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Incursões

Instância de Retemperação.

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09
Nov16

O elefante (republicano) destruiu a sala

José Carlos Pereira

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vitória de Donald Trump surpreendeu o mundo inteiro, já que poucos consideravam verosímil que o magnata do imobiliário conseguisse ser o candidato nomeado pelos republicanos, primeiro, e vencer as eleições presidenciais depois, mesmo sem o apoio de algumas elites do Partido Republicano.

Com efeito, acabou por impor-se mais alto a verborreia de Donald Trump, as setas apontadas contra tudo e contra todos – os imigrantes, os estrangeiros, as minorias, os políticos, as políticas saúde, com o "Obamacare" à cabeça, o ambiente, os tratados internacionais – apostando numa América voltada para dentro, para os seus, à procura de assim recuperar o fulgor económico e industrial de tempos passados. Um discurso que tem mais de extremista do que de conservador e que já víramos medrar em outras paragens, particularmente na Europa. Não foi por acaso que a Aurora Dourada, a Frente Nacional e outros partidos radicais do espaço europeu logo se apressaram a congratular-se com a vitória de Trump e a identificar-se com as suas ideias.

Quem pôde acompanhar os relatos oriundos dos EUA via como uma parte significativa do país se identificava com o discurso de Trump, do mesmo modo que nunca se sentiu uma adesão significativa à campanha de Hillary Clinton. A experiente candidata democrata não foi capaz de descolar da imagem de lídima representante do status quo político, dos grandes interesses, da elite que governa a pensar mais em si própria do que nos cidadãos. Os incidentes com o uso do seu email pessoal enquanto secretária de Estado só vieram agravar a desconfiança já latente em muitos norte-americanos.

As promessas de Donald Trump, com mais indústria e mais emprego à cabeça, cativaram o eleitorado menos qualificado e com menos poder económico, que normalmente vota nos democratas, o que acabou por ter um peso determinante no desfecho eleitoral, designadamente na designada cintura industrial. Mais do que o exemplo de empresário de Donald Trump, implicado em vários negócios duvidosos, fuga aos impostos e outras trapalhadas, o que terá motivado muitos americanos foi o seu tom desafiador perante os privilegiados do meio político e financeiro e a promessa de retoma económica. Que, pelo caminho, Trump pretenda descer abruptamente os impostos, com o consequente recuo dos serviços públicos prestados aos mais débeis, é algo que esses apoiantes só sentirão na pele mais tarde.

O que será a presidência de Donald Trump? As suas promessas serão para cumprir? Creio que neste momento ninguém estará em condições de prognosticar. Continuará o presidente eleito a ser capaz de submeter o Partido Republicano aos seus propósitos ou, pelo contrário será a máquina republicana, que contará com a maioria no Senado e na Câmara dos Representantes, a tomar os destinos da Casa Branca e da acção legislativa e executiva? Algum domínio sobre a “espontaneidade” de Donald Trump não traria mal nenhum…