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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

17
Out12

CCDRN "perdeu papel político"

José Carlos Pereira

Li ontem no "Jornal de Notícias" que o secretário-geral do Eixo Atlântico, Xoan Mao, veio a público queixar-se que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN) estava "quase inoperante, sem qualquer tipo de papel político" nas questões fundamentais para a euro-região Norte de Portugal/Galiza. Xoan Mao foi ainda mais longe quando disse que a CCDRN "parece hoje uma comissão liquidatária", sublinhando que esta entidade perdeu a influência que tivera com lideranças anteriores.

Nada que não fosse previsível quando o Governo, após longa e injustificada espera, escolheu para a presidência e as vice-presidências da CCDRN personalidades sem peso político específico e com um perfil técnico arredio das áreas do ordenamento e do desenvolvimento regional. Foi isso que antecipei quando aqui escrevi sobre o assunto em Março passado.

16
Out12

E agora Cavaco?

JSC

 

 Foto tirada daqui

 

Cavaco Silva tem vindo a fazer algumas declarações, via facebook, que, segundo alguns, revelam alguma preocupação com a política de austeridade pela austeridade. Digamos que Cavaco Silva é mais um entre todos a prenunciar-se contra as medidas fiscais do governo, sendo que o tem feito com cautelas excessivas e sempre fora do tempo certo.

 

Era de esperar que, face ao seu último registo no facebook, o Governo do Ministro das Finanças e de Passos Coelho tomasse em conta os apelos do PR. Aliás, quando o Vítor Gaspar apareceu a dizer que ia “mitigar” e outros governantes a falarem em “moderação”, esperava-se que tal constituía uma preocupação em atender o apelo (?) do PR.

 

Contudo, quando confrontaram Vítor Gaspar com as declarações do PR, o dito ministro das finanças, (que Passos Coelho foi desencantar ao BCE ou que o BCE impôs a Passos Coelho) respondeu: "Confesso com algum embaraço que não estudei as afirmações que têm vindo a ser imputadas ao Presidente da República pelo que não posso fazer um comentário devidamente informado".

 

Esta declaração, para além do cinismo execrável que encerra, é de um desconsideração, afronta mesmo, ao PR. Repare-se que Vítor Gaspar diz que nem sabe se a declaração é de Cavaco Silva e muito menos reflectiu sobre a mesma.

 

Esta resposta de Vítor Gaspar mais aquela em que revela nada ter a dizer sobre as medidas para a economia ou o desafio que  lançou hoje aos deputados, para “cortarem mais na despesa”, quando a raiz do problema está na absurda carga fiscal que vai empobrecer, definitivamente, o Estado e as famílias, todas estas declarações revelam um Ministro que perdeu a noção do real, obstinado com o volume de impostos, que só ele acredita poder arrecadar, portador de uma verdade que mais ninguém perscruta. Para tudo ser ainda mais absurdo, pelo vistos, nem os ministros que formam a trupe governamental acreditam ou interferem nos quadros de Excel com que Vítor Gaspar inquina a realidade. Apesar do absurdo, o certo é que os ditos ministros aceitam, com grande curvatura de coluna, as palestras do ministro, que os vence pela impreparação dos mesmos para reagir, mesmo que fosse pela demissão, aos atropelos do Ministro.

 

Uma vez que ninguém da equipa governamental tem coragem para dizer basta e partir, as últimas respostas de Vítor Gaspar exigem uma resposta urgente e definitiva, que só Cavaco Silva pode tomar: A demissão. Em coerência, Cavaco silva não pode tomar outra atitude que não passe por exigir a mudança de rumo, a saída do Ministro que o desconsiderou, a formação de um novo governo ou, a dissolução do Parlamento e a realização de eleições.

 

A alternativa, fora da iniciativa presidencial, passará, irremediavelmente, pela Rua.

15
Out12

Au Bonheur des Dames 331

d'oliveira

 

 

À mulher de César...

 

Ex.º Sr.

Dr. Passos Coelho

 

Os jornais com  uma pertinaz constância vão revelando os pormenores de um contrato entre uma empresa dirigida por V.ª Ex.ª e o Estado.

Em termos simples, a empresa em questão propôs-se ensinar umas tretas aos funcionários municipais adstritos  a uma meia dúzia de aeródromos da região Centro.

Esses aeródromos de escassa ou nula actividade mereceram um contrato de mais de um milhão de euros que pagaria um curso a umas dezenas de criaturas. Mais revelam os jornais que as facturas dão muito mais formandos do que na realidade existiram e, sobretudo, do que na mesmíssima realidade seriam necessários.

Avolumam-se, entre cada vez mais cidadãos, suspeitas gravíssimas de uma negociata imoral e vergonhosa na exacta medida em que se desconhece o que poderá dizer-se a um par de funcionários municipais sobre aviação civil e o preço porque se fornece esses mesmos elementos educativos.

Sempre predisposto a acreditar na boa fé dos formadores, na lisura dos processos, na transparência dos contratos com o Governo, na extrema necessidade das acções de formação (por alguma razão os meu colegas de blog me chamam Extra-Terrestre) dediquei-me a pensar como é que um curso deste bizarro tipo poderia custar dinheiro que se visse (e que, tudo o indica, V.ª Ex.ª viu, claramente visto, se é que esta citação Lhe diz algo). Para o caso de estar desmemoriado, ou simplesmente stressado, e porque o outro participante no acordo, um certo cavalheiro que tira cursos mais depressa do que o Bug’s Bunny come uma cenoura –esta talvez já diga mais a ambos! -  sempre esclarecerei que me refiro a Camões e aos Lusíadas se é que o nome Lhe diz algo. Note que não peço, muito menos exijo que tenha lido este autor do nosso século XVI (Sim, XVI, ou dezasseis para os mais incautos, altura em que o país já existia, mesmo que, para alguns, eventualmente muitos, a coisa pareça estranha...) Aliás, nem sequer me atrevo a pensar que o conheça. O homem era um poeta e o poema mais comprido e chato do que a espada de Afonso Henriques que, já agora, foi o primeiro rei de Portugal (que cá também houve reis, imagine!) Trinta e quatro, contando os três espanhóis (também houve, veja lá) ou trinta e dois, descontando-os mas juntando o Prior do Crato que para alguns foi Rei (enfim, confusões com que  - prometo – não o tentarei enredar mais).

Deixemos a História, essa chatice e dediquemo-nos à aviação & seus derivados.

Depois de pensar durante horas, e tendo a certeza que não usaram histórias da carochinha para educar o povo trabalhador da região centro, eis que cheguei a um possível sumario das matérias ensinadas.

Ar Terra e Água: introdução aos elementos

O vento

Ar normal e ar comprimido e noções gerais de ar viciado

A conquista do espaço: Pégaso o primeiro transporte alado

O carro de fogo de Elias ou a Bíblia na senda do progresso

A passarola uma realidade nacional contra as veleidades da Revolução francesa

A questão do mais pesado e do mais leve do que o ar

Balões: teoria geral

Os dirigíveis: apogeu e queda da versão germânica pré Merkel

A Aviação (do Barão Vermelho à TAP)

O Boeing, sua utilidade na província e o big bang inicial (prolegómenos)

Dos aeroportos portáteis (de Cernache à Figueira da Foz: o exemplo prático de Palma Inácio) ao grande projecto: um local de amaragem para hidroaviões.

(Vantagens adicionais: aproveitamento do mar português e regresso às grandes tradições náuticas nacionais. Homenagem a Baptista Pereira, o herói de Alhandra).

Dispositivos aeroportuários: faróis, balizas, radares, sonares e outros azares (proibição de olhares)

Bibliografia escolhida:

John chauffeur russo Max du Veuzit

O Atantico em balão; Maravilhas do ano 2000, O Rei do Espaço (Emílio salgari)

Uma aldeia aérea; Da Terra à lua; à volta da lua; 5 semanas em balão; robur o conquistador (todos de Julio Verne)

Opcional: “L’ équipage”  Joseph Kessel

Capitão Marvel (versão completa)

 

Fora este o programa e ainda se justificaria a soma gasta. Mas não foi. Ou por outras palavras: o insidioso rumor público que qualifica esta situação passada como algo de muito grave só irá crescer à medida que se souber (e vai saber-se) o que realmente ocorreu. E as suspeitas sobre a negociata irão em breve ser substituídas por acusações de burla, de roubo (roubo verdadeiro, não essa litania do assalto á mão armada que corre na AR pela voz de Jerónimo e outros). A fama, essa sombra imponderável que cresce como mancha de azeite (Teixeira Ribeiro dixit) vai reduzir o eventual bom nome a que V.ª Ex.ª, enquanto cidadão, teria direito.

Neste momento já é visível que nenhum politico em funções governativas pode visitar qualquer coisa sem um coro de protestos à porta. O desespero, por um lado, o conhecimento destes episódios da serra de Azambuja, por outro leva a todos os desvarios. Por menos, como disse alguém, rolou a cabeça de um rei (poupo Vº Ex.ª aos pormenores porque não quero precipitá-lo ainda mais no mar revolto da História, matéria em que seguramente ainda se sentirá pior do que em Economia e em Finanças Públicas.)

De V.ª Ex.ª espectador resignado mas indignado

 

 

 

15
Out12

Pinto Monteiro e a nova PGR

José Carlos Pereira

O ex-Procurador-Geral da República nem sempre foi cuidado com aquilo que disse e com as críticas ao sistema judicial, mas a entrevista que dá ao "Expresso" desta semana vale a pena ser lida (apenas na edição em papel). Diz claramente que não concorda com um PGR tão vinculado ao Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, como sucede com Joana Marques Vidal, volta a falar na falta de meios colocados à disposição e, por fim, não tem pejo em dizer que o processo Freeport "é uma fraude" e que foi movido por intuitos políticos. A sua voz, às vezes meio trapalhona, é certo, vai fazer falta.

15
Out12

Novas tarifas de electricidade, maiores lucros para EDP e outros

JSC

 

A notícia do Público informa que a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) anuncia esta segunda-feira a subida nos preços da electricidade para 2013.

 

Seria interessante que se conhece o estudo de suporte que levou a ERSE a definir os novos tarifários. É que todas as notícias que ultimamente temos conhecido sobre o desempenho financeiro da EDP aponta para lucros abundantes e para a permanência das rendas excessivas que a própria troika pretendia ver reduzidas.

 

Veja-se:

 

EDP com lucros recorde de 1125 milhões
Expresso, 8/3/2012

 

Lucros da eléctrica atingiram 582 milhões de euros no primeiro semestre, um valor que ficou acima do esperado pelos analistas
Jornal de Negócios, 26/6/2012

 

A EDP Renováveis (EDPR) anunciou hoje que os resultados líquidos do primeiro semestre aumentaram 12% na primeira metade do ano
Jornal de Negócios, 26/6/2012

 

Rendas excessivas: EDP sai ilesa do corte, preços disparam
Agência Financeira, 23/5/2012

15
Out12

Basta de desabafos!

JSC

Sempre que se anunciam grandes movimentações populares aparece uma figura a mandar uns bitaites para o ar, que a comunicação social agarra e transforma em notícia. A seguir, temos os comentadores do costume a esmiuçar o bitaite. Entretanto, o tempo das manifestações passou, abafado e minimizado pelo ruído criado. Na verdade, é de ruído que se trata porque decorrido o tempo que dura a notícia nada mais acontece.

 

Vem a isto a propósito da mais que esmiuçada declaração de Cavaco Silva no seu facebook. Se o objectivo não fosse produzir ruído, ver o que acontece, Cavaco Silva teria convencido o Presidente da República a dizer no discurso do 5 de Outubro, o que agora escreveu no facebook. Como não o fez e admitindo que apenas tomou consciência do problema depois do 5 de Outubro, então, Cavaco Silva podia convencer o Presidente da República a não deixar passar este Orçamento, com todas as consequências políticas que isso encerra.

 

Já que Cavaco Silva gosta de comunicar com o pessoal pelo Facebook ao menos, por uma vez, que nos dê uma grande novidade. Basta de desabafos!

14
Out12

estes dias que passam 288

d'oliveira

 

 

Round midnight

 

Um senhor!

 

Os leitores perdoarão que intitule esta brevíssima nota “round midnight” êxito absoluto do grande Thelonius Monk e standard recorrente de todos os músicos realmente importantes.

Mas foi a palavra que me veio à ideia quando caí numa entrevista com Jorge Sampaio (Sic notícias, sábado, 23 horas).

Nota pessoal: sou amigo de JS quase desde o 1º momento wm que espantado e deliciado o ouvi. Era ele Secretario Geral da RIA e eu um rapazola militante associativo em Coimbra (1961). Tive a sorte (mas também fiz por isso...) de um pouco mais tarde o conhecer pessoalmente e desde aí somos amigos. Entrei no MES porque ele estava lá (não só por isso mas muito por isso) e saí de lá meses depois dele (e um bom grupo de amigos comuns) sair.

Segui-lhe o percurso com atenção, amizade e entusiasmo, fui seu indefectível apoiante para a Presidência da República e sem chegar ao exagero de me considerar – como um óptimo amigo comum – um sampaísta fundamentalista, tenho-me na conta de um companheiro e camarada de todas as lutas.

Todavia, nunca isto foi motivo para pontualmente sentir alguma divergência – e houver duas ou três – nem para o beatificar ainda wm vida.

Acontece que, depois de sair da Presidência da República, cargo em que genericamente todos concordarão que exerceu com pertinência, patriotismo, serenidade e um alto sentido de Estado, desempenhou funções de grande responsabilidade com a discrição e a competência que também geralmente lhe reconhecem.

Ora, hoje, aliás ontem, discorreu durante uma hora sobre a situação actual com um discernimento, uma veemência e um cuidado que merecem ser destacados. Ignoro se algum jornal ou os restante media amanhã (hoje) se referirão à entrevista. Ignoro se a SIC repetirá este belíssimo depoimento num horário nobre, ignoro se algum desses cavalheiros que faz análise política entenderá referir as palavras dele.

Bom seria que esta entrevista, aquele balanço, as propostas apresentadas fossem pelo menos mais conhecidas do cidadão médio. À uma porque foi algo de perturbantemente sereno e educado. Depois porque sem poupar criticas (serenas mas claras) nem elogios (idem, idem) JS mostrou porque é que (e é) foi um politico  dos melhores e mais capazes dos últimos 50 anos.

Às vezes critica-se a gente de 60 por boas (raramente) e más (quase sempre) razões. Porém, bastaria ouvir esta intervenção de Sampaio para se perceber e justificar a existência de uma geração que tentou a aventura de sonhar um pais diferente, melhor, mais justo, mais tolerante.  E que só terá que se culpar pelo pecado de não ter querido perpetuar-se no poder, sequer assaltá-lo ou malgastá-lo.

Neste ponto, deveria explicitar algumas das propostas, das sugestões feitas por Sampaio. No entanto, não o farei. É tempo dos espectadores do massacre diario das televisões fazerem o esforço de exigir a estas, no caso em apreço, à SIC de repescar uma entrevista que, garanto-o, pode trazer a muitos um ar fresco, uma pequena, mas resoluta, confiança e um projecto. E ouvir um homem apaixonado que não grita, não insulta, não desqualifica mas resiste a todas essas fatais tentações de fazer (baixa) política.

Um must! Como “round midnight” interpretado por Monk ou por Davis ou por mais meia dúzia de outros músicos de excepção. 

11
Out12

Todos estão de acordo

JSC

Imaginemos que cinco ex-presidentes do PSD acordaram encontrar-se algures, a fim de analisar o estado da governação. 

 

Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro a expor as suas preocupações, com a sofisticação que se conhece, lá foi dizendo que o Governo vai voltar a recuar, que desta vez vai repor a cláusula de salvaguarda do IMI. O que o preocupa, diz, é que o governo já está a governar em função da contestação social e da sobrevivência do próprio Governo.

 

Manuela Ferreira Leite argumenta que não se pode governar com base num acto de fé. Onde é que isto nos conduz? Pergunta. Ao que Marcelo responde – uma incógnita. O governo está a começar pelo fim, pelo lado mais fácil. O que está a faltar são as reformas estruturais, que é dizer que instituições, observatórios, institutos e serviços estão a mais e, só depois, ir ver quem é que está a mais.

Nem mais, disse Marques Mendes. A política fiscal deste governo é um assalto à mão armada, aos contribuintes, mata a classe média. Manuela Ferreira Leite dá a sua anuência e acusa o ministro das Finanças de total insensibilidade social pelas medidas de austeridade mais recentes sublinhando que o país chega ao fim destroçado.

 

Destroçado já está, remata Santana Lopes, garantindo que em consequência das políticas praticadas a classe média está a braços com situações lancinantes, as pessoas que estão com fome e não tem dinheiro para comer, para tratar das doenças.

 

Rui Machete, que até então ia escutando, escutando, opinou que estava francamente contra a generalidade e a maneira como as medidas estão a ser tomadas, contra os sacrifícios exagerados que está a impor aos portugueses e, em especial, à classe média, que têm por base uma estratégia errada.

 

 Foi então que alguém disse – mas se estamos todos de acordo, se tal como nós, todos os comentadores e analistas políticos estão de acordo, as confederações patronais e os sindicatos estão de acordo, se o povo na rua já mostrou estar de acordo, porque é que o governo se mantém contra tudo e contra todos?

 

 Ora aí está uma boa questão, sussurrou um dos presentes, para levarmos ao PR, também ex-presidente PSD. Talvez ele dê a resposta, a não ser que chute para canto como ocorreu com o discurso do 5 de Outubro.