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Incursões

Instância de Retemperação.

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08
Jul05

O que querem os partidos?

José Carlos Pereira
A três meses das eleições autárquicas, são já conhecidos quase todos os candidatos na Área Metropolitana do Porto. Faltará apenas conhecer a opção do PS em Matosinhos para o quadro ficar completo, embora aqui o PS tenha sempre fortes hipóteses de vitória. Como já aqui escrevi sobre o caso concreto do Porto, a minha reflexão de hoje tem a ver com a qualidade dos candidatos apresentados nos restantes concelhos e com a "desistência" antecipada dos partidos que estão na oposição.
Deixando de fora da análise as autarquias que pertencem ao distrito de Aveiro, o PSD conta ganhar Gaia, Maia, Trofa, Valongo e Póvoa de Varzim. Nestes municípios quem é que o PS apresenta para a luta? De um modo geral, os socialistas abrem alas para os seus adversários ao concorrerem com candidatos pouco conhecidos e com reduzidas hipóteses (Maria José Azevedo em Valongo, Silva Garcia na Póvoa e Joana Lima na Trofa) ou com velhos quistos do aparelho local (Jorge Catarino na Maia e Barbosa Ribeiro em Gaia).
Já o PSD admite uma vitória confortável dos socialistas em Matosinhos, Vila do Conde e Santo Tirso e apresenta aí candidatos sem verdadeiras hipóteses de lutar pela vitória (João Sá, Santos Cruz e João Abreu, respectivamente). Gondomar é um caso à parte, uma vez que tanto PS como PSD parecem conformados com a vitória de Valentim Loureiro e apresentam candidatos apenas para marcar figura de corpo presente.
Constata-se assim que as estruturas distritais dos dois principais partidos são incapazes de traçar uma estratégia de vitória e de conquista das autarquias em que não são poder, limitando-se a esperar que o poder um dia lhes caia na mão por esta ou aquela razão. A própria vitória de Rui Rio em 2001 aconteceu sem que ninguém contasse, a começar pelo próprio, como se podia ver pelo seu elenco de vereadores. Por vezes, até parece que há um acordo entre ambos os partidos para definir as fronteiras e os territórios em posse de cada um: “este concelho é meu e aquele é teu e não se fala mais nisso”.

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