Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

30
Mar15

Aquapura e Ongoing – que ricos exemplos!

José Carlos Pereira

Os jornais dos últimos dias trouxeram ecos de dois casos exemplares de súbita ascensão e queda, no turismo e na comunicação social. Sempre com a banca (ou o BES) por trás.
O empresário Diogo Vaz Guedes foi um dos paladinos do movimento Compromisso Portugal, mas não perdeu tempo a vender a Somague aos espanhóis da Sacyr Vallehermoso. Depois, claro está, de ter obtido concessões de exploração e distribuição de água e saneamento verdadeiramente ruinosas para vários municípios. Há cerca de dez anos lançou-se na área do turismo. Ambicionava construir um número considerável de hotéis e avançou com a construção do hotel Aquapura Douro Valley, em Lamego, no Douro, juntamente com outros investidores, entre os quais António Mexia, ex-ministro e actual presidente da EDP, que entretanto, se desfez da sua participação no projecto. Compreende-se porquê.

Segundo veio recentemente a público, a empresa promotora do hotel teve de recorrer a um Plano Especial de Revitalização, acumulando dívidas a credores de cerca de 46 milhões de euros! Mais de noventa por cento desses créditos pertencem ao BES Investimento. Como é fácil encomendar o luxo e defender as virtudes do liberalismo…
Nuno Vasconcellos criou a Ongoing para construir um grupo de comunicação social dominador, em parceria com o seu sócio espanhol Rafel Mora. A empresa teve participações significativas na Impresa e na TVI, comprou o grupo “Diário Económico” e investiu também nessas áreas no Brasil e em Angola. A Ongoing foi um player destacado na gestão da PT nos últimos anos, sempre alinhado com os interesses do BES, e fez gala de contratar políticos e gestores influentes, com vista a alicerçar um projecto de poder com raízes maçónicas.
Quando tudo parece ruir, estima-se agora que a dívida da Ongoing atinja os 500 milhões de euros, pelo que os sócios estão em vias de separação e alguns dos investimentos vão ter de ser vendidos à pressa, sob pressão dos bancos credores. Ah, e Nuno Vasconcellos foi mais um dos promotores do Compromisso Portugal. Que rico alfobre!