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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

27
Mai11

Estes dias que passam 234

d'oliveira

 

 

Perder tempo

 

 

 

Parece que o candidato Passos Coelho entendeu declarar que não se oporia a uma revisão da lei do aborto ou até, a um novo e estafado referendo, sobre a questão.

 

Deixemos de lado a oportunidade de uma tal declaração que, obviamente, parece, sob todos os pontos de vista um tiro no pé. Coelho (o que saiu da cartola de quem sabemos) não vai na primeira gaffe e seguramente que esta não será a última.

 

O que me espanta é o coro indignado que se seguiu. Qualquer pessoa de bom senso, ouvida a tolice, encolheria os ombros e seguiria em frente. Dar atenção a estas pataratices é perder tempo. Mas como tempo é sobretudo o que têm a mais todos os restantes concorrentes vieram a terreiro declarando uns o seu profundo carinho pelo aborto e outro a sua especial cautela (Portas, claro, que como já disse enfia vários dos colegas juntos ou por separado, num chinelo).

 

Uma senhora, de uma coisa que se chamará (não garanto) UMAR ou algo no mesmo estilo, teve mesmo direito a a um longo tempo de antena num dos noticiários televisivos. Em vez de dizer o óbvio, optou por declarar que o aborto foi o corolário da “luta das mulheres portuguesas” e, a partir de tão formidável proclamação tecer um punhado de banalidades que em nada, rigorosamente nada adiantou.

 

Claro que a lei do aborto não foi obra das mulheres portugueses mas apenas de algumas, muitas, uma multidão, de mulheres com muitos, outra multidão, de homens, à mistura.

 

Devo, entretanto, apontar que as leis nunca são eternas e, aliás, são geralmente perfeccionáveis pelo que dizer não a qualquer mexida em qualquer lei é sempre uma patetice. E um mau princípio.

 

Já estaria mais de acordo com a ideia de que os resultados dos referendos  devem ter um período largo de garantia dos seus efeitos. Não se pode, e já vimos porquê, andar sempre a brincar aos referendos. Isto não é a Suíça e o povo tem votado com os pés, desertando essas solenes chamadas que, muitas vezes, apenas encobrem a cobardia dos políticos. Medida impopular a parecer necessária e eis que, lá do parlamento, nos remetem um referendo em linguagem arrevesada e a malta que se desenrasque. Já aqui o disse uma vez, e não vale a pena bater mais no ceguinho.

 

Mas no que toca a esta situação que, sempre me pareceu consensual, eu até gostava de ver Coelho a meter-se nessa alhada. E gostava porque a criatura não me convence e nada melhor para fundamentar o meu ponto de vista do que vê-lo apanhar uma pazada, no caso uma chumbada. Força, força, camarada Coelho que a malta cá te espera.

 

Às vezes nem se percebe a razão destas súbitas iluminações. Ignorância? Inconsciência?  Ou apenas um favor ao adversário?

 

Sócrates tem fornecido a Coelho algumas boas ocasiões pelo que começo a suspeitar que este tenha metido esta argolada para retribuir a gentileza. Está-lhes nos genes: não sendo, de modo algum, ideólogos, não se preocupando, aliás, com essas questões, ei-los que para encher o tempo de antena, se metem nos ínvios caminhos da politique baratucha e pedonal. São farinha do mesmo saco, logo se vê, e não devem ver mais horizonte do que este abastardamento das grandes questões nacionais.

 

E como são matreiros e sabem de onde corre o vento alísio, com estas vagas boutades lá vão evitando discutir aquilo que nos apoquenta. Por exemplo: as listas. Estas listas monstras e horrendas que são atiradas à cara do votante e que inibem qualquer um de perceber em quem (pessoa) está a votar. Lisboa, Porto, Braga, Setúbal, Aveiro e Coimbra elegem mais de metade dos deputados. Os desgraçados eleitores defrontam-se com as listas de candidatos e suplentes que encheriam meia folha de papel almaço só com os nomes dos putativos pais e mães da pátria. É quase impossível dizermos mais de cinco nomes dos cavalheiros que se nos oferecem. É absolutamente impossível controlar o percurso posterior desses insignes ornamentos do parlamento. Os do partido vencedor emigram para o Governo, os altos cargos e as melhores prebendas. Alguns dos vencidos, descoroçoados, retiram-se para outros sítios mais interessantes financeiramente. E a Assembleia é invadida pela peonagem menor que, sem qualificações de monta, cultura, inteligência ou virtude reconhecida lá vai cumprir a via crucis de tentar não adormecer nos debates, de tentar compreender o que se discute, e de levantar e sentar o dito cujo à ordem do chefe da bancada.

 

Estes cavalheiros foram escolhidos pelos aparelhos entre os fieis, os serviçais, os obedientes e pouco ou nada os distingue. Ou melhor, distingue-os uma completa subserviência ao chefe geral, nacional, regional, municipal ou concelhio. São peões de brega, e só.

 

A qualidade dos nossos parlamentares roça o grotesco e só a falta de um Eça de Queirós os tem poupado à gargalhada geral da populaça. E mesmo assim, têm-se multiplicado os casos desde o fulano que abafa electrodomésticos atá ao que pedinchava uma cantina nocturna. Uma deputada que não é da minha simpatia e a que também  se aplicaria o tema do “la dona è mobile” tão diversificados tem sido os seus préstimos e a sua contribuição à desgraçada e inerme “coisa pública”, classificou, uma vez, no seu tom mal educado e pouco gentil, um deputado metediço de “palhaço”. Fez bem mas pecou por defeito. Não é um, são dezenas!

 

São essas catatuas que, cedo ou tarde, irão discutir o orçamento, a crise, os juros e a  Europa. Credo!

 

    

 

26
Mai11

Au Bonheur des Dames 280

d'oliveira

 

Prova de vida entre dois cafés enquanto chove

 

Um leitor pergunta-me à queima-roupa, na esplanada da Brasileira, onde me acolhia da chuva, se o meu inusual silêncio no blog significava alguma coisa. E nisto, nesta pergunta, ia um mar de suspeições: que eu estava zangado com os colegas de blog; que eu não estava zangado e até via com bons olhos “alguma propaganda pró Sócrates” (sic); que eu isto, que eu aquilo.

 

Lamento muito cortar cerce todas as suspeitas: não, não estou zangado; não, não alinho na alegada propaganda pró desastre socrático; não não me rala que a façam; estou em férias sabáticas, em Lisboa, a gozar o chuvisco, a correr os alfarrabistas, a ver a família e com um ataque de preguiça escritural de alto lá e para o baile.

 

Todavia, sacudido que fui do torpor, sempre direi que jamais votaria Sócrates, indivíduo que considero pessoalmente responsável pelo desastre das nossas contas públicas; que entendo que a sua previsível derrota é condição sine qua non para o acordar do P.S., o mesmo ps que, ainda há pouco, o endeusou num congresso histérico, frenético, tonto e inútil; que considero o P.S. responsável em 80% da crise que sofremos, guardando os restantes 20% para os dois tristíssimos anos de governação ppd. E só falo dos últimos oito anos, não porque os anteriores seis (de Guterres) tenham sido  brilhantes (não o foram de modo algum) mas apenas por que por esse caminho ainda desaguávamos no governo do senhor Marquês de Pombal  o que é manifestamente má fé e vontade de não discutir quaisquer responsabilidades. E por aí fora.

 

Portanto não partilho qualquer simpatia por um aventureiro político de que desconhecemos tudo e sobretudo o curso tirado em dias pouco úteis, se é que sequer isso é verdadeiro.

 

O facto de considerar o actual Primeiro Ministro uma calamidade governativa e ideológica, se é que a criatura tem alguma ideologia, não quer dizer que aprecie o seu mais directo rival, um cavalheiro sem chama nem carisma, que usa e abusa de frases ocas, que parece um catavento e que suponho ter um escondido maìtre a penser na pessoa reboluda e farfalhuda do engenheiro (esse pelo menos é mesmo engenheiro) Ângelo Correia. Aqui à puridade, não encarregaria sequer o dr. (se é que ele não se formou também numa escola trapalhona) Coelho de organizar uma garraiada infantil quanto mais um governo. E julgo que muito boa gente no ppd pensa o mesmo. Duma coisa estou absolutamente convencido: o homenzinho não tem nada de social-democrata e, aqui para nós, não deve saber o que é um liberal. Esperemos que o seu professor lhe dê entretanto algumas explicações.

 

Dito isto, que já chegaria, poderia pensar-se que iria procurar refrigério à esquerda, já que espero que me façam o favor de considerarem que nem louco de atar iria dar o meu voto ao dr. Portas.

 

Infelizmente, a esquerda ou o que se considera como tal, desistiram há muito da realidade. O país deles é uma vaga utopia que eles julgam ter nascido num Abril radioso e que, por obra e graça de alguns salmos revolucionários e encantatórios, surdiria do espesso nevoeiro em que estamos metidos. Tenho algum apreço (absolutamente platónico!...) pelo senhor Jerónimo de Sousa que me dá a ideia tristonha de pertencer a uma comissão liquidatária do PCP, so Alentejo, dos amanhãs que cantam, das ceifeiras e dos proletários se ainda os há. Diz coisas com algum bom senso mas simplesmente fala de uma terra e de uma situação que não são, não estão e só ele sente.

 

Dos cavalheiros do BE pouco ou nada há a dizer. Eles dizem já o suficiente para se perceber que ainda não se libertaram dos chavões das respectivas irmandades que confluíram no BE. Nem aquilo é, de facto, um bloco, nem o que dizem e propõem tem sentido.Cresceram ratando nas alas urbanas e jovens do PC e nos desiludidos do P.S. São óptimos para inventar questões fracturantes mas mesmo essas estão a dar de si. Não creio que estas futuras eleições lhes dêem sequer os mesmos votos que obtiveram anteriormente. Estão de fora. Claro que se advogassem uma revolução eu perceberia algumas das suas posições mas eles, pelos vistos, e ao arrepio da tradição histórica da esquerda extra-parlamentar, não advogam nada disso. Estão de fora e oferecem um magro leque de slogans que obviamente sós convence (se é que os convence...) a eles. Ouvir o dr. Louçã a psalmodiar o seu escasso programa é mais entediante do que ouvir os sermões do finado monsenhor Palrinhas, padre da igreja de S Julião na Figueira da Foz. Com uma diferença: o monsenhor falava de um outro mundo, futuro, e fora deste. Louçã fala deste, como se falasse de algo que só existe na sua exuberante imaginação.

 

O mesmo e amável leitor, a quem se agradece a meritória oferta do café (aliás dos dois cafés que bebi) também me referiu o caso do cavalheiro do banco islandês que nos dá bons conselhos.  Tenho pela Islândia, desde que li a primeira de um bom quarteirão de sagas, um grande carinho. Ainda lá hei-de ir para ver se existe mesmo um vulcão desactivado que nos leve ao centro da terra, como sustentava Verne. Todavia, assalta-me uma questão: como é que um precavido islandês, membro do Banco Central dessa terra de fadas, gelos e vikings aventurosos, não viu a marosca que os seus bancos privados iam fazendo? Aliás, nem ele, nem os restantes colegas, nem ninguém. Agora dão-nos conselhos?

 

Respondendo finalmente ao leitor generoso (amanhã volto ao Chiado...): vou votar, pois claro. Apanhei muita bordoada por exigir o direito de voto e não é por só me aparecerem duques que deixo de ir votar. Não há candidato de jeito? Vota-se branco que isso pelo menos quer dizer que não me baldei, que não estou de acordo, que não estou resignado e que tenciono pedir-lhes responsabilidades.

 

Mereço outro café, leitor amigo?

 

 

26
Mai11

Afinal não é só a troika a dizer o que temos que fazer…

JSC

 

 

«O membro do Banco Central da Islander Gylf Zoega defendeu que Portugal deve investigar quem está na origem do elevado endividamento do Estado e bancos, e porque o fez.

 

"Temos de ir aos incentivos. Quem ganhou com isto? No meu país eu sei quem puxou os cordelinhos, porque o fizeram e o que fizeram, e Portugal precisa de fazer o mesmo. De analisar porque alguém teve esse incentivo, no Governo e nos bancos, para pedirem tanto emprestado e como se pode solucionar esse problema no futuro", disse.

 

Também o presidente da Comissão de Inquérito à Crise Financeira (FCIC, na sigla inglesa) dos Estados Unidos, Phil Angelides, aconselhou uma investigação semelhante em Portugal e na Europa, como forma de apurar os factos que levaram à actual crise.

 

Em entrevista à agência Lusa, Phil Angelides considerou que a decisão de realizar a investigação sobre as causas da crise portuguesa teria utilidade para determinar com rigor a história e as responsabilidades na crise e para estimular o debate informado.

 

Criar uma comissão de investigação "é uma decisão que cabe ao povo e aos líderes portugueses, mas deixe-me dizer que este estudo foi muito valioso para os Estados Unidos, provocou um grande debate. O relato histórico rigoroso, a discussão e o debate são vitais para sair da crise porque, em geral, as pessoas que a causaram, nos Estados Unidos - reguladores que não fizeram o trabalho, Wall Street, que foi imprudente - não querem esse debate vigoroso", afirmou Angelides.»

 

Responsáveis? Alguém se lembra de alguém? Quem lucrou (e vai continuar a lucrar) com as fabulosas parcerias público privadas? E os senhores do BPN, do BPP? O caso dos sobreiros, as sucatas, as facturas falsas, os milhões de IVA subtraído ao Estado, os negócios off shores. O conúbio entre (ex-)governantes e os conselhos de administração das empresas ou mesmo entre administradores públicos e empresas privadas. E os organismos de supervisão e de auditoria externa que nada viram nem vêem? Quem lucrou? Estão mesmo por aí. É só deitar-lhe a mão.

 

26
Mai11

As águas turvas do programa do Psd - 2

O meu olhar

 

Uma entrada de um elemento no activo por cada cinco elementos que se reformem ou saiam da Administração Pública.

Essa é uma das medidas que consta do programa do Psd. Quem conhece minimamente a Administração Pública sabe o que isto significa. Não se trata de racionalizar, não se trata de melhorar, não se trata de tornar mais eficientes os serviços públicos. Nisso estaríamos todos de acordo. Aqui o que se trata é de uma regra cega e impraticável, a não ser que os Serviços sejam tendencialmente para desaparecer. O que fazer nos Serviços de Saúde, na Justiça, na Segurança, nas Escolas quando saírem cinco profissionais e só entrar um?

Uma coisa é reformar os serviços e racionalizá-los, outra, bem diferente, é criar as condições para que morram lentamente. Por isso, para mim, quando se fala da agenda escondida do programa do Psd está-se a falar para quem anda distraído ou não quer ver a tradução prática destas medidas.

25
Mai11

As poupanças escondidas da TAP

O meu olhar

 

 

A TAP tem agora a “funcionalidade” da emissão de recibos online. Na versão anterior, quem fazia a reserva online tinha que pedir o recibo por e-mail, caso contrario ficaria sem recibo. Agora, com esta nova funcionalidade,a TAP quer ainda mais. Quer pôr os clientes a trabalhar para eles, preenchendo um conjunto de campos, passando por várias etapas até ter a factura. Com isto consegue uma coisa muito simples: poupar no pessoal que emite a facturação. O que seria normal ao oferecer este serviço é que a factura estivesse formatada e o acesso online seria apenas uma das formas de obter a factura.

Face ao conjunto de tarefas que teria de efectuar para ter a factura optei por enviar um e-mail para a TAP dizendo que queria que me enviassem a factura via e-mail. E o que aconteceu? Recebi uma mensagem automática a dizer o que já tinham dito na mensagem anterior: " agora pode aceder à sua factura online". Voltei a responder que podia mas não queria. Voltou a surgir a mensagem automática, ou seja, a comunicação via e-mail estava cortada. Um verdadeiro serviço ao cliente...

Isto é esperteza saloia escondida atrás da modernidade.

 

25
Mai11

Campanha nivelada por baixo

O meu olhar

O Psd entrou numa competição, entre os seus membros, de quem insulta mais rasteiro. Vejamos este conjunto de exemplos na campanha eleitoral do Psd, com comparações de Sócrates a

 

Hitler

“o Hitler tinha o povo atrás de si até à derrocada, até à fase final da guerra. Faz parte das características dos demagogos conseguirem arrastar multidões."

Eduardo Catroga,  Maio de 2011

 

Saddam Hussein 

“Um outro político, de um outro país lá do Médio Oriente que com os tanques e os soldados da coligação internacional já dentro da cidade continuava na televisão a garantir a vitória".

Morais Sarmento, Maio de 2011

 

Drácula

"Estamos a viver um momento em que o Drácula se quer passar por vítima. Mas nós sabemos quem é o Drácula e quem são as vítimas"

José Luís Arnaut , Maio de 2011

 

O que se seguirá?

Lembro uma boa análise e um bom conselho de Ribau Esteves que  apoiou Paulo Rangel nas eleições directas do PSD, ganhas por Passos Coelho:

 

"Portugal não se constrói, pelo contrário, destrói-se, com a alimentação permanente de uma telenovela tipo Venezuela como aquela em que vivemos, cheia de paixões inconsequentes, de fatalidade, de maledicência, de justiça propalada e não praticada no tempo e no modo certo, de insultos gratuitos ao primeiro ministro", disse o ex-secretário geral do PSD.

O social democrata lançou um repto a Sócrates: "Senhor primeiro ministro, trabalhe e sorria e saia da telenovela. Siga em frente por Portugal, com mais trabalho e melhor sorriso, utilizando as suas energias para aquilo que é nobre e necessário para Portugal". 

23
Mai11

Discuta-se o programa da Troika – FMI/BCE/EU

JSC

 

O chamado memorando de entendimento entre a Troika - FMI/BCE/EU – e o Governo define a checklist das tarefas que o próximo Governo terá de realizar, sob a supervisão dos homens da troika. Todas as medidas que o próximo Governo deve tomar em 2012, 2013 e mesmo em 2014, estão quantificadas e definidas ao trimestre.

 

A pré-campanha eleitoral que findou e a campanha que agora se inicia bem poderiam ser usadas para debater cada uma das medidas que a Troika impõe aos portugueses. Contudo, a conversa política anda em redor de dois ou três slogans, que a comunicação social mediatiza e eleva até ao cansaço.

 

Sócrates insiste em responsabilizar a direita pela crise. Passos e Portas batem a tecla da banca rota e do desemprego. Louçã aponta a renegociação da dívida como a causa maior. Jerónimo insiste na tecla do patriotismo.

 

E quanto ao futuro? Consequências que advirão da aplicação do programa imposto no Memorando? Situando-nos nos partidos do poder, o que é que diferencia o PS do PSD quanto à aplicação das medidas impostas pela troika? Não deveria ser isto que deveria dominar o debate entre aqueles dois partidos? Não deveriam ser estes os temas que a comunicação social deveria privilegiar no debate?

 

Por exemplo:

  1. O Memorando define como objectivo para 2012,”a redução das pensões acima dos 1500 €”. O PS e o PSD deveriam esclarecer como vão aplicar não só em termos de montantes como quanto aos sujeitos abrangidos.
  2. O Memorando impõe a “Redução  do orçamento da ADSE (30% em 2012 e 20% em 2013). Neste caso, PS e PSD deveriam estar a explicar como vão limitar os apoios concedidos aos beneficiários da ADSE, de modo a conterem as despesas dentro dos limites impostos.
  3. O Memorando obriga à Redução dos benefícios fiscais, nomeadamente, limitando as deduções nas despesas de saúde; os juros e rendas com habitação própria . Não deveríamos estar a ser informados acerca do que PS e PSD pensam fazer neste domínio? Em quanto é que se propõem reduzir os benefícios fiscais? Afectam quem?
  4. O Memorando impõe o aumento de IMI, alterações na tributação da propriedade para conseguir aumentar a receita em, pelo menos, 400 milhões de euros,( em 2012 e 2013) através da redução substancial das isenções. Mas o IMI aumenta quanto? Quais os critérios que irão presidir à actualização do valor dos imóveis?
  5. O Memorando estipula o aumento das taxas moderadoras e a redução da isenção de despesas de saúde. Em quanto se vai cifrar o aumento das taxas moderadoras? Para todos? Como vai ser escalonada a redução das isenções fiscais no domínio da saúde?
  6. O Memorando impõe o aumento da taxa de IVA no sector da electricidade e do gás. Sendo a taxa actual de 6%, o aumento só pode ser para 13% ou para 23%. Qual o aumento que PS e PSD preconizam? Será que entendem que tal é comportável com a capacidade financeira das famílias?

Se as linhas mestras do futuro programa de Governo foram definidas e aceites pelos chamados partidos do poder, então, deveria ser exigido que estes esclarecessem os eleitores sobre o que pretendem fazer para atingirem os objectivos impostos pela Troika e que esta vai controlar ao trimestre. Ao não o fazerem, PS e PSD estão a fugir às suas responsabilidades e a adormecer os eleitores, que quando acordarem vão ser confrontados com medidas bem duras e sobre as quais pouco ou nada lhe disseram.

22
Mai11

au Bonheur des Dames 284

d'oliveira

Genosse Ângela

 

A camarada Merkel (há-de ter sido assim que a terão tratado no já distante passado da RDA) não se veda. A esta gente que “veio do frio”, o conservadorismo não é uma segunda pele. É mesmo a primeira!

 

Não se pediria à senhora, acossada como está pelas oposições ao seu cinzento governo, à sua baça direcção politica e às suas mais que estreitas vistas, um relâmpago, um pouco mais de azul, muito menos uma brasa. Mas não pareceria descabido, algum tino, alguma visão futurante, alguma prudência até.

 

Nada disso. Num comício partidário, ei-la a tentar cavalgar a onda do nacional patriotismo (eu não disse nacional socialismo, valha-me Deus!) e a desbobinar as velhas, esquecidas tolices sobre o Sul, o sul onde os seus compatriotas se amontoam na estação calmosa e bebem até cair, vermelhos como lagostas pela exposição ao sol, ao sal e ao encanto das terras amáveis que eles inconscientemente preferem ao frio país de onde chegam.

 

Quão fácil seria qualificarmos essa fuga ao rigor luterano, à disciplina industriosa, à eficácia, à regra e ao trabalho como uma característica germânica. Não o farei. Vivi por duas vezes na Alemanha, na condição de estudante estrangeiro que tentava aprender a língua, e, para além dela, a cultura, o método, o segredo do sucesso, a modéstia alemã (que a há) e, obviamente perceber como uma sociedade culta, estudiosa, inteligente, amante da música e da poesia foi capaz do horror absoluto. Como é que foram capazes de acreditar no “pintor da brocha gorda”, nos rufias que o rodeavam, nos intelectuais que se babavam á simples menção de “espaço vital”, que inventaram as mais espantosas ideias sobre  o “arianismo” e os “untermenschen”, que falsificaram conscientemente a herança de Nietzsche, ao mesmo tempo que aceitavam (porque não foram capazes sequer de a inventar) a concepção mussoliniana do fascismo?

 

A Alemanha, a ideia da Alemanha, forjada, entre outros, por brilhantes intelectuais judeus, conseguiu, no espaço de um decénio (33-43) atingir o coração das trevas, envenenar a sua história, destruir o seu povo, reduzi-lo durante alguns anos ao leproso da Europa e do mundo.

 

Todavia, nunca confundi, essa catarse colectiva, esse desvario, com o povo alemão. Sempre fui capaz de reconhecer que, mesmo nesse labirinto infame, houve, e não foram assim tão poucos, homens e mulheres que resistiram, que se sacrificaram, que mantiveram acesas, no meio das trevas, a esperança e a dignidade.

 

Que agora, uma mulher vinda do não mundo da RDA, necessite de mentir conscientemente aos seus cidadãos, atacando alguns países e, pior, os seus habitantes, descrevendo-os como “feios, porcos e maus” (novos untermenschen?) e, horror dos horrores, como preguiçosos que vivem à custa do bom povo alemão. É algo que me revolta. Porque Merkel conseguiu, em poucas palavras, mentir descaradamente sobre os dias feriados, a idade de reforma, o número de horas de trabalho, a situação de hoje vivida em Portugal ou na Grécia, na Espanha ou na Irlanda. Em todos os temas que tocou, qualquer destes países tem índices superiores aos alemães. Trabalhamos muito mais horas, recebemos muito menos, fazemos férias mais curtas, vamos para a reforma bem mais tarde. Ignorância ou má fé? Desespero perante os maus resultados eleitorais? Ou simples racismo, estúpido como todos os racismos, mesmo se isso seja, hoje, uma palavra tabu na Alemanha?

 

Parece que o Governo português chamou o embaixador alemão para lhe transmitir não sei que mensagem. É um começo mas insuficiente. Seria bom que os portugueses, pelo menos (desconheço as reacções noutros países), ouvissem a esse respeito uma declaração clara e um protesto por uma vez sério e fundamentado. Mais: é imperioso ouvir o que se disse e esperar que o dito tenha sido firme e severo. 

 

 

 

 

 

 

22
Mai11

um pouco mais de azul.....

d'oliveira

Caros  "o meu olhar", JCP, Mocho Atento e Coutinho Ribeiro 

 

Não há volta a dar-lhe. Eu bem que não queria dar-vos os parabéns dado o luto que me devia ir na alma pelos resultados do meu pequeníssimo e único clube mas isto, este ano, foi esmagador. E este final de goleada é a cereja azul no bolo. Cá por casa há uma criaturinha toda fcp, a minha enteada que ainda por cima fazia anos hoje. Deve estar como um cuco!

Parabéns, caros amigos, e moderação na vitória que, cá pelo nosso blog, há alguns derrotados ..... E um forte abraço