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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

23
Dez10

Argentina condena Videla a prisão perpétua

José Carlos Pereira

Quase trinta e cinco anos depois, a Argentina acerta (algumas) contas com o passado da ditadura militar ao condenar o antigo presidente da Junta Militar, Jorge Videla, a prisão perpétua, sentenciada ontem por um tribunal de Córdoba.

Depois de ter sido condenado pela primeira vez em 1985, Videla veio a beneficiar em 1990 do indulto do excêntrico presidente Carlos Menem. Agora, o antigo ditador foi considerado culpado por crimes de sequestro, tortura e assassinato de trinta e uma pessoas em 1976, aguardando-se para breve o seu julgamento por outros crimes contra a humanidade.

Feliz Natal para as Mães de Maio!

22
Dez10

a varapau 13

mcr

os vivos  e o morto

 

de vez em quando isto sucede: uma febre desagradável, fotofobia, e prostração. Provavelmente é um resfriado, mais nada. De todo o modo as três caracteristicas apontadas obrigam-me a estar deitado, às escuras tendo como companhia uma televisão pouco imaginativa.

foi assim que soube da morte do dr Pôncio Monteiro e dos desabamentos em curral das Freiras. N\ao conhecia nem o primeiro nem a segunda. Ou melhor, ouvira falar. O primeiro terá ocupado dois ou três minutos do meu espanto quando dei por ele a falar de futebol. A segunda porque alguém uma vez me falara da pequena terra entre montanhas, na Madeira. Mais nada.

O primeiro morreu. A segunda sofreu mais um desabamento seguido de invasão de lamas o que, desta vez sem mortes, causa gravíssimos prejuízos aos cerca de mil habitantes. Ontem e, depois, hoje, uma das televisões dedicou aos dois temas um singular tempo. Mais do dobro para a morte do senhor doutor do que para a desgraçada terra perdida entre penhascos.

Eu não vou discutir a, seguramente certa e devida, notoriedade do doutor e os imensos trabalhos e sacrifícios por ele feitos pela pátria, pelo Norte, pelo Porto ou apenas pelo FCP. E muito menos o facto de o Curral das Freiras ser algo longínquo e madeirense, provavelmente votando Jardim a 90%, como ocorre muito pela região. apenas me irrita esta miserável distribuição de tempos de antena a dois factos que nem comparar se podem.

Mas que estas escolhas e estes tempos de antena dizem algo, ai disso não duvido. E, para falar francamente, não me agradam nem melhoram a péssima impressão que vou tendo das "nossas" televisões, dos públicos que as sustentam e do país em que emitem.

 

d'Oliveira fecit 22.12.10

21
Dez10

As ameaças

JSC

 

A Moody’s ameaçou que vai rever em baixa o rating da dívida portuguesa, pelas razões de sempre. A Moody’s já não precisa de rever em baixa o rating porque os órgãos de comunicação social já se encarregaram de promover e transformar em real a intenção (malévola) da Moody’s.

 

O Presidente da República, via Facebook, ameaçou que vai vetar o diploma que regula os apoios ao ensino particular. Também aqui a comunicação social já se encarregou de transformar em real a ameaça do Presidente, que invocou a falta de  bom senso governamental para fundamentar a sua intenção de veto.

 

O mesmo bom senso que terá faltado a Cavaco Silva, quando primeiro ministro, que permitiu que escolas privadas continuassem a ser viabilizadas com alunos pagos pelo Estado, existindo mesmo ao lado, num raio de 300 a 500 metros,  várias Escolas Secundarias sub-ocupadas, que acabaram por se fundirem, mas que se mantiveram  subocupadas enquanto as tais escolas particulares continuam a receber alunos cuja frequência é paga pelo Orçamento de Estado.

 

Não dá para entender tanta ameaça e a repercussão acrítica que os media transmitem.

20
Dez10

Até parece que não se passa nada

JSC

 

Enquanto o aparelho judicial americano, trabalha para encontrar a fundamentação legal que permita avançar com o pedido de extradição de Julian Assange, os meios de comunicação social moldam as consciências populares (americanas e as outras) que permita criar o ambiente propício ao silenciamento do líder da Wikileaks.

 

Claro que há exageros, como os da Fox News, que até nem deveriam ser replicados, mas porque mexem com os mais profundos sentimentos do ocidente – o respeito pela vida e pela liberdade – convém ler e reflectir no que vem aí.

18
Dez10

estes dias que passam 219

d'oliveira

 

De acordo no desacordo

 

E pronto. A tripulação do incursões reuniu-se uma vez mais no que pomposamente se chamou “winter dinner” para não cair na trivialidade do jantar de Natal. Com as ausências sempre notadas e lamentadas das almirantes Kami, que não tira o mimoso pé do Allgarve e da Sílvia fronteira-mor no Rio de Janeiro, almirante estacionada na lagoa Rodrigo de Freitas  que já anda a ensaiar para o carnaval que se avizinha.

A escolha do local do ágape coube, como é de tradição, a JCP, que é um barra em escolher locais de pascigo, onde a boa comida se acompanhe de todos os confortos modernos, incluindo o de se poder fumar (coisa a que só o Coutinho Ribeiro se arriscou).

Convenhamos que se comeu bem ainda que nem no menu tenha havido acordo total. Bebeu-se melhor mas também aí o consenso não foi completo pois havia um empedernido bebedor de água. Os restantes também recorreram ao interessante líquido mas mais uma vez alguém quebrou a uniformidade preferindo água das pedras á do luso.

Estes bloggers são incorrigíveis! Continuaram a discordar no que toca a sobremesas e cafés ponto em que se passou do café ao descafeinado ou á recusa pura e simples da bebida. Enxergou-se um consenso negativo: ninguém quis digestivos. É pouco? É o que há.

Durante quatro horas e meia comeu-se, riu-se, discutiu-se. Como de costume. O bloco “socrático” apresentou-se em força e foi preciso esperar a chegada de dois retardatários que só vieram para a sobremesa para conseguir uma maioria honrosa e anti-governamental. O Wikileaks provocou outra irreparável e bem humorada cisão, que continuou sobre todos os restantes temas políticos, sociais e culturais. Uma senhora nossa leitora teve o arrojo de achar Santana Lopes “um pão” perante o ar acabrunhado do seu chevalier servant e restantes comensais. A Europa esteve em foco e pelo andar da carruagem também não foi modelo geral e uniforme. Americanos, alemães, espanhóis, italianos franceses e outros europeus provocaram diferentes reacções que, mesmo se risonhas, mostraram que nem nessas geografias o acordo impera pelo menos o acordo dos jantarantes.

Posso entretanto garantir que sobre o Sri-Lanca, a Tasmânia e o estado atol de Tonga não se manifestaram divergências, embora também seja verdade que, malgrado os meus esforços, ninguém se quis pronunciar sobre a politica de tão exóticos lugares. O forte grupo dos Ribeiro (uma minoria fortíssima) só se mostrou coeso nas gargalhadas. No resto, divergiram em tudo, dois anti-sócrates e um pro, um religioso, um sem opinião e um ateu, enfim dois engravatados contra um de peito ao vento e ao frio. Assim não vamos a parte nenhuma, ó comensais e camaradas de remo. Lá teremos que continuar as nossas modestas querelas no éter internético.

Todavia, foram quatro horas e meia que passaram com tal rapidez que só quando olhámos para o lado e vimos o restaurante deserto e o pessoal da casa reduzido a uma simpática proprietária é que percebemos a velha máxima tempus fugit.

Em resumo, comeu-se bem, discutiu-se forte e feio, rimo-nos perdidamente divertimo-nos como cabindas e saímos para a noite gelada (4 graus no termómetro do honrado Jetta!!!) carregados de cachecóis, chapéus, sobretudos e restante parafernália contra os rigores da invernia, prontos para aguentar as chatices natalícias, o aumento do iva, as queixas dos cidadãos, os destemperos governamentais com a habitual serenidade de quem está vivo, se sente vivo e se sabe do lado bom da barricada.

PS: esquecia-me de referir mas pareceu-me verificar um singular consenso quanto á inexistência do cidadão Passos Coelho. Foi assim? Corrijam-me ó companheiro desta barca que vai bolinando pela costa do torrãozinho de açúcar.

O incursões entra (melhor: vai a meio) do seu sexto ano de parlapié. Nos bons tempos (e isso será o título de uma nova série pronta a estrear) dizíamos inchados como perus e tolos como jovens que éramos que já tínhamos o sétimo ano de praia com latim e grego por fora. Agora, modestamente, vamos dizendo que já por aqui se anda desde Maio de 2005. Não sei se haverá muitos colegas com a mesma persistência.

De todo o modo, neste jantar de inverno lembrámo-nos de quantos por aqui escreveram e que acasos vários fazem com que estejam ausentes. Boas festas para vocês todos, velhos companheiros. Salut i força nel canut!

17
Dez10

a varapau 12

mcr

Leio no jornal que os cidadãos do continente pagam um tanto para subsidiar os utilizadores madeirenses e açoreanos. Ou seja para estes pagarem o mesmo que nós.

O soba Carlos César (do outro até é desnecessário falar) deve ter-se esquecido disto (e de uma multidão de outras alcavalas que recaem sobre os “continentais” ((os “colonialistas”)) para igualar as ilhas ao rectângulo) quando vem impudentemente estabelecer um benefício (pago por todos nós) para os seus administrados não sentirem na pele o que muitos portugueses já sentem: o peso da irresponsabilidade e da toleima do actual Governo Nacional que, aliás, cabe ao partido em que ele César parece militar.

Arre!

 

d'Oliveira fecit 17-12-10

16
Dez10

Uma Excepção Insensata e Iníqua

JSC

 

Como se sabe, a pretexto das medidas de austeridade e de combate ao défice, o Governo começou por inscrever no Orçamento para 2011 uma redução entre 3,5% e 10% dos salários da função pública, a aplicar aos vencimento superiores a 1500 euros, sendo que esta medida também envolvia os trabalhadores dos institutos públicos e do sector empresarial do estado, as empresas públicas.

 

A reacção imediata dos Presidentes da CGD e da TAP foi no sentido de não poderem aplicar aquela medida por temerem a fuga de quadros, argumento da CGD, ou por temerem nova onda de greves, argumento do Sr. da TAP. Logo de seguida o Ministro das Finanças procedeu a uma ligeira alteração na lei do Orçamento de Estado, que consistiu em deixar ao critério dos senhores administradores das empresas públicas, incluindo CGD e mesmo o Banco de Portugal, a aplicação da regra da redução salarial, desde que assegurassem a redução da massa salarial em 10%.

 

O incansável Jorge Lacão veio logo negar que não se tratava de nenhuma alteração ao que havia sido anunciado para o Orçamento de Estado, porque mantinha-se a regra da redução dos custos salariais. As últimas notícias sobre as intenções das administrações de empresas do sector empresarial do estado mostram como Lacão estava a iludir o problema e mostram, ainda, a insensatez e perversidade da alteração orçamental efectuada à última da hora.

 

Como o objectivo definido pelo Orçamento de Estado passou a ser a redução da massa salarial, as empresas tanto podem atingir esse objectivo pela redução dos vencimentos, conforme vai ser aplicado na função pública ou manterem intocáveis os mesmos vencimentos e mordomias e avançarem com um plano de despedimentos.

 

É o que está a ocorrer na STCP que já anunciou o despedimento de 120 trabalhadores para cumprirem a orientação governamental de redução dos tais 10%. A CP recorre ao mesmo argumento – medidas de austeridade e cortes salariais impostos pelo governo – para anunciar que vai negociar o despedimento de 600 trabalhadores. A TRANSTEJO também já anunciou que, entre outras medidas, vai elaborar um plano de despedimentos. A TAP, por sua vez, tem em curso o despedimento de centenas de trabalhadores de empresas do grupo, ao mesmo tempo que recorre a subcontratação de serviços.

 

 A conclusão a tirar é que, por tudo o que se sabe, o severo Orçamento para 2011 abriu os alçapões para as administrações não aplicarem, de todo, a “redução dos salários”, atingindo o mesmo objectivo pelo despedimento de trabalhadores.

É por isso que a excepção criada, além de iníqua, contribui para o avolumar da despesa pública, na medida em que todos os trabalhadores despedidos acabarão por receber o correspondente subsídio de desemprego, a suportar pelo mesmo Orçamento de Estado que o Governo que desonerar. Um absurdo.

16
Dez10

Desafios políticos para Portugal

José Carlos Pereira

Portugal encontra-se hoje numa encruzilhada difícil, fruto sobretudo da crise económica e financeira de contornos globais e das opções que foram sendo tomadas ao longo dos últimos vinte anos no nosso país.

O crescimento exponencial da despesa pública foi uma consequência natural da vontade de colocar o Estado no centro da actividade económica, social e cultural. O Estado cresceu desmesuradamente no número de funcionários e nas responsabilidades assumidas, seja na administração central, regional ou local.

Portugal precisa de reflectir sobre o caminho a seguir, corrigir a trajectória e reduzir substancialmente o défice e a dívida pública. O foco deve estar na criação de condições de contexto favoráveis para o crescimento da economia nacional e o aumento da capacidade exportadora. Para o aumento do emprego, preferencialmente qualificado.

O país precisa também de reformar a sua administração e a regionalização é a melhor via para assegurar um desenvolvimento sustentado e harmonioso das diferentes regiões, tirando partido das potencialidades intrínsecas e da atractividade de cada uma delas.

Para reformar Portugal exige-se, contudo, um esforço concertado dos dois maiores partidos nacionais. PS e PSD, que têm assumido as responsabilidades pela governação e que conduziram o país na rota da Europa, devem isso aos portugueses.

 

Este texto, que respondeu ao repto de perspectivar os desafios que se colocam ao país, foi escrito para uma publicação da JSD/Marco de Canaveses que pretende evocar os antigos líderes dessa organização naquele concelho. E eu fui presidente da JSD local em 1983/84, no final da minha adolescência...