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Incursões

Instância de Retemperação.

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28
Nov05

Crianças e jovens em risco

Incursões
Não há melhor forma de comemorar o 114º aniversário de uma instituição dedicada ao apoio e educação de crianças e jovens em risco do que a promoção de um congresso sobre esse problema. Foi isso o que fez o Instituto Profissional do Terço. Está de parabéns a sua direcção.
Durante três dias, psicólogos, educadores e assistentes sociais, com um auditório de cerca de trezentas pessoas, partilharam experiências, levantaram problemas e comungaram das mesmas preocupações.
Percebeu-se que o risco da exposição à violência, da marginalização, do uso de drogas, dos conflitos com a lei e do insucesso escolar, têm origem em diferentes situações de privações básicas não atendidas, que passam pela degradação dos bairros sociais, pelo desemprego, pela desestruturação das famílias e pela exclusão social.
Por isso, o problema de crianças e jovens em risco é transversal a todas as instituições oficiais e, só num esforço de interligar todos os que se preocupam com esta questão, se poderão encontrar as respostas mais criativas e eficazes. No entanto, as instituições oficiais parecem andar de costas viradas umas para as outras, numa competição sem qualquer sentido, parecendo mais interessadas em se servirem dos problemas sociais para marketing político do que em resolvê-los. Não se interligam, não aproveitam os recursos e experiências de organizações não governamentais que estão no terreno, não racionalizam meios por forma a evitarem barreiras que resultam de uma má percepção dos serviços por parte dos utentes (quando, p.ex., uma família-problema é “massacrada” com os mesmos inquéritos feitos por diferentes instituições) e não desenvolvem estruturas de prevenção, capazes de diagnosticar nos bairros e nas escolas os sintomas de risco e de apoiar as famílias com problemas.
Precisamos de criar redes de troca de experiências, saberes e competências que façam a interdisciplinaridade da inclusão e saibam aproveitar o enorme capital social feito da generosidade de muita gente que disponibiliza muito do seu tempo para trabalhar nesta área. Mas isso só é possível com uma cultura do poder que tome as questões de solidariedade social como questões prioritárias de um Estado de direito. E é isso que falta.

JBM in: Jn.27/11/2005.

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