Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

08
Out12

A candidatura de Menezes à Câmara do Porto

José Carlos Pereira

O anúncio da candidatura de Luís Filipe Menezes à Câmara do Porto, no auge da polémica sobre a anunciada intenção de alterar as contribuições de empresas e trabalhadores para a segurança social, não apanhou ninguém de surpresa. Há muito que Menezes impusera o seu nome como candidato à autarquia portuense e, para evitar qualquer surpresa, até conseguira que um seu colaborador ganhasse as eleições para a concelhia do PSD/Porto.

Por muito que Rui Rio tenha tentado travar a candidatura de Menezes, as suas tropas não foram suficientes para o conseguir. Menezes, com o apoio de Passos Coelho, Relvas e Marco António Costa, tinha a passadeira estendida para quando quisesse avançar. Diz quem conhece os meandros do PSD/Porto e o próprio autarca que o maior adversário de Menezes será…o próprio Menezes mais as suas idiossincrasias.

É conhecido que a concelhia liderada por Ricardo Almeida há muito que reúne com personalidades dos mais diversos quadrantes para tentar delinear o programa da candidatura e a imagem de fazedor que Menezes transporta consigo desde Gaia concede-lhe favoritismo nesta corrida eleitoral. Quem se importa com as dívidas que Menezes vai deixar ao seu sucessor em Gaia?

Cabe ao PS um papel decisivo na montagem de uma estratégia que possa travar Menezes no assalto à Câmara do Porto. Depois de ter apresentado figuras de projecção nacional como Francisco Assis e Elisa Ferreira, o nome do líder da concelhia socialista, Manuel Pizarro, parece ser o mais bem colocado dentro do partido para ir à luta. Deputado e ex-secretário de Estado, Pizarro pode reunir o consenso dos militantes socialistas, mas não tem o perfil e a notoriedade necessários para se bater de igual para igual com Menezes. Isso só poderá ser compensado, a meu ver, com uma estratégia que alargue os horizontes da candidatura para fora do PS e promova uma concertação com os partidos e movimentos à esquerda do PS. Foi esse o caminho seguido em Lisboa há vários anos e por que não repeti-lo agora no Porto?

05
Out12

estes dias que passam 287

d'oliveira

 

 

O último feriado

Os “estados gerais” do Bloco começaram como se previa.

Pouca gente, poucas ideias e, até... pouco ruído.

Alternativa ou alternadeira?

Do outro lado, a Câmara de Lisboa inventou a praça do Município num pátio: O da Galé.

Entre uma bandeira içada ao contrário e duas mulheres que ousaram protestar (os homens caladinhos como lhes convinha...) as discursatas foram iguais às de sempre.

Entretanto, noutros sítios as pessoas passeavam indiferentes, à data, às ameaças de impostos juntando-se nas lojas abertas num feriado que não é para todos e em breve será para ninguém.

Entretanto, numa comemoração pífia, o "jovem" Seguro assegurava num berro formidável e comovido esta terrível promessa: quando for Governo restabelecerá o feriado! Assim se combate a crise e se apresentam verdadeiras alternativas!

05
Out12

Um 5 de Outubro enclausurado

JSC

 

 

Acabei de ouvir a intervenção do Presidente da República nas enclausuradas comemorações do 5 de Outubro É absolutamente inacreditável que na actual conjuntura de espezinhamento dos portugueses Cavaco centre o seu discurso na “diáspora”, que insinua termos como destino, e na política de "formação e educação" da juventude.

 

Cavaco ainda foi dizendo que no passado recente nos centramos na “espuma dos dias” e que fomos por valores que acabaram por gerar a nossa dependência externa. Neste particular, Cavaco falou como se  o “passado recente” que refere  não o tivesse como um dos principais protagonistas pela condução da “espuma dos dias” e pela governação para o “imediato”.

 

Não se pedia a Cavaco que viesse explicar porque é que os contribuintes portugueses têm de pagar 6,5 mil milhões de euros roubados do BPN, a coberto da “espuma dos dias” de que fala Cavaco.  6,5 ml milhões de euros que não se esfumaram, porque foram parar ao bolso de pessoas concretas. Contudo, era expectável que Cavaco dissesse qualquer coisinha sobre o anunciado assalto fiscal que o governo acabou de anunciar. Era expectável que Cavaco falasse do que hoje, agora, preocupa verdadeiramente os portugueses.

 

O discurso de Cavaco mostrou um Presidente assumidamente fora da realidade sentida pelo povo, mas bem dentro da realidade política como mostra a sua indicação para fechar as comemorações do 5 de Outubro ao povo.

 

Não deixou de ser caricata a fuga apressada de Cavaco, mal acabou de discursar, refugiando em Belém. O primeiro ministro, por sua vez, já tinha ido para a Eslováquia

04
Out12

“Tenham medo”

JSC

 Foto tirada do blog Abrupto

«Quem se lembra de anunciar a 7 de Setembro um aumento das contribuições sociais dos trabalhadores em 7% para menos de um mês depois avançar com o mais violento aumento de impostos desta geração, é capaz de tudo.

 

Num curto espaço de 26 dias, pessoas como Vítor Gaspar, Passos Coelho, Santos Pereira ou Carlos Moedas transfiguraram-se, desligaram-se do mundo e, do alto dos seus cargos, ou revelaram uma confrangedora inocência política, ou uma pérfida propensão para humilhar o país. Só total ausência de sensibilidade, a absoluta falta de lucidez política ou, pior ainda, a arrogância petulante de que basta ler uns certos livros para se ter razão pode justificar este mês de loucura.»

 

Manuel Carvalho, in Público

04
Out12

Cinismo visionário

JSC

 

O Ministro das Finanças concluiu agora que a maioria dos funcionários públicos e pensionistas ficará melhor em termos financeiros no próximo ano, o que é verdadeiramente inacreditável. O Governo, obrigado pelo Tribunal constitucional, apenas vai devolver uma parte do assalto que fez às remunerações e o ministro apresenta isso como um acréscimo remuneratório.

 

Mas a inspiração do ministro das Finanças não tem limites, e numa tentativa de afagar o pêlo do pessoal disse, alto e bom som, que o povo português "revelou-se o melhor povo do mundo”. O que Gaspar quis dizer é que somos uma cambada de pacifistas, amorfos, brandos costumes, incapazes de ir um pouco mais além, como sucede na Grécia, Madrid, Barcelona. Ou me engano muito ou o filme ainda vai a meio.

 

Alucinado por uma crença qualquer, Vitor Gaspar atira-nos com a visão dos próximos amanhãs que cantam e procura convencer-nos que no fim deste caminho (em Junho de 2014) teremos "um Portugal moderno, aberto, com oportunidades para todos”.  Como é óbvio, como todos os indicadores revelam, o que vamos ter é um país de tanga, a viver num clima de salve-se quem puder, com todas as consequências sociais que tal envolve.

 

O ministro tem um problema com a realidade, a realidade que se mostra agastada com os seus modelos econométricos, a realidade onde existem pessoas que não podem comungar das obsessões do ministro nem da cegueira de um governo que teima em destruir a economia. Vitor Garpar, que agora elogia o povo, bem podia ouvir a voz do povo, que já é mais do que uma voz, é um grito sério e profundo, a exigir que não empobreça mais este país, a exigir que parta. Bruxelas guarda o seu lugar tecnocrático bem remunerado, onde os cortes que nos inflige não se aplicam nem terá de suportar os brutais acréscimos de custo em tudo o que é taxas e preços de bens essenciais. Gaspar, Álvaro & C:ª têm o seu futuro bem acautelado e remunerado. Assim cuidassem do nosso.

04
Out12

De assalto em assalto até ao empobrecimento total

JSC

As novas medidas de austeridade começaram a ser anunciadas por causa da deliberação do Tribunal Constitucional. A propósito dessa deliberação os senhores do governo e os parlamentares mais próximos usaram e abusaram dos meios de comunicação para propagandear a ideia de que o governo tinha de aplicar novas medidas de austeridade. E foi assim que se entrou na fase seguinte, dominada pela TSU. Em bom rigor a TSU pouco tinha a ver com a problemática do equilíbrio das contas públicas. O que traduzia era uma pura transferência de dinheiro do bolso dos trabalhadores para a tesouraria das empresas. Contudo, a TSU passou a ser a medida mais importante e apesar de rejeitada por todos, mesmo por todos, os borges iluminados do governo continuaram a insistir na bondade da medida.

 

É neste contexto que Vitor Gaspar, no intervalo dos jogos da champions e na véspera da partida de Passos Coelho para a estónia, anuncia o que designa por um “enorme aumento de impostos”, acompanhado pela previsão do novo aumento de desemprego.

 

Importa recordar que, bem lá atrás, Cavaco Silva proclamava que os sacrifícios exigidos aos portugueses já tinham atingido o limite suportável. O que é que o Presidente vai dizer agora face a mais este pacote, que o próprio ministro designa de “enorme aumento de impostos” a acrescer ao aumento de impostos, taxas e preços de serviços públicos que já se verificaram neste ano. Será que Cavaco silva, face à violência das medidas anunciadas, vai dizer que afinal os limites são elásticos ou será que vai fazer o que deve ser feito e escorraçar estes vendilhões, cuja política não vai além do saque fiscal, da criação de desemprego, aumento das falências colectivas e individuais.

 

Ao contrário do que diz Seguro, o país não vive uma situação de estabilidade. Mais, um país que tem um governo desta natureza nunca poderá viver numa situação de estabilidade. Estabilidade é procurar destituí-lo enquanto é tempo, enquanto ainda se pode ver alguma réstia de esperança contra esta política de empobrecimento do Estado, das empresdas e das famílias. Urge encontrar uma alternativa, mesmo que seja dentro do próprio PSD. Qualquer governo que suceda a este será um governo melhor.

03
Out12

Au Bonheur des Dames 330

d'oliveira

 

L’arroseur arrosé

Por irónico que possa parecer, não posso deixar de me rir da TVI. A TVI, virtuosa estação, incapaz de sensacionalismo, incapaz de produzir péssimos programas lacrimejantes, doentiamente estúpidos e atoleimadamente irrealistas, foi vítima de uma inteligente campanha de publicidade de uma marca de cosméticos.

Afinal o jovem que procurava Diana era apenas um excelente actor que, com desarmante simplicidade e extraordinário profissionalismo, levou a TVI a acreditar e ampliar desmesuradamente numa história da carochinha nascida entre o estrépito da manifestação frente à Assembleia da República e terminada num banco romântico do Jardim do Príncipe Real.

Todavia a história contada pelo protagonista tinha todos os truques para se perceber que algo estava ali a mais. Ou a menos. Dois olhares que se cruzam, uma rapariga, belíssima, loira, olhos azuis e cabelo comprido , olha para trás e seduz um involuntário português admirador de nórdicas belezas. E juntam-se por um par de horas. E falam (Falam? De quê? Só por aí por nada ter sido dito ao público, a nós, já a coisa parecia estranha) e ela diz-lhe que se chama Diana. Logo Diana!... E francesa. E que partirá dali a dias para Paris. E que não lhe revela o sítio onde mora, a direcção em França mas entretanto dá-lhe um beijo e manda-o procurá-la por toda a cidade...

Tudo isto cheira a Max du Veuzit, a Corin Tellado, a telenovela mexicana, a invencionice pouco elaborada. Mas a TVI, qie acredita no amor, na fantasia, num raio de luz por entre as trevas da crise, que presa na dsua própria máquina de inventar historietas românticas e telenovelas abaixo de cão, foi “comida” com uma ligeireza que a sua própria vontade de “furo jornalístico” ampliou a tal ponto que agora, de rabo entre as pernas, faz a parte do jogador de mau perder. O jovem actor “mentiu”! ou seja a propaganda (que mente sempre, que exagera sempre, que cria necessidades e factos) a uma marca ou a um produto embarretou em cheio os inteligentes da TVI. Mas a TVI, tudo gente séria, tudo gente escrupulosa, acha que uma campanha de publicidade levada a cabo por um actor competente é uma mentira!

Incapaz de se rir de si própria, incapaz de corrigir um erro com elegância e fair play, a TVI pela voz indignada de José Alberto Carvalho, um cavalheiro que deve estar convencido que é efabulador e escritor, veio condenar o jogo que ela própria jogou e que acelerou.

Pobre gente televisiva que cai no seu próprio alçapão e que já devia estar a afiar o dente para o momento, exaltante e inesquecível, em que o “Ricardo” encontrava “Diana” graças a uma rede cúmplice de comovidos e ternurentos portugueses que esforçadamente andavam por aí de olho apurado e olhar descobridor à procura de Diana, a caçadora de corações lusitanos. A TVI que manifestamente não sabe do mito grego, tão pouco de histórias de amor a sério, está ferida no seu orgulho, despeitada até dizer basta e barafusta contra a mentira.

E promete continuar a acreditar no AMOR  (que, como Júlio Dantas afirmava, é sempre diferente em Portugal) nos outros Ricardos, na isenção e profissionalismo lamechas dos seus jornalistas e repórteres....

E aclama um imbecil movimento anti-Cacharel que subitamente tem no Facebook duas mil assinaturas de piedosas e ingénuas que só acreditaram nesta historieta mal contada porque justamente a TVI lhe deu foros de verdade.

Pobres crédulos! Tola televisão!

Ai, se isto não é uma metáfora de um país que eu cá sei, então nada traduz essa terra desgraçada em que nada se salva nem se aventura. 

 

 

No exacto momento em que escrevo isto, a TVI passa uma coisa inenarrável chamada “Casa dos Segredos” que, hoje, pela 1ª e última vez, me entra cá em casa. Por cinco exactos minutos, para eu perceber que a estupidez tem foros de cidade e que ao pé daquilo e da D. Teresa Guilherme, até o rato Mickey parece um galã de Hollywood. Saio no exacto momento em que alguém jura que os mamilos do Fábio são lindos e se propõe um programa só sobre os mamilos de fábios e outros do mesmo teor..Vê-se que a gente que emite esta coisa ignóbil tem razões, sobradas razões, para se indignar!...

 

Pág. 4/4