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Incursões

Instância de Retemperação.

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22
Nov05

blogues, blawgs e blagues

Incursões
Confesso com a habitual imodéstia que me reconhecem que pensava ser eu o autor do dimuitivo Kami (pequeno génio em japonês) e é com com uma certa inveja que verifico que nosso carteiro se me adiantou: também não havia muito que esperar: os carteiros batem sempre duas vezes...
Como, com os anos, me vou tornando mais duro de ouvido e de bestunto não compreendi bem o texto da viajeira Kamikaze: tinha-me parecido que ela deixaria em parte de assegurar o excelente noticiário comentado das cousas do direito. Pelas reacções (e neste caso a caixa de correio apareceu-me cheia de hediondos símbolos que me põem a cabeça (ainda mais) a razão de juros) verifico que muito justamente haverá quem tema que a Kami se balde pela esquerda baixa, leve, levemente, como quem se despede à francesa...
Ora se isso é assim, há que atalhar rápido - e daí este postal directo e ao correr da pena, digo do dedinho tecleador... - e dizer à "unica administradora em exercício" que nem por sombras, que ela é necessária como o pão todas as manhãs. E não apenas porque me dá dramáticas explicações de blogosofia ou porque toma conta do estaminé enquanto os do costume entram por aqui como quem entra numa acolhedora casa de pasto; mandam vir dois bolinhos de bacalhau e uma jarra de vinho e aí vai disto, conversa até ás tantas, e agora mais uma cervejinha e depois outra, então não há tremoços e nada de levantar o cu da cadeira para arrumar o desarrumado, ajudar a lavar os copos ou fazer uns recadinhos à gerente. Isto cansa. Até eu que sou um analfabeto blogador (sou mesmo um imprestável mas sério candidato ao nobel dos analfabrutos do virtual...) reconheço que de vez em quando é natural uma pessoa fartar-se.
Mas, Kami, Vocelência está enganada: o povo bloguista, ou pelo menos esta pouco útil unidade desse povo, estima-a para além da administração. E já lho disse mas repito agora, na voz passiva se for preciso, ou na perifrástica (que já não sei como é...) que para além desse dom para as fotografias e eu posso honradamente dizer-lho porque o meu jeito para essa arte é idêntico ao do homem das cavernas (já agora não resisto em contar-lhe uma história verdadeira, verdadeiríssima: uma vez, estando em Veneza, nos idos de setenta e poucos, deu-me para comprar uma máquina fotográfica. Meu dito e meu feito: entrei na primeira locanda de tais artigos e saí apetrechado com uma "Yashika" - será assim? - pequenina, coisa fácil de usar que paguei por um porradão desconforme de liras. Ia eu no vaporetto a subir o canal grande quando vejo um enterro. Foi tiro e queda: afinfei-lhe com a tal yashika e foi um louvar a deus. Daí até ao meu destino disparei sobre tudo o que se movia e gastei um rolo inteiro. Por razões que se prendem directamente com a minha preguiça não tirei mais nenhuma fotografia até chegar à pátria imortal do nobre povo nação valente. Levei, com carinhos de pai estremoso, a máquina á primeira casa fotografica que vi para revelar aquela minha extraordinaria campanha fotográfica. Quando fui pelos resultados, o profissional que me atendeu olhou-me com curiosidade e pediu-me para lhe mostrar como tinha tirado as fotos. Num gesto nobre e senhorial agarrei no maquinismo e mostrei o que sabia. Falando vagarosamente como quem se dirige a um atrazadinho o amavel profissional observou-me que eu tirara as fotos ao contrário, olhando pela objectiva. Coisas de canhotos... ) Quer isto dizer que mesmo a falar de fotografia valho o que valho), V. tem escrito coisas bem giras e de muito bom ler.
Onde é que eu ia. Ah, já sei: a hipotese de V. só dar ao dedo blogueiro SE...
Kami! Nem se nem meio se... Você é parte disto, sem V. isto não tem graça. Sem V. e sem outros, claro, mas V. é, tem sido, a espinha dorsal desta jeringonça.
E já agora, que estou com a mão na massa: os cavalheiros juristas que aqui tenho tido o prazer de encontrar (caramba!, nunca pensei que alguma vez diria isto...) fazem mal em desandar daqui. Um blogue faz-se de tudo e de nada e mesmo, custa dizê-lo, de alguns palpites sobre o direito. Os juristas para além dos defeitos que todos lhes (nos) reconhecemos tem também o vício redibitório de saber pensar razoavelmente, de argumentar com alguma lógica e de perceber bem a diferença entre o útil e o pomposo. O grave é se falam em roda fechada. Aí nem Deus os salva.

Portanto, Kami: firme no posto de comando.
E os outros: ao trabalho malandros que já basta de tanto privilégio... Senão solto-vos ás canelas quem vocês sabem...

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