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Incursões

Instância de Retemperação.

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23
Ago05

Postal de S. Pedro de Moel

José Carlos Pereira
Há terras pelas quais nos apaixonamos e que se “agarram” a nós como se das nossas próprias raízes se tratasse. É isso que eu sinto relativamente a S. Pedro de Moel, uma pequena localidade situada no litoral da Marinha Grande, a escassos quilómetros de Leiria. As suas gentes, o casario, a praia, o mar, o farol, o pinhal, tudo aquilo me é tão familiar como se sempre aí tivesse vivido.

Descobri S. Pedro de Moel, um pouco por acaso, no Verão de 1988 e desde então volto sempre com a mesma sensação de quem regressa a casa após uma longa viagem. Neste Verão, além da praia, do descanso e das investidas gastronómicas, pude visitar a Casa-Museu Afonso Lopes Vieira.

O edifício, uma prenda de casamento de seu pai, foi a casa-nau do escritor e o local privilegiado de inspiração para a sua obra poética. Aí se reuniram personalidades ilustres do seu tempo, como Aquilino Ribeiro, Vitorino Nemésio e tantos outros que procuravam S. Pedro de Moel para as suas criações pessoais. O prédio foi acrescentado de uma capela, em Agosto de 1929, quando Afonso Lopes Vieira, ateu na juventude, reconheceu o milagre do sol, avistado da varanda da casa, e pretendeu afirmar publicamente a sua fé.

Após a sua morte, em 1946, a casa foi doada à Câmara Municipal da Marinha Grande com o objectivo de albergar uma colónia balnear para os filhos dos operários vidreiros, dos pescadores e dos trabalhadores florestais, o que evidencia bem as preocupações sociais do escritor. Com a abertura da Casa-Museu, a Câmara da Marinha Grande dá a conhecer a vida e a obra de Afonso Lopes Vieira, lado a lado com a agitação peculiar que as crianças da colónia balnear transmitem aos outros espaços da casa. Um bom exemplo de como fazer reviver um edifício secular.

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