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Incursões

Instância de Retemperação.

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06
Out16

António Guterres na ONU

José Carlos Pereira

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 O Conselho de Segurança da ONU aprovou hoje, por aclamação, a indicação do nome de António Guterres para secretário-geral da organização. A sua eleição pela Assembleia Geral da ONU deverá ocorrer na próxima semana. Caminha assim para o fim um longo processo, de inédita transparência, que António Guterres liderou em todas as votações intercalares. Os países que integram o Conselho de Segurança concluíram que o curriculum e as provas dadas pelo antigo primeiro-ministro português faziam dele o candidato mais bem preparado para a função.

É certamente a vitória dos enormes méritos pessoais de António Guterres, que tirou partido da projecção internacional que alcançou ao longo dos anos, como primeiro-ministro e presidente da Internacional Socialista, e do seu desempenho no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), mas também a vitória da diplomacia portuguesa, liderada pelo ministro Augusto Santos Silva. As jogadas de bastidores mais ou menos evidentes que uniram certa direita europeia e norte-americana, bem como algumas declarações menos felizes do actual secretário-geral, não foram suficientes para o derrotar.

Ver António Guterres como secretário-geral da ONU é motivo de orgulho para a maioria dos portugueses e particularmente para aqueles que se habituaram a constatar as suas invulgares capacidades políticas. Tive oportunidade de testemunhar, por diversas ocasiões, o enorme apreço que o então primeiro-ministro gerava mesmo entre aqueles que não eram da sua família política. A presidência portuguesa da União Europeia em 2000 foi um caso paradigmático. Os seus governos ficaram marcados pela sensibilidade social que caracteriza António Guterres desde a sua juventude. A educação, a cultura, a ciência, as questões sociais, as pessoas em suma, foram uma prioridade dos seus executivos. A mesma prioridade que o conduziu no ACNUR e que o guiará na ONU.

O homem que levou Portugal à moeda única não conseguiu alcançar a maioria absoluta em 1999, o que o marcou profundamente, permitindo depois que o seu segundo governo minoritário acabasse vítima do final antecipado de um ciclo político. Agora na ONU, pelo contrário, é um novo ciclo estimulante que se inicia, os seus desafios serão à escala global, as suas capacidades de diálogo e de persuasão serão fundamentais para gerir os equilíbrios entre os principais contribuintes da ONU e intervir nos conflitos internacionais em aberto, sem perder de vista a necessidade de reformar a organização e a sua capacidade de actuação. Acredito convictamente que António Guterres será um grande secretário-geral da ONU.