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Incursões

Instância de Retemperação.

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09
Nov17

Au bonheur des dames 436

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O menino Jesus chegou antes do Natal e chama-se Nuno Maria

 

É como se fora do meu sangue. A minha enteada Ana (com a ajuda do marido Nuno) presenteou-nos a mim e à CG com um menino são como um pêro que dorme a sono solto.

A CG flutua a uns bons vinte centímetros do chão e continua a tricotar furiosamente roupinhas para o bébé que não vai conseguir usar todo o enxoval que já tem. É o costume, claro.

Ontem, dia do nascimento, logo de manhã já me pediam notícias do viajante pois sabia-se que a coisa estava a rebentar.

Os pais do infante comunicaram à babada futura avó que o internamento seria ontem, que se seguiriam análises e exames e que, depois, o médico diria quando é que o parto teria lugar.

Era uma piedosa mentira destinada aos familiares (quatro avós maternos e uma avó paterna), bisavós e demais antepassados variados, amigos e colegas.

Pessoalmente, eu tinha uma vaga desconfiança de que as coisas se passariam mais depressa: Já por alturas da licenciatura, a Ana nada dissera e deu-me o prazer (e a honra) de ser o primeiro a saber logo que o último exame terminou. Na altura, explicou-me que queria evitar a choradeira da mãe, o nervosismo do pai. Por isso, eu estava em alerta mínimo e tranquilo. Quando a CG me deu a notícia, ouvia-a impávido.

Depois começou o bailinho da Madeira: a CG a alertar (a amotinar) amigas, parentes e demais povo. Os alertados respondiam com salvas de perguntas, guinchavam metaforicamente pelos novos meios de comunicaçãoo. O meu sábio irmão, médico de profissão, pai e avó endurecido, ligou-me a perguntar se já havia novidades. A cunhada dele, ao lado perguntou se o menino era bonito.

“Ó Maria Manuel, então isso pergunta-se?”

Respondi-lhe que estava em frente do alucinado pai (que andava com dores de parta há umas boas semanas) e que medindo quase dois metros, calçando 48 biqueira larga, me poderia agredir no caso de eu dizer qualquer coisa menos simples do que afirmar que a criaturinha era maravilhosa.

Com este subterfúgio escapei ao nariz de cera habitual e cortei cerce qualquer pedido para dizer com quem a criança era parecida.

Os bébés, à nascença, parecem-se com outros bébés, ponto, parágrafo.

A minha excelente Mãe já se tinha adiantado com um cheque simpático para o menino começar a ter conta no banco. Em troca exigiu uma fotografia verdadeira, em papel como deve ser, nada dessas mariquices no telefone. A Old Lady tem cataratas e quer ver com olhos (os dela) de ver. Pede pouco mas bom. Uma fotografia que o caixilho há-de me encarregar de comprar. Como de costume.

“E coisa boa, nada dessas quinquilharias tão na moda!” É para já Senhora, minha Mãe: vou num pé e venho noutro!  

Os filhos e netos, nossos ou dos nossos parentes e amigos,  são,  sempre, um milagre.

Por junto, hoje, mandei um mail à Zé Albarran explicando que o menino se parece com a avó porque dormia com a boca aberta. Enquanto estive no quarto da parturiente não se dignou abrir o olho e dormiu regaladamente. Isto de nascer cansa, está visto.

Que cresça bem, rodeado de amor e carinho e que o mundo a que chega seja melhor do que aquele a que cheguei num longínquo Novembro de 41.

Agora, cá o espero para o ensinar a jogar bilhar, ouvir muito jazz e alguma ópera, provar uns patés decentes e passear com este imprestável avô até ao café ao pé do jardim. E para o que mais for preciso.

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