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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

12
Fev14

au bonheur des Dames 351

d'oliveira

À (meia) dúzia é mais barato! *

 

1- Não há um jurista no PS? Não há ninguém que explique ao sr. dr. Seguro que não é de mais tribunais especializados que precisamos mas apenas de melhores tribunais, de menos burocracia judicial, de melhores juízes e mais claro castigo para quem tente atrasar processos através de expedientes dilatórios?

Confesso que sempre suspeitei que, por trás daquele estudado silêncio (no tempo em que impávido se sentava na bancada apoiante de Sócrates) e, agora, através da cacafónica gritaria com que pretende atrair médias e votantes, havia um medonho vazio de ideias, sejam elas quais forem (não são!).

2- Parece que a etérea senhora Presidente do Parlamento, farta de se sentir enxovalhada pelos ocupantes das tribunas destinadas ao público, encomendou um estudo sobre a legislação aplicável  aos díscolos noutras latitudes. A “Esquerda” já fez saber que é contra a “repressão”. Esperemos-lhe pela volta, quando for maioria...

Pessoalmente entendo que se há a obrigação de defender a todo o custo a liberdade de manifestação, esta não tem lugar nas tribunas. Por uma razão simples: há que dar aos representantes do povo, livremente eleitos, uma casa e um ambiente dignos. E livre de ameaças mesmo se camufladas em protestos. Há que dar aos cidadãos que se interessam pela coisa pública um local onde sejam respeitados e vejam ser respeitados não os deputados A, B ou C mas a generalidade dos eleitos que é outra coisa bem diferente. 

Ir organizadamente para as tribunas para assobiar, vaiar ou aplaudir, um deputado, um partido, uma moção, parece-me excessivo. Aliás, vezes há que ainda nem sequer um quiddam começou a perorar e já a galeria se manifesta. Inutilmente, de resto. A senhora Esteves ordena a evacuação e a assembleia prossegue como se nada fosse.

3- O que acima se escreveu não contempla o senhor deputado Jorge Lacão. A criatura entendeu, do alto do limitado discernimento com que foi contemplada, que falar uma inteira hora (ou quase: 59 minutos!) para fazer uma pergunta era um direito seu. Não é. Faz lembrar o falecido deputado Camoesas que uma vez (16 para 17 de julho de 1925?)  falou durante nove horas no Parlamento para tentar atrasar a sessão até à chegada do comboio do norte onde viriam os deputados “democráticos” ausentes (as “mulas de reforço”) e assim ganhar uma moção de confiança. Alguém terá dito de João Camoesas que não lhe admirava a verve mas sim a bexiga! (nota: o expediente não resultou mesmo se um outro correligionário (Agatão Lança) o tivesse imitado falando mais cinco horas!)

Voltando a Lacão: quando depois o interromperam, já ele levava mais um quarto de hora de parlapié, o homem protestou e os colegas solidarizaram-se!

Ao longo destes longos anos, sempre tive de Lacão uma opinião cada vez mais fortalecida: À boa moda galega, eu, quanto a Lacão, “só com grelos”.

4- Apareceu um estudo que prova que de 1995 em diante, foi óbvia e constante a preocupação em nomear para cargos da Administração Pública gente fiel ao partido no poder. Ou seja, os jobs foram mesmo para os boys. Cada vez mais me regozijo de, nesses tempos sumarentos, ter rejeitado duas sinecuras de alto gabarito, a saber: a direcção da Orquestra Sinfónica do Porto e, depois, o lugar de Director Distrital de Segurança Social do distrito do Porto. No caso deste último, recordo que ainda nem sabia do convite e já um cavalheiro do partido no poder me vir dizer que “ia estar muito de olho em mim”. Fiquei estarrecido pois só passadas algumas horas o convite –de quem não suspeitava-  se concretizou.  Ao contrário, anos antes, um Secretário de Estado da Cultura, convidou-me para Delegado Regional do Norte da SEC acrescentando para a Rádio que me nomeava mesmo “sabendo que eu era de Esquerda”. Fui obrigado, nesse mesmo programa a retorquir que “aceitara o lugar mesmo sabendo que quem me convidava era de Direita”.  Durei um ano no lugar pois demiti-me quando o referido político teve a bizarra ideia de transferir a sede da Delegação do Porto para Vila Real! Convém acrescentar que fui prevenido que a coisa não me afectaria pois já me tinham reservado um suculento lugar.  Pouco dado a ser considerado como objecto de compra e venda, pedi a demissão e fui condenado a vegetar na mesma Delegação durante cinco penosos e longos meses...

A tal Delegação continua teoricamente em vila Real mas a direcção está no Porto... Ninguém tem a coragem de acabar com aquele qui-pro-quo cretino e falhado...

5- Os jornais comoveram-se com a expulsão do dr Capucho. Independentemente do facto de considerar que no lugar dele faria exactamente o mesmo (tendo todavia o bom senso de imediatamente me desfiliar do PPD) não vejo razão para tanto choro e ranger de dentes. Os estatutos do partido em causa dizem o mesmo, a acção de Capucho e dos seus amigos, pode ter feito perder a Câmara de Sintra, e não me parece curial vir invocar em defesa própria a meritória carreira partidária anterior. Imagine-se que não havia sanção para um acto claramente dirigido contra o partido. Como é que depois se sancionavam futuras actuações idênticas? Aliás nem Capucho é um militante desconhecido nem a sua candidatura apenas denuncia uma crítica à direcção (boa ou má e, no caso, péssima) de Passos.

6- A Suíça entendeu num referendo limitar a livre circulação de pessoas oriundas de outros países, mormente europeus. Parece que a população acha que que mais de vinte por cento de estrangeiros é demais. Eventualmente, é. Todavia, desde que celebrou os acordos com a União Europeia e desde que isso se traduziu numa entrada maciça de alemães, italianos e portugueses no seu território (serão na totalidade quase um milhão de pessoas) os todos os índices de bem estar, de emprego e de sucesso económico se acentuaram. Mais: os imigrantes deram à Suíça a necessária mão de obra de que eles necessitavam urgentemente. Mandar embora muitos desses trabalhadores significará, por exemplo, o fim ou o estrangulamento de centenas de hospitais, casas de repouso, de cuidados intensivos, lares de idosos e  similares. E o fim de apanhadores de fruta, sapateiros, barbeiros, canalizadores, trolhas, empregadas domésticas, técnicos de toda a espécie,  etc...

Finalmente, foi o campo suíço (onde são raros os estrangeiros) e não as cidades (onde eles abundam) quem mais votou a favor da proposta da Direita. E foram sobretudo os cantões “germânicos” (mesmo contra os seus vizinhos linguísticos) quem mais apostou nesta reforma xenófoba.

Espera-se que a Europa (e os governos dos países dos cidadãos mais directamente atingidos) reaja com vigor e determinação a esta nova regra de vida suíça. Seria extraordinário que a União Europeia se rendesse ou “compreendesse” a decisão helvética.

Já alguém ouviu o sr Passos, o sr Portas ou qualquer um dos seus colegas? Já alguém ouviu o sr Seguro? Ou essas criaturinhas evanescentes andam demasiado ocupadas com a pala do estádio do Benfica?