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Incursões

Instância de Retemperação.

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04
Abr08

Divórcio

O meu olhar
Parece que vai aparecer por aí uma lei que acaba com o divórcio litigioso. Como princípio parece-me muito bem. Ninguém deve permanecer ligado a alguém se não o quiser verdadeiramente. Para estar juntos é fundamental que os dois o queiram, para se separarem deve bastar que um deles o queira. Até aqui tudo bem, em teoria. Onde eu começo a ter algum receio é na prática, ou seja, no modo como as pessoas podem traduzir na sua vida esta lei. Sabemos o quanto a vida está contra o casal: são as rotinas, a profissão, as mudanças profissionais, os problemas com os filhos, as despesas, as viagens quotidianas, o trabalho doméstico, enfim, um amontoado de coisas que põem à prova o romantismo mais resistente quanto mais a tranquilidade dos dias. Assim sendo, parece-me fácil que um dos elementos do casal confunda tudo e tenda a culpar o outro por eventuais desequilíbrios na sonhada e esperada felicidade. E parece-me igualmente fácil que o outro faça exactamente o mesmo e se crie um jogo de culpas. E parece-me igualmente fácil de prever que com todas as facilidades que a lei possa permitir se vá pelo caminho julgado mais fácil e não se procure resolver problemas que, muitas das vezes, não são mais que isso mesmo, problemas para resolver, e deixar intacta a essência das coisas, ou seja, o sentimento que une o casal. Pelo que fui aprendendo na vida, muitas vezes estragam-se relações que valiam a pena só porque as pessoas confundiram tudo e não deram nem tempo nem oportunidade ao sentimento. Às vezes basta um olhar ou um sorriso e os problemas resolvem-se. Só que parece que não há tempo para o olhar e os sorrisos parece que estão cansados.

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