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Incursões

Instância de Retemperação.

Incursões

Instância de Retemperação.

10
Jul14

diário Político 199

mcr

 

Sete a um!!!

E podia ser ainda pior. Quem viu a equipa brasileira a arrastar-se na relva, a tropeçar nos próprios pés, a ver a bola passar com facilidade, elegância, de teutão para teutão que se passeavam pelo “Mineirão” como se estivessem a banhos em Ibiza ou nas Baleares.

Conviria lembrar que a equipa canarinha defrontou uma outra que toda a gente chama a “Mannschaft” como se não percebessem que isso (Mannschaft”) quer apenas dizer “equipa”. Equipa. Ou seja onze cavalheiros que acreditam nas vantagens de um conjunto harmonioso. De um conjunto, perceberam? De um conjunto. A equipa alemã não tem ídolos populares mas apenas profissionais, Não tem nenhum “melhor jogador do mundo” (onde é que esses mjdm andam, gostava bem de saber...), tem apenas profissionais que sabem que o seu valor individual melhora num conjunto em que todos colaboram.

O Brasil, ou melhor as autoridades (e a sua “Presidenta”, com A e tudo no fim), gastou um balúrdio em estádios (onde é que eu já vi isto, este despesismo imbecil e infrene, este ridículo herdado do colonizador?) tudo feito a granel, tudo colado com cuspo, ainda há dias lá se foi um viaduto, e a coisa só agora está a começar.

Um país que faz do futebol o seu cartão de visita (a par com o carnaval e as telenovelas) acaba por merecer esta brutal queda no real.

Tenho pelo Brasil um sentimento muito forte, dúzias de antepassados brasileiros quer pelo lado de meu pai, nascido no Rio de Janeiro de mãe do Rio Grande do Sul (mesmo se ela mesma fosse neta de um médico alemão que hoje é nome de uma pequena cidade (Doutor Ricardo) onde ele exerceu abnegadamente) quer da minha mãe cujo bisavô era brasileiro de Minas Gerais. Adoro a literatura brasileira estranhamente fora do Nobel, vá lá perceber-se porquê. Mas nada disso esconde esta dramática entrada na realidade: o pais dos inventivos do futebol (quem esquece Pelé ou Garrincha, para não ir mais longe?) viveu sempre muito da habilidade de alguns mas isso, por muito simpático que seja, por muito anti-alemão que alguém possa ser, não substitui esta breve verdade: o futebol é jogado por onze contra onze e não por génios individuais. Quem viu o jogo tem alguma dúvida que com Neymar o resultado não sofreria grandes modificações?

E, para a História, relembremos aquele famoso campeonato em que os portugueses (com Eusébio, com Coluna e com outros dedicados e esforçados companheiros) que no Brasil eram acusados de jogar com uma bola “quadrada” apagaram aquela equipa (que tinha Pelé e outros do mesmo gabarito), derrotando os brasileiros sem apelo nem agravo. Uma equipa que aliás chegou longe contra outra que, como agora, vivia de trunfos individuais mas não se conseguia organizar.

Se fosse malicioso, poderia  tentar fazer um paralelismo com o que se passa na política e na economia. Ou como um pais “quadrado”, “pouco imaginativo” (e tudo o mais que quiserem) leva sempre a melhor sobre os jeitosos, os desembaraçados, os alegres, os chicos espertos. Mas deixemos isso para outros carnavais e olhemos para este desastre brasileiro mesmo se isso não nos consola dos justíssimos quatro que de lá trouxemos. E recordemos que a nossa única “vitória” naquele drama de faca e alguidar se deveu a um auto-golo e que,  contra os USA, suámos as estopinhas e metemos um golo mesmo no fim do jogo...

É bom que ninguém se ria dos nossos parentes do lado de lá.

Ou melhor, esperemos que eles e nós, sobretudo nós, aprendamos de uma vez por todas.

A esperança é a última coisa a morrer...

 

d'Oliveira fecit