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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

25
Jan09

Au Bonheur des Dames 168

d'oliveira

Sera la logique une pomme de terre?*


O cidadão Mário Lino será engenheiro, será ministro mas decerto não é alguém que usa a lógica. Usará a boa fé?
Interrogado sobre o caso “Freeport” afirmou que não tem dúvidas que o processo agora em foco tem motivações políticas.
Perguntado quem estaria por trás dessas motivações, o cidadão Mário Lino disse que não sabia.
Trata-se, pois, de uma questão de fé.
(Quem fez o mundo? - Deus. - Como? – Não sei. Porquê? –Também não.)
Quanto ao problema de identificar a vítima, o cidadão Mário Lino, volta a não ter dúvidas: trata-se de, assegura, atingir o Primeiro Ministro.
Se assim é, e será assim na óptica do intrépido descobridor do deserto do sul (onde o Freeport será um oásis...), temos que novamente o fulgor da fé ilumina o espírito poderoso de Mário Lino. Há uma cabala para atingir o Primeiro Ministro orquestrada por não se sabe quem mas com claras motivações políticas. Percebe-se?
Eu, se estivesse na pele do cidadão Mário Lino, tentaria primeiro identificar a vil origem deste mal moderno que é a cicuta noticiosa que tenta envenenar o cidadão José Sócrates. Ficaria bem a um engenheiro, pessoa decerto habituada à fria crueza da realidade, tentar encontrar argumentos que excedam a fé pura e simples. Não que esta não arraste montanhas mas no caso apenas se gostaria que trouxesse no aluvião de notícias a verdade.
Bem sei que estes novos ventos inquisitoriais sopram de Inglaterra donde, durante anos, e quase duzentos volumes!!!, nem uma brisa se sentiu. Temos pois, não uma fé mas uma suspeita de que é lá que está a central de boato e escândalo que tenta enxovalhar o bom nome das autoridades portuguesas. Se for assim, quem é que lucra com o ataque? Sª Majestade, a Rainha Isabel? O fantasma de Lady D? O Manchester United?
Ou, para tentar alcançar as perplexidades do cidadão Lino, será que estamos perante uma versão post-moderna da velha aliança luso-britânica de que fomos sempre vítimas propiciatórias? Não lhes bastou o Tratado de Meetween ou o esbulho de bens portugueses durante a guerra peninsular? Estamos perante uma segunda volta do mapa cor de rosa?
Se eu fosse uma pessoa mais impiedosa teria escrito outro texto: por exemplo, algo onde se dissesse ao enfatuado cidadão Mário Lino que a palavra pode ser de prata (e a dele, está visto que não é) mas o silêncio é de oiro. E aqui, neste tema, a prudência torna-o de diamante. Nem José Sócrates precisa de amigos desastrados, nem os portugueses devem ser confrontados com estes argumentos de uma penosa e tíbia lógica.
O cidadão Lino tem o condão do toque de Midas ao contrario: onde mexe, estraga.

* o título em francês (enfim em franciú) é obviamente “un hommage a Mariô Linô”
** entendeu-se usar o nobre termo de cidadão porque se espera que os cavalheiros citados sejam julgados pela opinião pública como tal e não com a muleta político-partidária. O que, no caso, de Mário Lino, não parece evidente.

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