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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

22
Ago14

au Bonheur des Dames 366

d'oliveira

Daqui fala o morto

 

Já passei por morto pelop menos uma vez, coisa aliás relatada aqui, não sei bem em que secção (demasidos textos, demasiado palavrório, muita treta e pouca letra, é o que é. Vou ter mesmo que organizar os meus folhetins para ver se não me repito).

Há algum tempo, o Arnaldo Saraiva trouxe-me do Brasil uma fotocópia de uma página de jornal onde se relatava a morte de um quidam chamado Marcelo Correia Ribeiro, às mãos de um assassino pistoleiro. Raio de sorte a do falecido! Passeava e terá sido tomado por outra pessoa. Ao que o jornal dizia, aquilo era uma encomenda e o  tratante um mero gangster a soldo que não devia ser muito competente, pois depois de ter esfriado o cavalheiro que tinha o meu nome, teve de ir à procura do verdadeiro alvo, resultando tudo numa perda de tempo, dinheiro (as munições estão caras) aumentando o risco de ser preso, enfim uma caipora danada, prova provada que mesmo com aquele progresso todo, com os “BRICS”, com a presidenta Dilma, com o petróleo a jorrar por todo o lado, subsiste, até no ramo crime!, muita da velha incompetência eventualmente herdada de nós. Aliás, o resultado infamíssimo do Campeonato do Mundo de Futebol, prova exactamente o que venho de dizer: lá como cá. A malta a encher a boca com “o melhor do mundo” (como se não houvesse todos os anos um “melhor do mundo!...) e os brasileiros a levarem aquela cabazada dos teutónicos.

Mas voltemos à vaca fria: o motivo deste sainete.

Há uns dias, na esplanada, estava eu a usar por qualquer razão de pouca ou nenhuma monta um computador (não este mais um mais recente e levezinho, um macbook air recente) quando num gesto desastrado, mas não desprovido de certa elegância,  reguei o maquinismo com um copo de água.

Intervim com energia, tentando secá-lo com guardanapos de papel e depois com um pano prontamente trazido pelo dono do café. Todavia, o computador recusou terminantemente responder às minhas carícias, aos pedidos e finalmente a um par de injúrias de calibre superior. Nada o demoveu. O ecrã estava preto ou pelo menos cinzento mais apagado que o dr. Seguro. Rien n’allait plus!

O cavalheiro que habitualmente me socorre nas aflições informáticas estava de férias pelo que decidi recorrer a uma empresa com estabelecimentos por todo o lado e que é avalizada pela “apple”.

Fui bem tratado pelos funcionários que me atenderam, enternecidos pelo meu ar envergonhado e pela pronta confissão de culpa. Disseram-me que ainda bem que se tratava de água e não de outro líquido qualquer. Aliás, falaram-me logo de coca-cola que, ao que parece é medonha para computadores de qualquer espécie. Assegurei-lhes que não bebia coca-cola há mais de quarenta anos mas eles insistiram “mas poderia ter bebido...”

E mais me disseram: que o diagnóstico dos resultados do inconveniente baptizado me custaria 38€ que poderiam ser descontados no preço da reparação caso eu a contratasse com eles. E que brevemente me informariam do que ocorria com o mabook. E assim foi: em pouco mais de 24 horas recebi a informação aterradora que o prejuízo era grande e que a reparação me custaria 770€!....

E que, dado o montante, me davam prazo para eu responder.

Fiquei sem fala: Um macbook air de 11 polegadas anda pelos 1000 euros. Valeria a pena? Pelo sim pelo não marchei para o Corte Inglês e verifiquei que por 949 €, não só comprava um exemplar do mesmo modelo mas muito mais modernizado, como, ainda por cima, por mais cem euros o poderia pagar ao longo de um inteiro ano. Nem hesitei.

No dia seguinte, fui buscar o cadáver e trouxe-o para casa para lhe prestar honras fúnebres adequadas. Ao fim e ao cabo, sou um pobre homem de Buarcos e nessa terra luminosa os mortos por afogamento são alvo de algum carinho.

Nesse mesmo dia, à tarde, apareceram lá por casa a minha enteada e o meu genro. Este, devorado pelo bichinho da curiosidade, pediu para ver o finado. Retorqui-lhe que o morto merecia um pouco de tranquilidade mas o Nuno não esmoreceu. Agarrou na máquina e, pimba!, tentou anima-la.

E não querem vocês lá ver que o o morto deu um pinote, abriu de par em par as luminárias (Deus as bendiga) todas do ecrã que dias antes era um negrume e mostrou urbi et orbe, que o baptismo não só não o afectara mas que, provavelmente o melhorara. Num ápice, tentámos a internet, o mail, a abertura dos mais desvairados documentos e aplicações e a tudo o ressuscitado respondia com  zelo, brio e diligência. Durante três dias mostrou as suas virtudes e penso que continua a mostrar (entretanto vim para Lisboa e deixei o computador nas mãos do meu genro para ele o levar ao nosso habitual auxiliador) desmentindo o diagnóstico temível da empresa. A pergunta que me faço é esta: são os funcionário dessa empresa incompetentes ou apenas me tentaram estorquir umas centenas de euros?

O mais extraordinário é que a citada empresa (cujo nome misericordiosamente estou a ocultar) me enviou um mail a perguntar se eu estava contente com o serviço prestado (que se resumiu ao diagnóstico escrito que vou guardar cuidadosamente). que é que lhes digo?

 

 

 

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