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Incursões

Instância de Retemperação.

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24
Ago17

au bonheur des dames 418

d'oliveira

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De Espanha, bom vento

(mcr 24 Ago.17)

 

Leio no jornal que de Espanha vieram para Portugal mais de 500 militares e cerca de vinte aeronaves para combater os fogos.

E que esses militares, altamente treinados, andam por cá há dois meses. Que, logo que chegam aos locais onde são necessários se colocam às ordens dos bombeiros locais ou de quem superintende no combate às chamas.

Com eles terão vindo 128 veículos de combate a fogos

E que os meios aéreos (vinte) já fizeram mais de 1800 (mil e oitocentas) descargas no imenso braseiro em que o país está convertido.

Finalmente, que o tempo de voo destes aviões e helicópteros já ultrapassa as 525 horas.

No meio disto tudo, que é muito, que é extremamente generoso e solidário, que é profundamente europeu, há uns parlamentares (ou para lamentar(es)?) que manifestaram surpresa(!!!) e que terão declarado que há militares portugueses desagradados.

Uma pessoa lê e não acredita. Então há gente, e não pouca, competente que vem ajudar e aparecem uns imbecis que se queixam? Que se indignam? Que estão desagradados?

Os senhores militares portugueses que ainda há bem pouco provaram que nem sequer sabem guardar os seus paióis, queixam-se da vinda de uma unidade especialmente treinada para o efeito (coisa inexistente num país que, apesar de décadas de fogo, não tem vergonhosamente um corpo militar com as mesmas competências). É obra!!!

Em que raio de terra vivemos? Que raio de gente manda aqui? Como é possível alguém ficar surpreendido com uma presença tão expressiva (e tão útil) de quem nos vem ajudar? Que diabo de Ministério da Administração Interna temos que não informa (ao menos isso, já que no resto aquilo é um poço sem fundo)da chegada dos requisitados ajudantes?

Que nacionalismo bacoco e pacóvio assola essa gentinha surpreendida, indignada, desagradada que, pelos vistos prefere ver tudo reduzido a cinzas do que salvo por mão estrangeira? E mesmo o termo estrangeiro é discutível. Estamos na União Europeia e, por mero acaso, convém recordar que só temos um vizinho, a Espanha. A menos que se conte com o senhor Neptuno e o seu cortejo de sereias, tritões e, já agora, sardinhas, mesmo se em perigo de extinção.

Traduzindo isto em poucas palavras: andam por aqui muitos parvos e mal agradecidos. E –que chatice!- são incombustíveis!

 

*o título deste folhetim reporta ao velho brocardo: de Espanha nem bom vento, nem bom casamento.

Nem sempre a sabedoria popular está adequada ao momento que se vive.

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