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Incursões

Instância de Retemperação.

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10
Set15

António Costa vs. Passos Coelho: vitória aos pontos

José Carlos Pereira

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O debate de ontem à noite nas televisões teve um vencedor claro para a maioria dos telespectadores e analistas: António Costa. Não chegou a ser uma vitória por knock-out, mas foi sem dúvida uma vitória firme, consolidada aos pontos, em todas as frentes do debate.
António Costa tomou sempre a iniciativa, imprimiu o registo que pretendeu, mostrou-se enérgico e combativo, com argumentos directos e fáceis de entender pelos telespectadores. Passos Coelho, pelo contrário, foi sempre reactivo, esteve centrado no passado, sem ideias para o futuro e com pouca capacidade de iniciativa, quase esgotada no exagero com que invocou o nome de José Sócrates, procurando incutir a ideia que António Costa é uma mera réplica de Sócrates.
O líder socialista esteve bem ao dizer que o PS assume todo o seu passado na governação, desde o primeiro minuto do primeiro executivo de Mário Soares até ao último minuto dos governos de José Sócrates, mostrando-se determinado em aprender com os erros e em corrigir o que correu menos bem nas experiências governativas anteriores. Ainda assim, creio que António Costa deve corrigir a forma como tem lidado com o processo que envolve José Sócrates, evitando que este se transforme num engulho maior do que aquele que inevitavelmente já é.
É evidente que a campanha socialista não arrancou bem e tem tido dificuldade em acertar o passo. Faltava-lhe, porventura, o suplemento de ânimo que o debate de ontem trouxe e isso fica a dever-se à boa prestação televisiva de António Costa. A campanha e os debates não são determinantes para os apoiantes e eleitores convictos dos dois blocos – PS e coligação – mas são decisivos para influenciar o voto dos habituais abstencionistas, daqueles que votaram PSD ou CDS e se sentiram atraiçoados pela governação dos últimos quatro anos, dos novos jovens eleitores e das franjas que podem estar disponíveis para concentrar o seu voto nas forças que lutam pela vitória e pela maioria absoluta. Todos estes eleitores preferem estar ao lado de quem evidencia força e iniciativa e apresenta ideias para mudar o país.
O debate de ontem à noite foi visto por 3,4 milhões de telespectadores e a performance positiva de António Costa pode ter sido o click para (começar a) ganhar a confiança de muitos eleitores que estavam indecisos ou renitentes em dar o voto ao PS. Estão aí à porta as três semanas decisivas.