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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

30
Mar15

Aquapura e Ongoing – que ricos exemplos!

José Carlos Pereira

Os jornais dos últimos dias trouxeram ecos de dois casos exemplares de súbita ascensão e queda, no turismo e na comunicação social. Sempre com a banca (ou o BES) por trás.
O empresário Diogo Vaz Guedes foi um dos paladinos do movimento Compromisso Portugal, mas não perdeu tempo a vender a Somague aos espanhóis da Sacyr Vallehermoso. Depois, claro está, de ter obtido concessões de exploração e distribuição de água e saneamento verdadeiramente ruinosas para vários municípios. Há cerca de dez anos lançou-se na área do turismo. Ambicionava construir um número considerável de hotéis e avançou com a construção do hotel Aquapura Douro Valley, em Lamego, no Douro, juntamente com outros investidores, entre os quais António Mexia, ex-ministro e actual presidente da EDP, que entretanto, se desfez da sua participação no projecto. Compreende-se porquê.

Segundo veio recentemente a público, a empresa promotora do hotel teve de recorrer a um Plano Especial de Revitalização, acumulando dívidas a credores de cerca de 46 milhões de euros! Mais de noventa por cento desses créditos pertencem ao BES Investimento. Como é fácil encomendar o luxo e defender as virtudes do liberalismo…
Nuno Vasconcellos criou a Ongoing para construir um grupo de comunicação social dominador, em parceria com o seu sócio espanhol Rafel Mora. A empresa teve participações significativas na Impresa e na TVI, comprou o grupo “Diário Económico” e investiu também nessas áreas no Brasil e em Angola. A Ongoing foi um player destacado na gestão da PT nos últimos anos, sempre alinhado com os interesses do BES, e fez gala de contratar políticos e gestores influentes, com vista a alicerçar um projecto de poder com raízes maçónicas.
Quando tudo parece ruir, estima-se agora que a dívida da Ongoing atinja os 500 milhões de euros, pelo que os sócios estão em vias de separação e alguns dos investimentos vão ter de ser vendidos à pressa, sob pressão dos bancos credores. Ah, e Nuno Vasconcellos foi mais um dos promotores do Compromisso Portugal. Que rico alfobre!

24
Mar15

O leitor (im)penitente 80

d'oliveira

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 Na morte do autor de "A morte sem mestre"

“Havia um homem que corria pelo orvalho dentro.

O orvalho de muita manhã.

Corria de noite, como no meio da alegria,

pelo orvalho parado da noite.

Luzia no orvalho. Levava uma flecha

pelo orvalho dentro, como se estivesse a ser caçado

Loucamente

por um caçador de que nada se sabia. E era pelo orvalho dentro.

Brilhava.

Não havia animal que no seu pelo brilhasse

assim na morte,

batendo nas ervas extasiadas por uma morte

tão bela.”

 

Morreu o Herberto. Era assim que o grupo de amigos que em tempos (oh, há quanto tempo...) se juntava numa discreta livraria ali no largo Trindade Coelho, que comummente chamam da Misericórdia.

Recordo o Herberto à conversa com o Manuel da Fonseca na livraria discretíssima que depois se chamou Artes & Letras e agora se chama nada. Um senhorio demasiado ganancioso enviou o Luís Gomes para outras paragens. Ficou apenas o resistente José Vicente com a sua Olisipo.

O Herberto apreciava a zona e uma que outra cervejola com amigos numa pequena tasca à entrada da Calçado do Duque.

E era afectuoso com os leitores que chegavam com um abraço, um agradecimento.

Devo-lhe as alegrias mais extremas, os momentos mais terríveis graças ao mistério da sua poesia que um outro morto (António Manso Pinheiro, amigo de infância, de adolescência, de toda a vida..., ele mesmo editor ) me guiou na descoberta de HH no início dos anos 60. Mais de meio século! Cinquenta e tal anos iluminados pela obra sempre renascida, sempre diferente, deste homem que é, sem qualquer dúvida, o maior poeta português da segunda metade do século XX. E dos primeiros 15 anos do século XXI, entenda-se.

Tenho como a maior perda da minha biblioteca o desaparecimento de “electronicolirica” que algum amigo transviado, mais amigo de Helder que de mim que o recebia confiado, fez mão baixa. Não perdoo tanto mais que nunca mais consegui pôr a vista nalgum exemplar dessa obra.

 

Morreu, pois. Deveria dizer que se o homem morre, a obra fica mas não é bem assim.

É que enquanto foi vivo, nós seus leitores, nós os happy few, estávamos sempre à espera de mais um poema. Agora já não esperamos nada ou muito pouco. Algum original perdido numa gaveta. Mas não é a mesma coisa. O Herberto só publicava depois de reexaminar e voltar a examinar o texto produzido. E, quantas vezes, mesmo depois de publicado, o reescreveu. E quantas vezes eliminou poemas nas diferentes versões da sua obra toda.

“ouvi dizer que os mortos respiram com luzes transformadas.

Que têm os olhos cegos como sangue.

................

Os mortos devem ser puros.

Ouvi dizer que respiram.

Correm pelo orvalho dentro, e depois

estendem-se. Ajudam os vivos.

São doces equivalências, luzes, ideias puras.

Vejo que a morte é como romper uma palavra e passar

-a morte é passa, como rompendo uma palavra,

através da porta,

para uma palavra nova.”

.............

Herberto, seguramente que ajudou muitos vivos. Muitos leitores que mesmo desolados, agora, relembram a alegria e o mistério da palavra poético no que ela terá de mais definitivo, de mais terrível e de mais puro.

 

* O poema (melhor: os extractos de poema) consta do livro "A faca não cort o fogo (súmula & inédita) publicado por Assírio & Alvim em 2008. 

23
Mar15

PTP-AGIR, AGIR-PTP - “de esquerda, de direita, de centro…”

JSC

Joana Amaral Dias, ex-dirigente e ex-deputada do BE, anunciou que vai ser candidata a deputada, cabeça de lista de um novo partido. Um partido que pretende que seja conhecido por AGIR. 

Joana Amaral Dias quer “construir uma verdadeira democracia”, a partir da “ruptura popular” com a política tradicional. 

Para tanto o que fez Joana Amaral Dias? Foi negociar com o moribundo Partido Trabalhista Português para este assumir a sigla AGIR e adoptar a Joana Amaral Dias como cabeça de lista. Ao AGIR assim Joana Amaral Dias nem conseguiu ser original uma vez que já houve outras figuras públicas a recorrer a esse estratagema – Liderar uma lista sem terem de criar um partido. 

Quem assim AGE, quem recorre a um velho e ressequido partido para intervir na vida política, está-se mesmo a ver a natureza da “verdadeira democracia” que Joana Amaral Dias prossegue. 

Se a tudo isto se acrescentar a proposta mobilizadora que Joana Amaral Dias apresenta temos o caldo democrático do AGIR: "não interessa se és de esquerda, de direita, de centro, ou não te reconheces em lugar nenhum, o que interessa é a tua vontade de participar nesta ruptura popular e construir uma verdadeira democracia". 

Como se percebe, o movimento AGIR não tem uma ideologia nem uma ideia para o país. Apenas tem um objectivo: Caçar votos e como todos os votos contam, venham eles “de esquerda, de direita, de centro…”

20
Mar15

Estes dias que passam 324

d'oliveira

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Os cheira-merda ou uma espécie de nova PIDE

 

Em guisa de explicação devo declarar que isso de listas VIP é sempre uma tolice antidemocrática. Quem é uma figura pública não deve ser mais (nem menos) protegido da bisbilhotice alheia que um qualquer pobre cidadão.

Em segundo lugar, a título de declaração de interesses, devo afirmar que o meu risível estado fiscal nunca teve a mínima hipóteses de fugir sequer a uma simples taxa. O que tenho está todo na mão do fisco (rendas de prédios, reforma, algum que outro ganho com trabalho extra.

Em terceiro lugar, e usando um exemplo externo, sempre me irritou o véu de chumbo que cai sobre a biografia política e prisional de cidadãos que deram o corpo ao manifesto nos anos duros. Eu explico: fui alvo de catorze processos promovidos pela PIDE primeiro e pela DGS depois. Em nenhum deles consegui verificar quem eram os denunciantes, os “bufos” ou apenas os tristes que “borregando” nos interrogatórios me indicavam como conspirador ou mesmo como mentor de actividades políticas subversivas. Até por bombista passei, acusado por uma “Catarina” que se atreveu mesmo a inventar a minha presença num qualquer encontro conspirativo em Cantanhede, progressiva terra a que só fui em meados dos anos oitenta!

Ao contrário do que se passa na sempre maléfica Alemanha, os cidadãos portugueses que tiveram os seus dares e tomares com a polícia política não sabem quem os denunciou. E, assim sendo, podem, ainda hoje, cumprimentar o cúmplice da polícia que os vigiou, deteve e eventualmente os torturou.

Bem sei que certas organizações logo no dia 26 de Abril foram à António Maria Cardoso e aí fizeram mão baixa dos processos dos seus militantes para não só saberem qual o comportamento destes enquanto presos mas também, e por isso mesmo, salvaguardarem a duvidosa virtude política dos que convinham à organização.

Aliás, eu mesmo fui beneficiado com algo semelhante. No assalto à sede da PIDE no Porto, um colega e amigo encontrou um processo sobre mim e entregou-mo na quase totalidade. Todavia, nem assim consegui identificar as criaturas que, como o próprio processo indiciava, teriam fornecido informações sobre mim. Azar de quem era free-lancer político!

Voltemos, porém, à vaca fria: Não posso garantir que haja ou não uma lista VIP de perfis fiscais de personalidades políticas (onde caberia muita gente desde Ronaldo a Passos Coelho ou de Sócrates a Manuel Pinho). O que sei de fonte segura é que sempre houve dispositivos de software que preveniam, a posteriori, que alguém bisbilhotava sem fundamento legal, o cadastro do cidadão indefeso. Recordo, mesmo, que desde há anos que na Segurança Social havia algo semelhante a pontos de uma vez que me lembre ter sido aberto processo disciplinar a dois técnicos superiores que, em má hora (para eles) se lembraram de ir fariscar o processo de uma superiora.

Este software (ou lá o que é...) tinha, no entanto, um defeito. Só actuava a posteriori pelo que o cidadão visado era mesmo prejudicado e estava sujeito sabe-se lá a que pressões vindas de quem o espiava ou de quem mandava espiá-lo.

Por mim é benvindo o procedimento que lança um alerta no exacto momento em que a acção pidesca e execrável se inicia.

E espanta-me extraordinariamente , ou nem isso, que uma criatura do sindicato dos trabalhadores fiscais uive o lamento de isso agora suceder. E se entristeça com os justificadíssimos processos que recaíram sobre a rataria indecorosa que resolveu, por seu livre alvedrio (ou por ordem alheia) ir ver os processos fiscais de A ou B.

E que, além disso, exija em alta e virulenta voz, o fim imediata da intrusão pidesca e miserável de modo a inocentar os beneméritos que andam a vasculhar a eventual merda alheia.

Não tenho dúvidas que, nos anos do Estado Novo, estas boas e patrióticas ideias do citado sindicalista rapidamente seriam reconhecidas pelos cavalheiros que dirigiam a PIDE. “Para Chefe de Brigada, já!”, diria gozoso e resplandecente o finado inspector Gouveia.

Um dos casos de ratonice conhecidos é o de uma senhora funcionária que terá acedido ilicitamente ao dossier fiscal do Presidente da República. Apanhada com boca na botija, terá dito em sua defesa uma burrice: apenas queria saber quanto ganha um Pridente de República.

Esta criatura deveria ser imediatamente corrida do emprego. Não por se ter prestado à repugnante tarefa de espionagem a soldo de alguém ou com mero efeito de futura chantagem. Nada disso. Deveria ser mandada para o justo descanso por ter usado uma desculpa tão estúpida. Além de incompetente (pois de certeza sabia que era apanhada) é de uma pobreza de espírito que só não lhe dá o direito ao céu por isto ser demasiado.

Com moderado espanto meu, não tenho visto por aí muita, pouca, quase nenhuma, gente a reprovar as manobras da nova e temível polícia fiscal ilegal.

Que cidadãos estamos a fomentar? Que cidadania? A indignação passou a pagar imposto?

Vale tudo no jogo da (baixa) política? Que país queremos?

Razão tinha Daniel Filipe ao inventar aquele profético título: “Pátria lugar de exílio”

19
Mar15

estes dias que passam 323

d'oliveira

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Carta a um ilustre advogado

 

Prezado Colega

 

Permita-me a mim, um já velho e reformado jurista, vir, desta forma felicitar V.ª Ex.ª pela coragem demonstrada ontem, urbi et orbe, graças à Televisão quando saía do Supremo Tribunal

Vi, claramente visto, como dizia o nosso imortal zarolho, como um advogado enfrentava uma multidão de jornalistas que, como ele próprio mais tarde explicitou, mais parecia uma matilha a cercar um nobre javali.

Na minha curta vida de advogado nunca tive de lidar com gente tão impaciente e ululante mas os tempos eram outros e o saudoso governo do Professor Marcello Caetano, mesmo não morrendo de amores pela classe dos advogados, não permitia excessos jornalísticos fossem eles quais fossem. A libertinagem nos media começa de mansinho e acaba sabe-se lá onde.

Mais tarde, desempenhando outras funções, travei conhecimento com um jornalismo mais impetuoso já sem o açaime (permita-me esta enviesada citação a partir dos seus desabafos) da censura governamental ou outra.

A democracia é neste aspecto perniciosa para quem tem de prestar declarações.

E pouco respeitosa!

Como calculará, apreciei imoderadamente o facto de V.ª Ex.ª ter declarado a uma jornalista assanhada que ela “cheirava mal” (bom faro, caro Colega, bom faro...) e o conselho (Vá tomar banho!).

Nem entendo como é que a criatura se sentiu atingida! Tomar banho é uma actividade normal que atinge o seu mais alto grau lúdico quando é numa piscina decente ou no mar salgado que, como é sabido, é feito de imensas lágrimas de Portugal. Nos restantes casos (duche, banheira ou qualquer recipiente de plástico mais modesto) sempre releva a higiene e é bom que o lembremos.

Recordará V.ª Ex.ª que nos deveres do filiado da saudosa Mocidade Português avultava um que expressamente declarava que “o bom filiado é aprumado, limpo e pontual”.

Não sei se V.ª Ex.ª se dedicou às actividades obrigatórias da MP que eu, vergonhosamente, ahimé!, pouco segui e sempre de má vontade. No caso de ter briosamente cumprido as carreiras de lusito, infante e vanguardista (ou, até, cadete) terá tido contacto com esta e outras máximas de elevado valor social e patriótico. E que deixam marcas: valha por exemplo o seu conselho generoso e amigável à citada jornalista.

No que toca à MP, confesso que nem farda tive nos primeiros tempos e que, já em África, descobri, maravilhado, a existência de uma quase clandestina “secção de cinema” onde durante três anos fabricamos uns escassos centímetros de desenho animado. A minha colaboração consistiu em desenhar umas pavorosas palmeiras ou coqueiros que mais pareciam borrões verdes e castanhos a fingir de vassouras erguidas na vertical. Gostaria de dizer que era já o meu espírito revolucionário a manifestar-se mas devo confessar que era apenas falta de jeito para a coisa.

Todavia, na cartilha do bom filiado da MP não constavam referências a animais domésticos, particularmente cães, com mau cheiro ou não. E muito menos a cadelas...

Confesso igualmente que lá em casa vigorava um sistema educativo um tanto ou quanto severo e, se a família me ouvisse comparar alguém a um cão, certamente me arderiam as bochechas para já não falar nas nádegas. Era o método Montessori versão CR.

Fui, portanto, uma vítima envergonhada de jornalistas mal educados a quem respondi sempre com evangélica paciência ou com um espesso silêncio se a coisa descambava. No meu íntimo chamava-lhes tudo mas, cá para fora, arreganhava a dentuça num rictus que, só por boa educação, se poderia considerar sorriso.

Ai o que eu passei!

Porém, ontem, V.ª Ex.ª vingou-me e a todas as vítimas do assedio jornalístico.

Ah, aquela referência elegante, espirituosa e tão popular à “canzoada” que se tem que aturar! Nem o nosso falecido colega Eça de Queirós seria capaz de uma metáfora tão inteligente e educada! Como diria o saudoso Thomás “só tenho um adjectivo: gostei!”

Esperamos ansiosamente outras versões de grupos de jornalistas: “então lá temos que aturar esta vara de suínos” ou, mais requintado, “temos de aturar estes oxiúros?”. Noutro tom: “que récua de criaturas!”

Obviamente não se prevêem alusões a enxames, cardumes ou, mais aereamente “que bando de estorninhos!” Falta de nervo e escassez de ironia.

Nós portugueses somos tímidos e demasiadamente educadinhos. E incapazes de escorraçar a “canzoada” a pontapé ou brandindo o argumento sólido e contundente de uma vara de marmeleiro.

De tudo o que a televisão fartamente mostrou só me ficou um engulho: se não vi mal, V.ª Ex.ª ia carregado com uma volumosa pasta, . Porque razão não desatou à “pastada” contra aquele gentio inquisitivo e perturbador? A pasta seria demasiado pesada? Temeu V.ª Ex.ª por algum computador nela guardado? Ou receou que o couro antigo e polido da nobre pasta fosse estragado por piolhos, lêndeas, carraças e demais bicheza que certamente habita as cabeças maldosas dos jornalistas?

De todo o modo a reportagem da TV foi sem dúvida um momento alto neste inesperado mas contundente percurso da já longa carreira jurídica de V.ª Ex.ª

Já tínhamos um Araújo, aliás Carvalho, como modelo de herói nacional. Acrescenta-se agora, um João, novo cavaleiro andante “sans peur et sans reproche” das causas dos inocentes relativas aos perseguidos pelo fero juiz Carlos Alexandre.

Bem haja!

Seu profundo admirador

mcr

 

18
Mar15

José Mujica, ex-presidente do Uruguai

José Carlos Pereira

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entrevista publicada na revista E do "Expresso" com o ex-presidente do Uruguai reconcilia-nos com a política no seu sentido mais nobre.

José Mujica deixou a presidência uruguaia no final de Fevereiro e voltou à sua pequena e modesta casa de 45 m2 e cobertura de zinco. Até custa a acreditar, não é? Diz Mujica: "Quero ser pródigo em liberdade e desprendido das coisas materiais. Não quero que me escravizem. É como o guerrilheiro que tem de marchar a pé. Se pensa nisto e naquilo, junta um peso de 100 quilos e não pode andar".

A sua presidência é avaliada muito positivamente pelos seus compatriotas, assumindo um papel relevante na recente aproximação entre Cuba e os Estados Unidos da América. Hoje, dedica-se a apoiar os mais necessitados e envolve-se em projectos de cariz social.

É mais um testemunho invulgar que nos chega da América Latina. Tal como o do Papa Francisco, que fez Mujica ficar envergonhado do longo tempo que ficaram à conversa, muito para lá da agenda marcada... 

17
Mar15

Presidente reforça pré campanha eleitoral da coligação

JSC

Otimista, mais do que o governo ou a OCDE, o Presidente da República elogia políticas da maioria.

Enquanto o Primeiro ministro andava por Sines a falar do futuro, o Presidente andava por Paris a falar do passado recente bem sucedido…

A ambos os órgãos de comunicação social foram generosos com o tempo de antena. Tudo combinado e cozinhado, dia a dia, dá o ingrediente para os partidos do Governo manterem-se à tona, pelo menos nas sondagens…

13
Mar15

Estes dias que passam 322

d'oliveira

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 A caça ao coelho de páscoa

 

Na vaga esperança de que o post RIP tenha finalmente conseguido ver a luz daqui escrevo aos meus eventuais leitores para justificar, se isso merece, esta longa ausência:

Além de ser de meu natural distraído, de não dar especial importância ao que escrevo, mesmo se tenha o cuidado de tentar ser perceptível, objectivo e de jamais me deixar empolgar por razões ideológicas e muito menos por paixões do mesmo teor, a verdade é que desleixei nas últimas semanas esta tarefa que me impus de ir escrevendo, dando constância sobre o que via, ouvia e sentia.

Todavia, alguns textos produzi, como este sobre um homem (Iduíno Gomes) que poucos conheceram e que foi importante para Portugal e para o Porto e para milhares de pessoas que arruinaram a sua vida perdidas no labirinto da droga.

Por razões que me são absolutamente desconhecidas (e isto ao fim de cerca de 1000 (mil) posts publicados!!!...) tais textos não viram a duvidosa luz da internet mesmo se, como julgo, seguisse o mesmíssimo protocolo de sempre.

Eram comentários sobre a situação grega, a isenção camarária de taxas ao Benfica e o caso das “dívidas” de Passos Coelho. Espero ainda poder salvar os primeiros mas não o último. Trabalhei uma boa dúzia de anos na Segurança Social e aconselharia a quem comenta uma breve pesquiza sobre a barafunda que foi a contínua saga dos “independentes”. Entre 1990 e 2005 (data em que jubilosamente me despedi do Centro Distrital do Porto) assisti a tudo, vi de tudo e, sem desculpar o que não tem desculpa, devo dizer, sem qualquer espécie de receio e muito menos de favor a quem quer que seja, que as situações anómalas eram mais a regra do que a excepção. Nada disso justifica o “esquecimento” de Passos Coelho e os de mais umas dezenas de milhares de cidadãos. Mesmo hoje, há um grande número de criaturas que não desconta. Por exemplo muitas das que trabalham à comissão: como não são tecnicamente empregadas de alguém, não descontam e como ninguém anda por aí a ver o que elas fazem, também não declaram nada. Ou declaram, outrossim, os rendimentos de outras actividades. Estão neste grupo, entre outros, muitos dos que dedicam ao imobiliário ou à venda de carros.

Entretanto, conviria verificar também a autenticidade de certos documentos emanados de organismos da Segurança Social. No que tenho lido há, pelo menos em relação a um, mais que suspeitas de ser um documento falso. Não seria o primeiro (corre por aí um processo que justamente investiga um gang que passava certidões a empresas) mas, no caso em apreço, parece ser uma grosseira tentativa de incriminação do actual primeiro ministro. Quem conheça os escaninhos tortuosos dos organismos da SS sabe com que facilidade isso pode ocorrer.

E com que igual facilidade se pode verificar a inautenticidade desses documentos cujos autores esquecem frequentemente o modo como eles estavam arquivados ou o suporte utilizado.

Tente o leitor ir procurar o seu histórico de contribuinte para a SS para lá de uma certa data. Verificará que os serviços são obrigados a ir procurar microfilmes, tarefa que, garanto, dura farto tempo. E por aí fora...

Resumindo: o senhor PC (Passos Coelho) não declarou atempadamente rendimentos do trabalho como “independente”. Já o confessou e, pelos vistos, pagou o que lhe foi informado mesmo se parte ou a totalidade da dívida estivesse prescrita. Conviria saber de que artigo da lei se socorreu para fazer tal pagamento e como é que ele foi aceite.

Este ponto mereceria mais atenção do que aquela que lhe dedicaram e que foi nenhuma.

A segunda questão é a seguinte: como é que depois de uma primeira dívida (prescrita) aparece outra anterior (igualmente prescrita, julgo eu)? Que confiança se pode ter nuns serviços que nem sequer podem garantir ao cidadão cuidadoso (não será o caso do senhor PC) que a resposta que fornecem é a resposta total ?

Sou do tempo em que uma súbita erupção de diligência assolou a direcção do Centro distrital onde penava. De um dia para o outro enviaram-se milhares (dezenas de milhares?) de ofícios a alegados devedores.

Estes, dado o teor ameaçador dos ofícios citados, acorreram em massa e aterrados. Por solidariedade com os jovens juristas que tinham de os receber, impus-me a mim mesmo igual tarefa. Descobri, estupefacto e envergonhado, que uma forte percentagem dos intimidados ou não devia, ou não devia o que lhe era exigido ou tinha o seu débito prescrito!

A (baixa) política da casa era não informar os intimados destas circunstâncias e procurar que eles pagassem fosse como fosse, a pronto ou em prestações. A única hipótese que “os da Casa” tinham era informar os intimados que poderiam consultar um advogado! Ou seja: não se informava ninguém sobre a eventual prescrição das somas exigidas. Exigidas tarde e a más horas por um organismo ineficiente e incapaz de atempadamente cobrar o que se lhe devia. Se isto não é uma burla, então o que é?

É por esta (e outra razões semelhantes) que ousaria lembrar ao actual ministro da tutela e aos comentadores ultra virtuosos que se espumam nos meios de comunicação que aproveitassem o caso PC para exigirem uma completa e utilíssima sindicância aos organismos da Segurança Social de modo a eliminar erros antigos e repetidos, processos enviesados utilizados e, já agora, uma clara investigação sobre as reais necessidades destes serviços em pessoal.

Tenho a absoluta certeza de que as surpresas não seriam escassas...

Em aparte: o Sr Presidente da República saiu a terreiro com um comentário que me deixa atónito: segundo Sª Exª anda por aí um cheiro a eleições.

Claro que anda, mas mesmo que o cheiro não seja o das rosas tal não impede que o facto central (a falta de pagamento atempado) existiu. E, mesmo que só as eleições propiciassem o desvendar desta historieta, tal deveria estar previsto por quem faz burrices. À mulher de César não basta ser honrada. Tem de parece-lo.

Pode-se condenar o facto de só agora isto aparecer à luz confusa destes dias pré-eleitorais mas, agora ou antes, o facto, o chatíssimo facto, estava lá. A luta política em Portugal (e não só) faz-se muito à custa dos deslizes dos actores políticos pelo que compete a estes, e só a estes, usar do maior cuidado na sua vida pública e privada. Como compete aos zelotas e censores uma igual virtude e não terem telhados de vidro ou rabos de palha nas suas relações com o fisco e, por exemplo, nas suas declarações de despesa com relevância fiscal pois, como se sabe, até há pouco, não havia empresário ou assimilado que não deixasse de contabilizar qualquer despesa como despesa de serviço.

Como estamos em época quaresmal é bom lembrar aquela citação evangélica que só permite a quem não tiver pecados atirar a primeira pedra. Mesmo vindo de um ateu este conselho, nem por isso deixa de ter a sua pertinácia.

Entretanto, o barulho à volta das desventuras de PC no que toca a descontos obscurece casos políticos de muito maior relevância e que até podem indiciar fraudes de elevado valor económico. Por exemplo: A Comissão Europeia vem agora pedir a Portugal a devolução de 143 milhões de euros de fundos agrícolas. A coisa remonta ao anterior Governo e já na altura suscitou farta polémica. Desconheço se esta pretensão da CE terá ou não êxito. Se o tiver, como parece ser o caso, quem é que agora se responsabiliza? De quem é a responsabilidade política? E, sobretudo: Quem paga?

Nada disto isenta o cavalheiro que ora ocupa o cargo de Primeiro Ministro mas que esta pouco agradável ribalta em que o expõem não esconda o que se vai passando no palco da política nacional. Há mais, muitos mais, artistas a merecer pateada severa.

12
Mar15

Norte 2020

José Carlos Pereira

Ontem estiveram cerca de cinco mil pessoas no Europarque, em Santa Maria da Feira, para conhecer as novidades do Norte 2020 e dos demais programas temáticos, afluência que dá uma ideia do quanto o país está ansioso pelo novo ciclo de fundos comunitários.

Oxalá haja critério na aplicação desses fundos e talvez possamos dar um passo firme no desenvolvimento integrado do país e da região. Quero acreditar que (ainda) vamos a tempo.

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