pouco de inesperado. O homem andava pelos noventa e muitos, era uma das últimas testemunhas do século passado e um grande jornalista. Isso: um grande jornalista. Não era um politólogo especializado em África, sequer um historiador mas um jornalista de mão cheia. Deixa uma dúzia de obras de qualidade variável em que avultam os livros de divulgação sobre África. Cá por casa andam (e por ordem de chegada) Les voies africaines, Maspero, 1965, Revelando a velha África, Prelo, 1968, Révolution en Afrique, Seuil, 1969 (com prefácio de Amílcar Cabral, sobre a Guiné ex-portuguesa) Os camponeses africanos e a revolução, Sá da Costa, 1975, À descoberta do passado de África, Sá Costa,1981. Clareza, empenhamento e uma sólida documentação. Não se pode pedir mais ao jornalista. Agora que toda a gente fala tanto de Kapucinsky, talvez valesse a pena lembrar esta geração anterior de grandes viajantes e repórteres. Lembrar o magnífico Kessel, que volta em grande estilo ás livrarias francesas com pelo menos três  enormes antologias (Reportages romans; Le temps de l’espérance; les jours de l’aventure). Não esquecer Jack Woodis (África as raízes da revolta, Zahar ed. RJ, Brasil, 1961), o apaixonante Pierre van Passen (Estes dias tumultuosos, Globo, Brasil, 1941) e (ai Jesus aí vem porrada!) o imperdível
Curzio Malaparte (Kapput, livros do Brasil): Num outro registo mas igualmente legíveis mesmo se relativamente hagiográficos recordemos Wilfred Burchett (Vietnam, 2ª resistência, que a pide me levou...) ou Edgar Snow e os seus dois clássicos sobre a China: La Chine en marche, Stock, 1962 Étoile rouge sur la Chine, idem, 1964. (Snow e depois todos os pró-chineses dos anos 60 devem ser lidos acompanhados do Simon Leys, bem como o definitivo e inultrapassável “La derniére révolution de Mao” de Roderick Macfarquhar e Michael Schoenhals (Gallimard, 2009).

Esta longa lista, citada a propósito de Basil Davidson poderia ser acrescida de muitos e excelentes autores mas tem apenas por fito convidar alguma eventual e curiosa leitora a percorrer os velhos alfarrabistas onde poderá encontrar alguns dos livros citados, que já por mais de uma vez os vi. É uma boa sugestão para férias, tempo que deve ser gozado com alguma despreocupação mas sem cair no lagartar estúpido ao sol.  Andam por aí alguns belos romances a pedir leitura urgente. Por exemplo: Obra Completa de Juan Rulfo: absolutamente imperdivel. Esqueçam tudo o que ouviram sobre o boom e atirem-se ao Rulfo. Ele é, simplesmente, um dos maiores. Depois: Flanery O’ Connor: de repente os escaparates das livrarias apresentam três ou quatro títulos. Um milagre. Outro milagre é a reedição do John dos Passos. A trilogia U.S.A. é mais do que um clássico.  Os nus e os Mortos de Norman Mailer é outra reedição a saudar. Efusivamente. Vejam como ele usa processos narrativos parecidos com Dos Passos. Um espanol: “El asedio” de Arturo Pérez Reverte (em clima de guerra de independência, um romance com alguma intriga policial passado em Cadiz a magnifica, a que resistiu ao exército napoleónico, curiosamente comandado por um certo Dumas, pai de Alexandre e avô dos Três Mosqueteiros. E um moçambicano: Luis Carlos Patraquim entra na ficção pela porta grande: “A canção de Zefanias Sforza” (Porto Editora): uma novela de grande qualidade ambientada num Maputo que se espera já passado.

Dois dvd: Eva de Losey um filme notabilíssimo com uma Jeanne Moreau demoníaca e magnífica. Medeia de Pasolini com a sublime Callas.

Um álbum caro (50€) e maravilhoso: “ Fleuve Congo Arts d’Afrique Centrale”, edição do Musée du quai de Branly. Só para quem ama a África e quer perceber (anti-colonialistas de cartilha, é favor absterem-se).

José Mattoso e uma equipa de grande qualidade apresentam “Património Português no Mundo”. O 1º volume dedicado à América já cá canta. Sumptuoso mas pesado e difícil de ler deitadinho num sofá. A edição é da Gulbenkian (70€!)

Uma colectânea de 10 discos a rastos de barato: “folk songs” (estão lá todos ou quase: Seeger, Guthrie, The Weavers, Peter Paul & Mary, o grande Paul Robeson e o Harry Beafonte) anda pelas FNAC.

Como vêem, a Farmácia de Serviço, volta que não volta, reaparece.

a gravura: relicário Mahonge (Gabão) que beleza!

 

 

20
Jul10

Que mais nos poderá acontecer?

JSC

O ex- Presidente do BCP, arguido e condenado no processo BCP, ex- Opus Dei, presidente da causa monárquica, aposentado do BCP com uma reforma digna de príncipes, Presidente dos editores e livreiros é a figura que o Presidente do PSD escolheu para presidir à sua comissão de revisão da Constituição da Republica, cuja proposta aparece agora nos jornais. (Aqui, aqui, aqui, aqui.)

 

Com um curriculum destes só poderia sair a confusão (e a preocupação) que se conhece e seguirá em crescendo. Ou será que é mesmo esse o objectivo de Passos Coelho?

20
Jul10

Reformatar o país por encomenda

O meu olhar

Texto do JUMENTO que subscrevo integralmente:

 

Pedro Passos Coelho quer governar sem oposição, com um mandato de cinco anos, um presidente de direita durante seis anos e uma constituição que seja uma extensão do seu programa político liberal. Na economia nada se sabe de soluções para os problemas, sabe-se apenas que com o argumento liberal Pedro Passos Coelho quer financiar a saúde privada (coincidência ou talvez não a sua equipa parece uma agência do grupo Mello) recorrendo aos benefícios fiscais e desnatando o SNS, que passará a ser reservado a pobre.

 

Até agora Pedro Passos Coelho não propõe qualquer solução e quando é confrontado com decisões difíceis, como é o caso das SCUT, reage com indecisão, mais preocupado com o pecúlio eleitoral ou com as exigências dos seus autarcas do que com os interesses do país.

Pedro Passos Coelho é um modesto economista e não deve ter sido o emprego que lhe foi dado por Ângelo Correia que lhe deu dimensão intelectual, no entanto parece ter uma visão para o país. Ainda recentemente, nos debates das directas do PSD, Pedro Passos Coelho apoiou-se sempre num “grupo de estudo”, todas as suas ideias eram-lhe fornecidas por esse mesmo grupo.

 

Tanto quanto se sabe Pedro Passos Coelho sabe tanto de direito constitucional como eu sei de lagares de azeite, de repente aparece com um projecto de uma nova constituição, convencido de que a chantagem sobre o país por ocasião do orçamento para 2011 forçará o PS a aceitar o seu projecto.

É cada vez mais evidente que Pedro Passos Coelho não foi apenas um político patrocinado ao longo de anos pela Fomentivest de Ângelo Correia, é um candidato a primeiro-ministro patrocinado por interesses económicos que querem um país à medida dos seus interesses. Parece que Pedro Passos Coelho quer reformatar o país por encomenda.

  

18
Jul10

Parabéns!

O meu olhar

 

A selecção portuguesa de voleibol ganhou ontem a final da Liga Europeia, derrotando a Espanha, por 3-1, na final disputada em Guadalajara, arredores de Madrid.

Estou orgulhoso pelos meus jogadores, mereceram este título”, disse o cubano Juan Diaz, seleccionador nacional. “Estamos muito felizes. É a terceira vez que participamos na final four da Liga Europeia e depois de um segundo e um terceiro lugares finalmente chegámos ao primeiro lugar do pódio”, sublinhou o “capitão” de Portugal, João José