Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

18
Jan15

7 Mortes. 7 Inquéritos para silenciar a responsabilidade política

JSC

Nas duas últimas semanas morreram 7 doentes nas urgências dos hospitais. Os últimos dois casos aconteceram nos Hospitais de Almada e de Santarém. Hoje morreu uma doente que esteve nove horas à espera para ser atendida.

Já aqui nos referimos ao colapso das urgências hospitalares. A cada morte segue-se um inquérito. O inquérito é a chave para as não respostas, para ninguém assumir responsabilidades.

O ministro veio dar umas palavras a abater. É o excesso de procura, É a idade avançada das pessoas, disse ele. Como é óbvio o ministro da saúde não diz a verdade. A verdade é que morrem pessoas sem serem atendidas. Este é que é o verdadeiro problema.

A verdade é que por imposição do Ministro das finanças, corroborado pelo primeiro ministro, os cortes na saúde foram devastadores. Não foram só os enfermeiros que foram mandados para o estrangeiro. Foram também os médicos que foram forçados a sair, foram os cortes na manutenção e renovação dos equipamentos, na aquisição de materiais. Mesmo nos centros de saúde e nas USF faltam meios e materiais básicos, simples desinfectantes. Este é o resultado de opções políticas. Por isso é que os políticos deveriam ser responsabilizados pelo que está a suceder.

É espantoso que os próprios utentes, apesar das muitas horas de espera, não culpam os profissionais de saúde. Pelo contrário, louvam-nos porque reconhecem que trabalham muito para além do tolerável, fazem-no para suprir as carências de pessoal. Só o Governo é que continua a falar dos profissionais que irá admitir, quando o problema é o presente, as pessoas que estão a desesperar, a morrer amontoadas nas urgências.

É espantoso como esta situação não gere uma onda de repúdio na população. É espantoso como os partidos da oposição não reagem mais frontalmente, como o Presidente da República convive tranquilamente com tudo isto, como a equipa do ministério da saúde e a das finanças passam incólumes, vendendo a imagem que estão a salvar o SNS e o país.