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Incursões

Instância de Retemperação.

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15
Jun16

O Presidente

José Carlos Pereira

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Os primeiros meses de mandato do Presidente da República vieram mudar por completo a relação entre o primeiro magistrado da Nação e os seus concidadãos. A altivez, o distanciamento e a timidez de Cavaco Silva deram lugar à simplicidade, à proximidade e ao completo à vontade de Marcelo Rebelo de Sousa.

Marcelo é conhecido do povo sobretudo pelos muitos anos de presença televisiva como comentador político, mas conta com um longo trajecto na política e no seu entorno. Foi jornalista, director, fundador e gestor de jornais de grande impacto mediático. Foi deputado, secretário de Estado e ministro. Foi conselheiro de Estado, presidente do PSD e nessa condição líder da oposição. Eminente catedrático de direito, a relação com a academia permitiu-lhe também conquistar um relacionamento fácil com os mais jovens e perceber o que estes não gostam de ver na política e nos políticos, o que lhe tem sido muito útil.

Há quem diga que Marcelo exagera e há até quem conte os dias passados sem qualquer declaração pública do Presidente, mas a verdade é que Marcelo Rebelo de Sousa atingiu níveis de popularidade impensáveis em tão pouco tempo. Talvez o Presidente pretenda isso mesmo: construir uma relação directa com os portugueses, por cima dos partidos e da dicotomia esquerda-direita, que lhe permita obter um amplo consenso nacional. Não virá daí mal ao mundo se a sua acção não extravasar os poderes que constitucionalmente lhe cabem e se continuar a privilegiar a estabilidade política.

Até aqui, Marcelo tem agradado mais à esquerda do que à direita porque compreende o momento político que vivemos, a relação de forças existente no parlamento e tenciona dar tempo ao Governo para que este dê provas do que é capaz. Isso não agrada aos sectores da direita que nunca aceitaram a solução governativa construída no parlamento após as últimas legislativas e que preferiam um Presidente guerrilheiro a marcar o passo ao Governo e a fazer o jogo da área política que o apoiou.

Não votei em Marcelo Rebelo de Sousa - também não votei em nenhum dos outros candidatos - e sempre considerei que não haveria grandes riscos com a sua eventual vitória, pois tratava-se de alguém bem preparado para o exercício da função presidencial, do ponto de vista político e académico, e que apesar de ser oriundo da elite representativa do eixo Lisboa-Cascais dava mostras de conseguir estar próximo dos cidadãos, dos seus problemas e anseios.

O mandato está ainda a começar, que é o mesmo que dizer que a procissão vai no adro, e não faltarão ocasiões para divergir politicamente das suas opções, mas todos os sinais até ao momento (escolhas para o Conselho de Estado, relação com o Governo, com o parlamento e com os partidos, comemorações do 25 de Abril e do 10 de Junho, proximidade aos cidadãos) têm sido auspiciosos. O que merece ser registado.