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Incursões

Instância de Retemperação.

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21
Set15

A varapau 24

d'oliveira

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Tsipras – 1, Bloco – 0

 

Faço parte dos que se surpreenderam com a vitória folgada de Tsipras. Depois de ter lido dezenas de artigos que demonstravam “cientificamente” que o abandono da ala esquerda do Syriza e a consequente fundação de um partido que observava religiosamente o credo primitivo da formação inicial, tudo parecia indicar que a dramática saída de tanto deputados, de vários dirigentes de primeira plana (entre eles Varufakis) iria encostar Tsipras ( este Tsipras subitamente reconvertido à realidade dos factos) à parede. Depois, convém lembrar, havia umas sondagens que davam à Nova Democracia de Meiramakis, o milagreiro, desbocado e provisório líder, um resultado quase idêntico ao de Tsipras, mais me convenci que iríamos assistir a um empate.

Pessoalmente, devo dizer, era-me indiferente o resultado desta disputa eleitoral: com ou sem Tsipras, há um longo caminho a percorrer e, mesmo admitindo que algo possa correr bem, a Grécia tem muito “caminho das pedras” a fazer.

A minha convicção baseava-se ainda noutro factor, este nacional, nosso. Ao contrário do vizinho “Podemos”, as amiguinhas do Syriza e os amigalhaços do mesmo mantiveram-se, desta vez, mudos e quedos como penedos. Nada de nada. O BE na sua página nem falava das eleições gregas. Aliás, não falava sequer da Grécia. Para quem ainda há pouquíssimo tempo corria velozmente para Atenas, enchia a boquinha mimosa de loas ao Syriza, esta omissão era estrondosa. Por boas ou más razões o BE já não se solidarizava. À uma, não lhe interessava agitar o fantasma (“um fantasma percorre a Europa”...) do radicalismo em época de eleições. O BE namora alguns descontentes do PS e outros sem partido flutuantes.

Depois, a perspectiva de se associar a um partido perdedor (e desde há semanas que o Syriza parecia isso) é sempre ingrata. Finalmente, é possível que algumas boas almas bloquistas se sentissem traídas por Tsipras e fascinadas pelos dissidentes do partido.

Eu não sei (são onze da manhã ) o que é que hoje o BE vai dizer. Acredito, todavia, que a dizer algo, vai reivindicar os laços profundíssimos que o ligam ao Syriza. O oportunismo internacionalista (à falta de outros, e mais políticos, internacionalismos) é intrínseco a este tipo de formações políticas que apanham todos os comboios em andamento desde que a ocasião seja boa.