Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

22
Out11

Diário Político 169

mcr

879 mortos,  milhares de feridos nenhuma desculpa!

 

De Espanha vem a notícia do “fim da guerra” declarada pela ETA. Três criaturas heroicamente escondidas atrás de uns sinistros capuzes, declararam gravemente que acabavam a “campanha”. Depois, acrescentaram uma ininteligível e pouco inteligente declaração politica sobre os seus objectivos, o passado e o futuro.

Poderiam, já agora, ter dito que a bancarrota ideológica, o desastre continuado das prisões, a delação, a contínua torrente de confissões perante as policias francesa e espanhola, o descalabro político que isso, essa imensa cobardia, essa pressa em “falar”, essa incapacidade de resistir, essa desmemoria ideológica, eram motivos suficientes e cada vez mais prementes para acabar com o que já não era mais do que gangsterismo pusilânime.

Não o quiseram fazer. Também não quiseram referir as suas vítimas, muitas das quais sem qualquer importância politica (por exemplo as quase trinta crianças mortas nos atentados cegos) a cobardia demonstrada no sistema de execuções (os famosos tiros pelas costas). Devem achar que quem vai á guerra dá e leva. No caso,  os seus desgraçados adversários desconheciam as mais das vezes que estavam em guerra, que eram alvos, que as suas vidas constituiam um insuperável obstáculo à liberdade do país basco. Liberdade que nunca nenhuma urna democrática confirmou. Basta ler os resultados de todas as eleições. De resto, mesmo que se ponha o velho partido nacionalista basco na mesma barricada da ETA (o que seria milagre!) convirá recordar que nunca a população conseguiu esquecer que na hora do voto, atrás das costas, além das pistolas estava o olhar dos “liberados” dos seus amigos, dos seus homens de palha. E o medo! O medo que fazia os eleitores desertarem dos locais de voto. E, outra vez, o medo. O medo que levou milhares de bascos ao exílio noutras zonas de Espanha. Intelectuais e artistas, políticos e empresários, sindicalistas  e profissionais liberais escolheram sair das terras onde nasceram e onde teriam um mais que duvidoso direito a viver.

A ETA que sempre usou uma linguagem vagamente esquerdista, que sempre proclamou um racismo exacerbado (basta lembrar como chama aos não bascos que trabalham em Euzkadi: “metecos”! Basta recordar as obsoletas e desvairadas teorias de Sabino Araña, o pai espiritual. Basta finalmente lembrar a extraordinária teoria que baseava a singularidade basca no RH negativo que seria, entre os bascos, superior ao verificado no resto da Península. Ao que parece Portugal teria ainda uma quantidade de portadores de RH negativo superior! Somos superbascos, carago!!) quer, com uma declaração vaga e inerme, passar uma esponja sobre um passado injustificável e injustificado, olhe-se de onde se olhar.

A sua acção nunca pôs em causa o regime franquista, mesmo se num espectacular atentado tenham dado conta do general Muñoz Grandes (que, aqui para nós, ou para mim que sou pouco dado à piedade cristã e a oferecer a outra face, não causou tristeza a nenhum democrata). Provavelmente até contribuiu para um acréscimo de violência do regime ditatorial. Todavia, uma vez recuperada a liberdade, estabelecida a democracia, nada justificava a escalada terrorista, o redobrar de violência dos seus comandos e o terror espalhado nos quatro cantos do país.   

Mas não acabam aqui os crimes desta mafia nacionalista. Executaram com a mesma sanha, todos quantos tentavam sair da organização mesmo se, como quase sempre ocorreu, nunca delataram outros militantes. Por todos, relembremos a sinistra execução de Yoyes, que regressara do exílio mexicano à terra natal depois de ter obtido garantias dos dirigentes máximos da ETA (de “Txomin” para ser mais exacto). Foi assassinada quando passeava com o filho de três anos pela mão. Por ordens directas do sinistro “Pakito” Garmendia, provável assassino de Pertur, dirigente da ETA politico-militar, preso anos depois, condenado e que recentementye escreveu á direcção da organização propondo o fim das actividades da organização. A cadeia, é uma chatice e Pakito aposta agora na democracia e numa rápida libertação.

O fim da ETA, ora anunciado, apressa a inevitável certidão de óbito de uma organização que estava já em coma profundo e irreversível. Politico, militar e sociológico.

A ETA aprendeu com a História: de modo semelhante saíram de cena as Brigadas Vermelhas ou o IRA. Esgotamento puro e simples, perda de apoio popular, aumento da condenação social.

Pena é que essa lucidez final não a tenha iluminado durante os quase quarenta anos de democracia em Espanha.   

d'Oliveira fecit 22.10.2011

21
Out11

Re-industrialização

José Carlos Pereira

Participei esta semana nas II Jornadas AEP-Serralves, subordinadas ao tema da re-industrialização. Um assunto muito presente hoje em dia em várias reflexões, que vêm apontando a queda da produção industrial como uma das causas do declínio económico em Portugal.

De facto, o nosso país apresenta hoje indicadores do peso da indústria no PIB na ordem dos 22/23%, reveladores da fortíssima diminuição da actividade industrial. Um dado que levou muitos dos presentes nestas jornadas a defenderem a necessidade de voltar a apostar na produção industrial como forma de potenciar o desenvolvimento económico. Portugal não criará riqueza suficiente para sair da crise em que se encontra se continuar a privilegiar a aposta nos serviços e nos bens não transaccionáveis.

Aliás, as sessões que revelaram alguns dos bons exemplos da indústria portuguesa, seja em sectores mais tradicionais como as madeiras, a metalomecânica, os têxteis e os moldes, seja em áreas de ponta como a genética, as nano tecnologias e as micro-electrónicas, vieram reforçar esse apelo à industrialização nacional e à conquista dos mercados externos com produtos de maior valor acrescentado.

Um dos testemunhos que mais prendeu a plateia foi o do Prof. Jorge Alves, meu antigo professor de História Económica e Social Contemporânea, que percorreu as vicissitudes da industrialização em Portugal desde finais do séc. XVIII até à revolução de 1974. Os gestores e empresários presentes sorriram com a proximidade dos relatos que ouviram: as divergências entre os pensadores de cada época sobre se a aposta devia ser na indústria ou no regresso aos campos; os períodos de grande fulgor económico e de lançamento de infra-estruturas seguidos dos períodos de endividamento e de défices estruturais; os discursos críticos dos defensores de cada corrente político-económica, a fazerem lembrar as discussões que hoje vimos travar entre políticos e economistas. Os ciclos sucedem-se.

As Jornadas terminaram com o discurso do Eng. Belmiro de Azevedo, em que o empresário, no seu tom habitual, apontou o dedo ao excesso de carga fiscal que pesa sobre famílias e empresas, à inércia e ao incumprimento dos prazos de pagamento contratados pelo Estado, ao comportamento errático da banca e à imperativa necessidade de injectar dinheiro na economia. Sem dinheiro para fundo de maneio, para as matérias-primas e os investimentos, as empresas não terão condições para enfrentar os desafios que se lhes colocam. Esta observação foi recorrente em muitos dos empresários que intervieram ao longo do dia: é urgente resolver o problema da capitalização dos bancos nacionais para que o dinheiro chegue às empresas e faça funcionar a economia. Caso isso não se resolva em breve, é o colapso.

21
Out11

O mundo cão em que vivemos

J.M. Coutinho Ribeiro

Gosto de cães e gosto de pessoas que gostam de cães. E até já tive cães, nos tempos idos da meninice. Depois deixei de ter. Quis o destino que, recentemente, tenha ido viver para a zona do Porto onde existem mais cães por metro quadrado, como bem sabe o MCR, que por ali vive há muitos anos. Habituei-me, pois, a conviver com cães a todas as horas do dia e, também, com os donos dos cães, que, diligentemente, os passeiam pelos jardins locais. Mantenho com eles - cães e donos - uma atitude de reserva, mesmo quando os donos são meus amigos e os cães também. Nada contra, portanto, tirando aquela parte em que não gosto nem um bocadinho de não conhecer por ali nenhum cão que tenha nome de cão - têm todos nomes de homem ou de mulher, conforme o sexo. E a isto confesso que não acho graça nenhuma, circunstância que tende a piorar caso venha a descobrir que há por lá algum cão com o meu nome. Ao que também não acho piada é ao facto de haver donos que tratam os cães como se fossem filhos. O que até já me criou uma cena embaraçosa. Há tempos, a jantar em casa de amigos de uma amiga, depois de tanto os ouvir falar dos filhos, perguntei onde estavam os outros, para além do simpático rapazinho que estava à mesa. Riram: os outros eram os dois cães atrevidos que andavam aos pulos pela sala e que embicaram com as minhas pernas. Esclarecido. Daí, fiquei a pensar que o cão do vizinho que também por ali andava devia ser o sobrinho. Enterneceu-me, como é bom de ver, o desvelo com que aquela família tratava os animais, o que foi logo aproveitado para uma longa dissertação sobre como os animais são nosso amigos e sobre o que custa ter um cão, desde logo em veterinário e - pasme-se! - em psicólogo do cão. Mas a minha surpresa não haveria de ficar por aqui. Lê-se no Expresso da semana passada que, apesar da crise, há um sector de actividade que prospera: o da comida para cães. E as previsões são de crescimento. Mais espantado fiquei ao ler o preço de um saco de comida para cães - pode chegar a 100 euros o cabaz mensal - que é, segundo também li, uma despesa maior do que a comida para uma criança. Não só porque a taxa de natalidade está a baixar, mas também porque as comidas para crianças estão a ser substituídas pelas adequadas a adultos, o comércio da comida para cães tornou-se, assim, mais rentável do que o da comida para crianças. Li mais: que estamos a assistir a uma "transferência de afectos" das crianças para os cães, com o argumento de que os cães comem e calam, ao contrário das crianças que, como se sabe, são um canseira permanente. Tudo o que li deixou-me a pensar. E uma das conclusões a que cheguei (corro o risco de ser apodado de reaccionário, bem sei) é a de que vivemos não só uma crise económica e financeira - a crise é também (ou sobretudo?) de valores e de prioridades. Vivemos num mundo cão, é o que é.

20
Out11

A brigada dos comentadores

J.M. Coutinho Ribeiro

Eu já imaginava que as coisas fossem assim, mas precisei de ver: grande parte dos comentadores regulares da RTP é paga e bem paga. Exemplo: há quem aufira 600 euros por semana, o que perfaz a módica quantia de 2.400 euros por mês. Um bom vencimento. Um bom acréscimo ao vencimento, se levarmos em linha de conta de que estamos a falar de profissionais de proveniências várias, todos eles já bem pagos. Eles são deputados, ex-governantes, sindicalistas, juízes, o bastonário da Ordem dos Advogados e por aí adiante. Nada mau.

Não questiono a valia de tais comentadores. Nem por um minuto. Tirando a parte em que a maioria deles são pessoas interessadas no que comentam, nada a apontar. Já o facto de tudo ter a ver com a televisão do Estado - isto é, o facto de serem pagos com os nosso impostos - deixa-me a pensar que é capaz de haver por aí algum exagero. Andou bem, por isso, o ministro Relvas ao mandar cancelar as avenças.

Ultrapassada a questão essencial - a forma como os meus impostos são gastos -, resta ainda a pessoalíssima questão das minhas intervenções televisivas. Eu explico: durante muitos anos fui comentador da RTP. Nunca estive num programa regular, mas ia lá várias vezes por semana. Aliás, cheguei a ir lá três vezes no mesmo dia, sobretudo para comentar assuntos jurídicos. Como é bom de ver, estes eram dias perdidos na minha vida profissional. Quanto ganhava? Nada. Nadinha. Posso garantir que, tirando a minha participação na "Cadeira do Poder" (SIC), um concurso para convidados em que ganhei, nunca recebi um tostão pelas minhas participações em debates ou pelos comentários que produzi. Mas fui sempre, até ao momento em que pedi para abrandar as minhas idas e, depois, até deixar de ir, no que alguns acham que foi por causa de ter sido azedo com pessoas ligadas aos arguidos de um processo judicial muito mediático e ligado ao poder de então.

Há quem saliente que nem tudo terei perdido com as minhas idas à RTP. Sendo advogado, a tv - dizem - dava-me notoriedade, o que se traduz em clientes. Admito que sim. No entanto, olho para trás com rigor e não me lembro de um único cliente que tenha vindo até mim porque me viu na tv. Mas houve o contrário: um dia tive de recusar um cliente, porque dois dias antes tinha estado na tv a comentar o caso que o envolvia. Perdas, portanto. Para além daqueles que não cheguei a saber.

Mais tarde, quando surgiu o Porto Canal, fui convidado para comentador de política e para debates sobre assuntos de Justiça. Comecei no primeiro dia - literalmente. Quando me fizeram o convite, disse que sim, com a reserva de que só iria nas falhas dos outros. Isto é: quando faltasse alguém à última hora, telefonavam-me e eu ia. Depois, quando percebi que nesse registo ia vezes de mais, pedi para entrar para a rotatividade normal. Como sempre, sem ganhar o que quer que fosse. E também não imaginava, sequer, os esforço que muitos faziam para serem chamados a comentar.

Recentemente, por razões estritamente pessoais, decidi cancelar as minhas idas ao Porto Canal. Por razões pessoais e também porque, havendo um novo patrão - o F.C. Porto - e um novo director de informação e programação, havia que deixar aos novos responsáveis toda a liberdade para escolherem novos comentadores. Soube, dias depois, que há um novo leque de comentadores no canal que é pago, não sei se muito se pouco. Não há dúvidas: sou um tipo de azares nestas coisas. Mas uma coisa é certa: a partir de agora, quem quiser comentários, paga. A não ser, claro, que me apanhem a partir do fim da tarde, quando estou de tal forma distraído que compro tudo o que tentam vender-me.

19
Out11

Começar de novo

J.M. Coutinho Ribeiro

É profundamente injusto atribuir ao actual governo, com apenas quatro meses de governação, a culpa pelos sacrifícios que estão a ser pedidos aos portugueses. Mas é também injusto atribuir as culpas exclusivas aos governos de José Sócrates. Se é certo que Sócrates andou mal no essencial e mentiu de princípio ao fim sobre a situação portuguesa, não terá feito muito pior do que todos os governos que o antecederam. Em todos eles, foi visível a marca de um profundo desalinhamento com a realidade; em todos eles houve a marca da confusão entre os bens públicos e os privados; em todos eles houve uma classe política que se preocupou essencialmente em governar a sua vidinha; em todos eles se trocaram favores com grandes empresas e com grandes (e desnecessárias) obras em nome do financiamento partidário (digamos assim, para sermos benévolos); em todos eles houve a notória preocupação em governar a pensar na vitória nas eleições seguintes; em todos eles houve a contratação de funcionários recrutados por critérios políticos. Foi esta a escola que se instalou no país nos anos de democracia. Foi esta a realidade que os portugueses aceitaram, sempre com o fito de que também a cada um de nós, num futuro próximo, nos tocasse a benesse. E é também por isso que são raros os portugueses que, em rigor, protestam veementemente contra a corrupção e o tráfico de influências. No fundo, através de subsídios e benesses de direito duvidoso e de manutenção impossível para quem pouco produz, andamos a ser comprados ao longo dos anos. Até que faltou o dinheiro e o crédito é muito caro. E é também por tudo isto que, como salientou ontem Rui Rio, ou se melhora o regime ou virá aí um regime musculado. Entendamo-nos: não sei se iremos ainda a tempo de evitar um regime musculado. Aqui e noutros países da Europa, porque, neste momento, a minha única dúvida, é saber qual será o primeiro país a ceder à tentação de suspender a democracia. Não espanta, por isso, que os próximos tempos sejam de luta. E não apenas porque a situação económica se degrada. Mas se tiver de ser assim, que seja. Se não fomos capazes de fazer florir a democracia, que sejamos, pelo menos, capazes de começar tudo de novo. Melhor, desta vez.

18
Out11

OE para 2012 – Rigor Comunicacional e Generosidade

JSC

A relação entre Vítor Gaspar e os media tem sido de grande empatia mútua. Vítor Gaspar aparece quase sempre rodeado de muita gente, mas aparenta aquele ar de um ser desamparado, desasado, desajustado para o cenário em que se move. Cheguei até a pensar que ele era mesmo assim. Ontem percebi que ele não é assim.

 

Vítor Gaspar anota, sempre, as perguntas. Depois, agradece, sempre, as perguntas e diz que vai responder primeiro às mais imediatas. A seguir, como quem pede desculpa, diz que não quer ser maçador e abrevia as respostas ou conduz estas para o lado das não respostas.

 

Ontem, Vítor Gaspar inovou a sua técnica de comunicação. Inventou uma escapatória para fugir a perguntas sérias, pertinentes, mas incómodas. “Um decisor político não pode responder a questões hipotéticas”, disse e assim liquidou a pergunta. Ou seja, depois de prever a taxa de recessão a 31/12/2012, a taxa de desemprego, a queda no consumo e tudo o mais, o Ministro não comenta o que prevê fazer, caso a queda do PIB seja superior à que ele prevê, em consequência das medidas económicas que anuncia.


Mas Vítor Gaspar teve outros momentos que o aproximam da explicação que deu para o abandono da redução da TSU. Veja-se o número que arbitrou de despedimentos de funcionários públicos, para compensar o corte das remunerações, “entre 50 e 100 mil”. Anota-se que, em finais de Junho último, no Parlamento, o primeiro-ministro assegurou que não haverá despedimentos na Função Pública.


Vítor Gaspar tem passado a imagem do rigor e sustenta as suas intervenções públicas com muitos números, quadros e gráficos, saiu-se muito mal na dimensão do intervalo de funcionários a despedir, a que acresce estar em contradição com a recente proclamação do líder do governo a que pertence. Numa vertente menos séria está a justificação que deu para não existirem, ainda, medidas para a Madeira. Disse que está à espera do novo governo madeirense para negociar.


A segurança técnica e o rigor de Vítor Gaspar parece acompanhar a insegurança do orçamento que apresentou. Vítor Gaspar não está só nesta odisseia governativa. Hoje, numa conferência sobre "O Estado e a Competitividade da Economia Portuguesa", organizada pelo Jornal de Negócios, a ideia forte que saiu da intervenção do Ministro Álvaro Santos Pereira não aponta nada de concreto relativamente ao tema da conferência, a competitividade da economia, clama, apenas, que acabaram os subsídios e proteccionismos à economia.


Nem tudo é mau neste OE


Mas não se pense que é tudo mau e para todos no Orçamento de Estado para 2012. Alguns exemplos mostram a bondade direccionada do Orçamento. Por exemplo, Manuel António Pina, no JN de hoje, mostra que o Orçamento não afecta, certamente “por lapso, as grandes fortunas e os 7 mil milhões de dividendos que por aí se distribuem anualmente. O único dos "25 mais ricos" que pagará a crise é o mais rico deles, o trabalhador Américo Amorim, que irá esfalfar-se mais meia hora por dia sem remuneração (por isso me pareceu vê-lo, de cartaz na mão, no meio dos "indignados"). Felizmente emprega na sua Corticeira 3 300 outros trabalhadores, que irão dar-lhe 1 650 horas diárias de trabalho gratuito, equivalentes a 206 trabalhadores de borla. Poderá assim despedir 206 dos que não se contentam com ter trabalho e ainda querem salário”.


Outro exemplo, todos os pensionistas que ganham acima de 485 euros vão ver os seus rendimentos afectados. Contudo, os beneficiários de pensões mensais vitalícias pagas a políticos não sofrerão qualquer redução. A justificação para esta aberração (política e moral) é dada por Mira Amaral, um dos muitos ex-políticos que têm direito a essa pensão, que, pacientemente, nos explicou que "subvenções não são pensões". Ora, toma! Ignorantes de uma figa.


 Muitos outros exemplos poderiam ser dados, a ilustrar que também há gente feliz com este orçamento, é o caso da banca, que vai embolsar 8 mil milhões de euros do OE, valor que dava para comprar, duas vezes, o BCP, BES e BPI e ainda sobrava dinheiro. Também os accionistas e potenciais accionistas da EDP terão razões para viverem tempos felizes. O generoso aumento de tarifas patrocinado pelo Governo, via ERSE, já levou o BESI a recomendar a compra de acções da EDP.

 

Portanto, funcionários públicos e pensionistas comprem acções da EDP, cuja valorização está garantida pelo governo. Enfim, o Orçamento tem uma bondade direccionada, mas que nem por isso deixa de ser generosidade.

18
Out11

De almanaque

JSC

Como se adivinham tempos ainda mais difíceis e manifestações a granel, deixa-se a sugestão que recebi via e-mail.

 

Como dispersar manifestações - do Almanaque Bertrand de 1908