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Incursões

Instância de Retemperação.

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10
Ago04

Um pacto para a Justiça

Incursões
1. É óbvio que a proposta de Santana Lopes aos partidos da oposição para que se estabeleça um acordo de regime para debelar os problemas da Justiça é, em primeira linha, um gesto calculado do primeiro-ministro para afastar da maioria PSD-PP o ónus da crise profunda em que o sector se encontra.

Mas a proposta não pode ser vista, apenas, por este prisma.

Numa altura em que se suscitam as mais tenebrosas suspeitas sobre a influência da política na Justiça e quando se alardeiam dúvidas (legítimas ou não) sobre teses de urdiduras e de cabalas contra alvos determinados de partidos da oposição e de alegadas protecções a figuras próximas da maioria no poder, a concretização do pacto de regime poderia constituir um passo importante na normalização e na recuperação do prestígio de um sector que é um dos pilares fundamentais do sistema.

Creio, por isso, que valeria a pena tentar. Antes que seja tarde. Antes que o país, definitivamente, fique atolado.



2. Torna-se cada vez mais claro que as diversas profissões ligadas à Justiça olham-se entre si com a máxima desconfiança que, muitas vezes, roça o absurdo e a falta de respeito. Cada uma das classe parece pretender ter um ascendente natural sobre as demais e todas - todas - manifestam uma vontade inexplicável de protagonismo, seja singular ou plural.

Mais: parece claro que cada uma destas classe profissionais está mais preocupada com questões internas, com o horizonte que vai até ao seu próprio umbigo do que com aquilo é verdadeiramente importante: a aplicação séria, objectiva e imparcial da Justiça.

Tenho visto responsáveis demasiado preocupados com as questões sindicais, com os resultados das inspecções, com os critérios de promoção nas carreiras, com as prerrogativas dos cargos que ocupam, com a correlação de forças dentro da própria corporação e entre as corporações e muito poucos preocupados com a qualidade da Justiça que se pratica em Portugal. E, no entanto, esse deveria ser o seu principal desígnio.

É cada vez mais importante que cada um de nós apreenda a privilegiar o essencial. Ou, não tarda, tudo isto vai pelo cano abaixo. Basta ver o aproveitamento torpe que sinistras figuras já começaram a fazer do actual estado de coisas...





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