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Incursões

Instância de Retemperação.

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30
Ago05

Burocracia, desleixo, incompetência - "a never ending story", cap. II

ex Kamikaze
Continuação deste post.

Então dizia eu que pelas 12H00 chegara finalmente a vez de a empresa ser atendida na IGT.

A funcionária do atendimento até era simpática.
Têm isto? Sim. E mais isto? Sim. E aquilo? Sim, sim, sim!
E aqueloutro? Não(!), mas essa documentação não consta como sendo necessária no vosso site na internet! Ora ora, isto de sites, sabe como é! Os que põem lá essas coisas não sabem nada, nós aqui, que fazemos o atendimento, que despachamos os processos, é que sabemos o que é preciso. Nós é que sabemos!
Sem esses documentos nada feito. Não, não pode deixar cá nada, tem de entregar tudo de uma vez. Vão ter de cá voltar.
Tudo bem, vá lá, eu compreendo, podem vir deixar a documentação na portaria, a qualquer hora de expediente, mas eu já não os atendo, tenho de despachar o serviço, que aqui até o temos em dia, mesmo com boa parte do pessoal de férias, ontem fiquei cá até às tantas, vai ver que o nosso parecer não vai demorar mais que uns 3 ou 4 dias.
Agradeciam a compreensão (ups! ainda bem que a “propalada” reclamação pelo início tardio do atendimento não fora ainda colocada na caixinha-das-sugestões-ajude-nos-a-melhorar-os serviços!)
Comprovativo de entrega dos documentos? Essa agora, aqui não damos isso, aqui nada se perde! Mas é normal entregar um comprovativo a quem dá entrada a um processo, até o nº do respectivo registo… Não damos, não é preciso. Mas… Aqui não damos nada. Bem, olhe, quando trouxer os documentos, peça ao porteiro/segurança para pôr um carimbo com a data da entrada numa cópia do requerimento.
Bem… registavam-se progressos, era hora de meter a viola no saco.
Nessa mesma tarde o porteiro/segurança apunha o carimbo de entrada em cópia de (novo) requerimento, desta feita enunciando todos os documentos com ele entregues pela empresa - ou melhor, por ela alegadamente entregues, pois nada foi conferido...!

Mais ou menos dentro do prazo prometido o parecer positivo da IGT à contratação do José estava na sede da firma.
Uau!
A “propalada” reclamação teria sido mesmo injusta! Ainda bem que não a fizemos!
Ups! Lendo agora atentamente o parecer, verificavam que o nome do trabalhador estava incorrecto em parte e que as funções para cuja contratação era dado o tão esperado parecer positivo não eram as indicadas pela empresa e às quais se referia, inequivocamente, quer o requerimento apresentado na IGT, quer toda a documentação que suadamente o acompanhava, desde logo o contrato de trabalho - ou seja, as funções de pau para toda a obra – mas sim as regulamentarmente não admitidas de caçador de gambuzinos!!!
Como era possível???

A empresa disparou para a IGT.
Fosse porque uma inesperada flexibilidade de espírito tivesse subitamente acometido o porteiro/segurança, fosse porque o rosto da firma espelhava uma determinação inequívoca (ou seria fúria?), a autorização para subida ao andar de todos os pequenos poderes de experiência prática feitos foi quase prontamente concedida.
Realmente isto está mal! Ah, mas a culpa foi do IEFP, que emitiu informação errada quanto ao ROT!(*) Mas então não conferiram os documentos que juntámos??? Ah, não, nós só conferimos o ROT! Mas então para que exigem toda aquela documentação???!!! Não é para verem se o contrato de trabalho está conforme à lei, no caso se existe seguro de acidentes de trabalho e mais isto e aquilo e aqueloutro que exigem ???!!!
Pois é… tem razão, mas nós só conferimos o ROT! Olhe, aqui não podemos fazer nada, tem de ir de novo ao IEFP para eles fazerem novo parecer. Mas depois pode entregar-nos aqui em mão, a qualquer hora de expediente. Vão ter de cá voltar.
A empresa agradeceu a boa vontade.

E disparou para o IEFP-Centro de Emprego.
A responsável do processo continuava nas suas intermitentes férias, só voltava no dia seguinte, o director, para variar, não estava, mas fosse por genuína boa vontade – desde logo da recepcionista - fosse porque o facies da empresa evidenciasse sinais de estar à beira de um ataque de nervos, foi a mesma recebida, pouco depois, pela chefe de serviço.
Foi rapidamente confirmado o incompreensível lapso – de facto a empresa solicitara a contratação do José para ser "caçador de gambuzinos" e fora-lhe dito pelo IEFP que tal não era admissível; quando a empresa, nessa sequência, solicitara a contratação do José como "pau para toda a obra", fora-lhe dito pelo IEFP que autorizava a contratação do José com o ROT de ..."caçador de gambuzinos"!
Não se encontrava explicação para o engano. Adiante, precisamos de um novo parecer o mais rapidamente possível!
Bem, vou ver o que posso fazer.
Pôde e fez: ao fim da tarde a senhora directora de serviço telefonava à empresa a informar que o novo documento, corrigido, estava pronto! Bem, afinal ainda há quem tente resolver os problemas! São estes pequenos nadas que nos fazem crer, a espaços, que nem tudo está perdido neste país!

No dia seguinte de novo a IGT, mais uma vez directo ao andar de todos os pequenos poderes - a empresa já devia ter ganho estatuto e/ou, da 1ª vez, o porteiro/segurança estava apenas de mau humor, todos temos os nossos dias, afinal ele nem parecia estar a falar muito a sério quando dissera estou farto de ver as vossas caras (as deles, emigrantes), mostrem-me mas é os passaportes, os passaportes!
É desta, é desta!
Não foi.

Afinal, no novo documento emitido pelo IEFP a categoria profissional referida não correspondia exactamente à constante do contrato de trabalho. Embora fosse aparentada :(
Olhe, aqui não podemos fazer nada, tem de ir de novo ao IEFP para eles fazerem novo parecer. Mas depois pode entregar-nos aqui em mão, a qualquer hora de expediente. Vão ter de cá voltar.
A empresa agradeceu a boa vontade.

E mais uma vez disparou para o IEFP-Centro de Emprego.
A responsável pelo despacho do processo continuava, afinal, de férias, a chefe de serviço iniciara as suas e o director continuava a não estar. Mas deixe que tomamos nota do assunto e vamos ver se amanhã se consegue resolver isso.

A saga continuava. Aguarde, tal como a empresa, as cenas dos próximos capítulos.

(*) nº de código dado pelo IEFP, que corresponde às funções a desempenhar pelo trabalhador

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